Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
O Verão sabia a mar. Era tempo de ansiar por uma ida à praia, verdadeiro sinónimo de que o calor e os dias longos tinham vindo para ficar. As brincadeiras prolongavam-se pela noite dentro. Sem pressas. Olhavam-se as estrelas, inventavam-se histórias e a melodia das gargalhadas vivas soltavam-se pelo ar em compassos combinados com os murmúrios das ondas. Era o meu tempo de alegria. De liberdade. Os mergulhos na água salgada traduziam-se no êxtase dos dias. Quando a pele ficava engelhada e o frio vencia a vontade de sonhar em sal, era tempo de alimentar o corpo.
O tomate, enquanto fruto da época das alegrias e liberdades – a mais cool do ano - devolve-me este espírito desenhado em mapas de rotas perdidas que já não consigo encontrar. Agora, são os pratos que delineiam outros rumos e que tomam o leme do novo curso da vida. Novo, sim; mas nem por isso menos interessante e prazenteiro.
INGREDIENTES
500 g de tomates-cereja
Azeite q.b.
3 dentes de alho, picados
1 chávena de manjericão fresco, picado
Orégãos q.b.
4 ovos
300 ml de leite
120 g de farinha, peneirada
60 g de queijo parmesão ralado
Sal e pimenta q.b.
PREPARAÇÃO
Pré-aquecer o forno a 200.ºC.
Aquecer o azeite numa frigideira e adicionar os alhos picados. Saltear por um minuto. De seguida, juntar os tomates-cereja e metade do manjericão. Deixar cozinhar cerca de dois minutos.
Colocar os tomates-cereja em travessas individuais, ligeiramente fundas, que possam ir ao forno.
Entretanto, bater os ovos com a farinha, o leite e o queijo. Temperar com sal e pimenta e um pouco de orégãos.
Verter o preparado sobre os tomates-cereja, juntar o restante manjericão e levar ao forno durante vinte minutos ou até prender.
Esta versão salgada do clafoutis é óptima para fazer e levar para um piquenique em dia de praia. É leve. Os seus aromas frescos combinam bem com dias tranquilos e quentes.
Nota: Receita retirada da Continente Magazine n.º 49, de Outubro de 2014
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
“(…) Budapeste, cortada por um rio. O Danúbio, pensei, era o Danúbio mas não era azul, era amarelo, a cidade toda era amarela, os telhados, o asfalto, os parques, engraçado isso, uma cidade amarela, eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, mas Budapeste era amarela.”
“Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira.”
Budapeste cativou-me logo pelo nome. Quando entrei na livraria, recém-chegada da capital húngara, os meus olhos caíram, por mero acaso, naquele livro que parecia estar à minha espera. Não sabia de que tratava, nem tão pouco fazia ideia dos trabalhos do autor na área da literatura, confesso. Não foi, pois, a curiosidade sobre a obra realizada pelo autor, mas antes o nome da cidade impressa como título que me levou a pegar nele e a folheá-lo. Depois, sim. A primeira frase arrancou-me um sorriso inesperado e o meu coração deu um pulo. Era como se ele, o autor, me conhecesse e soubesse que eu iria passar por aquele sobressalto de querer aprender, sem razão e quase de forma obsessiva, aquela que “segundo as más-línguas, é a única língua do mundo que o diabo respeita”. Aquele arranque do livro era eu naquele momento a querer desbravar uma língua nova apenas porque me apaixonei pela sua sonoridade. E quando mais ninguém compreendia, Chico Buarque de Hollanda sabia, conhecia, e soube descrever a minha angústia. É o feitiço da língua húngara.
"Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo, mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava e até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio com uma faca. Aos meus ouvidos, o húngaro poderia ser mesmo uma língua sem emendas, não constituída de palavras, mas que se desse a conhecer só por inteiro.”
SINOPSE
Budapeste conta-nos a estória de José Costa, um escritor anónimo pago para produzir artigos de jornal, discursos políticos, cartas de amor, monografias e autobiografias romanceadas que outros assinam.
Um dia, regressando de um congresso de escritores anónimos em Istambul, é obrigado a fazer uma escala forçada em Budapeste. Fascinado pela língua magiar, José Costa retorna à capital húngara, passando a ser Zsose Kósta, e tornando-se amante de Kriska, a sua professora. A obsessão de dominar completamente o novo idioma leva-o a viver num tresloucado vaivém entre o Rio de Janeiro, onde vive a sua mulher, e Budapeste, onde passa a viver com Kriska.
No Rio de Janeiro, José atinge o auge da sua carreira com o best-seller involuntário, O Ginógrafo, “autobiografia” forjada do empresário alemão Kasper Krabbe, que aprendeu a escrever o português no corpo nu das mulheres. Em Budapeste acaba por escrever Os Tercetos Secretos em nome de um poeta, Kocsis Férenc, em franca decadência.
Budapeste é a história de um escritor dividido entre duas cidades, duas mulheres, dois livros e duas línguas, uma intrigante, e por vezes divertida, especulação sobre identidade e autoria.
O romance foi adaptado ao cinema num filme realizado por Walter Carvalho, onde participam os actores portugueses Ivo Canelas e Nicolau Breyner, com Leonardo Medeiros, Giovanna Antonelli e Gabriella Hámori nos principais papéis.
DO AUTOR
Chico Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro, em 1944. É mais conhecido pelos seus trabalhos como cantor e como compositor. Como escritor, publicou as peças Roda Viva (1968), Calabar (1973), Gota d’Água (1975) e Ópera do Malandro (1979) já exibida em Portugal. É, ainda, autor da novela Fazenda Modelo (1974) e dos romances Estorvo (1991), Prémio Jobuti 1992, Benjamin (1995), Budapeste (2003), Prémio Jobuti 2004, Leite Derramado (2009), Prémio Jobuti e Prémio PT de Literatura 2010, e mais recentemente de O Irmão Alemão.
"Tenho esse ouvido infantil que pega e larga as línguas com facilidade, se perseverasse poderia aprender o grego, o coreano, até o vasconço. Mas o húngaro, nunca sonhara aprender."
Boas leituras!
Lisboa e Porto contam, desde o dia 21 de maio e até ao próximo dia 7 de junho, com a quinta edição da Rota de Tapas Estrella Damm, um acontecimento especial para os a amantes dos petiscos e da verdadeira tradição cervejeira.
Entre marisco e peixe fresco dos nossos mares, queijos, enchidos e carnes de pastos verdejantes, os Sabores da Terra e do Mar são a combinação perfeita de ingredientes, aromas e cores para esta época, apelando ao convívio informal que casa bem com o bom tempo que se faz sentir. Calor, cerveja, petiscos e boa companhia são os ingredientes que ajudam a gravar um bom momento na eternidade.
Esta rota decorre nos bairros lisboetas e portuenses de Cais do Sodré, Rossio, Alfama, Bairro Alto, Príncipe Real, Baixa do Porto e Ribeira, a que se junta este ano a Madragoa. Poder-se-á percorrer os 52 estabelecimentos aderentes em Lisboa e os 29 estabelecimentos no Porto, onde se encontrarão tapas de elevada qualidade, inovadoras e especialmente confecionadas com Sabores da Terra e do Mar, harmonizadas com uma cerveja Estrella Damm 0,25l, a um preço de fixo de 3€.
Espaços aderentes: Rota das Sedas, Remake, Gayola, Mascote da Atalaia, Le Moustache Smokery, Tapas Bar 28, Esplanada Princípe Real, Gallassa Café, Conversa Fiada, Chiado Terrasse, 3 Pimentas, New Black, Dogtown Burguer Joint, The George, Santo Antão, Tágide, Casa 7, Storik, Taberna do Rossio, Arco da Velha, Pão à Mesa, Limoncello, Tapas Bar 52, Vertigo Café, Petiscos no Bairro, Bella Lisa Elevador, Tapa Bucho, Bar Entretanto (Hotel do Chiado), Soul Café, O Lugar, San Siro, Mercearia Tosca, Oficina do Duque, Lateral Cais do Sodré, Café do Rio, Maruto Bar & Bistro, Pastel do Fado, The Black Corvus, Ti' Camila, El Tomate e Origami.
Eu já escolhi os meus petiscos. Bora lá tapear!
Boas descobertas!
O aipo é um legume que faz parte de um pequeno conjunto de ramos comestíveis, como o ruibarbo, e que cresce a partir de bolbos. Existem várias qualidades que se distinguem pela cor que pode ser verde-esbranquiçada, amarelada ou verde-escura. Ao escolher-se, deve ter-se em atenção que o talo deve quebrar e não dobrar, pois será sinal de não estar fresco e de já ter perdido propriedades.
Este poderoso talo caracteriza-se, ainda, por ter um aroma intenso e um sabor fresco e picante, devendo, por isso, ser utilizado com alguma parcimónia. Tanto se pode utilizar cru, ralado, para servir em sandes, em saladas, com um molho, ou na forma cozinhada, em sopas, refogados e assados. A regra que importa reter é a de não abusar para que o seu sabor e aroma não dominem inteiramente o prato. Fora isso, é aproveitar o bom sabor que confere aos cozinhados.
INGREDIENTES
2 cebolas, picadas
3 dentes de alho, picados
2 talos de aipo, cortados em juliana
1 chuchu, cortado em pedaços
2 curgetes, cortadas em pedaços
4 cenouras, cortadas em pedaços
1/2 molho de coentros
1 c. de chá de pasta de gengibre (ou gengibre fresco)
2 c. de sopa de aveia
Sal q.b.
Pimenta q.b.
1 fio de azeite
Água q.b.
Fatias finas de presunto q.b.
PREPARAÇÃO
Colocar o azeite e a cebola numa panela e deixar alourar. De seguida, juntar o alho e envolver. Adicionar então as cenouras, o aipo, o chuchu, as curgetes, os coentros, a aveia e temperar com sal, pimenta e a pasta de gengibre. Envolver e cobrir com água. Deixar levantar fervura e cozinhar durante cerca de 20 minutos. Reduzir a creme com a varinha mágica e rectificar a quantidade de água se necessário até obter a consistência desejada.
Servir com uma generosa fatia de presunto e finalizar com mais um pouco de azeite.
Esta sopa é claramente marcada pelo picante do aipo que, não obstante, liga bem com os restantes ingredientes. Por outro lado, a aveia confere à sopa uma consistência cremosa, substituindo muito bem a batata.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
As maçãs são um fruto versátil. Tanto se comem cruas, como cozinhadas no forno ou mesmo cozidas. Num registo de pratos salgados, com elas se faz um bom puré e um excelente chutney, ambos para acompanhar carnes. Mas servem também para fazer bolos que sabem a conforto caseiro.
Ontem, para um lanche mais docinho, preparei este bolo que agradou a todos. Para o efeito, utilizei maçãs Granny Smith, que foram descobertas em 1868 e que se caracterizam por serem estaladiças e muito ácidas.
INGREDIENTES
4 ovos
3 maçãs Granny Smith
1 chávena de óleo
1 c. de chá de essência de baunilha
2 chávenas de farinha
1 c. de chá de fermento
1 chávena de açúcar + 3 c. de sopa para cobrir o bolo
1 pitada de sal fino
PREPARAÇÃO
Pré-aquecer o forno a 180.º C.
Descascar uma maçã e mais metade de outra, cortar em pedaços e colocar numa liquidificadora. Juntar os ovos, o óleo e a essência de baunilha e bater tudo até obter um creme leve e esbranquiçado.
Numa taça, colocar a farinha, o fermento, o açúcar e o sal. Abrir um buraco no centro e deitar o preparado liquido. Envolver bem com um fouet até a massa fazer efeito de folhas de livro quando cai da colher.
De seguida, untar uma forma com manteiga e forrar o fundo amovível com papel papel vegetal e deitar o preparado na forma.
Descascar as restantes maçãs e cortá-las em gomos finos. Cobrir o bolo com as maçãs e finalizar com o açúcar para que fique com um aspecto caramelizado e uma textura crocante.
Levar ao forno durante cerca de 30 a 40 minutos.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Penso em probabilidades, em combinações extravagantes, mas é a simplicidade que me leva sempre a melhor. Não concebo a vida de outra forma. E porque a cozinha é o meu laboratório de free time cooker and inventor, é nela que consigo aplicar a minha filosofia de vida, as minhas alegrias e as minhas tristezas. Cozinhar um prato simples é, por isso, algo que me dá um grande prazer. E utilizar um ingrediente novo faz-me sentir tão feliz quanto uma criança que descobre uma história nova cheia de magia e cor porque é conhecimento adquirido.
A receita de hoje tem um ingrediente que nunca tinha utilizado antes. Trata-se do queijo quark - um queijo alemão que se pode encontrar à venda no Lidl (passo a publicidade). Tradicionalmente é feito com leite fermentado com bactérias acido-lácteas ou coalho. Ao separar-se o leite coalhado e as partes sólidas das líquidas, obtém-se um soro que dará então origem ao quark, a que se juntará ainda nata de acordo com a percentagem de gordura que se queira dar ao queijo. É bom para utilizar em sobremesas e bolos, um pouco à semelhança do mascarpone, mas um pouco mais ácido e com uma textura mais "primitiva".
INGREDIENTES
2 pêras packman
1 c. de sopa de manteiga
1 c. de sopa de açúcar amarelo
1 pitada de sal fino
2 c. de sopa de licor Cointreau
Queijo quark q.b.
Canela em pó a gosto
PREPARAÇÃO
Lavar as pêras e cortar ao meio, retirar as sementes e voltar a partir em 3 partes cada metade.
Colocar a manteiga numa sertã, adicionar as pêras de modo a que fiquem todas em contacto com a base do recipiente. De seguida, temperar com uma pitada de sal. Cobrir com o açúcar e deixar cozinhar durante cerca de 5 minutos.
Voltar as pêras de modo a ficarem cozinhadas do outro lado. Regar com o licor Cointreau e deixar cozinhar até que fiquem um pouco caramelizadas.
Bater bem o queijo quark para que fique mais cremoso. Reservar.
Colocar as pêras num prato e juntar o queijo quark e a canela.
Cada pedaço de pêra encontra-se revestido de uma leve camada de caramelo saboroso que a adição de sal eleva a outro patamar. Quando se trinca o caramelo que envolve a fruta, dá-se uma explosão de sabores e de texturas na boca. O contraste entre o caramelo e a polpa da pêra é muito bom. Para quebrar o doce e o sabor mais intenso da manteiga, o queijo quark funciona lindamente por ser ligeiramente ácido, pois refresca o palato. Pode substituir-se o queijo por natas frescas ou iogurte.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Quantas vezes não desejamos comer um bolo caseiro e pensando no trabalho que dá separar as claras das gemas, bater as claras em castelo, etc, logo desistimos da ideia? Pois este bolinho é muito fácil e rápido de fazer porque não temos que raspar a casca da laranja e espremer o sumo para juntar à massa. A laranja vai inteirinha para o bolo. É caso para dizer que nada se desperdiça. Mas deixem-me ainda vender um pouco mais este bolinho. Os argumentos que a seguir apresento, certamente que também vos agradam: leva poucos ingredientes e nem é preciso ir buscar a balança à última prateleira do armário. É só pegar numa chávena de chá e ela será única medida de que se irá precisar. Vamos então à receita?
INGREDIENTES
1 laranja sumarenta, com casca, cortada em pedaços
4 ovos
1 chávena de óleo (250 ml)
2 chávenas de farinha, peneirada
1 chávena de açúcar
1 c. de chá de fermento
PREPARAÇÃO
Pré-aquecer o forno a 180.º C.
Num liquidificador, colocar a laranja, os ovos e o óleo. Bater até obter um creme leve e esbranquiçado.
Noutro recipiente, colocar a farinha, o fermento e o açúcar. Adicionar o creme de laranja e envolver até a massa ficar leve e uniforme.
Deitar em forma untada com manteiga e polvilhada com farinha. Levar ao forno durante 30 minutos.
Para além da defesa feita no intróito deste post em prol do bolo de laranja com casca, devo dizer, ainda, que fica húmido, fofo e delicioso. Espero ter-vos convencido e espero que o façam em breve.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Entre arrumações, desarrumações e separações do que fica e do que vai, o caos está instalado cá em casa. Já esteve pior, mas a saga continua. A boa notícia é que finalmente encontrei um sítio para entregar os livros que já tiveram o seu papel na minha vida e que agora irão dar alegria a outros rostos. O mesmo se passa com algumas roupas que foram ficando no armário na esperança de voltar a caber nelas. Servirão melhor a outra mulher. Certamente que a farão mais feliz e consequentemente a mim também.
INGREDIENTES
1,5 kg de abóbora, sem casca e partida em cubos
1 dente de alho, ralado
1 c. de café de gengibre ralado
1 fio de azeite
1 pitada de pimenta, moída na hora
1 pitada de noz-moscada
Sal q.b.
50 g de queijo ralado
200 ml de natas
PREPARAÇÃO
Cozer, de véspera, a abóbora e deixá-la a escorrer numa rede em cima de uma tigela larga, de preferência no frigorífico, para que liberte a água.
Deitar o azeite num tacho, juntamente com o alho e o gengibre. Juntar a abóbora e temperar com sal, pimenta e a noz-moscada. Depois de os sabores se fundirem, adicionar o queijo e deixar que o mesmo se dissolva, envolvendo bem na abóbora.
Finalmente, adicionar as natas e envolver. Deixar cozinhar até as natas espessarem um pouco e o preparado adquirir uma cor uniforme. Reduzir a puré com ajuda da varinha mágica e servir quente com carne.
Este puré foi uma revelação para mim. Não esperava que resultasse tão bem.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Os gregos chamaram-lhe karon. Os àrabes diziam-na karwaia. Na Idade Média era conhecida como cari. Da família das umbelíferas, a alcaravia ou cominhos-dos-prados (carum carvi) é uma erva aromática de sabor intenso a lembrar um pouco os cominhos, sendo por isso algumas vezes confundida com aqueles. Dá-se essencialmente nos climas frios da Europa Setentrional e Central e nas montanhas limitantes da Europa Mediterrânica. É muito utilizada no norte da Europa para aromatizar pastelaria e charcutaria. Também constitui a base do licor Kümmel e é óptima para dar vida e sabor a sopas, saladas e estufados.
O meu primeiro contacto com as sementes de alcaravia aconteceu em Budapeste por via da goulash. Quando regressei a Portugal, tentei encontrá-la mas nas lojas ninguém a sabia identificar. Todavia, hoje, já se consegue comprar em algumas grandes superfícies.
INGREDIENTES
1 lombo de porco com 2 kg
1 limão
1 c. de chá de sementes de alcaravia
1 c. de chá de cominhos
1 c. de chá de pimenta branca
1 c. de chá de paprica
1 piri-piri, picado
2 c. de sopa de azeite aromatizado com tomilho e alecrim (ou simples)
1 cabeça de alhos, cortada ao meio + 4 alhos, picados
Sal q.b.
250 ml de vinho branco
100 ml de água
1 c. de chá de farinha
PREPARAÇÃO
Colocar o lombo de porco num recipiente fundo, cobrir com água e regar com o sumo do limão. Deixar as metades do limão junto do lombo, tapar o recipiente com película aderente e reservar no frigorífico de um dia para o outro.
Retirar o lombo da água, secar com papel de cozinha e com uma faca fazer um golpes. De seguida, juntar o azeite, as especiarias e os alhos picados, envolver bem e barrar a carne com a mistura, tendo o cuidado de colocar algum tempero nos entalhes da carne para que ganhe mais sabor.
Colocar o lombo já temperado num tabuleiro de ir ao forno, bem como as metades de cabeça de alho, o vinho branco e a água. Levar ao forno pré-aquecido a 160.º C durante 60 minutos. Ao fim desse tempo, virar a carne e deixar assar por mais 60 minutos. Aumentar a temperatura para os 200.º C e deixar cozinhar por mais 30 a 40 minutos até a carne estar cozinhada.
Retirar a carne do tabuleiro e colocar numa tábua para repousar um pouco. Depois, levar ao lume o tabuleiro onde se assou a carne, adicionar a farinha diluída num pouco de água ao molho que restou da carne e juntar os alhos assados que se retiram das cascas pressionando ligeiramente. Envolver bem com a ajuda de uma colher até engrossar. Finalmente, triturar tudo num copo com a ajuda da varinha mágica. Servir a carne fatiada apresentando o molho à parte numa molheira.
As sementes de alcaravia ligaram muito bem com o lombo de porco e com o molho que posteriormente o regou, dando-lhe vida.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Desenhar um peixe em massa folhada não foi propriamente uma tarefa fácil - o que bem se pode constatar pelo resultado que aqui apresento. Todavia, ter que arranjar um peixe inteiro de modo a que os filetes ficassem direitos e ligados à cabeça revelou-se uma tarefa quase impossível. E tanto assim foi que tive que recorrer ao modo puzzle para ajustar o primeiro filete (que ficou cortado em alguns pedaços) ao recheio. Mas lá me enchi de coragem e pensei que com a massa folhada ninguém iria notar. É certo que não ficou uma obra de arte, mas o sabor não ficou comprometido. E como dizia a mestre Julia Child, never apologize. You´ve done great! ;-)
INGREDIENTES
1 robalo de 2 kg
350 g de miolo de camarão
1 c. de chá de endro seco
1 cebolinho picado
3 ovos
2 c. de sopa de natas
1 c. de chá de sal
150 g de crème-fraiche
1 pitada de pimenta-de-caeina
Sumo de 1/2 limão
2 c. de sopa de farinha
2 embalagens de massa folhada (rectangular)
PREPARAÇÃO
Quanto ao robalo:
Comprar um robalo fresco e pedir para o arranjar em filetes, sem pele e sem as espinhas da barriga, sendo que os filetes deverão ficar agarrados à cabeça do peixe - poupando assim algum tempo e trabalho.
Para o recheio:
Num robô ou picadora, colocar o camarão, um ovo, o endro, o cebolinho e o crème-fraiche. Misturar bem até obter uma pasta. De seguida, adicionar o sumo de limão.
Mistura para selar a massa:
Juntar a gema de dois ovos e a natas numa tigela e misturar bem. Reservar.
Montagem:
Aquecer o forno a 180.ºC.
Temperar o robalo com sal e rechear com preparado de camarão, tendo o cuidado de fazer alguma pressão para que não fiquem bolhas e para ajustar o peixe ao recheio.
Dispor uma folha de massa folhada na bancada, sem retirar o papel vegetal, e pincelar com a mistura das gemas e das natas. Dispor o robalo em cima da massa e cobrir com a outra folha de massa folhada. Selar e pincelar a massa folhada com a restante mistura de ovo e natas. Depois, com a ajuda de uma faca, desenhar o peixe e com as costas da faca vincar as barbatanas. Reserve uma fita para fazer o limite da cabeça. Para fazer o efeito das escamas, utilizar um copo com uma boca pequena e pressionar desenhando círculos. Por fim, fazer um pequeno buraco junto da cabeça do peixe para que a massa não rebente quando for ao forno.
Levar ao forno durante 20 minutos. Ao fim desse tempo, cobrir a cauda e a cabeça do robalo para que a massa não queime. Nessa altura, reduzir a temperatura do forno para os 160.º C e deixar cozer por mais 20 minutos.
Esta é uma boa opção para servir com o molho rouille e uma salada verde.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!