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Partilha ou exibicionismo?

por Paula, em 13.08.15

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A capacidade de partilhar é uma qualidade que nos torna mais humanos; é dizer-se e saber-se um ser sensível, despojado de egoísmo.

 

Infelizmente, existe a ideia de que quem partilha o faz para se exibir e não pelo simples acto de comungar com o outro, de gozar do mesmo prazer de ter, de provar, de sentir. 

 

Para mim, quando algo é partilhado torna-se mais bonito, mais saboroso. Tudo se torna (ou deveria tornar-se) melhor. Só assim é que a vida faz sentido.

 

Para que conste: nos escritos deste blogue fica exarado que as partilhas, aqui, são para continuar com o mesmo gosto. Por isso, deixo-vos uma receita de ensopado de pato que fica uma delícia. E, já agora, partilhem com quem mais desejarem (e, sobretudo, com quem vos trate bem). ;-D

 

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ENSOPADO DE PATO

 

INGREDIENTES

Para o ensopado:

1 pato inteiro c/ os miúdos

3 cebolas médias, cortadas em meias-luas

2 alhos, ralados

1/2 de limão

1 ramo de salsa, picada

1 haste de serpão

2 folhas de louro

2 cravinhos

1 piri-piri

1 colher de sopa de banha

1 colher de sopa de farinha

3 dl de vinho tinto (de boa qualidade)

Sal e pimenta, moída na hora, q.b.

Fatias de pão torrado q.b.

 

Para o caldo:

2 cenouras, cortadas em pedaços

1 cebola, cortada em quartos

2 dentes de alho, cortados ao meio

2 alhos franceses, médios, cortados em rodelas

1 folha de louro

A carcaça do pato

1 litro de água

Sal e pimenta q.b.

 

PREPARAÇÃO

Começar por lavar bem o pato e secá-lo com papel de cozinha. De seguida, esfregá-lo com rodelas de limão para dar sabor e para atenuar o sabor da gordura da ave.

 

Partir o pato em pedaços, tendo o cuidado de separar as partes do peito da carcaça. Esta servirá para fazer o caldo. Esfregar com sal e os alhos. Cortar os miúdos em pedaços pequenos. Reservar.

 

Entretanto, deve dar-se início ao caldo que irá cobrir o ensopado. Para isso, colocar todos os ingredientes numa panela. Deixar levantar fervura e cozinhar cerca de 40 minutos. Coar e reservar até ser necessário.

 

Num tacho, colocar a banha e o pato com a pele voltada para baixo. Deixar cozinhar até ficar dourado e voltar para que sele do outro lado. Quando tiver aloirado, polvilhar com a farinha. Cobrir com o vinho. Colocar os restantes ingredientes e 2 dl do caldo. Tapar e deixar estufar em lume brando até o pato ficar bem tenro. Ao longo da cozedura, deverá adicionar-se um pouco mais do caldo para que o molho não seque.

 

No final, retirar o molho, levar por uns minutos ao frigorífico para que a gordura solidifique. Retirar a mesma com a ajuda de uma escumadeira. Reaquecer o molho. Colocar umas fatias de pão no fundo de uma travessa funda, dispor o pato e cobrir com o abundante molho e um pouco de salsa ou coentros frescos, picados na hora.

 

Sugestão: o caldo que sobrar poderá congelar-se para se utilizar mais tarde para dar sabor a outro prato.

 

Este ensopado fica realmente delicioso.

 

Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

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Lombo de porco assado com alcaravia

por Paula, em 08.05.15

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Os gregos chamaram-lhe karon. Os àrabes diziam-na karwaia. Na Idade Média era conhecida como cari. Da família das umbelíferas, a alcaravia ou cominhos-dos-prados (carum carvi) é uma erva aromática de sabor intenso a lembrar um pouco os cominhos, sendo por isso algumas vezes confundida com aqueles. Dá-se essencialmente nos climas frios da Europa Setentrional e Central e nas montanhas limitantes da Europa Mediterrânica. É muito utilizada no norte da Europa para aromatizar pastelaria e charcutaria. Também constitui a base do licor Kümmel e é óptima para dar vida e sabor a sopas, saladas e estufados.

 

O meu primeiro contacto com as sementes de alcaravia aconteceu em Budapeste por via da goulash. Quando regressei a Portugal, tentei encontrá-la mas nas lojas ninguém a sabia identificar. Todavia, hoje, já se consegue comprar em algumas grandes superfícies.

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INGREDIENTES

1 lombo de porco com 2 kg

1 limão

1 c. de chá de sementes de alcaravia

1 c. de chá de cominhos

1 c. de chá de pimenta branca

1 c. de chá de paprica

1 piri-piri, picado

2 c. de sopa de azeite aromatizado com tomilho e alecrim (ou simples)

1 cabeça de alhos, cortada ao meio + 4 alhos, picados

Sal q.b.

250 ml de vinho branco

100 ml de água

1 c. de chá de farinha

 

PREPARAÇÃO

Colocar o lombo de porco num recipiente fundo, cobrir com água e regar com o sumo do limão. Deixar as metades do limão junto do lombo, tapar o recipiente com película aderente e reservar no frigorífico de um dia para o outro.

 

Retirar o lombo da água, secar com papel de cozinha e com uma faca fazer um golpes. De seguida, juntar o azeite, as especiarias e os alhos picados, envolver bem e barrar a carne com a mistura, tendo o cuidado de colocar algum tempero nos entalhes da carne para que ganhe mais sabor.

 

Colocar o lombo já temperado num tabuleiro de ir ao forno, bem como as metades de cabeça de alho, o vinho branco e a água. Levar ao forno pré-aquecido a 160.º C durante 60 minutos. Ao fim desse tempo, virar a carne e deixar assar por mais 60 minutos. Aumentar a temperatura para os 200.º C e deixar cozinhar por mais 30 a 40 minutos até a carne estar cozinhada.

 

Retirar a carne do tabuleiro e colocar numa tábua para repousar um pouco. Depois, levar ao lume o tabuleiro onde se assou a carne, adicionar a farinha diluída num pouco de água ao molho que restou da carne e juntar os alhos assados que se retiram das cascas pressionando ligeiramente. Envolver bem com a ajuda de uma colher até engrossar. Finalmente, triturar tudo num copo com a ajuda da varinha mágica. Servir a carne fatiada apresentando o molho à parte numa molheira.

 

As sementes de alcaravia ligaram muito bem com o lombo de porco e com o molho que posteriormente o regou, dando-lhe vida.

 

Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

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Peito de frango recheado

por Paula, em 26.04.15

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Uma das afirmações que ouço com alguma regularidade, no que concerne a carne frango, é a de que não apreciam a parte do peito por ser muita seca. Ao contrário desta corrente, eu prefiro esta parte à suculenta “pernoca” da referida ave.

 

Uma forma de tornar o peito de frango mais apetecível é recheá-lo. Por isso,  sugiro um peito de frango recheado com um saboroso queijo-creme com alho e ervas aromáticas. Sem margem para dúvidas: de-li-ci-o-so!

 

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INGREDIENTES

2 peitos de frango

150 g de queijo-creme com alho e ervas aromáticas*

Sal e pimenta a gosto

1 rodela de gengibre fresco, ralado

Espargos q.b.

Azeite q.b.

 

PREPARAÇÃO

Aquecer o forno a 200.ºC.

 

Abrir os peitos de frango ao meio, com a ajuda de uma faca. Temperar com o sal, a pimenta e o gengibre. Rechear com o queijo-creme e fechar com a ajuda de uns palitos.

 

Dispor em travessa forrada com papel vegetal e regar com um pouco de azeite ou manteiga.

 

Cobrir a travessa com papel de alumínio e levar ao forno durante 30 minutos. Ao fim desse tempo, retirar o papel de alumínio e deixar que a carne aloure.

 

Servir com espargos cozidos em vapor e arroz negro.

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* Pode fazer o seu próprio queijo-creme, juntando o queijo, alho e ervas aromáticas a gosto, mexendo tudo muito bem.

 

Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

 

 

Música: "The days of wine and roses", by Laverne Butler

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Perna de cabra estufada

por Paula, em 12.04.15

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Um dos pratos de que gosto bastante é a chanfana, um prato tradicional da Beira Alta que se traduz por ser carne de cabra velha, cortada aos pedaços e cozinhada num tacho de barro que vai ao forno. Desta vez, optei por cozinhar uma outra peça da cabra num tacho de barro específico e sem a levar ao forno.

 

Há dois anos, estive uns dias com os meus pais em S. Pedro do Sul, onde descobri a loiça de Molelos. Esta caracteriza-se essencialmente pela sua cor preta, mas não só. Enquanto os tachos de barro comuns necessitam de um tratamento prévio antes de serem utilizados, as peças de barro de Molelos dispensam-no. Mais: podem ir ao lume sem estarmos de coração nas mãos pensando que se vão partir e podem também ir ao forno sem qualquer perigo. É uma loiça segura e que confere aos cozinhados um sabor extraordinário por manter as características dos alimentos. É nesta loiça que agora faço boa parte dos estufados que cozinho.

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INGREDIENTES

1 perna de cabra

4 c. de sopa de azeite

3 cebolas, cortadas em meias-luas

6 dentes de alho picados

3 folhas de louro

2 c. de sopa de pimentão

4 tomates picados, limpos de pele e sementes

1 talo de aipo

3 cenouras, cortadas grosseiramente

2 copos de vinho tinto (cerca de 200 ml cada)

1 copo de água

1 cálice de aguardente de medronho

1 ramo de salsa

1 haste de serpão

Sal, pimenta e piri-piri a gosto

 

PREPARAÇÃO

De véspera, colocar todos os ingredientes num tacho de barro, envolver bem e deixar no frigorífico durante a noite.

 

No dia seguinte, colocar o tacho ao lume, brando, e deixar cozinhar por cerca de 4 a 5 horas, tendo o cuidado de vigiar. Se precisar, pode acrescentar mais um pouco de água.

 

Servir quente, acompanhada de boa batata cozida.

 

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A carne fica tenra e suculenta, soltando-se facilmente do osso.

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Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito! 

 

 

Música: "C'est le printemps", de Stacey Kent

 

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Chamuças no forno

por Paula, em 16.07.14

Chamuças no forno

 

Via-a a passar com o seu sari sempre impecável. O cabelo estava elegantemente apanhado. Os seus modos eram delicados e a forma de sorrir era tímida. Caminhava com delicadeza – a mesma com que, suponho, confeccionava as chamuças que abasteciam os cafés do bairro. Nunca soube o seu nome, nem de onde vinha, mas ainda guardo na memória os aromas e o sabor daqueles maravilhosos folhados indianos.

 

Chamuças no forno

 

De vez em quando olho pela minha janela de onde avisto a sua casa e pergunto-me se ainda as fará para a família. Imagino-a vestida num bonito sari, de cabelos já prateados apanhados de forma elegante, a cozinhar pratos com aromas ricos, intensos e deliciosos.

 

 

INGREDIENTES

(para cerca de 18 unidades)

 

2 embalagens de massa filo

500g de carne picada

2 alhos picados

1 c. de sopa de azeite

1 c. de chá de coentros em pó

2 c. de sopa de açafrão-das-índias

1 c. de chá de colorau

1 c. de chá de gengibre em pó

1 c. de chá de cravinho em pó

1 c. de sopa de polpa de tomate

3 cebolas médias, picadas

1 molho de coentros, picados

1 limão pequeno

Sal e piripiri q.b.

1 iogurte grego

 

PREPARAÇÃO

Numa frigideira funda, colocar o azeite, a cebola e as especiarias e deixar que libertem os sabores e refogem ligeiramente. De seguida, adicionar o alho e envolver. Juntar a carne e temperar com sal e piripiri. Deixar a carne cozinhar.

 

Depois, se tiver muito líquido, deixar escorrer num passador fino. Juntar os coentros picados, regar com sumo de limão e envolver.

 

Entretanto, cortar a massa filo em tiras de 8 cm de largura. Pincelar com um pouco de azeite. Com uma colher de sopa, colocar o preparado numa das pontas da tira de massa e enrolá-la, dobrando as margens para dentro e depois fazendo triângulos até terminar a tira. Colar com um pouco de azeite e dispor num tabuleiro de ir ao forno devidamente forrado com papel vegetal.

 

Levar ao forno aquecido a 200º C por cerca de 12 minutos ou até a massa estar dourada.

 

Servir com iogurte grego e coentros picados.

 

Chamuças no forno

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

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Saltimbocca alla Romana

por Paula, em 18.04.14

Saltimbocca alla Romana

 

Saltimbocca alla Romana é um prato feito com bife de vitela panado em farinha e cozinhado com salva e presunto. Pode ser apresentado de forma natural, plana, ou enrolado e preso com palitos. Esta segunda forma, embora mais bonita, pode apresentar uma dificuldade: que o bife não cozinhe uniformemente. Por mim, dispensei a farinha, mas dei uso de bom grado à salva e optei pela apresentação mais simples.

 

O nome científico da salva é salvia officinalis. Todavia, é também conhecida por muitos outras designações: erva-santa, salva-mansa, salva-menor, salva-das-farmácias, salva-da-catalunha, grande-salva, chá-da-europa, chá-da-grécia, chá-da-frança. Sobre esta última é interessante saber que Luís XIV bebia todas as manhãs, ao levantar, duas chávenas de salva e verónica.

 

Originária do Mediterrâneo, a salva é caracterizada por ter folhas oblongas de um verde-acinzentado, aveludadas e com pêlos, ricas em óleo que contém cânfora, taninos, alcalóides e saponina. Para além da variação mais comum, existe ainda a salva-esclareia (Salvia sclarea) que tem um aroma almiscarado muito intenso. Esta variedade é mais usada em bouquets aromáticos e almofadas de ervas, sendo que há quem a utilize também para aromatizar vinhos, marmeladas e fruta cozinhada.

 

As suas propriedades são conhecidas há séculos. Conta-se que a Escola de Salerno (famosa escola de medicina situada naquela cidade italiana) já a designava de Salvia salvatrix, numa evocação à máxima de que a existir um jardim de salva, não haveria morte. Aliás, salvia deriva de salus que significa saúde.

 

Por ser uma planta muito aromática e de sabor intenso, é difícil apreciá-la na primeira abordagem. Apesar de ser bastante utilizada na culinária, o seu uso deve ser moderado pois pode tornar-se tóxica. Pessoas com hipertensão devem evitar o seu consumo.

 

Saltimbocca alla Romana

 

INGREDIENTES

4 bifes finos de vitela (alcatra ou lombo)

1 pitada de sal

1 pitada de pimenta

1 pé de salva fresca (de 2 a 3 folhas por bife)

250 g de presunto fatiado

1 c. de sopa de azeite

30 g de manteiga

80 ml de vinho Moscatel

100 ml de caldo de vitela (ou de galinha)

 

PREPARAÇÃO

Colocar os bifes, um de cada vez, entre duas folhas de papel vegetal e bater ligeiramente para que adelgacem e estendam um pouco mais.

 

Temperar com um pouco de sal e pimenta – tendo em conta que o presunto e o caldo já contêm sal, pelo que há perigo de salgar os bifes. Dispor duas a três folhas por bife, carregando um pouco para que adiram bem à carne. De seguida, dispor o presunto sobre os bifes, pressionando igualmente com os dedos.

 

Numa frigideira, colocar o azeite e metade da manteiga e deixar aquecer. Saltear os bifes durante dois minutos de cada lado. Regar com o vinho, retirar os bifes e reservar.

 

Juntar o caldo aos sucos que ficaram na frigideira e deixar reduzir. É então altura de juntar a manteiga restante, bem como os bifes que se reservou apenas para ligarem como molho.

 

Estes bifes (saltimbocca) vão bem acompanhados com batatas cortadas em gomos e assadas no forno. Para o efeito, ligar o forno a 200.ºC. Descascar e cortar as batatas em gomos. Temperar com sal, uma folha de louro, dois dentes de alhos esmagados com camisa (ou seja, com casca) uma colher de chá de pimentão-doce e regar com um fio de azeite. Levar ao forno durante cerca de 20 minutos ou até estarem cozinhadas e douradas.

 

Saltimbocca alla Romana

 

Pessoalmente, já tinha tentado usar a salva mas sem sucesso. Contudo, esta receita levou a que fosse aceite na minha cozinha a ponto de querer saber mais sobre ela. Creio que merece que se aposte nela, devendo dar-se-lhe um uso moderado, como já referido.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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Peniche, Portugal

 

O ano que passou foi um ano difícil, temperado com várias especiarias e ervas que me deixaram um sabor amargo na boca. Mas, apesar disso, não posso deixar de pensar que também foi um ano que me trouxe boas experiências, bons momentos e uma nova postura perante a vida.

 

Parque das Nações, Lisboa, Portugal

 

Em março, através de um convite da Bertrand dirigido à equipa do blogue "Jane Austen Portugal", no qual sou co-autora, iniciei uma aventura no mundo da leitura ao aceitar participar no "Clube de Leitura Jane Austen". Ali, conheci pessoas fantásticas, verdadeiras entusiastas dos romances de Jane Austen, de todos os clássicos e da culinária. Tem sido um processo de grande aprendizagem que ficará para sempre como uma boa recordação.

 

Ilha Margarida, Budapeste, Hungria

 

Em maio, regressei a Budapeste para mais uma excelente experiência, onde provei os deliciososKürtoskalács, visitei o Parlamento e andei pela ilha Margarida; conversei sobre o povo e a história da cidade; deliciei-me com os queijos e as salsichas magiares em mais uma edição do Festival da Palinka no Castelo de Buda; provei a famosa Palinka e o vinho Tokaji e fiquei a conhecer os Kowalski Mega Vega. Nadei em águas tranquilas e revigorantes. Andei pela elegante Andrássi Út e pela famosa Váci Utca; revisitei o Mercado e voltei ao Replay Café para mais um agradável momento de boa comida, bons vinhos e uma excelente sobremesa. Visitei o Museu de Belas Artes e desejei voltar à Galeria Nacional Húngara. Deambulei por estações de metro, vivi e revivi momentos bons.

 

Palácio de Sintra, Lisboa, Portugal

 

Agosto foi o mês em que tive o imenso prazer de receber a Luciana e a Carolina do "JASBRA - Jane Austen Brasil", em nome do "Jane Austen Portugal". Foi um dia muito bem passado em Sintra. Conversámos sobre a autora de "Orgulho e Preconceito", sobre a vila e, claro, sobre culinária. A Luciana despediu-se com suspiros, não só porque ficou apaixonada pela beleza do lugar e do seu romântico Palácio, mas também porque ficou rendida ao sabor dos travesseiros da famosa Piriquita.

 

Foi um ano em que sorri ao ver amigos concretizarem sonhos e lançarem-se em voos que lhes trarão boas experiências. De outros, tive que me despedir para sempre. Por isso, chorei de tristeza, de dor e de saudade e, com isso, reaprendi a viver e a olhar para a vida como uma benção e como a única oportunidade que tenho para fazer e estar com quem gosto. Percebi que a vida é mesmo um instante.

 

Cresci um pouco mais na minha petite cuisine. Nela, e com ela, retemperei forças. Ganhei novo alento para continuar o "La Bouquiniste", um blogue sobre leituras diversas ainda em estado nascituro, e para desenhar novas ideias para o "Notas Soltas e Coisas Doces" que espero concretizar este ano.

 

 

Esta tarte faz a ponte entre o ano que passou e aquele que agora começa porque é feita com as sobras das carnes que estiveram na mesa de Natal. Afinal, do velho se faz novo.

 

 

Tarte de peru e leitão assados

(Serve 6)

 

INGREDIENTES

2 embalagens de massa quebrada

400 g de sobras de carne de peru assado

200 g de sobras de carne de leitão assado

4 fatias grossas de chouriço cortadas em cubos

1 c. de sopa de azeite

2 tomates, pelados e sem sementes, partidos em cubos

1 cebola média picada

4 talos de aipo partidos

1 haste de alecrim (só as folhas)

250 ml de vinho branco

Água q.b.

1 ovo

 

Para o molho bechamel

500 ml de leite

2 c. de sopa de maisena

1 c. de sopa de manteiga

Pimenta q.b.

Noz moscada q.b.

Sal (facultativo)

 

PREPARAÇÃO

  1. Aquecer o forno a 180.º C. Forrar uma tarteira com uma folha de massa quebrada (não retirar o papel vegetal, dispensar apenas o excesso que fica fora do recipiente) e levar ao forno aquecido durante 10 minutos.
  2. Entretanto, refogar a cebola em azeite até ficar translúcida. Juntar o chouriço e deixar que a gordura se solte.
  3. Adicionar o tomate, o aipo e o alecrim e deixar cozinhar em lume brando durante 5 minutos. Refrescar com o vinho.
  4. Adicionar as carnes partidas e deixar apurar durante 10 minutos em lume brando. Juntar água se necessário.
  5. Num tacho pequeno, preparar o molho bechamel. Colocar a manteiga, adicionar a farinha maisena previamente peneirada e envolver. Adicionar o leite e deixar engrossar, mexendo sempre com uma vara de arames para não ganhar grumos. Quando estiver com a consistência desejada, temperar com pimenta e noz moscada moídas na altura. Adicionar sal se desejar.
  6. Triturar o preparado das carnes, por porções, e colocar na tarteira que se retirou do forno. Cobrir com o molho bechamel.
  7. Pincelar o rebordo da segunda folha de massa quebrada, colocar sobre a tarte e fechar.
  8. Bater ligeiramente o ovo e deitar sobre a tarte com a ajuda de um pincel.
  9. Levar ao forno durante 30 minutos ou até a massa estar dourada e cozida.
  10. Servir com salada verde.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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A vida é um instante, dizia Óscar Niemeyer. A vida é um instante, murmuro, na certeza de que esta verdade tão absoluta nos escapa na correria dos dias. A vida é um instante, reforço, tentando gravá-la na minha mente. A vida é um instante que deve ser aproveitada com alegria e serenidade entre pratos coloridos partilhados com amigos e família.

 

O Natal proporciona a magia destes momentos mais do que outra época do ano. Neste colorido natalício, talvez seja bom reforçar esta ideia de que o que importa é a vida. Em última instância, o que importa são as pessoas e os momentos bem vividos. O melhor que damos e recebemos vai e vem daqueles a quem nos dedicamos por amor ou por amizade e a cozinha é o livro mágico onde tudo isto acontece.

 

 

 

INGREDIENTES

(Serve 2)

4 peitos de frango

1 queijo de cabra

50 g de coentros

50 ml de vinho do Porto branco ou moscatel

250 g de framboesas

Sumo de 1/2 limão

2 c. de sopa de azeite

1 c. de sopa de manteiga

Sal q.b.

Pimenta q.b.

 

PREPARAÇÃO

  1. Triturar o queijo juntamente com os coentros na picadora. Reservar.
  2. Abrir os peitos de frango ao meio. Bater com o martelo de modo a torná-los mais finos.
  3. Temperar com sal e sumo de limão e deixar a marinar durante 15 minutos.
  4. Estender os peitos de frango abertos e cobrir com a mistura de queijo e coentros. Enrolar e fechar com um palito.
  5. Colocar o azeite e a manteiga numa sertã e juntar o frango recheado e, nessa altura, temperar com pimenta preta moída no momento. Deixar cozinhar 5 a 6 minutos de cada lado até ficar dourado. Retirar e reservar.
  6. Juntar o vinho ao azeite restante (depois de limpo) e deixar ferver durante 1 minuto. Juntar as framboesas e deixar ferver durante 3 minutos até o vinho evaporar.
  7. Empratar e cobrir o frango com o molho. Servir com puré de batata e salada de agrião bebé.

 

 

As framboesas tinham como destino um bolo de chocolate, mas no meu subconsciente estava gravada a vontade de experimentar uma receita deste livro. O resultado acabou por ser a fusão de várias receitas que resultou bem.

 

O frango fica delicioso e o molho de framboesa confere-lhe efetivamente um toque muito especial. Sem este, seria apenas mais uma forma de cozinhar o frango.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

                      

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Frango com Caril

por Paula, em 26.11.12

 

 

Frango com Caril

 

Já dizia a Minnie, no filme "As Serviçais", que o frango é o remédio para todos os males. Traz conforto, é saudável e adapta-se a todas as ocasiões. Pode ser de aviário - o menos recomendado - ou do campo. Distingue-se da galinha pelo tempo de criação. Ao fim de dois meses, o frango (do campo) está pronto a ser utilizado. A galinha, por sua vez, já pôs ovos e conta com 12 a 15 meses de criação. A distinção faz-se facilmente pela cor e textura da carne. O primeiro é tenro e de cor mais clara; a segunda tem uma carne escura, mais dura e fibrosa.

 

O caril está associado à cozinha indiana e asiática. De cor intensa e apelativa, este consiste numa mistura de pimenta, malagueta, coentros, cominhos, açúcar de cana e curcuma (também conhecido por açafrão-da-índia).

 

A inspiração para a sugestão de hoje veio do caril. Procurava uma receita que me deixasse feliz. Ao vasculhar a minha estante de livros, encontrei um dedicado exclusivamente ao frango. E lá estava, no "Receitas Simples & Rápidas" (frango), da Euro Impala, aquela que me agradou. Tomando em conta os ingredientes existentes na despensa, adaptei-a e fiquei muito feliz com o resultado.

 

Frango com Caril

 

INGREDIENTES

(Serve 4)

1 frango 

1 cebola

1 dente de alho

0,5 dl de azeite

1 lata de coco em conserva (utilizei leite de coco) 

300 g de miolo de camarão

1 c. de sopa de caril em pó

2 dl de natas

1 ramo de coentros (não usei)

300 g de arroz

Sal e pimenta q.b.

 

 

PREPARAÇÃO

1 - Arranjar o frango e cortá-lo em pedaços. Temperar com sal e pimenta.

2 - Cortar e picar a cebola finamente, assim como o alho. Corar em azeite.

3 - Juntar o frango e deixar cozinhar durante 10 minutos.

4 - Juntar o leite de coco, o miolo de camarão e o caril.

5 - Adicionar as natas. Envolver tudo muito bem.

6 - Rectificar o tempero e salpicar com os coentros picados.

7 - Servir com arroz branco cozido em água e sal.

 

Nesta receita, substituí o coco cortado em juliana por leite de coco e não utilizei os coentros. De todo o modo, a receita resultou muito bem. O molho ficou cremoso, sem ser em exagero, saboroso e o prato exalava um aroma cativante a caril que me transportou para outra dimensão geográfica.

 

Quanto ao livro, consiste numa boa opção. O preço é muito convidativo, mesmo para as bolsas mais modestas, não ocupa muito espaço na estante ou na cozinha e acaba por ser uma fonte de inspiração muito digna.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

 

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Coelho com Rebentos de Carqueja

por Paula, em 05.09.12

Campo

 

Que iria ser coelho para o almoço, era ponto assente. Faltava definir como cozinhá-lo. Fomos para a cozinha, num daqueles raros momentos em que conseguimos estar as duas entre tachos e panelas, e deitámos mão ao trabalho. A inspiração chegou num molho de rebentos de carqueja que a minha mãe tinha na cozinha. 

 

O resultado? Um bom momento de culinária caseira, de partilhas e de conversas de todos os dias num ambiente rural que nos transportou para a serenidade de outros dias e nos fez esquecer as correrias que a vida nos impõe.

 

 

 

Ingredientes:

  • 1 coelho partido em pedaços grandes
  • 1 cebola grande cortada em meias luas
  • 2 dentes de alho picados
  • 1 c. de chá de tomilho seco
  • 4 hastes de rebentos de carqueja
  • Flor de carqueja para decorar (opcional)
  • 1 folha de louro
  • Piripíri q.b.
  • Sal q.b.
  • 3 copos de vinho tinto
  • Azeite q.b.

 

 

Preparação:

 

    1. Partir o coelho em pedaços grandes e temperar com sal, piripíri, tomilho, louro, os rebentos de carqueja e o vinho tinto.
    2. Deixe a marinar durante duas ou três horas.
    3. Num tacho, deitar um pouco de azeite e juntar a cebola e o alho. Deixar alourar a cebola.
    4. Juntar os pedaços de coelho e envolver na cebola. Deixar dourar o coelho.
    5. Juntar, em seguida, a marinada. Tapar e deixar cozinhar em lume brando durante 40 minutos.
    6. Verificar a cozedura do coelho e o tempero e, se necessário, deixar cozinhar por mais 10 minutos.
 

 

Este coelho fica maravilhoso acompanhado com puré de batata ou de batatas cozidas e de legumes salteados. É um prato que sabe a lar e a campo. Traz com ele a paz que a cidade nos rouba.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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