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Inserido em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, na aldeia de Barriosa, o restaurante Guarda-Rios está privilegiadamente localizado no local onde antigamente se situava um lagar de azeite. Por isso, não é de estranhar que as cristalinas águas da Ribeira de Alvoco lhe sirvam de tapete paisagístico. Ao comensal apenas é pedido que desfrute da boa cozinha serrana e da calma que envolve aquele cenário idílico, completado pelas notas musicais da água a cair nas três cascatas que compõem o Poço da Broca da Barriosa.
O Guarda-Rios é um pássaro lindíssimo, com penas azuladas no dorso, alaranjadas no peito e castanhas na ponta interior da cauda. Mas, em tempos, foi também uma profissão criada no século XIX com o intuito de fiscalizar as correntes da ribeira, no seguimento dos mestres do vale, e a utilização da água, extinta em 1995. 
O restaurante é muito agradável. O atendimento é atencioso e sem pretensões. A comida, essa, é tradicionalmente serrana, onde impera o borrego e o cabrito. Estes animais são de criação local, pois são fornecidos por um pastor de Alvoco das Várzeas. Não é, pois, de admirar que a carne seja fabulosa. Pode-se afirmar que a cozinha do Guarda-Rios é uma verdadeira guardiã da gastronomia regional do Vale de Alvoco.
No período em que decorre a Mostra de Gastronomia Aromas e Sabores da Montanha, até ao próximo dia 12 de Abril, o Guarda-Rios apresenta-nos o tradicional borrego e o arroz doce. As entradas são compostas por truta e sardinha de escabeche, bola de bacalhau e quiche de legumes e bacalhau. De realçar que a truta é originária do viveiro do Aguincho, que tem a preocupação de utilizar a água da Ribeira de Alvoco - que é muito oxigenada -, o que confere ao peixe uma consistência e cor diferentes das que normalmente se encontram nestes locais de criação.

O Guarda-Rios tem ainda à venda artigos gourmet originários do Vale de Alvoco. Destacam-se os chocolates tradicionais com aguardente de mel e de medronho que são maravilhosos. As trutas em conserva, são também muito boas. Depois, existe toda uma panóplia de aguardentes típicos daquela zona, como os de zimbro, de mel e baunilha, de medronho, etc. que são feitos nas destilaria do restaurante, situada mesmo em frente do mesmo. Finalmente, os doces: geleia de medronho, marmelada, doce de marmelo, geleia de marmelo - tudo feito com produtos locais. É evidente que não pude sair sem trazer alguns destes artigos comigo.
No final, um passeio junto à ribeira permitiu assistir a um espectáculo da natureza: ver uma cobra a agarrar a cauda de uma truta. Dizem que a cobra não larga a cauda da truta até a cansar.
Bom apetite e boas descobertas!