Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
O que fazer quando no frigorífico ficam as sobras da refeição anterior? Dependendo dos alimentos, da forma como foram cozinhados e da quantidade poderá revelar-se difícil dar-lhes destino. Uma fritatta pode ser um bom compromisso entre uma refeição completa e a renovação de sobras.
INGREDIENTES
8 ovos
1/2 molho de salsa, picada
1 posta de peixe cozido, limpa de pele e espinhas
4 batatas cozidas, cortadas em círculos
2 cebolas pequenas, cortadas em meias luas
1/2 pimento, cortado em juliana
Raspa de meio limão
1 c. de sopa de azeite
Sal e pimenta a gosto
Noz-moscada a gosto
PREPARAÇÃO
Ligar o grelhador do forno a 180ºC.
Bater os ovos e temperar com sal e pimenta a gosto. Juntar a salsa e envolver. Reservar.
Numa sertã, deitar o azeite e a cebola e deixar refogar um pouco. Juntar o pimento e deixar que cozinhe um pouco para soltar o seu sabor.
Adicionar o peixe, as batatas, a raspa do limão e a noz-moscada, envolvendo tudo.
De seguida, cobrir o preparado com os ovos e deixar cozinhar cerca de dois a três minutos. Finalizar a cozedura levando o preparado ao forno por cerca de 10 minutos ou até ficar dourado.
Servir com salada verde e um pouco de malagueta finamente cortada para obter um prato colorido com um toque picante.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jo étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!
O feijão-frade, também conhecido como chícharo (Trás-os-Montes), não gozou sempre da minha simpatia. Na verdade, só há pouco tempo é que me tornei adepta desta leguminosa. Tudo por causa da minha mãe que me "presenteou" com um saco cheio de feijão-frade. Ainda a tentei demover, recordando-a das minhas tiradas na infância para fugir de comer o tradicional fradinho com atum ou bacalhau, mas sem sucesso. Fiz-lhe notar que o poderia ofertar a outra pessoa. Em resposta disse-me que o dividira em partes iguais por todos os irmãos. Por isso, cabia-me decidir que destino dar ao que me cabia. Não será difícil imaginar que o referido saco conheceu todos os cantos da cozinha.
Enchendo-me de coragem, escolhi-o, lavei-o e entalei-o coberto com água, uma haste de rosmaninho, uma haste de segurelha, louro e alguma esperança em conseguir comê-lo. Enquanto amaciava, os seus aromas foram invadindo a minha minúscula cozinha. Naquele momento, ocorreu uma mudança quase milagrosa. O cheiro do feijão-frade a cozinhar não me causava enjoos. De facto até me agradava. Incrível. Como é que era possível? Não tardou, pois, que o empregasse num prato rústico, envolto em bom azeite, couves macias do quintal que os meus pais plantaram e uma deliciosa fatia de broa a lembrar os bons sabores da Beira Alta.
INGREDIENTES
200grs de feijão-frade
2 hastes de tomilho ou segurelha
2 folhas de louro
1 haste de rosmaninho
Água q.b.
8 folhas de couve galega (médias e tenras)
1 fatia grossa de broa
2 c. de sopa de azeite
3 dentes de alho picados
Sal e pimenta q.b.
1 c. de sopa de sementes de funcho
PREPARAÇÃO
Demolhar, de véspera, o feijão-frade cerca de 12 horas, depois de escolhido e lavado.
Colocar num tacho e levar ao lume coberto com água, juntamente com as hastes das ervas aromáticas (não adicionar sal), cerca de 30 minutos. Verificar o ponto de cozedura. Escorrer e reservar. Descartar as ervas aromáticas.
Lavar e cortar grosseiramente a couve com as mãos e levar a branquear. Escorrer. Cortar a couve de forma miúda e reservar.
Numa sertã, colocar o azeite, o alho e deixar frigir um pouco. Juntar o feijão-frade e envolver. Adicionar a couve e temperar com sal e pimenta.
De seguida, esfarelar a broa e envolver bem no preparado. Se necessário, regar com mais um pouco de azeite. Juntar as sementes de funcho e envolver. Servir imediatemente.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jo étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!
Desta vez viajei rumo ao oriente em busca dos sabores vivos, frescos e picantes. Este prato não é absolutamente oriental, mas a inspiração veio de lá.
INGREDIENTES
200grs de cogumelos pleurothus, cortados grosseiramente
1 cebola roxa, picada
1 c. de sopa de azeite
1 c. de chá de manteiga
1 c. de chá de caril
1 c. de chá de coentros em pó
1 cardamomo (só as sementes)
1 malagueta, picada
1 courgette, laminada longitudinalmente
2 salsichas de tofu com ervas aromáticas
2 c. de sopa de pinhões
Sal q.b.
Hortelã-pimenta, picada, a gosto
Fatias de pão torrado (opcional)
PREPARAÇÃO
Numa caçarola de cerâmica, colocar o azeite, a manteiga e a cebola. Quando esta amolecer, separá-la para os lados e juntar o caril, os coentros em pó e as sementes da baga de cardamomo. Mexer um pouco e deixar que as especiarias libertem o seu aroma.
Juntar os cogumelos e temperar com sal. Deixar cozinhar dois a três minutos e adicionar a malagueta.
Acrescentar as salsichas de tofu e deixar cozinhar por um minuto. Adicionar a courgette e envolve-la no preparado apenas para amolecer um pouco.
Finalizar com os pinhões e a hortelã-pimenta. Servir com pão torrado.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jo étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!
No tempo dos romanos o medronheiro era conhecido como unedo mas, numa forma de se referirem ao fruto de forma desagradável, era também denominado unum edo (eu como um só).
Trata-se de uma planta muito decorativa, devido á sua folhagem e aos tons intensos que os seus frutos globosos vão atingindo até estarem bem maduros. Podem distinguir-se os mais jovens pela sua cor verde; os intermédios podem ser amarelos ou alaranjados e os maduros ganham uma cor vermelha muito apelativa. Têm uma textura farinácea no interior, são ligeiramente ácidos e agradáveis.
O medronho possui um elevado teor de tanino e tem propriedades anti-inflamatórias, diuréticas, depurativas e adstringentes. É mais conhecido pela sua aplicação na elaboração da aguardente caseira. No entanto, com ele também se prepararam doces e compotas.
INGREDIENTES
1kg de medronhos, lavados e secos
700g de açúcar
100g de açúcar para compotas
1 pau de canela
1 estrela de anis
Sumo de limão (apenas umas gotas)
PREPARAÇÃO
Colocar todos os ingredientes num tacho e levar a lume brando. Deixar levantar fervura e cozinhar até atingir o ponto estrada. Deitar em frascos esterilizados e guardar em lugar fresco e seco.
Gosto de deixar as grainhas do medronho porque cria uma textura crocante. Todavia, poderá passar-se por um coador antes de o colocar nos frascos.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jo étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!
Há quem diga que as fatias douradas são para o Natal. Embora as cores nos transportem para lá, a verdade é que a combinação de frutos vermelhos, canela e baunilha é perfeita para um excelente início de qualquer dia. Devem ser acompanhadas com uma chávena de café, um livro e boa companhia. É uma bela forma de dizer bom dia!
INGREDIENTES
2 bolas de pão
150grs de framboesas e amoras
Açúcar q.b.
½ vagem de baunilha
Canela q.b.
Óleo de girassol q.b.
1/2L de leite
2 ovos batidos
PREPARAÇÃO
Começar por preparar a compota de frutos vermelhos. Para o efeito, colocar os frutos num tacho, cobrir com açúcar e adicionar a vagem de baunilha.
Levar ao lume até o açúcar dissolver e ficar com a consistência desejada. Descartar a vagem de baunilha. Reservar.
Misturar a canela e o açúcar num prato. Reservar.
Entretanto, fatiar as bolas de pão (que devem ser do dia anterior). Embebe-las em leite e passar por ovo. Levar a frigir em óleo de girassol até ficarem douradas. Escorrer o excesso de óleo num prato coberto com papel absorvente.
Passar as fatias pela mistura de canela e açúcar e regar com a compota de frutos vermelhos.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jo étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!
Os pratos mais saborosos são aqueles que usam os ingredientes que apanhamos diretamente da horta. Ali, conforme a época, existe um mundo infinito de possibilidades, como os grelos de couve que agora abundam. No que às carnes diz respeito, o início do ano é normalmente dedicado à tradicional matança do porco. Os enchidos preparados pela minha mãe e pela minha prima Lurdes encheram a casa de aromas e começam agora a ser utilizados conforme o apetite e a inspiração.
INGREDIENTES
1 embalagem de massa folhada de compra
½ molho de grelos de couve, lavados e cortados grosseiramente
½ morcela, cortada em pedaços e sem pele
½ farinheira, cortada em pedaços e sem pele
1 c. de sopa de azeite
1 dente alho, picado
1 cebola roxa, cortada em meias-luas
Sal e pimenta q.b.
100g de queijo feta (ou outro a gosto), partido em pedaços
1 C. de sopa de mel
PREPARAÇÃO
Pré-aquecer o forno a 200ºC.
Numa wok, colocar o azeite, o alho e a cebola e refogar ligeiramente.
Adicionar os grelos e envolver no refogado. Temperar com sal e pimenta.
Quando os legumes estiverem cozinhados al dente, juntar os enchidos e envolver. Deixar cozinhar dois a três minutos, apenas para ganharem temperatura e largar os sabores.
Dispor o preparado sobre a massa folhada, deixando uma margem considerável em toda volta.
Colocar o queijo sobre o preparado e fechar a massa sobrante sobre o mesmo.
Levar ao forno até a massa ficar dourada.
Finalizar com uma colher de sopa de mel.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jo étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!
Ao fundo, na grafonola, Fausto Bordalo Dias canta Namoro. No prato, um risotto com sabores lusos, aromático e absolutamente delicioso compõe o momento. É o conforto na sua plenitude.
INGREDIENTES
Para o feijão:
200g de feijão encarnado
1 cebola roxa
1 ramo de segurelha
1 ramo de rosmaninho
1 folha de louro
Água q.b.
Para o bacalhau:
3 postas de bacalhau
1 cebola roxa inteira
1 cravinho
½ ramo de salsa
1 dente de alho inteiro
Água q.b.
Para o risotto:
250ml de arroz arbóreo (1 chávena)
1 cebola, cortada em meias-luas
1 dente de alho picado
1 c. de sopa de azeite
2 hastes de estragão fresco
1 c. de chá de noz-moscada
O bacalhau, limpo de espinhas e pele e em lascas
1 L de caldo da cozedura do bacalhau q.b.
O feijão cozido
Sal e pimenta q.b.
5 c. de chá de manteiga
Queijo parmesão ralado q.b.
PREPARAÇÃO
Começar por cozer o feijão. Colocar todos os ingredientes num tacho, cobrir com água e levar ao lume até ficar cozido (mas não em demasia)*. Coar e reservar.
Colocar o bacalhau e os restantes ingredientes num tacho, cobrir com um litro de água, aproximadamente, e levar ao lume até ficar cozido. Coar e reservar o caldo da cozedura. Deixar arrefecer ligeiramente, limpar o bacalhau de espinhas e pele e lascar. Reservar.
Numa caçarola, colocar o azeite, a cebola e o alho e refogar até a cebola ficar translúcida. Adicionar o bacalhau e deixar envolver no refogado. Juntar um pouco do caldo.
Juntar uma haste de estragão picado e a noz-moscada e envolver. Posteriormente, adicionar o feijão e envolver cuidadosamente no preparado.
Adicionar o arroz, temperar com sal e pimenta a gosto e envolver. Cobrir com o caldo da cozedura do bacalhau e deixar levantar fervura. Mexer ocasionalmente para que o arroz liberte o amido.
Depois de estar no ponto certo de cozedura, desligar o lume e adicionar a manteiga, envolvendo bem no arroz para que este fique cremoso.
Finalizar com queijo parmesão ralado a gosto e uma haste de estragão fresco, picado.
* Normalmente cozo todo o feijão na época em que o apanho e depois congelo em doses de 200g. Isso permite-me adiantar trabalho e conservar toda a frescura e sabor do feijão. A segurelha deve acompanhar estas cozeduras prévias, pois ajuda à digestão das leguminosas. Por outro lado, não se deve utilizar sal para que o feijão não fique rijo. Se o feijão não for fresco, dever-se-á demolhar previamente.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jo étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!
Este é um bolo de chocolate corrente com um twist muito british. Trata-se de um trifle (ou bolo em camadas) que é óptimo para aproveitar aparas ou dar um novo look e atribuir novos sabores a qualquer bolo simples.
INGREDIENTES
Um bolo de chocolate corrente (ou sobras)
1 cálice de licor Cointreau (ou outro a gosto)
200 ml de natas
100g de açúcar em pó
300g de frutos silvestres
PREPARAÇÃO
Bater as natas com o açúcar em pó até ficarem cremosas.
Partir o bolo em pedaços e forrar o fundo de uma taça utilizando apenas metade do mesmo.
Cobrir com um pouco do licor, natas e alguns frutos vermelhos.
Colocar o restante bolo e o licor. Finalizar com as natas e os frutos vermelhos.
Bom apetite!
Que bos faga bun porbeito!
Um bolo de chocolate é o derradeiro conforto para alma. Este, em especial, que conjuga dois tipos de chocolate com amêndoas e ainda o doce de pêssego, acaba por ser uma verdadeira festa para o paladar.
INGREDIENTES
200g de chocolate com 70% de cacau
200g de manteiga (mais um pouco para barrar a forma)
200g de açúcar
200g de farinha de amêndoa (amêndoas trituradas)
2 c. de chá de fermento
1 saqueta de açúcar baunilhado (ou 1 c. de sopa)
1 pitada de sal
4 ovos
3 c. de sopa de farinha
Doce de pêssego ou alperce a gosto
Chocolate de leite em raspas q.b.
PREPARAÇÃO
Pré-aquecer o forno a 160º C. Preparar uma forma de 26 cm (ou outra que se tenha) e forrar a base com papel vegetal. Barrar os lados com um pouco de manteiga.
Partir o chocolate em pedaços e derreter em banho-maria juntamente com a manteiga. Deixar arrefecer.
Misturar os restantes ingredientes com o preparado anterior e envolver bem. Quando o preparado estiver líquido, adicionar a farinha.
Deitar a massa na forma e levar ao forno já aquecido durante cerca de 40 minutos. Fazer o teste do palito.
Deixar arrefecer um pouco na forma. De seguida retirar para uma rede e, antes de ficar completamente frio, barrar com o doce de pêssego.
Finalmente, cobrir com bastantes lascas de chocolate de leite. Para o efeito, utilizar um cortador de vegetais ou de queijo e passar num dos lados da barra de chocolate.
Bom apetite!
Que bos faga bun porbeito!
A indulgência de um bolo caseiro, utilizando ingredientes saudáveis como o mel e a amêndoa, constitui um mimo dos deuses.
INGREDIENTES
150g de manteiga sem sal (e mais um pouco para untar a forma ou, em substituição, spray vegetal)
115g de açúcar mascavado claro ou amarelo
175g de mel líquido (ou, em substituição, xarope de ácer)
1 c. de sopa de sumo de limão
2 ovos batidos
200g de farinha de trigo com fermento
20g de amêndoas laminadas (ou a gosto)
PREPARAÇÃO
Aquecer previamente o forno a 180ºC. Untar uma forma redonda com 20 cm de diâmetro (pode usar o tamanho que tiver em casa).
Colocar a manteiga, o açúcar, o mel e o sumo de limão numa caçarola e levar ao lume (médio), sem deixar ferver, até derreter e ficar cremoso.
Retirar a caçarola do lume e rapidamente juntar os ovos batidos, utilizando uma colher de pau.
Peneirar a farinha, juntar ao preparado anterior e envolver com uma colher de metal.
Deitar o preparado na forma e de seguida colocar as amêndoas laminadas na superfície da massa.
Levar ao forno, já aquecido, durante 35 a 40 minutos. Fazer o teste do palito. Deixar arrefecer na forma cerca de 15 minutos antes de desenformar e colocar numa rede até ficar frio.
Posteriormente, pincelar com mel morno, para glacear. Este passo é opcional.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jo étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!