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Croque-madame é uma variação da croque-monsieur. Esta é uma sandes feita com pão, presunto e queijo, grelhada numa frigideira ou no forno. Pensa-se que terá aparecido em 1910 num bistrot parisiense. Já a croque-madame é uma versão daquela sandes que leva um ovo por cima.
Inspirada por Rachel Khoo, a apresentadora do belíssimo programa My Little French Kitchen, que passa no canal 24Kitchen, que fez uma versão muito original e esteticamente muito apelativa da croque-madame, decidi fazer uns cestos de ovo. Não posso chamá-los de “croque-madame à moda de Rachel Khoo” porque utilizei sobras de frango assado no forno. Todavia, o espírito é o mesmo. J’adore!
INGREDIENTES (para 6 unidades)
6 fatias de pão integral, sem côdea (estilo Bimbo)
100 g de manteiga, derretida ou líquida
6 ovos
100 ml de natas frescas
Sobras de frango q.b. (ou outra carne), desfiadas
Sal e pimenta a gosto
Cebolinho fresco ou poejo q.b.
PREAPARAÇÃO
Aquecer o forno a 180.ºC.
Com a ajuda de um rolo de massa, espalme as fatias de pão até ficarem bem finas. De seguida, pincelar com manteiga de ambos os lados. Colocar cada uma das fatias em formas anti-aderentes para queques, de modo a formar um pequeno cesto.
Cobrir o fundo do cesto com o frango. Adicionar 1 colher de sopa de natas e cobrir com o ovo. Temperar com um pouco de sal e pimenta e finalizar com cebolinho ou poejo fresco.
Levar ao forno durante cerca de 15 minutos ou até o ovo apresentar a consistência desejada.
Estes cestos são versáteis. Tanto se podem comer ao pequeno-almoço como ao lanche ou numa das principais refeições, acompanhados com uma salada ou legumes salteados.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
(...)
Do alto mar chega o pregão que se alastra
Têm ondas no andar quando embalam a canastra
Minha varina que chinelas por Lisboa
Em cada esquina é o mar que se apregoa
Nas escadinhas dás mais cor aos azulejos
Quando apregoas sardinhas que me sabem como beijos
Os teus pregões são iguais à claridade
Caldeirada de canções que se entorna na cidade
Cordões ao peito de uma luta que é honrada
Que só dá jeito com a cabeça levantada
De perna nua, com provocante altivez
Descobrindo o mar da rua que, esse sim, é português
São as varinas dos poemas do Cesário
A vender a ferramenta do mar que é o operário
(...)
Os teus pregões nunca mais ganham idade.
Versos frescos de Camões com salada de saudade.
(Letra do «Fado Varina», cantado pelo grande fadista Carlos do Carmo)
INGREDIENTES
1 Peixe-espada, cortado em postas
4 Batatas-doces
1 Couve tah tsai*
300 g de tomate-cereja, cortado em quartos
250 g de camarão, descascado
Sal e pimenta a gosto
Azeite q.b.
PREPARAÇÃO
Aquecer o forno a 180.ºC.
Descascar as batatas-doces e laminar finamente com a ajuda da mandolina. Reservar.
Cortar papel vegetal suficiente para cobrir o peixe-espada. Em cada folha de papel vegetal, dispor batata-doce, seguida de folhas (e caule) de couve tah tsai, depois cobrir com o peixe-espada. Colocar tomate-cereja em volta da torre de batata e peixe e finalizar com camarões.
Temperar com sal e pimenta. Regar com um fio de azeite.
Fechar os papelotes em cima, juntando as duas pontas da folha e dobrando duas vezes. Com fio de cozinha, fechar os lados como em forma de rebuçado.
Colocar num tabuleiro e levar ao forno cerca de 25 a 30 minutos.
*Nota: a couve tah tsai encontra-se à venda nas lojas de produtos biológicos.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Há quem goste delas assadas, bem quentinhas, quando os primeiros frios de Outono despertam. As castanhas estão indissociavelmente ligadas com o cair da folha. Sabe bem ouvir o crepitar de dentro de um velho carrinho de metal e sentir o perfume que invade um recanto qualquer de Lisboa ou de outra cidade do nosso coração.
Depois, existem os gulosos - como eu! - que apreciam um doce a qualquer momento. E se for uma mousse com sabor a chocolate e castanha, temos o céu servido num pequeno copo.
INGREDIENTES
90 g de manteiga
225 g de puré de castanhas*(castanhas, água, sal, erva-doce e um pouco de manteiga)
2 ovos
50 g de açúcar (mais um pouco para juntar às natas)
25 g de cacau s/ açúcar
25 g de amêndoas raladas
1 ½ colher de sopa de licor de castanha (ou 1 c. de chá de extracto de baunilha)
1 dl de natas
Amêndoas laminadas, q.b.
50 g de chocolate granulado
PREPARAÇÃO
Começar por fazer o puré de castanha. Dar um golpe em cerca de 400 / 500 g de castanhas e levar ao lume com água temperada com sal e erva-doce. Depois de cozidas, retirar a casca e a pele e passar pelo passe-vite. Depois, levar novamente ao lume com uma pequena noz de manteiga e envolver bem.
Derreter a manteiga e deixar arrefecer. De seguida, juntar as gemas dos ovos, o açúcar, o cacau, as amêndoas raladas e o licor (ou o extracto de baunilha).
Bater as claras em castelo e adicionar ao puré de castanha, começando por juntar apenas uma colher e envolver, para tornar a mistura mais leve, e só depois juntar gradualmente as restantes claras.
Bater as natas com um pouco de açúcar.
Deitar a mousse em pequenas taças e decorar com natas batidas, chocolate granulado e as amêndoas laminadas.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
«Todas a vezes que a visitei (a Beira), olhei e perscrutei, a ver se conseguia entendê-la, andei sempre à roda, à roda, e sempre à roda da mesma força polarizadora: - a Estrela. (...) Há rios na Beira? Descem da Estrela. Há queijo na Beira? Faz-se na Estrela. Há roupa na Beira? Tece-se na Estrela. Há vento na Beira? Sopra-o a Estrela. Há energia eléctrica na Beira? Gera-se na Estrela. Tudo se cria nela, tudo mergulha nas suas raízes no seu largo materno seio. Ela comanda, bafeja, castiga e redime. Gelada e carrancuda, cresta o que nasce sem a sua bênção; quente e desanuviada, a vida à sua volta abrolha e floresce. O Marão separa dois mundos - o minhoto e o transmontano. O Caldeirão, no pólo oposto de Portugal, imita-o como pode. Mas a Estrela não divide: concentra.»
Miguel Torga
Fotografias e montagem de Ricardo Barata - Aguincho
No Aguincho, aldeia protegida pelo Vale de Alvoco da Serra, correm as águas que nascem na Lagoa Comprida e se lançam a desenhar carreiros amparados por rebolas e ervas que se vestem de cor para a saudar à sua passagem. No moinho, os rodízios lançam-se na lenta roda que transforma os cereais em pão, ao sabor da sua corrente. O forno espera, quente, os pães e os esquecidos que encherão as arcas. Os pássaros, enamoram-se da corrente cristalina que revela peixes de tamanhos vários a passear despreocupadamente. O sol, acaricia esta água e a terra que a envolve numa bênção que a Serra reconhece. As gentes, agradecem, humildes, esta comunhão com a natureza.
Boas descobertas!
Acontece-me precisar de utilizar apenas as gemas de ovo, ficando as claras de reserva. Por vezes, congelo-as ou então aproveito-as noutras refeições, como esta.
Bem ligeira e diferente, esta forma de aproveitar as claras acabou por me apanhar de surpresa. Fi-la com um pouco de cepticismo, confesso. Todavia, depois de provar, adorei. Parecia mesmo que estava a comer uma nuvem fofa, delicada, mas muito saborosa. O sabor do salmão e a frescura do tomate casaram bem com esta panqueca salgada.
INGREDIENTES
2 claras de ovo
2 embalagens de salmão marinado
Tomate-cereja q.b.
Sal e pimenta q.b.
Uma pitada de açúcar
Alfafa q.b. e rebentos de alho q.b. (para ornamentar)
Manteiga q.b.
Vinagrete:
Azeite, sal, pimenta, sumo de limão, a gosto
PREPARAÇÃO
Fazer o vinagrete. Juntar todos os ingredientes e mexer bem. Reservar.
Bater as claras em castelo, temperadas com um pouco de sal. Numa sertã, colocar a manteiga e deixar derreter. Com uma colher, retirar um pedaço das claras e dispor sobre a manteiga, fazendo uma panqueca com a ajuda da parte côncava da colher. Deixar dourar e virar. Quando estiver frita, retirar para um papel absorvente.
Cortar o tomate-cereja em metades, temperar com uma pitada de sal e de açúcar.
Dispor as claras no centro do prato. Cortar as fatias de salmão ao meio, enrolar e colocar por cima da nuvem de claras. Rodear com o tomate-cereja e finalizar com o vinagrete.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Os dias frios pedem bebidas quentes que tragam conforto e que ajudem o corpo a aquecer. Um chá, para além de trazer um agradável bem-estar, ajuda também a afastar as maleitas que aparecem nesta época do ano.
Este, em particular, é fresco, saboroso e leve. Reconforta. É óptimo para desfrutar de um momento calmo, acompanhado de leituras a gosto.
INGREDIENTES
3 pedaços de casca de limão, cortada bem fina
2 fatias de gengibre
Mel a gosto
Água mineral q.b.
Pau de canela (facultativo)
PREPARAÇÃO
Coloque a água numa cafeteira, juntamente com o limão e o gengibre. Deixar ferver durante 3 a 4 minutos. Desligar o lume, adicionar o mel e a canela e deixar repousar durante cinco minutos.
Bom dia!
Com os dias mais frios, tendo a cozinhar utilizando mais o forno. Dali, emana um calor agradável que se estende da cozinha ao resto da casa, para não falar dos aromas que invadem o espaço. Bem sei que se cozinhar no bico do fogão, os cheiros do cozinhado também se espalharão pelo meu reduto, mas quando utilizo o forno o conforto é outro porque me sabe mais a lar. Adoro abrir a porta daquela caixinha e sentir a lufada de ar quente impregnada de cheiros agradáveis que se que soltam no ar.
Ontem, apeteceu-me um momento assim. Por isso, decidi fazer uns queques salgados para acompanhar uma sopa quentinha.
Fáceis de fazer e saudáveis, estes queques são óptimos para levar para o trabalho ou para um piquenique. Tanto se comem ao almoço, acompanhados com uma salada ou uma sopa, como ao lanche, com café a compor o momento. Ficam fofos, húmidos e têm muito sabor, conferido pelo atum. As sementes dão-lhe o crocante que contrasta bem com a massa.
INGREDIENTES
50 g de cebolinho, picado
150 g atum, escorrido
½ curgete, ralada
100 g de farinha integral
2 c. de chá de fermento
Flor de sal q.b.
Pimenta q.b.
Sementes de sésamo q.b.
2 ovos
30 g d manteiga
40 g de natas
Óleo q.b. (para untar as formas)
PREPARAÇÃO
Aquecer o forno a 180.º C. Untar um tabuleiro para queques com um pouco de óleo. Reservar.
Esfarelar o atum e colocar numa taça juntamente com a curgete. De seguida, adicionar a farinha e os restantes ingredientes. Envolver com a ajuda de uma colher. Finalizar com as sementes de sésamo.
Distribuir pelas formas e levar o forno durante 20 minutos. Retirar e deixar arrefecer numa rede.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Cadeiras na Estância de Neve da Serra da Estrela
Os dias frios pedem sopas bem quentinhas para saborear no aconchego de casa, de preferência junto da lareira ou da salamandra. Sabe bem estar sentada no sofá, enrolada numa manta, a ouvir o crepitar do lume. Custa-me sair e enfrentar estes dias cinzentos. Apetecem-me mimos, coisas boas para animar o espírito e roubar sorrisos.
INGREDIENTES
1 kg de abóbora cortada em pedaços
250g de castanhas
4 fatias de gengibre fresco com casca
1 cebola, cortada grosseiramente
50 g de coentros
50 g de cebolinho
Poejo q.b.
Erva-doce q.b.
Azeite q.b.
1 L de água + q.b. para cozer as castanhas
100 ml de natas frescas
Sal e pimenta a gosto
PREPARAÇÃO
Numa panela coloque as castanhas a cozer em água com um pouco de erva-doce. Reservar as castanhas.
Depois, na mesma panela, coloque um fio de azeite e a cebola. Deixar alourar. Juntar o gengibre, os coentros e o cebolinho. Deixar apurar um pouco e adicionar então a abóbora. Temperar com sal e pimenta a gosto e cobrir com água.
Quando a abóbora estiver cozida, retirar os pedaços de gengibre e juntar as castanhas e as natas. Deixar que volte a ferver e desligar o lume. Com a ajuda da varinha mágica, reduzir o preparado a creme.
Finalizar com umas folhas de poejo e mais umas gotas de azeite.
Esta é uma sopa que me traz conforto. Tem muito sabor devido à combinação das castanhas com as diversas ervas aromáticas.
Castanheiro na Malhadinha, Aguincho, Serra da Estrela
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Sempre me lembro de ter cavala servida em casa dos meus pais. A minha mãe, adepta indiscutível de peixe cozido, fazia-a desta forma inúmeras vezes. Eu não me importava porque até gostava (e ainda gosto). Mas os meus irmãos e o meu pai faziam uma fita e quase se recusavam a entrar na cozinha.
Quando procuro este peixe, lembro-me sempre da minha mãe. Foi ela que me ensinou a gostar de peixe - de todo o peixe, na verdade - e isso vem-me amiúde à memória. Ás vezes, numa carinhosa cumplicidade, fazemos estes "petiscos" só para nós. E sabem tão bem, apesar de serem tão simples. Mas é aqui que está o encanto: não é preciso mais, os verdadeiros sabores dos alimentos são aqueles que assaltam o nosso paladar.
INGREDIENTES
2 cavalas
1 chávena de arroz carolino
1 cebola, picada
1 dente de alho, picado
1 tomate, pelado e picado
1 alho francês, cortado em juliana
1 ramo de salsa
Sal e pimenta q.b.
Azeite q.b.
Manteiga q.b.
1 copo de vinho branco
Água q.b.
PREPARAÇÃO
Numa panela, colocar água e as cavalas. Temperar com sal e deixar cozer. Depois, retirar as cavalas, reservando a água da cozedura, e limpar de espinhas.
Num tacho, colocar um fio de azeite e uma noz de manteiga, Juntar a cebola e deixar alourar. De seguida, adicionar o alho, o tomate e o alho francês. Temperar com um pouco de sal e pimenta. Deixar cozinhar por cinco minutos. Juntar o arroz e refrescar com vinho branco. Regar com 2 chávenas da água de cozer as cavalas e uma de água. Ir mexendo e verificando se precisa de mais caldo, pois deve ficar um arroz malandrinho.
Quando estiver quase cozinhado, deitar metade da salsa e envolver. No fim, envolver a cavala cozida no arroz e acrescentar a restante salsa. Servir imediatamente.
Uma nota final em relação ao arroz. Para fazer um arroz malandrinho, deve utilizar-se o arroz carolino, que fica mais cremoso. Depois há que ter em conta a quantidade de água em relação ao arroz. Para uma chávena de arroz, serão três de água (eu costumo colocar ainda mais meia chávena para ter a certeza de que fica bem cremoso e com molho).
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Esta receita deixa-me orgulhosa. Pensei-a, fi-la e resultou muito bem. Adorei a combinação do sabor intenso dos cogumelos com a cremosidade do ovo e o crocante delicado da massa filo. Ficou delicioso. Mas eu sou suspeita porque entre os ingredientes estão alguns que são os meus favoritos, como os ovos e os cogumelos.
INGREDIENTES
600g de cogumelos sortidos (usei uma embalagem de cogumelos congelados do Continente)
1 cebola, picada
1 dente de alho, picado
150g de toucinho fumado, partido em cubos
2 c. de sopa de manteiga
1 c. de chá de sementes de coentros torrados
Gengibre fresco q.b., ralado
1 embalagem de massa filo
4 ovos
Cebolinho q.b.,
Azeite q.b.
Sal e pimenta a gosto
PREPARAÇÃO
Numa sertã, colocar o toucinho fumado para que largue um pouco da gordura e cozinhe ligeiramente. Reservar.
Na mesma sertã, e sem limpar, colocar a manteiga e a cebola. Deixar alourar e só então adicionar o alho e as sementes de coentros.
De seguida, adicionar os cogumelos e temperar com sal e pimenta a gosto e aromatizar com gengibre. Deixar cozinhar por cerca de 20 minutos.
Entretanto, ligar o forno a 180.ºC, untar um tabuleiro de muffins com um pouco de manteiga e reservar.
Cortar as folhas de massa filo em quadrados e pincelar com azeite. Juntar cerca de duas a três folhas e coloca-las nas formas de muffins. De seguida, distribuir o toucinho fumado pelas formas, um pouco de gengibre ralado e os ovos. Fechar as trouxas com um pouco de cebolinho e pincelar com um pouco de azeite.
Levar ao forno durante 7 a 10 minutos. Se se quiser que os ovos fiquem bem cozidos, deixar ficar por mais dois ou três minutos.
Retirar e servir em cama de cogumelos, e finalizar com cebolinho picado a gosto.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!