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Budapeste: Ponte Francisco José ou Ponte da Liberdade
A Etelka
Viste, meu anjo, o Danúbio,
e uma ilha no centro?
Assim guardo a tua imagem
no coração, aqui dentro.
A verde fronda da ilha
nas águas mergulha; ah, se,
no meu coração, assim
verde esperança mergulhasses!
Petöfi Sándor
Buda, Dezembro de 1844
Fonte: "Antologia da Poesia Húngara"
Seleção e tradução de Ernesto Rodrigues
Âncora Editora, 2002
Budapeste... e a comida húngara foram uma revelação para mim. De lá e daqui, parti à descoberta de uma realidade tão nova quanto desconhecida. A gastronomia, a música, a poesia, os romances e a língua têm tido, desde então, e graças a amigos que me vão presenteando com livros, uma presença assídua nos meus dias.
Este é um prato que provei durante a minha viagem e que reproduzi, a partir do livro de György Hargitai, Hungarian Cuisine, quando regressei a Lisboa, em que a carne de porco é o ingrediente principal. Tal como os portugueses, os húngaros também têm o "culto" desta carne. Na cozinha magiar encontramos sem dificuldade pratos só de enchidos que lembram o nosso cozido à portuguesa, como o Disznótoros que significa jantar do dia da matança.
Ingredientes:
1 couve lombarda pequena
Para o recheio:
400 g de carne de porco picada (da pá)
1 ovo
5 colheres de sopa de arroz cozido
1/4 de colher de chá de pimenta preta moída
1/2 colher de chá de paprika
1 dente de alho esmagado
Para a couve restante ou base:
85 g de toucinho entremeado
1 cebola grande
1 colher de chá de paprika
1 pimento verde húngaro
1 tomate (polpa)
1 colher de chá de sal
2 dentes de alho
1/2 colher de chá de pimenta preta moída
1/4 de chávena de créme fraiche
1 colher de sopa de farinha (pode ser maizena)
1 ramo de endro
Segurelha (facultativo)
Preparação:
1. Arranje a couve, retirando o caule e lave-a. Separe 8 folhas e escalde-as por uns instantes em água a ferver. Se ainda ficarem quebradiças, repita a operação por mais 8-10 minutos, tendo o cuidado de as retirar à medida que vão ficando macias. Seque-as.
2. Corte a restante couve em pedaços grandes e reserve.
3. Misture a carne com os restantes ingredientes para o recheio e envolva nas folhas de couve. Dobre primeiro os lados para dentro e depois a ponta inferior e superior. Se necessário prenda com o palito que deverá retirar antes de servir.
4. Corte o toucinho em pequenos cubos e leve a derreter num tacho. Junte a cebola e o alho picados e deixe alourar. Adicione a paprika e logo de seguida junte três copos de água.
5. Retire as sementes do pimento e do tomate e corte-os em pequenos cubos. Junte-os ao refogado, juntamente com a couve reservada. Tempere com sal, pimenta e junte também o alho.
6. Coloque as folhas da couve recheadas no cimo e deixe ferver. Reduza o lume e deixe cozinhar meio tapado por 50 minutos aproximadamente. Vá sacudindo o tacho com cuidado para a couve cortada não pegar ao fundo do tacho e para que as folhas recheadas colocadas no topo do preparado não partam. Sempre que necessário, junte mais um pouco de água.
7. Quando estiver pronto, retire as folhas recheadas com cuidado.
8. Misture a farinha e o créme fraiche até obter um creme fofo. Junte ao preparado anterior e deixe cozinhar por 2-3 minutos.
9. Salpique com o endro, podendo ainda adicionar segurelha para um sabor mais apurado.
10. Guarneça com salsicha de churrasco ou para cachorro quente, uns pés de endro e mais um puco de créme fraiche.
Este prato fica delicioso. E no inverno transporta com ele o conforto. Gosto desta palavra. Talvez seja por isso que a utilizo tantas vezes para adjetivar alguns pratos que vou confecionando.
Apesar de não ser um prato original, é com ele com que participo no "1.º Desafio Culinário dos Blogs do Sapo" que está a decorrer no Bairro.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!
