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A muamba de galinha (ou moamba?) é um prato angolano que há muito despertou a minha curiosidade. Desde o tempo da faculdade onde, certa vez, a Associação de Estudantes teve a maravilhosa ideia de, juntamente com os colegas dos países africanos e com os responsáveis do bar/refeitório, fazer uma ementa constituída exclusivamente por pratos tipicamente africanos. O sucesso foi enorme. O tempo de espera era de duas horas e a fila era interminável. Eu ainda consegui esperar uma hora, mas o dever chamava e tive que desistir. Não sem antes espreitar a cozinha. Os aromas, as cores, as texturas eram de fazer crescer água na boca. Quase me impediam de cumprir com os meus deveres aliciando-me a esperar o tempo que fosse necessário. Os colegas estavam vestidos a rigor com os trajes típicos dos seus países o que tornou a experiência mais enriquecedora. Infelizmente, tanto quanto sei, não a repetiram.
Mais tarde, em conversa com um colega, fiquei a saber a receita que, segundo ele, não era a original, mas o resultado era muito bom. Um dia ofereceu-me um saco de quiabos para que eu tentasse fazer a muamba. Acabei por não fazê-la porque não tinha galinha mas apliquei-os num estufado de legumes.
Esta semana achei que não devia deixar passar a oportunidade de a fazer.
Eis, pois, como fiz a muamba de galinha.
INGREDIENTES (para 4 pessoas):
*1 galinha
*100 grs de óleo de palma
*1 cebola média
*2 dentes de alho
*1 folha de louro
*200 grs de quiabos
*1 courgete
*piripiri a gosto (deve ficar forte)
*sal a gosto
* Cerca de 1 L de água
PREPARAÇÃO:
1 - Lave os quiabos e deixe-os a hidratar em água por 20 minutos. Esta água ficará gelatinosa e é excelente para ajudar a engrossar o molho da muamba.
2 - Retire a pele à galinha e corte-a em pedaços.
3 - Coloque a cebola picada, os alhos, o louro, a galinha e um pouco de óleo de palma num tacho e tempere com sal e piripiri. Deixe apurar. Se necessário junte um pouco da água dos quiabos.
4 - A galinha deverá cozinhar aproximadamente 1 hora. Durante este tempo vá acrescentando água morna e a água dos quiabos sempre que necessário. O molho deverá cobrir a galinha.
5 - Quando a galinha já estiver praticamente cozinhada, junte os quiabos e a courgete. Deixe cozer os legumes e rectifique o tempero se necessário.
6 - Sirva com farinha de milho ou com arroz branco.
Juntei os quiabos mais cedo porque os queria quase desfeitos de modo a conferir uma textura mais compacta e gelatinosa ao molho, o que acabou por suceder. Só depois juntei a courgete para que esta cozinhasse apenas o tempo suficiente. Faltaram alguns ingredientes referidos na receita original (a abóbora, que foi substituída pela courgete, e o limão, sendo que o tomate é dispensável), mas gostei deste resultado, não obstante o facto de ter usado um pouco mais de óleo do que o necessário (usei cerca de 200 grs - metade chega).
Servi com arroz branco e com farinha de mandioca. Ambos ligam bem com o molho intenso da muamba.
Podem utilizar-se-se outras carnes ou peixe. Fica assim a abertura para voltar a repetir a receita com outro tipo de carne e o mais aproximado possível da receita original.
Bom apetite!
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Há já algum tempo que andava para fazer uma receita deste livro da Nigella Lawson. Gosto da sua simplicidade na cozinha e do seu sorriso sempre aberto quando fala dos alimentos. Há quem diga que não é uma verdadeira cozinheira. Contudo, embora não aprecie a confecção de refeições com produtos pré-preparados a que ela recorre algumas vezes, a verdade é que não consigo concordar com aquela afirmação.
A Nigella Lawson é uma inspiração para as mulheres e homens que têm uma vida ocupada com o trabalho e com os filhos e que não gostam de negligenciar as refeições. Apresenta soluções fáceis, rápidas e com imaginação para confeccionar em casa. Por esta razão, mas também pela sua energia positiva, este livro é o destaque deste mês.
A receita escolhida foi linguine com cogumelos em limão, alho e tomilho por ser fácil, rápido, leve e por conter dois ingredientes que aprecio bastante: a massa e o limão. A curiosidade de saber como é que o limão resultaria nesta receita pesou ainda mais que os factores mencionados. No entanto, mais uma vez, não segui a receita à risca. Inspirei-me nela e adaptei-a ao que tinha em casa.
INGREDIENTES (para duas pessoas):
PREPARAÇÃO:
Na receita original os cogumelos ficam a marinar em azeite temperado com sal, alho, tomilho, sumo de limão (1 colher de chá) e casca de limão, sendo servidos crus envolvidos na massa. Mas a ideia dos cogumelos crus não me convenceu.
Esta massa ficou com um aroma muito agradável que resulta da junção do tomilho com o sumo da lima, sendo que este também ajuda a aromatizar os cogumelos. Sabe a férias e a Verão. Transporta-nos para a dimensão dos dias leves e prazenteiros.
Bom apetite!

Este fim-de-semana, enquanto preparava o almoço, olhei de relance para a fruteira e o encontro com as laranjas e a toranja que dormitava sozinha no terceiro andar daquela despertaram em mim o desejo de um sumo fresco para acompanhar a refeição. Abri o frigorifico e verifiquei que ainda tinha duas fatias de melão. Pisquei o olho à laranja e à toranja e murmurei "duas estações"? Que vos parece um sumo que vá ao encontro do fim do Inverno e do início do Verão?
INGREDIENTES (para duas pessoas):
PREPARAÇÃO:
Corte a fruta em pedaços e coloque-a no liquificador, na velocidade 1, até obter um sumo cremoso. Verta-o para os copos, junte a aveia, gelo a gosto e decore com hortelã.
Este sumo fica fresco e pouco doce. É ideal para um dia de sol.
Bom apetite!

Esta tarte resultou da necessidade de gastar umas ervilhas tortas que a minha mãe me deu. Esta situação aliada ao facto de já não poder congelá-las e à vontade de comer algo delicioso que me garantisse o almoço do dia seguinte ditaram o seu destino.
INGREDIENTES:
PREPARAÇÃO:
Esta tarte fica verdadeiramente deliciosa. Pode servi-la simples ou acompanhada de arroz branco. Eu prefiro-a acompanhada de arroz basmati.
Bom apetite!

Desde que vi a Nigella Lawson no programa da SIC Mulher a preparar um bolo em camadas (trifle) que o desejava fazer. Não só pelo bom aspecto que tem mas também porque vi ali a possibilidade de aproveitar as sobras de bolos. A Nigella utilizou um pão-de-ló comprado mas eu prefiro fazê-lo em casa porque os bolos feitos por nós têm seguramente outro sabor - o do nosso empenho e carinho!
A oportunidade surgiu num almoço de família. O pão-de-ló de Coimbra que costumo fazer chegou e sobrou. Era o momento para dar largas à imaginação.
A dificuldade surgiu apenas no momento de escolher o fruto que complementaria o bolo. Mas logo foi ultrapassada. Uns dias antes, em conversa com a tia Maria dos Anjos sobre doces e o modo de os fazer, ficou a promessa de me enviar um doce feito por si. A promessa foi cumprida e para minha felicidade este tinha a textura e a cor ideal para este trifle. Assim, nasceu na minha mente um quadro de cores e texturas perfeito. E foi com entusiasmo que iniciei a composição desta sobremesa que ficou muito bem. O doce conferiu-lhe o sabor e a textura necessárias para um bom resultado porquanto as frutas estavam em pedaços e não desfeitas.
Devo confessar que não segui exactamente a receita da Nigella. Adaptei-a ao que tinha em casa. Ficou a ideia do trifle mas com um toque tugita e muito meu. E resulta. Não há nada melhor do que buscar inspiração e criar algo nosso. Muito nosso. Foi o que fiz. Fica para outra altura a preparação à risca do trifle da Nigella que é feito com frutos vermelhos (os meus favoritos). Talvez para quando as amoras silvestres da Serra estiverem no ponto. ;-)
INGREDIENTES:
PREPARAÇÃO:
Pode usar frutos vermelhos com os quais deverá fazer um doce com açúcar baunilhado. Basta juntar estes dois ingredientes e deixar ferver o suficiente para conseguir um doce com textura e depois juntar frutos vermelhos em cima da camada de doce.
Deliciei-me com esta sobremesa maravilhosa. É para repetir e inovar mais uma vez.
A canja de galinha é um prato a que recorro muitas vezes. Até mesmo no Verão. Gosto daquele caldo simples em que a carne de galinha (não de frango) se revela no seu máximo e me envolve num calmo e relaxante momento de felicidade degustativa. Enceto naquele momento uma viagem ao meu mundo inventado onde o conforto e a paz são soberanos. Eis o poder de um simples caldo.
Há uns dias arranjei uma galinha com a preciosa ajuda da minha mãe. Embora estivesse destinada a ir para o forno, a meio do percurso o desejo de uma canja quente, aromática e saborosa falou mais alto. E foi assim que uma galinha poedeira e os seus ovos lindos e ricos acabaram por fazer parte do meu caldo de eleição.
INGREDIENTES:
PREPARAÇÃO:
Esta canja fica fresca e saborosa. A acidez da lima, do limão ou do gengibre conferem-lhe uma frescura que combina muito bem com o sabor mais intenso do caldo de galinha tornando-o mais leve. Não colide de forma alguma com o sabor da hortelã. Talvez por isso esteja também presente na minha mesa nos dias mais quentes, contrariando a ideia de que estes caldos só casam bem com os dias frios e chuvosos de Inverno.
Bom apetite!

Julia Child é uma figura que me fascina. Descobri-a através do filme "Julie & Julia" e fiquei encantada pela sua personalidade, pelo seu amor à vida, à comida, ao seu companheiro de vida e pelo imenso respeito que tinha por todos os que com ela se cruzavam.
Por este ser um blog dedicado à culinária e a tudo o que a rodeia e que com ela se liga, não resisti em colocar aqui um pequeno vídeo do programa de televisão de Julia Child, "The French Chef". E vejam, não é encantadora e deliciosamente excêntrica? Digo excêntrica porque o seu jeito meio desengonçado não deveria resultar muito bem na sociedade americana de então. E mais: ela era diferente das outras mulheres daquela época e estava absolutamente confortável na sua pele. Isso é fantástico e inteiramente autêntico! Era de uma simplicidade desconcertante. Mas sempre uma senhora.
Et bon appétit!
