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Uma confeitaria húngara em Lisboa

por Paula, em 04.02.15

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Sem estar à espera, a informação veio até mim. Ainda pensei que tinha lido mal, mas não. Era mesmo verdade! Imbuída de uma felicidade miudinha que me percorria o corpo, lá me aventurei na sua busca, em silêncio, calada, sem dizer nada que pudesse revelar o meu interesse. Era um segredo só meu. Queria descobri-la sozinha; ver primeiro, e sentir o seu ambiente de modo solo para melhor o entranhar.

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A quietude da tarde soalheira de Inverno parecia embalar-me na descoberta que estava prestes a fazer. Andei às voltas, sabia que não estava longe. De súbito, o olhar detém-se numa esquina. Não conseguia ler, mas senti que era ali. O passo apressou-se, sem que lhe desse ordem, e o sorriso soltou-se descarado, sem rédeas. De repente, senti-me leve. Tinha a certeza de que me aguardavam coisas boas. E não me enganei!

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Numa das transversais da Avenida das Forças Armadas, encontramos uma confeitaria… húngara! Chama-se Choco & Mousse e é um lugar muito simpático.

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Com uma decoração harmoniosa e jovem, o pequeno espaço está arrumado de forma cómoda. As cores encantam e a montra deslumbra. Apetece comer um pouco de tudo o que ali se apresenta, desde as bolachas até às elegantes fatias de bolo, feitos com ingredientes frescos e de qualidade. É importante não perder o fim-de-semana, pois é quando se exibe e se dá a provar o famoso Dobos Torte, um bolo húngaro feito em camadas.

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Quando passei por Budapeste, uma das delícias de rua que provei foi o Kürtoskőkalács. Trata-se de um bolo que parece uma chaminé e que surgiu na Transilvânia, quando ainda era território húngaro. Kürt, significa “chaminé” e Kalács quer dizer “bolo de leite”, em húngaro. Este bolo é feito com uma massa fofa e deliciosa que é trabalhada em forma de rolo e posteriormente enrolada num cilindro envolvido com manteiga, que mais parece um espeto. Depois, é espalmado através do rolar do rolo na mesa de trabalho. De seguida, é envolvida por açúcar e é levado a assar num forno ou grelhador com brasas, o que lhe confere um sabor caramelizado absolutamente maravilhoso. Por fim, é envolvido em canela, coco ou avelãs para lhe dar um certo toque. É leve e deveras delicioso.

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Quanto à receita verdadeira, ninguém a revela completamente, pelo que temos que ir adivinhando os seus ingredientes e as quantidades.

 

É tipicamente um bolo de rua, vendido principalmente em bancas, feiras e mercados, embora junto à Vaci Utca, em Budapeste, haja uma casa, o Café Molnár's Kürtoskőkalács, que os confecciona.

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Na Choco & Mousse, em Lisboa, não é possível prová-lo, por, segundo me explicaram, não ser permitido, em Portugal, fazer este tipo de massa na rua. Por isso, apenas poderemos sonhar com ele.

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O atendimento é simpático e despretensioso. Dão-nos todas as informações com calma e respondem a todas as nossas perguntas. Ou seja, a simpatia é outro ingrediente de qualidade que perpassa para as generosas fatias de bolo.

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Adorei conhecer este lugar. E fiquei sua cliente, sem dúvida. A próxima degustação chama-se Dobos Torte (ou Dobosh).

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Boas descobertas! 

Bom apetite ou jó étvágyat!

Sziá!

 

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Menus por Rafael Bordallo Pinheiro

por Paula, em 23.12.14

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IMG_7146.JPG«Prato Mesa Exposta» - Faiança - RBP Caldas 1897; 1898

 

Rafael Bordallo Pinheiro nasceu em 1846 e faleceu em 1905, deixando uma vasta obra naturalista ligada também à caricatura humorista e satírica.

 

Homem boémio na juventude, revelou na sua obra multifacetada o gosto de estar à mesa e o valor da boa gastronomia. Os seus registos no desenho, pintura e cerâmica dão assim a conhecer a dieta alimentar e os espaços de consumo do último quartel do século XVIII, como os mercados de rua e os armazéns de víveres.

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O seu humor apurado levou-o a utilizar muitas vezes a gastronomia como ponto para caracterizar muitas situações políticas e sociais da altura, usando expressões como «caldo entornado» ou «castanha da boa».

 

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Mas Rafael Bordallo Pinheiro deixou também registos de lindíssimos menus de banquetes de homenagem de que não só deu notícia como também decorou e compôs graficamente, caricaturando afectuosamente os convivas e representando-se, entre objectos sobredimensionados da culinária e da mesa, suscitando o humor.

 

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 Mesa exposta no Museu Bordalo Pinheiro

 

É com Rafael Bordallo Pinheiro que espero inspirar-vos para criar um bonito e humorístico menu de Ceia de Natal.

 

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Se ainda não visitaram o Museu Bordalo Pinheiro, façam-no por estes dias. Recomendo vivamente. O bilhete não é caro e o espaço está aberto à hora do almoço. Para além disso, a exposição é dinâmica e contém peças maravilhosas bem como uma biblioteca bonita. A loja vende artigos para oferta ou para recordação com a simbologia bordaliana. Os meus favoritos são os aventais. Por fim, do outro lado da estrada, encontra-se o Museu da Cidade de Lisboa que recebe no seu exterior o Jardim Bordalo Pinheiro onde estão expostas várias peças de tamanhos gigantes por todo o seu espaço. Imperdível!

 

Boas Festas!

Buonas Fiestas!

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Conserveira de Lisboa

por Paula, em 15.04.14

Praça do Comércio - Lisboa

Casa dos Bicos - LisboaBaixa de Lisboa

Cais das Colunas - Lisboa

1 - Praça do Comércio em Lisboa; 2 - Casa dos Bicos, onde se situa a Fundação José Saramago; 3 - Vista para a Sé de Lisboa; 4 - Cais das Colunas

 

A semana passada o Notas Soltas & Coisas Doces esteve dedicado às conservas, tendo já em vista os bons frutos que o Verão nos trará, sob a forma de charcutaria e de conservas condimentadas.

 

Todavia, são várias as formas de conservar alimentos. Estas abrangem o tradicional escabeche – que utiliza o vinagre -, a fumagem – hoje mais desaconselhada devido à presença de agentes nocivos para a saúde -, a congelação, a salga, a cura, a secagem, os doces, a charcutaria e as conservas condimentadas. Cada forma de conserva tem um ou mais agentes naturais que ajudam à conservação. São eles, exemplificativamente, o sal, o açúcar, o azeite, óleos, vinagres, álcool e outras gorduras.

 

Para enriquecer este capítulo das conservas, nada melhor do que fazer uma visita à antiga e bem conhecida Conserveira de Lisboa.

 

Conserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

1 a 11 - Conserveira de Lisboa

 

A antiga Mercearia do Minho nasceu em 1930, sendo que em 1942 passou a denominar-se Conserveira de Lisboa, nome que ainda mantém. Trata-se de uma casa de comércio tradicional dedicada, como o próprio nome indica, às conservas. Detém três marcas próprias: Tricana, Prata do Mar e Minor.

 

Mantém a traça tradicional da loja dos anos 30 do século passado e tem o já raro atendimento personalizado. Por isso, pode dizer-se que é uma verdadeira jóia de Lisboa.

 

 

Praça do Comércio - LisboaLisboa

1 - Praça do Comércio; 2 - Chafariz D'el Rey

 

Localizada numa zona característica da Baixa de Lisboa, na Rua dos Bacalhoeiros, n.º 34, esta pérola dos sabores lusos dá ao seu visitante não apenas a oportunidade de saborear as melhores conservas e azeites do País, como proporciona também um excelente passeio por aquela zona da cidade. Ali próximo poderá visitar o Museu do Fado, a icónica Casa dos Bicos que hoje é o lar da Fundação José Saramago, um dos prémios Nobel da Literatura, a lindíssima Praça do Comércio com as esplanadas viradas para o Tejo e o romântico Cais das Colunas que recebe o rio de braços abertos.

 

 


 
 

Para chegar, poder-se-á utilizar o Metro e sair na Praça do Comércio se se for pela linha azul; se a opção for a linha verde, dever-se-á sair na Baixa/Chiado. Para levar o carro, o melhor é deixá-lo ficar no estacionamento do Campo das Cebolas. Os autocarros que passam ali próximo param na Praça do Comércio. Para uma sugestão mais turística, existe o tradicional eléctrico 28E, bem como o 18E e o 25E.

 

Bons passeios e excelentes descobertas!

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A descoberta do "Marie Gateaux"

por Paula, em 23.02.11

 

No sábado passado tive que ir até à Avenida de Roma, em Lisboa. Enquanto deambulava por ali até chegar ao meu destino, passei por uma casa que se chama "Marie Gateaux". Lembrou-me Paris. Fiquei com o bichinho e assim que me vi livre do meu compromisso, corri para lá. O aspecto é aconchegante. O espaço não é muito amplo de modo que nos sentimos bem recebidos. A decoração é muito mimosa, a lembrar as coisas boas da vida.

Pedi uma fatia de bolo de chocolate e um capuccino. Ambos estavam deliciosos. O bolo de chocolate estava como gosto: amargo!

O "Marie Gateaux" dedica-se à decoração de bolos, sendo que vendem também bolos à fatia, chocolates e compotas caseiras. É um sítio que vale a pena conhecer. Vejam as informações sobre o espaço aqui.

 

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