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Para mim, o arroz está associado à comida de conforto. Não há nada que bata um bom prato de arroz - nem mesmo a pasta. Na minha memória, permanece o registo do aroma e do sabor do arroz de grelos, bem malandrinho, que a minha mãe costumava fazer acompanhado com peixe frito. Era, e ainda é, um dos meus pratos favoritos.
Hoje, com a introdução (salutar) de novos produtos na nossa vida vindos de outras gastronomias, utilizo muito os arrozes para fazer risottos, cujos bagos são mais carnudos e contém mais amido, sendo que, por isso, resultam mais cremosos.
Assim, sem esquecer os nosso tradicional arroz carolino, que continua a ter assento na minha dispensa, a sugestão de hoje é mais italiana, pois acolhe o arroz carnaroli e vários queijos.
INGREDIENTES
1 fio de azeite
1 chalota, picada
1 chávena de arroz carnaroli
100 g de queijo creme com pimenta (ou simples)
150 g de queijo roquefort
170 g de queijo parmesão, ralado
1 colher de sobremesa de manteiga
Agrião q.b.
Água ou caldo de legumes q.b.
Sal e pimenta q.b.
PREPARAÇÃO
Num tacho largo, colocar o azeite e a cebola e deixar que a mesma fique alourada. Adicionar o arroz, envolver e deixar que tudo se funda.
De seguida, adicionar o queijo creme e o roquefort. Envolver e regar com uma concha de caldo. Temperar com um pouco de sal e pimenta. Quando estiver com uma consistência mais cremosa e seca, juntar mais um pouco de líquido. Repetir a operação até o arroz estar praticamente cozido (cerca de 18 a 20 minutos).
Então, é altura de adicionar o agrião. Envolver. Desligar o lume e adicionar a manteiga e o queijo parmesão ralado. Voltar a envolver tudo muito bem. Servir de seguida.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
"(...) de novo uma combinação ad hoc, o jantar de duas pessoas que tinham de se arranjar com o que havia."
(Paul Auster, in "O livro das ilusões", Edições ASA)
INGREDIENTES
1 fio de azeite
1 cebola, picada
2 dentes de alho, picados
2 batatas médias, cortadas em cubos
4 anchovas
2 pimentos vermelhos, cortados em cubos
4 chuchus, cortados em cubos
Sal e pimenta q.b.
Caldo de legumes, q.b.
Croutons para guarnecer
PREPARAÇÃO
Numa panela, deitar o azeite, a cebola e os alhos e deixar que a cebola quebre. Acrescentar as anchovas e deixar cozinhar cerca de cinco minutos. De seguida, juntar os pimentos, as batatas e os chuchus e envolver. Temperar com sal e pimenta a gosto e cobrir com o caldo de legumes (ou água se preferir).
Quando os legumes estiverem cozinhados, reduzir o preparado a puré com a ajuda de uma varinha mágica. Passar por coador, para que o creme fico mais aveludado.
Servir guarnecido com croutons e um fio de azeite.
As anchovas conferem sabor aos chuchus que são mais neutros e, em conjunto com os pimentos, constroem os paladares desta sopa cremosa.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Existem inúmeras variedades de cogumelos, sendo que os mais vulgares, ou mais utilizados, são os cogumelos de cultura brancos e castanhos. Para além destes, é comum utilizar-se também os portobello, que são cogumelos muito semelhantes aos cogumelos comuns e que se destacam por serem maiores e saborosos, mas também pela sua textura e por não se utilizar o respetivo pé para cozinhar. São cogumelos que crescem de modo selvagem, à semelhança dos nossos míscaros. Normalmente, são assados ou grelhados.
Depois temos os shiitake ou os cantarelos. Os primeiros são cogumelos asiáticos de cultura, que se caracterizam por ter uma cor branca e uma textura consistente; os segundos, são mais amarelados e provêem do Norte e Leste da Europa, em alturas de Maio a Outubro, e de Janeiro a Março, no Sul deste Continente. Depois, temos outros menos comuns para a maioria das pessoas - devido ao seu preço - como sejam as trufas negras ou as brancas, sendo que a trufa Alba de Piemonte é considerada um dos produtos mais luxuosos que existe.
Nós por cá, temos que nos cingir a pequenos luxos. Por isso, a receita de hoje utiliza os comuns portobello, assados no forno e recheados com uma deliciosa compota de cebola (chutney) e com queijo de cabra. Para mim, uma combinação muito gratificante.
INGREDIENTES
4 cogumelos grandes portobello
200 g de queijo de cabra, partido em pedaços
2 queijos mozarela
400 g de compota de cebola (chutney)
Sal e pimenta q.b.
Azeite de trufa q.b.
PREPARAÇÃO
Ligar o forno a 180.ºC.
Lavar os cogumelos, secá-los e retirar a pele. Temperar com sal e pimenta e regar com um fio de azeite de trufa. Colocar sobre tabuleiro forrado com papel vegetal e levar ao forno, cerca de 15 a 20 minutos.
Entretanto, envolver bem a compota de cebola com o queijo de cabra.
Retirar os cogumelos do forno e virá-los sobre um prato para que soltem os sucos que se criaram no seu interior. Reservar esses sucos e juntar ao preparado de cebola e queijo. Envolver.
Com a ajuda de uma colher de sopa, rechear os cogumelos com o preparado de cebola. Cobrir cada um com queijo mozarela.
Levar novamente ao forno durante 10 minutos ou até o queijo derreter e ficar dourado.
Servir com salada verde, temperada com vinagreta simples.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
O meu apetite por sopas não foi sempre pacífico. Devo confessar que, nesse aspecto, a minha mãe não teve uma tarefa fácil. Se criar e educar quatro crianças se poderia considerar empresa hercúlea, o momento alto da dificuldade era o das refeições em que se servia sopa ou outros legumes.
Eu, prática como me entendia, inventava histórias para comer as ervilhas. Distraindo a mente com aventuras, desviava a preocupação do paladar e da textura dos legumes de que menos gostava. Mas com as sopas as coisas não corriam tão bem. Era sempre um sacrifício para nós e para a minha mãe, que desesperava com os queixumes e com as horas que passávamos à mesa só para comer um prato de sopa.
Para acabar com os "bicos amarelos", a senhora minha mãe tomou medidas radicais. Assim, certa noite ofereceu-nos como refeição de final do dia, um belo prato de sopa de hortaliça e feijão. A acompanhar, um ovo estrelado para cada um. E para retoque final afirmou: meus filhos, este é o vosso jantar. Não tenho mais nada. Por isso, ou comem o que está na mesa, ou vão para a cama sem comer. Para mim, foi remédio santo. Para os meus irmãos, o episódio teve alguns remakes. Abençoada medida, pois, para mim, hoje, a situação é inversa: refeição sem sopa, não é refeição.
INGREDIENTES
2 cebolas, picadas
1 fio de azeite
2 cenouras, cortadas em pequenos cubos
2 batatas médias, cortadas em pequenos cubos
1 curgete, com casca, cortada em pequenos cubos
1 beringela, cortada em pequenos cubos
2 chuchus, cortados em pequenos cubos
1 alho francês, laminado
2 pimentos encarnados, cortados em cubos
1,5 L de caldo de galinha
120 g de massa couscus
Sal e pimenta q.b.
Queijo parmesão, em lascas, q.b.
PREPARAÇÃO
Numa panela funda e larga, deitar o azeite e a cebola picada. Deixar a cebola alourar. De seguida, adicionar os legumes, temperar com um pouco de sal e pimenta e envolver. Cobrir com o caldo de galinha. Depois de levantar fervura, baixar o lume e deixar cozinhar durante 20 minutos.
Adicionar, então, a massa e deixar cozinhar durante 10 a 15 minutos. Rectificar temperos.
Servir em tigelas fundas com lascas de queijo parmesão por cima.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
só, inseguro, frágil, talvez perdido, caminha o corço
sobre rochas onde nada dá fruta e apenas líquenes
sorriem: é um mistério a vida, ficando sempre aquém
da vontade de viver, mas indo além das condições que
lhe permitem deitar flor: é sempre possível abrir-lhe
um caminho, mesmo onde as ervas se perfilam como
sentinelas de uma desistência que até às próprias miragens
mete medo
In Norteando, Amadeu Ferreira (texto) e Luís Borges (fotografia), Âncora Editora, 2014
Créditos das três fotografias dos bailarinos: Companhia Nacional de Bailado
Pedro e Inês é um bailado coreografado por Olga Roriz, e interpretado pelos bailarinos da Companhia Nacional de Bailado, que conta a trágica história de amor de D. Pedro I e de Dona Inês de Castro. Está em palco, desde o dia 8 e até ao próximo dia 24 de Outubro, no Teatro Camões, no Parque das Nações.
A dramaturgia reparte-se por várias cenas. Começa com os sonhos de Inês que são interrompidos abruptamente com a visita dos seus carrascos. É uma peça intensa, que leva o espectador a viver paixão do par romântico e a sua carga dramática. Os movimentos dos bailarinos personificam o fardo da tragédia, até mesmo quando Pedro e Inês se amam junto ao lago da Quinta das Lágrimas. A serenidade parece chegar depois de D. Pedro arrancar o coração aos carrascos que mataram a sua amada, e de a ter coroado Rainha de Portugal, ainda que depois de morta. Com Dona Inês vingada, Pedro carrega-a nos seus braços e leva-a para o mesmo local simbólico, despedindo-se dela com um longo beijo. Termina com Pedro a aguardar o momento de se lhe juntar eternamente.
É a quarta vez que vejo este bailado. Em todas elas me senti esmagada pelos movimentos dos bailarinos e pela intensidade da peça.
A noite estava serena. Com uma temperatura agradável, convidava ao passeio pela bonita cidade de Lisboa. O local escolhido, não por acaso, foi Belém. Acabou, pois, por ser preenchida ao som da Smooth FM and All That Jazz, no CCB. Normalmente, é a rádio que trago sintonizada no carro. Não há melhor para ajudar a enfrentar o trânsito. Calma, cool, boa música e com tantos artistas talentosos para descobrir. Adoro e não a troco por nenhuma outra.
Sabendo deste meu gosto pelo jazz, ofereceram-me um bilhete para ir assistir ao concerto do 4.º aniversário da Smooth FM and All That Jazz. Foi uma boa surpresa.
Do painel do concerto, constava o nome sonante de Stacey Kent, que muito admiro, e que irá dar um concerto, também no CCB, dentro de quinze dias. Marcaram também presença as portuguesas Cherry, Cláudia Franco, Maria Ana Bobone, e, a acompanhar, a Big Band de Jorge Costa Pinto. Todavia, a grande surpresa da noite, para mim, foi Anthony Strong. Já tinha ouvido uma ou outra música na minha rádio favorita, mas vê-lo ao vivo foi revelador de um grande talento e de uma presença em palco muito segura. Num ritmo alucinante, Anthony Strong proporcionou um grande momento de espetáculo.
Porque este blogue não se constrói apenas de comida, deixo esta sugestão de alimento para a alma: Smooth FM and All That Jazz. Ora oiçam.
Boa semana!
Esta época do ano é um pouco assustadora no que aos ingredientes diz respeito. Abre-se a porta aos marmelos, castanhas, romãs e... ao trabalho. Já repararam que todos estes frutos são excelentes, mas que dão uma trabalheira para se prepararem. Gosto de todos eles, todavia, quando tenho que os preparar, penso duas vezes.
Foi assim que a pergunta me apanhou nesta encruzilhada de escolhas.
Queres marmelos?
Oooops! Sim, mas... não traga muitos... - A minha mãe percebeu logo.
Está bem, levo-te um saco deles e fazes como quiseres.
Ora, a geleia é a minha mãe que faz para toda a família; a marmelada, também, de modo que estava sem ideias.
É neste contexto que surge esta tarte tatin - que eu há muito queria experimentar. Ganhei umas bolhas na mão por descascar os marmelos, mas valeu a pena. Aliás, a verdade é que com estes frutos, o trabalho vale sempre a pena, pois o sabor e a textura compensam. E, no fim, temos uma panóplia de opções para os cozinhar. Basta procurar ou imaginar e deitar mãos à tarefa... sem medos. :-)
INGREDIENTES
1 folha de massa quebrada
10 marmelos, descascados e descaroçados
2 limões
10 chávenas de água
1 + 1/2 chávena de açúcar
120 g de manteiga
Sal fino q.b.
Geleia de marmelo q.b.
PREPARAÇÃO
Ligar o forno a 180.ºC/200.ºC.
Num tacho, colocar o açúcar, a água, a raspa de um limão e o sumo de um limão e meio. Adicionar os marmelos cortados em quartos e levar ao lume alto. Quando levantar fervura, baixar o lume e deixar ferver cerca de 8 a 10 minutos. Escorrer e reservar.
Preparar a tarteira, aquecendo-a ligeiramente e barrando as laterais com um pouco de manteiga.
Noutro tacho, deitar o açúcar e o sal e deixar que se torne num caramelo. Juntar as 100 g de manteiga que sobraram e envolver com muito cuidado para não se queimar. Verter o caramelo na tarteira (ligeiramente pré-aquecida) que vai levar ao forno. Colocar os quartos de marmelos com a parte interior para cima - pois a tarte é invertida e quer-se que a parte bonita fique à vista - sobre o caramelo. Regar com mais um pouco de sumo de limão e salpicar com um pouco de açúcar. Depois, cobrir com a massa quebrada, aconchegando-a ao recheio.
Levar ao forno durante 40 minutos, até a massa ficar bem dourada.
Por fim, pincelar com um pouco de geleia e servir morna.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
Se a vida me dá cebolas, não choro. Pelo contrário, sorrio perante o leque de receitas que posso fazer com elas. Imagino logo uma sopa de cebola, com um delicioso queijo a derreter por cima, bem ao estilo francês; um bife de cebolada apuradinho, bem português; um chutney, a lembrar o estilo britânico; ou simplesmente cruas, em saladas, ao estilo italiano ou grego. Existem tantas receitas que seria um pecado chorar por me ver perante um bom carrego de cebolas.
CHUTNEY DE CEBOLA ROXA
(Receita de Linda Brown, retirada do livro Conservas)
INGREDIENTES
2 c. de sopa de azeite
1 kg de cebolas roxas, descascadas e cortadas em rodelas ou meias-luas
Sal e pimenta preta q.b.
150 ml de vinho tinto
3 c. de sopa de vinagre balsâmico
3 c. de sopa de vinagre de vinho branco
6 c. de sopa de açúcar amarelo
PREPARAÇÃO
Numa panela de fundo reforçado, deitar o azeite e adicionar a cebola. Temperar com sal e pimenta. Deixar cozinhar em lume brando até a cebola amolecer, durante 20 minutos, mexendo de vez em quando para que não agarre.
Depois, aumentar ligeiramente o lume, e regar com o vinho e os vinagres. Mexer para misturar tudo. Deixar levantar fervura e depois baixar novamente o lume. Nessa altura, adicionar o açúcar e deixar cozinhar por mais 30 a 40 minutos, mexendo de vez em quando.
Finalmente, retirar a panela do lume, provar e rectificar temperos, se necessário. Colocar em frascos, com tampas não metálicas, esterilizados e aquecidos. Deixar arrefecer e guardar no frigorífico durante um mês.
Na altura de o abrir, tenha por perto um bom queijo, figos e um bom vinho para acompanhar. Pode ainda ser servido com terrines ou carnes frias.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!
O Festival do Cinema Chinês está a decorrer em Lisboa, no Cinema Ideal e na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, até ao próximo dia 30 de Setembro.
Depois de ver o programa, fiquei com vontade de ir ver dois filmes: "Famílias Além das Nuvens" e, principalmente, "A Era do Ouro". Mas, como as sessões decorrem, ambas, hoje, não sei se conseguirei ir até ao Chiado para assistir à sua projecção. Por isso, se não conseguir ver agora, tentarei ver noutra altura. Ficam, se for o caso, no registo da lista de filmes para conhecer.
Em jeito de linha com o Festival que está a decorrer e em celebração da cultura cinematográfica, confeccionei este prato que liga as gastronomias oriental e portuguesa. O resultado agradou-me bastante.
INGREDIENTES
300 g de camarão (sem casca)
100 ml de vinho branco
3 lombos de caranguejo, cortados em cubos
1 pimento vermelho, cortado em juliana
1 colher de sopa de alcaparras, picadas
2 dentes de alho, picados
2 colheres de sopa de molho de soja
Azeite q.b.
Sal e pimenta q.b.
1 colher de chá de molho picante
Salsa ou coentros picados q.b.
Massa de arroz q.b.
PREPARAÇÃO
Numa wok, dispor o azeite e o alho para que o primeiro aromatize. De seguida, adicionar o pimento e envolver. Depois, refrescar com o vinho branco e temperar com pimenta, o molho picante e uma pitada de sal (tendo em atenção que o molho de soja também é salgado). Adicionar metade da salsa picada, as alcaparras e regar com o molho de soja. Deixar apurar cerca de 5 minutos ou até o camarão estar cozinhado. Desligar o lume e finalizar com a restante salsa.
Entretanto, aquecer água e cobrir a massa de arroz com a mesma. Com a ajuda de um garfo ou de pinças, soltar os fios da massa, e deixar que a mesma coza pelo tempo indicado na embalagem.
Escorrer a massa, e servir com o camarão, finalizando com um pouco mais de molho de soja.
Bom apetite!
Que bos faga bun purbeito!