Quem por aqui passa percebe que não sou uma especialista na cozinha. Gosto de comida, de cozinhar e nutro um grande respeito pelos cozinheiros e chefs que se entregam a esta arte com empenho e seriedade. Não aspiro a isso, nem a nada que se pareça. Este espaço é a despretensão em matéria de culinária. Trata-se apenas e só do registo de alguns sucessos, mas também de insucessos, porque nem só de ganhos e virtudes vivemos, de quem resolveu abraçar e encarar algo que sempre teve receio de fazer. Sempre gostei de cozinhar e de inventar, mas nunca me aventurei para além do (muito) pouco que estava ao meu alcance.
Desta viagem pelos sabores, cores, aromas e texturas fazem quase sempre parte os livros, seja na forma de livro de culinária, de história ou um simples romance. Estes são a minha verdadeira inspiração. Gostava de dizer que a cozinha da minha infância cheirava a bolos acabados de fazer; que com a minha avó partilhei momentos inesquecíveis e aprendi muito. Mas não. Nada disso é verdade. Mais o são os sonhos. O facto de gostar de comer, levou-me a crescer sozinha no mundo da culinária. Fui descobrindo e continuo a fazê-lo, claro, traçando um ainda curto (mas muito meu) caminho. Sempre fui muito curiosa e simultaneamente insegura. Estas características são, em boa medida, conflituantes, pois se uma me empurrava para a referida descoberta; a outra fazia-me descer ao inferno do "não és capaz de fazer isto".
Os anos passaram, os livros para esta viagem começaram a surgir na minha estante e com eles o desejo de arriscar, de fazer, de copiar e também de criar. É, pois, neste contexto que surge a minha vontade de aprender mais sobre a cozinha e de descobrir quem sou no meio dos tachos e quais os sabores que me deixam feliz. Porque a felicidade existe e reside (muito) nestas pequenas coisas.
Gosto da simplicidade com que posso confecionar algo que me proporciona um momento maravilhoso. É o caso das saladas. As de tomate, são talvez as que me mais dizem, pelo facto de me lembrarem o verão e as tardes que passava com a minha mãe na horta. Não gosto de o consumir fora de época. Todavia, o desejo de experimentar o azeite aromatizado de manjericão, fez-me quebrar a deliciosa espera pelo tomate coração de boi que o meu pai planta todos os anos e que acaba por ser usado em compotas, conservas e, claro, saladas. É a melhor qualidade de tomate.





Ingredientes:
4 tomates
100 grs de queijo feta
6 folhas de manjericão
sal q.b.
Pimenta q.b.
1/2 colher de café de açúcar
Azeite aromatizado de manjericão
Preparação:
Lavar e partir os tomates em cubos. Partir o queijo feta também em cubos e juntar ao tomate. Adicionar três folhas de manjericão grosseiramente picadas e temperar com sal (tendo em atenção que o queijo já tem sal), pimenta, o açúcar e o azeite aromatizado. Guarnecer com as restantes folhas de manjericão.
Esta salada simples, lembra os campos italianos onde os vegetais constituíam a grande parte do consumo alimentar dos pequenos agricultores que não dispunham de meios para comprar carne com frequência. É daí que vem a perícia e a imaginação em cozinhá-los com pouco, mas com sabor. Em Itália, o manjericão era plantado no meio do tomate para afastar os insetos, o que não deixa de ser curioso porque os dois juntos também fazem um prato perfeito.
Hoje, a minha viagem fica por aqui.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!
