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A semana passada os meus amigos Isabel e Pedro convidaram-me para a festinha do terceiro aniversário do seu rebento, a Beatriz. Pediram-me que, à semelhança do ano passado, fizesse o bolo, caso tivesse disponibilidade. Mas, este ano, a aniversariante é que escolheu o tema e pediu-me um bolo com o casal mais famoso do mundo animado. Aceitei, claro, porque queria mesmo fazer o bolo. Seria a minha prenda. Contudo, o pânico tomou conta de mim, porquanto eu nunca tinha feito tais figuras e nem sabia como haveria de as fazer.
Neste mundo da decoração de bolos, de que eu faço parte apenas como curiosa (muito pouco), há o momento da criação que nos vai guiando à medida que vamos construindo a nossa ideia e o que à partida é uma dificuldade muito grande, vai ganhando forma sob as nossas mãos sem sabermos muito bem como. Foi o que aconteceu com este bolo. Até começar a fazer as figuras, não tinha a mínima ideia de como as iria fazer. Ademais, não tinha as minhas habituais estecas, de modo que a modelagem foi feita apenas com as mãos. Não ficou perfeito, mas a pequena Beatriz gostou muito e o resto da pequenada também. Todos queriam tocar no bolo. As cores também os entusiasmou porque na hora de servir o bolo, todos queriam o encarnado.
Deu-me imenso prazer fazer este bolo. Na noite de sexta para sábado, a cozinha funcionou em horário de padaria. Fiz os dois bolos e enfeitei-os na manhã de sábado. Foi uma noite bonita, envolta em cheiros de chocolate com o calor do forno a aquecer o ambiente e boa conversa. As horas passaram sem dar por isso. Já passava das três quando a cozinha encerrou. Fazer este mimo, ainda que imperfeito, deixou-me muito feliz, não só porque alegrei o dia dos meus amigos como fiz algo que não sabia ser capaz de fazer.
A massa do bolo branco era de chocolate e cacau com recheio de mascarpone; o bolo encarnado era de chocolate com recheio de doce de leite. A base da receita é a mesma deste bolo, mas com ligeiras diferenças. Por isso, deixo aqui os passos que dei para fazer ambos.
Bolo de chocolate e cacau
Ingredientes
8 ovos inteiros
4 chávenas de açúcar
4 chávenas de farinha
2 chávenas de óleo
2 chávenas de água a ferver
1 pacote de chocolate em pó (125 grs)
2 colheres de chá de fermento
1 pacote de cacau em pó (125 grs)
2 embalagens de mascarpone (500 grs)
4 colheres de sopa de açúcar baunilhado
Preparação
Ligar o forno na função de bolos e regular a temperatura para os 175º / 180º.
Juntar os ovos e o açúcar e bater bem até obter um creme fofo. Adicionar a farinha peneirada e o fermento em pó e envolver no preparado anterior.
Juntar o óleo e mexer até este ficar incorporado na massa. Deitar a água a ferver. Juntar o chocolate e o cacau peneirados e bater bem até a massa ficar consistente e começar a fazer pregas. Deitar o preparado numa forma untada com manteiga e farinha ou utilizar spray vegetal (que se vende nas lojas de artigos para decoração de bolos).
Levar ao forno por 40 a 50 minutos. Fazer o teste do palito, tendo em conta que este bolo fica com uma consistência húmida.
Para preparar o recheio, juntar num recipiente o creme mascarpone e o açúcar e bater bem com a varinha.
Depois partir o bolo em duas metades e rechear, deixando ficar um pouco para barrar à volta do bolo, sem fazer camada, para agarrar a pasta de açúcar com que se cobre o bolo. Se deixar muito recheio a pasta de açúcar fica mole porque está húmida e estraga o trabalho. Por isso, a camada deverá ser muito fina.
Para partir o bolo pode-se utilizar uma régua e medir o bolo, colocando um palito na medida que se pretende, normalmente a meio, e fazer isso à volta do bolo. Depois com uma faca e cortar o pão, cortar seguindo os palitos. Desta forma e corte fica direito.
Bolo de Chocolate com recheio de creme de leite
Ingredientes
4 ovos inteiros
2 chávenas de açúcar
2 chávenas de farinha
1 chávena de óleo
1 chávena de água a ferver
1 pacote de chocolate em pó (125 grs)
1 colher de chá de fermento
1 lata de leite condensado cozido
A preparação é feita como acima descrito para o bolo anterior. O recheio é feito com o leite condensado que não necessita de qualquer preparação especial.
Ambos ficam deliciosos. O primeiro não fica tão doce como o segundo devido à presença do cacau na massa. No fundo, são versões diferentes da mesma receita, o que confirma a máxima de que a cozinha é um mundo ilimitado onde a imaginação não se esgota e a criatividade tem espaço para existir constantemente.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!



Ingredientes:
4 tomates
100 grs de queijo feta
6 folhas de manjericão
sal q.b.
Pimenta q.b.
1/2 colher de café de açúcar
Azeite aromatizado de manjericão
Preparação:
Lavar e partir os tomates em cubos. Partir o queijo feta também em cubos e juntar ao tomate. Adicionar três folhas de manjericão grosseiramente picadas e temperar com sal (tendo em atenção que o queijo já tem sal), pimenta, o açúcar e o azeite aromatizado. Guarnecer com as restantes folhas de manjericão.
Esta salada simples, lembra os campos italianos onde os vegetais constituíam a grande parte do consumo alimentar dos pequenos agricultores que não dispunham de meios para comprar carne com frequência. É daí que vem a perícia e a imaginação em cozinhá-los com pouco, mas com sabor. Em Itália, o manjericão era plantado no meio do tomate para afastar os insetos, o que não deixa de ser curioso porque os dois juntos também fazem um prato perfeito.
Hoje, a minha viagem fica por aqui.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!
Que bos faga bun porbeito!

A riqueza do azeite é indiscutível. Na cozinha tradicional portuguesa tem assento perpétuo. Marca-a em todas as vertentes com o seu cunho de ouro. Para mim, este é o ingrediente que não se pode dispensar.
Ontem, em casa dos meus amigos, Isabel e Pedro, este contava como nos dias de caça a avó cortava umas fatias de pão que torrava directamente nas brasas da lareira para logo de seguida as barrar com azeite. Eram as torradas de então. Hoje, recorda-as como uma verdadeira iguaria.
Os azeites aromáticos têm a vantagem de nos trazer o melhor dos ingredientes que se utilizam. Os pratos ficam deliciosos com poucos passos. Não existe qualquer grau de dificuldade. O único requisito que se impõe é a paciência que caracteriza qualquer espera.
Deixo então a receita de dois azeites que têm utilizações distintas. No entanto, existe entre eles um denominador comum: o apelo ao verão.
Azeite de Manjericão
Ingredientes:
575 ml de um bom azeite
Um punhado de folhas frescas de manjericão
Preparação:
Corte as folhas de manjericão aos pedaços e coloque-as numa tigela. Cubra com o azeite, certificando-se de que todas as folhas ficam submersas.
Mude a mistura para um frasco esterilizado com tampa e deixe em infusão num local quente (por exemplo, junto ao fogão) durante um mês. Deve agitar o frasco uma vez por semana. As folhas deverão estar sempre cobertas pelo azeite para não ganharem bolor.
Ao fim de um mês, coe o azeite, utilizando um filtro de café. Deite fora as folhas.
Coloque uns pés frescos de manjericão numa garrafa esterilizada e encha-a com o azeite de manjericão. Feche e guarde num sítio seco e abrigado da luz.
Este azeite poderá ser utilizado em saladas de tomate, salada verde ou até num prato de massa. Traz para a mesa um vigoroso sabor a verão. É ótimo tê-lo sempre à mão.
Azeite de Tomilho e Folhas de Manjerona
Ingredientes:
575 ml de um bom azeite
Um punhado de folhas de tomilho e de manjerona
Preparação:
Utilizar o método acima descrito.
Este azeite surpreende pelo seu sabor misto de ervas e especiarias. Pode ser utilizado em pratos de peixe assado ou grelhado.
E, assim, sem qualquer dificuldade enriquece-se a dispensa e apuram-se pratos e sabores.
Para saber mais sobre ervas aromáticas, recomendo o livro que serviu de inspiração para a preparação destes azeites: O poder das ervas aromáticas, de Jekka Mcvicar, Editora Civilização, 2002. Trata-se de um livro muito interessante que para além de algumas receitas com estas ervas, ensina, ainda, a plantar e a cuidar delas e perceber as suas diferentes aplicações.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!

No fim de semana passado, a família voltou a reunir-se para festejar o aniversário do meu irmão mais novo. Temos 13 anos de diferença. O Miguel é o rapaz que veio acomodar uma casa com três meninas, para felicidade dos meus pais que tanto queriam um rapaz, sendo que a minha mãe era a maior entusiasta.
Apesar de não ser um bolo decorado com que habitualmente presenteio os meus aniversariantes, este não foi feito ao acaso. Foi pensado para o Miguel que sempre foi guloso. Este tipo de doces nunca estiveram muito presentes na nossa mesa porque a minha mãe tinha receio de fazer bolos e nós (meninas) herdámos, em certa medida, esta fobia. Foi preciso chegar o rapaz para romper com este esta situação.
Certo dia, tinha ele uns dez ou onze anos, fomos encontrá-lo sossegado (o que era estranho, pois fazia notar sempre a sua presença), na cozinha, envolto num delicioso aroma a... bolo de chocolate! A partir dessa altura, os bolos começaram a surgir quase naturalmente, sendo que os do Miguel ainda hoje são de chocolate.
Por isso, só lhe podia fazer um delicioso bolo de chocolate com cor e textura apelativas. Apesar de as fotografias não serem as melhores, garanto que estava muito bom e ficou bem na mesa.
A receita foi-me apresentada pela minha irmã do meio. Fiz pequenas alterações e adicionei alguns ingredientes. Dobrei as quantidades para fazer um bolo maior, ajustando também ao que tinha em casa.
Ingredientes:
8 ovos inteiros
4 chávenas de açúcar
4 chávenas de farinha
1 colher de chá de fermento
2 chávenas de óleo
2 chávenas de água a ferver
1 pacote de chocolate em pó (125 grs)
100 grs de cacau em pó
2 colheres de chá de água de rosas
Para o recheio e cobertura:
2 pacotes de natas frescas
1 embalagem de morangos
4 colheres de chá de açúcar baunilhado
Preparação:
Ligar o forno na função de bolos e regular a temperatura para os 175º / 180º.
Juntar os ovos e o açúcar e bater bem até obter um creme fofo. Adicionar a farinha peneirada e o fermento em pó e envolver no preparado anterior.
Juntar o óleo e mexer até envolver bem. Deitar então a água de rosas e de seguida a água a ferver. Juntar o chocolate e o cacau e bater bem até a massa ficar consistente e começar a fazer pregas. Envolver bem e deitar o preparado numa forma untada com manteiga e farinha ou utilizar spray vegetal (que se vende nas lojas de artigos para decoração de bolos).
Levar ao forno por 40 minutos. Fazer o teste do palito, tendo em conta que este bolo fica com uma consistência húmida.
Entretanto, preparar o recheio e a cobertura. Lavar e cortar os morangos em pedaços médios e reservar.
Bater as natas com o açúcar até formar um creme consistente. Levar ao frigorífico por alguns minutos até ganhar mais consistência.
Partir o bolo em duas metades e, depois de frio, rechear com as natas e uma parte dos morangos. Colocar a segunda parte do bolo e cobrir com as restantes natas e morangos.
Este bolo não fica muito doce. Pode adicionar mais açúcar à massa do bolo e às natas se desejar. A sua textura é húmida e fresca e constitui uma combinação perfeita de cor e sabor.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!
