Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Fotografia exposta no restaurante "Pedras Lavradas"
As Beiras designam um conjunto de três latitudes que servem de fronteira entre o Norte e o Sul de Portugal: a Beira Alta, a Beira Baixa e a Beira Litoral. A primeira, que alguns também designaram de Beira Transmontana, devido às semelhanças com a província que a delimita a Norte, tem um lugar especial no meu coração porque uma parte da minha ascendência partiu das faldas da Serra da Estrela e, tanto quanto possível, fui crescendo envolta em tradições, comidas e paisagens daquela região.
A Serra da Estrela, considerada em 1976 como parque nacional, é o marco supremo da Beira Alta e não apenas pela sua altitude. Caracterizada essencialmente pela pastorícia, o seu produto mais conhecido é o famoso Queijo da Serra, feito a partir do leite de ovelha retirado na primeira ordenha da manhã. Este é posteriormente adicionado à flor de cardo, previamente esmagada num almofariz e colocada numa panela de ferro. Depois de pronto, é enrolado num pano que será mudado todos os dias até o queijo estar curado. Para a sua qualidade contribuem, no processo artesanal, o frio e a humidade que caracterizam aquela região nos meses de Inverno. Para além deste, são também oriundos daquela região o pão de centeio e o aguardente de zimbro.
Parque Natural da Serra da Estrela: 1 - Pedras Lavradas; 2 e 5 - Aldeia de Aguincho; 3, 4 e 6 - Ribeira de Alvôco da Serra
Nem só de pastorícia vivem os beirões. As hortas ainda têm importância na subsistência da população local. Delas fazem parte as couves galega e portuguesa. A primeira, planta-se em dezembro ou janeiro, sendo que ao fim de dois ou três meses se poderão recolher as primeiras folhas. Existe durante o ano inteiro e pode ir até cinco anos. A sua folha é mais escura que a da couve portuguesa. Esta, planta-se antes do inverno para ser consumida durante essa estação, sendo que em fevereiro ou março começará a grelar dando início à confeção de outros pratos.
Neste regresso às origens, apeteceu-me um caldo tão beirão quanto singelo. Embora nada tenha de requintado ou de elaborado, este caldo é apreciado por todo o País e por quase todas as pessoas. Por mim, não o dispenso.
Caldo-verde
INGREDIENTES
750 g de batatas
250 g de couve galega cortada em caldo-verde
1 cebola média
5 colheres de sopa de azeite
Sal q.b.
Chouriço fatiado a gosto
PREPARAÇÃO
Descascar as batatas e a cebola e levá-las a cozer em água a ferver. Temperar com sal.
Depois de cozidas, reduzir a puré.
Deixar levantar novamente fervura e juntar a couve galega cortada em caldo-verde. Nessa altura, juntar o azeite.
Servir com uma rodela de chouriço e com broa de milho.
Se a couve for muito rija, antes de a colocar na panela, esfregá-la entre as mãos debaixo de água corrente para a amaciar ou escaldá-la em água a ferver.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!
