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A cavala é um peixe que, tal como o salmão, ou se gosta ou se detesta. O seu cheiro e sabor acentuados não são do agrado de todos. Mas se para os seus apreciadores, cozida é boa, assada é excelente. Principalmente quando é acompanhada de um molho cremoso e fresco. As suas propriedades ajudam a manter a saúde cardiovascular, a equilibrar as hormonas e a fortalecer o sistema imunitário por conter cálcio, selénio, vitamina E, ácidos gordos essenciais ómega-3. Não são boas razões para passar a consumir este peixe tão desprezado?
Ingredientes:
1 chalota pequena, descascada e finamente cortada
1 colher de sopa de azeite
Raspa de 1/2 laranja
2 colheres de sopa de casca de limão
Sumo de 1 laranja e de 1 limão
100 ml de caldo de peixe
1 batata pequena, cozida e cortada
4 filetes de cavala fresca, sem espinhas, mas com pele
1 iogurte natural
1 colher de sopa de cebolinho, finamente cortado
4 raminhos de erva-cidreira ou de folhas de hortelã (facultativo)
Para o puré:
8 batatas médias
1 curgete
50 grs de abóbora
Sal q.b.
Pimenta q.b.
Noz-moscada q.b.
75 ml de natas
1 colher de café de manteiga
Preparação:
1. Comece por cozer as batatas, a curgete e abóbora em água temperada com sal, aproveitando uma das batatas para o molho do peixe.
2. Depois de cozidas, triture-as no passevite e tempere com noz-moscada e pimenta. Junte, ainda a manteiga e as natas. Leve novamente ao lume, mexendo até ferver por 2-3 minutos.
3. Refogue a chalota em azeite, em lume moderado. Junte a casca e o sumo da laranja e do limão, juntamente com a base do peixe e a batata.
4. Aqueça em lume brando durante 10-15 minutos, para que os sabores se fundam.
5. Coloque as filetes de cavala num tabuleiro de ir ao forno, previamente untado, com a pela para cima, e junte um terço do preparado anterior.
6. Leve ao forno previamente aquecido a 190.ºC e deixe assar por 10 minutos.
7. Entretanto, coloque o líquido restante numa misturadora e misture até ficar cremoso (deve ficar com uma consistência leve e cremosa). Volte a colocá-lo no recipiente anterior e junte o iogurte. Aqueça cuidadosamente em lume brando.
8. Retire a cavala do forno, emprate e coloque o molho por cima, finalizando com o cebolinho cortado e os ramos de erva-cidreira ou hortelã. Sirva com puré ou com arroz e legumes.
Peniche - Praia da Consolação
O grande protagonista deste prato é o molho de laranja e limão. O sabor dos cítrinos sobressai, combinando muito bem com o sabor do peixe. O puré, nesta versão, fica saboroso e leve. É para repetir, seguramente.
Espero que tenha ajudado a diminuir as reservas dos menos apreciadores deste peixe. A receita da cavala assada foi retirada do livro O Nutricionista - Alimentos que Cuidam do Espírito e do Corpo, de Vicki Edgson e Ian Marber. Quanto ao puré, é apenas uma das minhas formas de preparar os legumes que vão ficando no frigorífico.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!

Bom dia, mundo! ![]()
Os ovos... A minha cozinha não é nada se nela não se encontrarem os ovos. Felizmente, neste cantinho, ainda são, na maior parte do ano, de galinhas criadas como antigamente. Lucky me!
Os ovos contém cálcio, ferro, magnésio, zinco, vitaminas do complexo B e proteínas de primeira classe. Por isso, ajudam a reforçar o sistema imunitário e são uma fonte de energia. Foi com o intuito de começar este fim de semana com bastante energia que resolvi fazer estes ovos mexidos.
Ingredientes:
2 ovos
1 haste de tomilho fresco
1 colher de sopa de queijo creme Philadelphia com ervas finas
2 colheres de sopa de leite
1 colher de chá de manteiga para cozinha
Sal q.b.
Pimenta q.b.
Preparação:
Coloque os ovos num recipiente, juntamente com o leite, as folhas da haste do tomilho e tempere com sal. Bata os ingredientes ligeiramente para os envolver. Numa frigideira, coloque a manteiga e junte o preparado anterior. Vá mexendo para soltar os ovos até ficarem cozinhados. Finalize temperando com pimenta e sirva com pão torrado, acompanhado de um bom café.
O leite ajuda a humedecer mais os ovos, deixando-os também mais fofos.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!

Portugal: Portalegre
A sopa pode ser tudo o que quisermos que seja. Tem o potencial de se adaptar a qualquer mesa, colo ou manta estendida na relva, seja como elemento de um banquete de vários pratos para reis e rainhas, seja como prato principal de plebeus pobres. Não há refeições em que a sopa não seja bem-vinda. Pelo menos, não me lembro de nenhuma.
Este é o encanto da sopa. Pode ser espessa ou fina, elegante ou rústica, subtil ou consistente, leve ou reconfortante, vegetariana, de carne, de peixe, vegana, sem laticínios, sem trigo, quente ou fria, saudável, revitalizante, aconchegante e muitos, muitos mais adjetivos positivos.(...)
Qualquer pessoa pode fazer boa sopa. Sim, qualquer pessoa.
Sophie Grigson, in "Sopas Substanciais, Sazonais, Frescas"
Ingredientes:
2 batatas doces
2 cenouras
300 grs de abóbora
1 cebola
1 molho de espinafres
250 grs de grão cozido e mais 100 grs para guarnecer
Sal q.b.
Azeite q.b.
Natas q.b.
Preparação:
1. Descasque as batatas, as cenouras, a cebola e a abóbora e coloque numa panela funda.
2. Arranje os espinafres e junte-os aos restantes legumes. Cubra com água e tempere com sal.
3. Quando estiverem cozidos, junte um pouco de azeite e o grão já cozido e triture. Retifique o tempero e coloque novamente ao lume por dois ou três minutos.
4. Sirva guarnecido com natas e uns bagos de grão.
Eu não definiria melhor uma sopa. De facto, o verdadeiro encanto da sopa consiste no poder de ajustá-la ao nosso gosto, à nossa despensa e à nossa carteira. Este é um exemplo de que, de uma forma simples, se consegue um creme leve, saboroso e saudável.
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!

Normalmente, cá em casa, o peru é criado para o Natal. O ritual inclui sempre o aguardente de medronho. E quem cria um peru, cria dois ou três. Mas o Natal só comporta um, mesmo para uma família grande. Por isso, a cada um, cabe um pouco para o que desejar.
Ingredientes:
4 bifes de peru
Sal q.b.
Pimenta q.b.
Azeite q.b.
Manteiga q.b.
Sumo de 1 limão
Sementes de sésamo
Pão ralado caseiro
Farinha integral
2 ovos
4 maçãs reineta
1 colher de chá de açúcar
1 noz de manteiga
4 colheres de sopa de água
Preparação:
1. Tempere os bifes de peru com sal, pimenta e o sumo de limão. Reserve por 20 minutos.
2. Passe os bifes pela farinha integral, pelo ovo batido e finalmente pelo pão ralado, a que juntou, previamente, as sementes de sésamo.
3. Deite o azeite numa frigideira, com duas nozes de manteiga, e leve os bifes a fritar de ambos os lados até ficarem dourados.
4. Retire e deixe repousar um pouco num recipiente coberto com papel absorvente.
5. Para o puré de maçã, comece por descascar as maçãs (pode colocá-las em água com umas gotas de limão para não oxidarem) e parti-las. Coloque-as num recipiente com a água e o açúcar e leve ao lume até começarem a desfazer-se. Nessa altura, pode utilizar um garfo para as reduzir a puré ou usar a trituradora. No fim, junte um pouco de manteiga e mexa bem para envolver.
6. Sirva apenas com o puré ou com salada verde.
Estes panados ficam saborosos e o sésamo reforça o sabor do pão ralado, conferindo-lhe personalidade. Ao conjugá-los com a maçã, saí da minha esfera de segurança, mas valeu a pena, porque o resultado foi um prato agridoce equilibrado. É para repetir.
E já agora, when life gives you scraps, make quilts! ![]()
Bom apetite!
Bon appétit!
Jó étvágyat!

Lisboa: Largo Dona Estefânia
Lisboa, mulher, cidade da minha vida. De noite, veste-se de gala; de dia, é varina de sangue quente. Lisboa, cidade, mulher de quem a ama.
Ingredientes:
1 Abóbora menina
1 curgete
200 g de arroz arbóreo
8 camarões grandes
800 ml de caldo de legumes
1 cálice de vinho do Porto branco
1 cebola
1 dente de alho
Queijo parmesão ou outro de que goste - utilizei queijo da Soalheira - q.b.
Sal q.b.
Manteiga q.b.
Azeite q.b.
Preparação:
1.Coza o camarão e reserve.
2. Numa frigideira aqueça o azeite com um pouco de manteiga e junte a abóbora e a curgete cortadas aos cubos. Deixe fritar, tendo o cuidado de ir mexendo, até a abóbora começar a desfazer-se.
3. Quando estiver pronta, triture metade e reserve.
4. Aproveite o azeite da fritura da abóbora e junte a cebola e o alho picados. Deixe alourar.
5. Junte os pedaços de abóbora e o arroz e deixe fritar um pouco.
6. Adicione o vinho do Porto e deixe evaporar.
7. Comece a adicionar o caldo de legumes até cobrir o arroz. À medida que for evaporando, vá juntando caldo até cobrir o arroz é vá mexendo. Faça-o até o arroz estar cozido.
8. Nessa altura, junte o puré reservado e o camarão já cortado em pedaços. Mexa, envolvendo tudo muito bem. Junte uma noz de manteiga e o queijo ralado e volte a envolver.
9. Sirva imediatamente com um pouco de queijo ralado.
A inspiração para o jantar de hoje, foi aquela fotografia, tirada há uns dias, e uma receita de risotto de abóbora do Henrique Sá Pessoa. Este arroz ficou muito bom; caldoso como são todos os meus pratos de eleição. Que me desculpe o Henrique Sá Pessoa, mas eu tenho dificuldade em seguir as receitas à letra. Amanhã, continuarei a buscar inspiração no seu livro e na luz de Lisboa.
Fado "Lisboa Menina e Moça" interpretado por Paulo de Carvalho
Bom apetite!

Igreja Matias
A Igreja Paroquial de Nossa Senhora, mais conhecida por Igreja Matias, talvez por ter sido Matias Corvino a dar-lhe mais uso, está situada no lado Buda, junto ao monumento do Bastião dos Pescadores. Esta Igreja foi fundada no reinado de Bela IV, no século XIII, tendo sofrido ao longo da história do país várias utilizações e reconstruções. Em 1541, os turcos fizeram dela a Grande Mesquita. Mais tarde, aquando a libertação de Buda, ficaria praticamente destruída. Pela mão de padres franciscanos, é reconstruída ao estilo barroco, sendo que em 1723 voltaria a sofrer grandes danos. A sua reconstrução seria então feita por Frigyes Schulek ao estilo neogótico. Mas, em 1945, seria objeto de nova destruição, agora pelos alemães e russos, ficando a sua recuperação terminada apenas em 1970.
1 - Porta axial; 2 - Rosácea medieval do Primeiro Gótico, reproduzida por Frigyes Schulek; 3 - Púlpito;
4 - Padres da Igreja; 5 - Réplica da Igreja Matias; 6 - Placa a praça perpendicular à Igreja;
6 - Torre da Igreja; 7 - Torre Béla, homónima ao rei Béla IV
Quando chegamos ao Bairro do Castelo não conseguimos ficar indiferentes às cores que brotam do telhado da igreja, constituído por mosaicos policromos. O interior não é menos impressionante. As paredes estão meticulosamente pintadas à mão; um trabalho extraordinário. No púlpito, podemos admirar a ornamentação da qual constam os quatro padres da igreja e os quatro evangelhos. Os vitrais (três) do século XIX, são da autoria de Frigyes Schulek, Bertalan Székely e Károly Lotz. No seu interior, está, ainda, o túmulo do rei Bela III e da sua mulher, Ana de Châtillon.
Bastião dos Pescadores
O Bastião dos Pescadores foi erigido num local onde antes existia um mercado e um bairro de pescadores. É esta a génese do seu nome. Este monumento simples, de estilo neoromânico - neogótico, é o local perfeito para contemplar o rio Danúbio e Peste. Quem por ali passa, quer demorar-se. A vista perde-se numa lonjura impressionante e uma certa paz toma conta dos espíritos viajantes. Mais do que ir ao Palácio, era a este monumento que queria voltar. Queria demorar-me e deixar passar o tempo sem pressas; queria simplesmente ficar ali a admirar e a absorver cada detalhe, na certeza de que ali não voltaria tão depressa. Em boa verdade, foi aqui que me apaixonei por Budapeste.
1 - Estátua de Santo Estevão; 2 - Vista de uma das esplandas do Bastião dos Pescadores sobre as Pontes Isabel (Sisi) e da Liberdade ou Francisco José; 3 -Ilha Margarida; 4 - Parlamento; 5 - Igreja Matias e Bastião dos Pescadores; 6 - Vendedor de aguarelas
Na praça que dá acesso ao Bastião, a estátua do rei Estevão I ou Santo Estevão parece dar-nos as boas vindas. Este rei tentou evangelizar a Hungria, tendo recebido a coroa, que hoje se encontra no Parlamento Húngaro, do Papa Silvestre II e fundado ao bispado de Esztergom.
1 - Parlamento; 2 - Bastião dos Pescadores
Fiquei cativa daquela beleza, bem como da simpatia daqueles com quem me cruzei. Todos os bocadinhos foram marcados por conversas informais ou tentativas de conversa, nalguns casos, devido ao obstáculo da língua. Foi com tristeza que pensei que não voltaria a Budapeste. Mas, já lá diz o velho ditado que não há duas sem três, por isso, em Maio, lá estarei outra vez, desta feita para ser cicerone de duas pessoas que me são queridas.
Na mala, para além do pimentão, quero trazer música húngara. Quero coisas novas para ouvir e para aprender. Este é um trabalho que descobri recentemente, a par de outros, e que não pude deixar de partilhar. Espero que gostem. O título é muito sugestivo: sonhadores despertos. Porque sonhar é preciso!

Palácio Real: Turul, a ave mítica, esculpida em bronze, celebra os mil anos da conquista magiar (896)
O início do ano é sempre tempo de balanços e de traçar novos objetivos. Para mim, o ponto alto do ano que findou foi marcado pela viagem a Praga, Viena e Budapeste. Esta última cidade marcou-me de tal forma que decidi regressar. As paixões não se explicam, acontecem.
Palácio Real: portão do Escadório Habsburgo
No dia em que regressei a Budapeste cheguei ao hotel por volta das 16h00. Depois de arrumar tudo, pensei em ir até ao Bairro do Castelo de Buda (Budái Vár) porque foi um dos locais que ficou por visitar da primeira vez. Mas numa súbita viragem de planos, decidi ir ao cinema e visitar umas livrarias que ficavam no centro comercial perto do hotel. Foi uma boa decisão. Ir ao cinema na Hungria foi uma boa experiência. Ao contrário de cá, as pessoas respeitam o início do filme e sabem comer pipocas. Nas livrarias encontrei bons livros e um vasto leque de escolhas. Comprei um dicionário de bolso de português-húngaro e húngaro-português, que me tem sido muito útil, e alguns filmes de adaptações da obra de Jane Austen, que não consegui encontrar por cá, a € 6 os dois filmes, sendo que um contém dois dvd's.
1 - Széll Kálmán tér; 2 - Placa da rua do Palácio; 3 - Edifício dos correios no Bairro do Castelo
É engraçado sentir o ritmo da cidade quando vamos com mais calma e mais tempo para vermos o que queremos. Assim, no dia seguinte, depois de comprar , no quiosque dos jornais, uma carteira de 10 bilhetes para os transportes, que icnclui o metro, autocarro e elétrico, a € 1,50 cada, apanhei o elétrico (villamos) e depois o minibus 16 (várbusz) até ao Bairro do Castelo que fica no cimo da colina de Buda. Esta é uma área praticamente pedonal. O referido autocarro passa em Peste, na Praça Roosevelt, e em Buda podemo-lo apanhar na Praça (tér) Széll Kálmán, onde convergem vários transportes. Mas para quem estiver no lado Peste, recomendo atravessar a Ponte das Correntes até à Clark Adám tér e subir pelo jardim do Palácio ou utilizar o Funicular (sikló). No Budái Vár podemos visitar o Palácio Real, onde se encontram a Galeria Nacional da Hungria, o Museu de História de Budapeste, o Palácio Sandór, residência oficial do Primeiro-Ministro, o Labirinto e o Funicular. É também naquele Bairro que encontramos a Igreja Matias e o Bastião dos Pescadores, de onde se tem uma vista magnífica sobre o Danúbio e sobre Peste, avistando-se a Ponte das Correntes, o Palácio Gresham, a Basílica de S. Estevão, a Ponte Isabel, o Parlamento e a Ilha Margarida.
Visto de Peste, o Palácio Real aparece soberbo com o seu Turul a vigiar toda a cidade como que a prevenir outras invasões. Esta ave mítica, esculpida em bronze, celebra os mil anos da conquista magiar, em 896. As varandas do Palácio parecem debruçar-se com curiosidade sobre o Danúbio ovando a vida que nele passa. Barcos de vários tamanhos cruzam-se levando e trazendo turistas e locais embalados numa dança perfeita ao som imaginário da Valsa do Danúbio Azul, de Strauss (filho). Outros, permanecem numa preguiça doce nas margens do rio como que a chamar os transeuntes para um café, um copo de bom vinho ou de palinka, demorado, contrariando a pressa das águas agitadas do rio.
1 e 2 - Estátua de Eugénio de Sabóia; 3 e 4 - Pátio do Palácio Real; 5 - Turul e zimbrório do Palácio Real de estilo neoclássico
O Palácio Real é, na verdade, uma amálgama de vários edíficios. Talvez seja aquele que mais mudanças e peripécias sofreu ao longo da história húngara. O primeiro documento escrito data de 1255. Trata-se de uma missiva do rei Béla IV sobre a sua construção. Ao longo de vários séculos o Palácio foi ganhando formas inspiradas nos distintos movimentos que marcaram os diversos reinados, desde o gótico de Sigismundo de Luxemburgo, passando pelo renascentismo de Matias e pela influência dos Habsburgos. Seria destruído durante a Segunda Guerra Mundial, em Fevereiro de 1945, e reconstruído mais tarde. Durante os trabalhos de reconstrução descobriram-se as ruinas do palácio gótico mandado erigir por Sigismundo, cujas muralhas e aposentos estão agora a descoberto. No pátio norte, econtramos uma linda estátua do rei Matias Corvino - a Fonte Matias -, uma obra de Alajos Stróbl (1904), que representa o amor impossível entre o rei e Ilonka, uma camponesa que conhece durante uma caçada.
1 - Palácio Sandór; 2 - Entrada do Funicular pelo Palácio Real; 3 - Interior do Funicular;
4 - Entrada do Funicular pela Clark Adám tér; 5 - Brazão à entrada do Funicular; 6 - Fonte Matias
A Galeria Nacional da Hungria, criada em 1957, acolhe a arte húngara desde a Idade Média até ao século XX, em especial a época de Secessão - movimento que tentou quebrar com o romantismo do século XIX, procurando novas inspirações no passado distante, nomeadamente nas cores vivas da arte popular transilvana. É um movimento marcado pela cor, por formas excêntricas e estilizadas, abrangendo várias formas de arte visuais e decorativas. Um dos edíficios do movimento sessionista é o Palácio Gresham que encontramos junto à Ponte das Correntes e que hoje é o Hotel Four Seasons.
A Galeria, recebe-nos com um quadro lindíssimo de Pierre-Joseph Verhagen (1728 - 1881) representando a coroação rei Estevão pelo Papa (1770). Para além deste, aqueles que mais me marcaram foram: um quadro de Szöny István (Ùfpest, 1894 - Zebegény, 1960) intitulado "Crossing the Danube", de 1960, "Woman on the Shore" (1897), de Ivány Grünwald Béla (1867 - 1940) e "Piquenique em Maio" (1873), de Szinyei Merse. Não gostei da exposição no último andar por a achar muito agressiva. Os bilhetes não são caros (1200 Ft) e vale a pena passar um hora naquele espaço.
Da esquerda para a direita: 1 - "Piquenique em Maio", de Szinyei Merse; 2 - Galeria Nacional da Hungria;
3 - "Crossing the Danubio", de Szönyi István
Depois de visitar a Galeria, recomendo que tome um café, ao fim da tarde, na esplanada do Palácio. A vista para a Ponte das Correntes é muito bonita, embora não seja a mais alargada. Depois de comer uma salada que estava ótima, tomei o meu café voltada para a Ponte. Ali estava eu absorta na contemplação daquela obra magnífica, do escocês Clark Adám, quando vejo o Palácio Gresham, a Basílica e a Ponte das Correntes a iluminarem-se. Recebiam, assim, o entardecer. Para ter uma vista mais abrangente do rio àquela hora, corri até ao pátio do Funicular. Ali, pude avistar, refletidos no rio, o Parlamento e as diversas pontes que ligam Buda a Peste. Um espetáculo de luz gradual, lindo e romântico.
1 - Ponte das Correntes e Palácio Gresham; 2 - Parlamento; 3 - Ponte Isabel (Sisi)
O regresso ao hotel acabou por se tornar numa pequena aventura, por minha culpa, claro. Decidi que regressaria a pé. Depois de me ter enganado na paragem do autocarro, voltei a cometer o mesmo erro. Eu queria apanhar o minibus de regresso à Széll Kármán tér e daí seguir a pé. Enquanto aguardava pelo minibus, no lado direito da praça que fica por detrás do Palácio, depois de já ter estado na paragem errada, vi o motorista parar no lado oposto da rua. Pensando que estava enganada outra vez, atravessei a praça e perguntei-lhe qual era a paragem correta e qual seria o melhor caminho para regressar ao hotel. Este, num inglês perfeito, indicou-me o caminho, mas aconselhou-me a apanhar o elétrico. Disse-me para entrar e para não me preocupar com o bilhete. Este episódio trouxe-me à memória um indêntico que se passou cá. Tinha nove anos e pouca noção do percurso dos transportes. Certo dia, estava na paragem e fiz sinal para ao motorista do autocarro parar. Para me certificar que apanhava o transporte correto, perguntei qual era o percurso do mesmo, pronunciando mal o nome da localidade para onde pretendia ir. O motorista respondeu-me uns impropérios, fechou a porta e arrancou, deixando-me ali. A diferença...
Voltando a Budapeste, entrei no autocarro e o motorista arrancou, parando na paragem onde estive, o que me deixou duplamente embaraçada: primeiro, eu estava no sítio certo; segundo, dei ar de espertinha ao passar à frente das outras pessoas. Na última paragem, voltou a dar-me indicações sobre como chegar ao hotel. Com um ar preocupado, voltou a referir que devia apanhar o elétrico.
Assim que saí da estação, virei na direção errada. Depois de andar algum tempo, verifiquei que estava a andar para trás. A rua, com pouca iluminação, não inspirava segurança e eu só pensava que era uma tonta. Uns metros à frente, vejo uns senhores a jogar malha e uma senhora com uma criança atravessava o parque. Perguntei-lhe que direção deveria tomar para encontrar a Krisztina tér. Com as suas indicações cheguei à praça, mas voltei a enganar-me. Agora já estava assutada, embora visse algumas pessoas a passar com sacos da mercearia. Com calma, lá encontrei de novo a rua pretendida e quando avistei o hotel, senti-me em casa.
Canção interpretada por Osondor Kata, "Add tovább" (Passá-lo)

Peniche: praia da Consolação
2012 está aí há quase um mês e os meus desejos estão apontados, como manda a tradição. Quero que este ano de 2012 seja um ano de transformações. Quero abraçar a vida. Quero conhecer pessoas novas com mentes saudáveis e arejadas. Quero concretizar projetos e sonhos de sempre. Quero viajar, conhecer lugares novos e revisitar refúgios conhecidos. Quero aprender coisas novas e aperfeiçoar conhecimentos antigos. Quero experimentar sabores novos. Quero ganhar confiança em mim e no mundo, transformando-me numa pessoa mais segura e independente. Quero assumir o leme da minha embarcação e navegar com confiança neste mar de vida. Quero crescer como pessoa e ser humano. Quero sentir-me realizada. Quero ser mais organizada e expedita.
Enfim, 2012 está aí e eu quero que este seja um dos melhores anos da minha vida em todos os aspetos. Para isso, vou misturar alegria, amizade, amor, carinho, bondade, saúde, trabalho e deixar tudo em lume brando até ficar bem apurado. Depois, vou adicionar umas pitadas de notas soltas e coisas doces para lhe dar mais vida. Para acompanhar este prato, terei boas leituras e a concretização de projetos maravilhosos que se começam agora a desenhar.
Para todos os que passam por este cantinho, desejo um Bom Ano repleto de saúde e muitas coisas doces!

Budapeste: Parlamento húngaro
Quando regressei a Budapeste em Outubro, deixei em Lisboa a promessa de fazer um jantar para um casal amigo, a Isabel e o Pedro, em que predominasse a gastronomia húngara. Ajustámos dias e horários e conseguimos realizar o nosso encontro. Foi um momento agradável que só ficou quinado pelo desafio que fiz ao Pedro. Este consistiu em dar-lhe a provar o licor Unicum - aquele que é feito com 62 ervas diferentes, colhidas em três regiões distintas. Tratou-se de uma brincadeira porque, como já tive oportunidade de referir, o Unicum não é um licor que qualquer pessoa consiga beber. Como o Pedro nunca se nega a um bom desafio, decidi fazer-lhe esta pequena partida. Segundo ele, estraguei um jantar delicioso quando lhe dei a provar um "remédio de farmácia". De facto, o Unicum não tem um grau elevado de álcool, mas tem um sabor amargo e intenso a ervas, o que não é do agrado de todos. Como nos dizia a Linda, é preciso gostar. Uns dias depois ainda brincávamos com a situação. Nem o argumento de que o licor fazia muito bem à saúde, visto que o Imperador Habsburgo (Francisco) José II viveu até aos 82 anos (naquele tempo...) e tomava-o por prescrição do médico da corte, o Dr. Zwach que pertencia à família que ainda hoje detém o segredo da receita, o fizeram simpatizar com aquela bebida.
Para além do licor tradicional da Hungria, ficámos ainda a conhecer o paté de fígado de ganso, o salame húngaro, e o Bikáver (sangue de touro), ou seja, o vinho tinto. O verdadeiro "Sangue de Touro" é da região Égri. Os vinhos húngaros geralmente são bons. A actividade vinícola foi alvo de alguns melhoramentos nos últimos anos e está centrada nas regiões de Siklós, Sopron, Szekszárdi, Tihany, Villány e Égri. As castas que predominam nos vinhos tintos são a Kékfrancos, Burgundi, Oportó, Cabernet e Pinot Noir (meio-seco). Normalmente, os nomes dos vinhos indicam a região e a casta a que pertencem, como o que apresentei neste jantar e que foi do agrado de todos - um tinto seco, de 2007, da região Szekszárdi.
Gosto de partilhar estes mimos com as pessoas de quem gosto e que aprecio. É a melhor recompensa. Sem a partilha, fica apenas o vazio e o prazer da comida desvanece-se sem deixar marca.
Ingredientes:
700 grs de carne tenra (1.ª qualidade - chã, pojadouro, pombinho) de vaca ou de porco - usei de porco
1 colher de chá de sal
1/2 colher de pimenta preta em grão
1 cebola encarnada média
3 colheres de sopa de azeite
1/2 colher de chá de paprica
200 grs de ossos de porco - no talho, peça para lhe indicarem os melhores e para os partirem
1 tomate médio
1 pimentão húngaro
150 grs de fígado de frango ou de ganso
100 grs de cogumelos
800 grs de bacon
Ervilhas a gosto previamente escaldadas (ou de conserva).
Preparação:
1. Comece por marinar a carne 3 ou 4 dias antes (se não for possível, umas horas antes). Esfregue-a com a pimenta e mostarda e coloque-a numa folha de alumínio com azeite ou, caso já esteja em fatias, num prato, e guarde no frigorífico - deixei ficar apenas umas horas. Corte a carne fatias regulares e altas.
2. Se pretender a carne mal passada, não a bata com o martelo. Envolva a carne nas tiras de bacon e esfregue-a com sal e pimenta. Reserve.
3. Prepare o guisado: descasque a cebola, corte-a e refogue-a em azeite até ficar translúcida.
4. Junte a paprica, mexa e cubra com 3 dl de água.
5. Junte os ossos partidos e deixe cozinhar por 20 ou 30 minutos.
6. Entretanto retire a pele ao tomate e ao pimento e corte-os em pedaços. Corte também o fígado, os cogumelos e o restante bacon.
7. Noutro recipiente, derreta o bacon e junte-lhe o fígado, os cogumelos e o pimento e deixe cozinhar por 3 ou 4 minutos. Depois junte o tomate e as ervilhas.
8. Adicione então uma parte do molho que fez com a cebola e os ossos e faça um estufado consistente. Deixe ferver e apurar.
9. Entretanto, frite a carne que tem reservada, a gosto (mal passada, média ou bem passada) - optei por colocá-la no forno e ficou muito boa. Sirva com arroz, salsa e batatas fritas.
Este prato fica delicioso. Numa próxima oportunidade, seguirei a receita à letra e irei fritar a carne. Esta, mais uma vez, foi retirada do trabalho de György Hargitai, Cozinha Húngara, que será, ainda por algum tempo, o meu suporte para saber um pouco mais sobre a gastronomia húngara, principalmente na sua forma mais rústica. Para além deste, adquiri também o livro de Karoly Gundel, do restaurante Gundel, que não cheguei a conhecer. Trata-se de uma edição revista pelos seus filhos, Ferenc e Imre Gundel. A primeira edição data de 1934 e já vai na 45.ª edição. A introdução é uma verdadeira apresentação da cozinha húngara desde as tribos magiares até aos nossos dias. Em poucas palavras ficamos a conhecer a sua evolução e os seus produtos naturais.
Bom apetite!
Jó étvágyat!

Parque Natural da Serra da Estrela: Ribeira de Alvôco da Serra (Aguincho)
Antes que te vás,
Pálida estrela da manhã,
- Mil codornizes
Cantam, cantam no tomilho
Paul Verlaine
As codornizes são também conhecidas como parpalhaz ou parpalhoz e preferem correr a voar. A sua carne é tenra e saborosa. Confesso que representam um pequeno pecado. Ai, gula!! Não lhes resisti quando com elas me cruzei no supermercado. Ainda inspirada pelo entusiasmo de Julie Powell ao cozinhar uns cogumelos com natas e vinho do Porto, no filme "Julia & Julie", apressei-me a comprar meia dúzia para meu único consolo e regalo. Há lá coisa melhor do que nos entregarmos à confeção de um prato que sabemos de antemão ser do nosso agrado. A este espírito, juntou-se, ainda, o formigueiro de finalmente poder experimentar uma oferta especial deste Natal: sal com pimenta e anis.
Ingredientes:
6 codornizes
Pimenta q.b.
Sementes de mostarda
Azeite q.b.
Manteiga q.b.
1 folha de louro
4 alhos esmagados
1 pé de brócolos pequeno
250g de cogumelos frescos
1 pacote de natas frescas
1 cálice de vinho moscatel
1 chávena de arroz basmati ou agulha
1 molho de salsa fresca
Preparação:
1. Comece por abrir as codornizes com uma tesoura, lavá-las em água corrente e secá-las muito bem em papel absorvente.
2. Tempera-as com o sal de pimenta e anis, um pouco de pimenta preta moída e as sementes de mostarda. Reserve durante 20 minutos.
3. Numa sertã, coloque um pouco de azeite, manteiga, os alhos esmagados e a folha de louro e frite as codornizes até ficarem douradas de ambos os lados.
4. Depois de fritas, retire-as e reserve.
5. Retire também o alho e o louro e adicione os cogumelos que entretanto lavou e laminou à mistura da fritura das codornizes. Deixe alourar.
6. Se necessário, tempere com um pouco mais de sal e pimenta.
7. Adicione os brócolos que foram branqueados em água temperada com sal e uma cebola pequena.
8. Junte o vinho moscatel e deixe evaporar.
9. Por fim, junte as natas e deixe o molho engrossar.
Estas codornizes são acompanhadas com arroz branco (basmati ou agulha) que deve ser cozido na água do branqueamento dos brócolos. Quando colocar o arroz no recipiente, junte também um molho de salsa fresca e deixe-o cozer de acordo com as instruções da embalagem. Quando estiver cozido, junte um pouco de manteiga e mexa com um garfo. Tape o recipiente e deixe repousar por dois ou três minutos. Retire o excesso de água, se o houver, bem como a salsa e a cebola e sirva.
Adorei esta combinação. Os cogumelos ficaram adocicados devido ao moscatel, o que conferiu uma certa elegância ao prato. E a felicidade que me trouxe esta experiência? Será pecado?
Bom apetite!
