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Street Food European Festival

por Paula, em 27.03.15

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O Street Food European Festival chega pela primeira vez a Portugal, com o patrocínio exclusivo da Estrella Damm. Com entrada livre, o festival irá decorrer entre os próximos dias 4 e 12 de Abril, nos Jardins do Casino do Estoril, onde os fãs poderão saborear diferentes conceitos gastronómicos sempre acompanhados pela frescura da cerveja Estrella Damm.

O Street Food European Festival traz mais de 50 veículos com os conceitos mais originais e inovadores desde doces, tapas, cachorros até ao sushi, e promete demonstrar como o Street Food é parte de uma experiência gastronómica e motivo para uma próxima viagem.

 

A marca Estrella Damm irá contar com um destes veículos – a carrinha-cozinha Estrella Damm – onde serão apresentadas algumas surpresas gastronómicas perfeitas para acompanhar com cerveja e para responder ao apetite dos fãs mais exigentes.

 

Desde as deliciosas “sandes de porco bísaro” do chef Nuno Diniz e do foodie Rodrigo Meneses, as maravilhosas “lulas” e “lombinhos de porco” do restaurante Duetos da Sé, passando pelos apetitosos “montaditos de presunto e salmão”, o “croquete de alheira” e “barriga de porco” do restaurante Entre Vinhos, e terminando no conhecido “risoto de camarão e choco” e os “ovos rotos com alheira” do restaurante Salero.

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Programação carrinha Estrella Damm:

4 de abril – Entre Vinhos

5 de abril – Entre Vinhos

6 de abril – Duetos da Sé

7 de abril – Salero

8 de abril – Duetos da Sé

9 a 12 de abril – Chef Nuno Diniz & Foodie Rodrigo Meneses

 

O festival conta com a presença de 40 veículos nacionais, entre eles a “Charcutaria Lisboa”, “O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo”, “Bolas de Praia”, “The Skinny Bagel”, “Sushi Van”, “Yonest” e o já reconhecido “Conceito Food Store” do chef Daniel Estriga.

 

Dos veículos internacionais destacam-se o Bunsmobile (Alemanha), B-Gurmet (França), Dog Town (Inglaterra), Mozao (Itália) e Ciacha (Polónia), entre muitos outros que prometem fazer as delícias dos fãs de gastronomia.

 

O Street Food é um conceito que está, cada vez mais, em voga e em crescimento em muitos países europeus. Em grandes cidades como Berlim, Paris e Londres, o Street Food está cada vez mais amplificado e até já surgiu com uma vertente gourmet que tem ganho cada vez mais notoriedade e adeptos, não só clientes mas também de empreendedores visionários com ideias originais.

 

Este conceito está integrado no World Food Tourism Summit (WFTS) que decorre no Centro de Congressos do Estoril, de 8 a 11 de abril. O WFTS traz a Portugal centenas de profissionais do turismo, culinária e gastronomia e tem como principal objetivo apoiar a indústria, inovar os seus modelos e processos de negócio e desenvolver o contacto entre profissionais, fomentando novas parcerias e negócios.

 

Mais informações sobre o Street Food European Festival:

 

Facebook Estrella Damm Portugal:

https://www.facebook.com/EstrellaDammPT

Facebook Street Food European Festival:

https://www.facebook.com/StreetFoodEuropeanFestival.

 

Boas descobertas!

 

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No Oeste de Portugal

por Paula, em 04.02.15

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Igreja Nossa Senhora da Conceição

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Portugal é um País onde a simpatia do povo, o clima e a boa comida servem de postal mais que ilustrado para quem o visita, mas, também, para nós que cá vivemos. Neste pequeno rectângulo, combinam-se uma miríade de tradições, ou não fossemos nós uma Nação com uma longa História e com uma rica herança de outros povos. Com uma vasta costa marítima, o peixe foi sempre uma constante na mesa e na gastronomia dos portugueses. Mesmo às terras do interior sempre chegaram, ainda que em menor quantidade, o peixe do mar, devido às técnicas de salmoura tão bem desenvolvidas por nós.

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Oeste de Portugal é uma zona onde o campo se encontra com o mar. Este casamento tão duradouro e profícuo, leva a que os seus habitantes beneficiem do melhor de ambos. A  Atouguia da Baleia, terra antiga, foi concedida  por D. Afonso Henriques ao cruzado Guilherme de Corni, pela sua ajuda na conquista de Lisboa, há mais de oito séculos. Há mais de quinhentos anos, viu ali as cortes gerais do Reino.  Teve três forais ao longo da sua história. O primeiro, foi concedido em 1167; o segundo, em 1268; e o terceiro, em 1510, por D. Manuel I. 

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É uma vila onde a agricultura e os serviços predominam, mas que, em tempos, o mar lhe conferiu a importância de um grande porto. Peniche, concelho a que hoje pertence a Vila de Atouguia da Baleia, era então uma ilha e só ganhou importância devido ao assoreamento do Porto da Atouguia, a partir do século XV. Todavia, só no século XVII é que Peniche passaria a vila e ganharia a mesma importância que a Atouguia da Baleia.

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O porto de Touria, do latim "taurus", boi ou touro em português, deve o seu nome inicial a estes animais devido à sua criação abundante pelos Ataídes. É por essa razão que o Brasão heráldico da Vila de Atouguia contém um touro no seu escudo. Este porto situava-se junto ao castelo de que hoje não restam praticamente vestígios. A Igreja de São Leonardo marca a entrada naquela vila, bem como o Pelourinho situado numa pequena praça. Esta igreja de estilo romano-gótico foi erigida durante o século XII em honra de S. Leonardo de Noblat, um nobre de origem gaulesa que dedicou a sua vida a ajudar os pobres e os soldados. Hoje, a Igreja conta com uma estátua da Rainha Santa Isabel (Isabel de Aragão), esposa do Rei D. Dinis, o "Lavrador", a quem foi concedido o senhorio da vila. Conta a lenda que a Rainha rezava na Igreja de S. Leonardo quando o baixo-relevo se rachou, sendo que o actual, que se encontra em frente ao altar-mor da referida Igreja, foi oferecido a D. Dinis pelos gauleses por este ter resolvido um pleito existente com a Santa Sé e cuja resolução também interessava aos franceses.

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Igreja de S. Leonardo - Igreja Matriz

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Conta-se que o nome de Touria evoluiu para Atouguia e, mais tarde, para Atouguia da Baleia por ter dado à costa uma baleia de grandes dimensões. Diz-se, ainda, que existia uma terra denominada Baleia e que o seu nome terá sido absorvido pelo crescimento da vila de Atouguia. Por proposta do Ministro Passos Manuel e decreto da Rainha D. Maria II, em 6 de Novembro de 1836, é extinto o concelho de Atouguia ficando incorporado no concelho de Peniche, mantendo-se a mesma como freguesia. 

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Na Vila de Atouguia podemos ainda visitar a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, de estilo barroco maneirista, obra do grande arquitecto-escultor João Antunes. No largo fronteiriço à igreja encontramos o Touril.  O jardim da Igreja tem ainda um Coreto e um parque Infantil para a pequenada se entreter. Em frente, tem o Café das Arcadas, com o seu estilo retro e uma variedade de bolos e gelados. Já os mais apaixonados por água, mas água calma, podem dar um pulinho ao Centro de Canoagem, na Barragem de S. Domingos, para praticar canoagem ou para ver as aves que por ali vivem, contando, seguramente, com uma luz fantástica de manhã ou ao final da tarde, bem como de paz.

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 Boas descobertas!

 

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Menus por Rafael Bordallo Pinheiro

por Paula, em 23.12.14

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IMG_7146.JPG«Prato Mesa Exposta» - Faiança - RBP Caldas 1897; 1898

 

Rafael Bordallo Pinheiro nasceu em 1846 e faleceu em 1905, deixando uma vasta obra naturalista ligada também à caricatura humorista e satírica.

 

Homem boémio na juventude, revelou na sua obra multifacetada o gosto de estar à mesa e o valor da boa gastronomia. Os seus registos no desenho, pintura e cerâmica dão assim a conhecer a dieta alimentar e os espaços de consumo do último quartel do século XVIII, como os mercados de rua e os armazéns de víveres.

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O seu humor apurado levou-o a utilizar muitas vezes a gastronomia como ponto para caracterizar muitas situações políticas e sociais da altura, usando expressões como «caldo entornado» ou «castanha da boa».

 

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Mas Rafael Bordallo Pinheiro deixou também registos de lindíssimos menus de banquetes de homenagem de que não só deu notícia como também decorou e compôs graficamente, caricaturando afectuosamente os convivas e representando-se, entre objectos sobredimensionados da culinária e da mesa, suscitando o humor.

 

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 Mesa exposta no Museu Bordalo Pinheiro

 

É com Rafael Bordallo Pinheiro que espero inspirar-vos para criar um bonito e humorístico menu de Ceia de Natal.

 

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Se ainda não visitaram o Museu Bordalo Pinheiro, façam-no por estes dias. Recomendo vivamente. O bilhete não é caro e o espaço está aberto à hora do almoço. Para além disso, a exposição é dinâmica e contém peças maravilhosas bem como uma biblioteca bonita. A loja vende artigos para oferta ou para recordação com a simbologia bordaliana. Os meus favoritos são os aventais. Por fim, do outro lado da estrada, encontra-se o Museu da Cidade de Lisboa que recebe no seu exterior o Jardim Bordalo Pinheiro onde estão expostas várias peças de tamanhos gigantes por todo o seu espaço. Imperdível!

 

Boas Festas!

Buonas Fiestas!

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No sábado passado, decorreu, no Mercado de Sant'Ana, em Leiria, a «III Mostra do Trajo Etnográfico da Alta Estremadura», promovido pela Associação Folclórica da Alta Estremadura.

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Foi um evento que reuniu vários ranchos folclóricos daquele distrito, tanto no desfile como no canto. Os diversos conjuntos de trajos foram acompanhados por explicações prévias de José Travaços Santos (etnógrafo e historiador que foi galardoado em 2012 com o Óscar Mundial de Folclore) e de Maria Emília Francisco, o que ajudou a enquadrar os eventos sociais em que cada um se inseria.

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Trata-se de uma iniciativa de louvar, que muito ajuda a manter vivas as tradições de Portugal, bem como a dar a conhecer um pouco mais do nosso percurso etnográfico.

 

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Conserveira de Lisboa

por Paula, em 15.04.14

Praça do Comércio - Lisboa

Casa dos Bicos - LisboaBaixa de Lisboa

Cais das Colunas - Lisboa

1 - Praça do Comércio em Lisboa; 2 - Casa dos Bicos, onde se situa a Fundação José Saramago; 3 - Vista para a Sé de Lisboa; 4 - Cais das Colunas

 

A semana passada o Notas Soltas & Coisas Doces esteve dedicado às conservas, tendo já em vista os bons frutos que o Verão nos trará, sob a forma de charcutaria e de conservas condimentadas.

 

Todavia, são várias as formas de conservar alimentos. Estas abrangem o tradicional escabeche – que utiliza o vinagre -, a fumagem – hoje mais desaconselhada devido à presença de agentes nocivos para a saúde -, a congelação, a salga, a cura, a secagem, os doces, a charcutaria e as conservas condimentadas. Cada forma de conserva tem um ou mais agentes naturais que ajudam à conservação. São eles, exemplificativamente, o sal, o açúcar, o azeite, óleos, vinagres, álcool e outras gorduras.

 

Para enriquecer este capítulo das conservas, nada melhor do que fazer uma visita à antiga e bem conhecida Conserveira de Lisboa.

 

Conserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

1 a 11 - Conserveira de Lisboa

 

A antiga Mercearia do Minho nasceu em 1930, sendo que em 1942 passou a denominar-se Conserveira de Lisboa, nome que ainda mantém. Trata-se de uma casa de comércio tradicional dedicada, como o próprio nome indica, às conservas. Detém três marcas próprias: Tricana, Prata do Mar e Minor.

 

Mantém a traça tradicional da loja dos anos 30 do século passado e tem o já raro atendimento personalizado. Por isso, pode dizer-se que é uma verdadeira jóia de Lisboa.

 

 

Praça do Comércio - LisboaLisboa

1 - Praça do Comércio; 2 - Chafariz D'el Rey

 

Localizada numa zona característica da Baixa de Lisboa, na Rua dos Bacalhoeiros, n.º 34, esta pérola dos sabores lusos dá ao seu visitante não apenas a oportunidade de saborear as melhores conservas e azeites do País, como proporciona também um excelente passeio por aquela zona da cidade. Ali próximo poderá visitar o Museu do Fado, a icónica Casa dos Bicos que hoje é o lar da Fundação José Saramago, um dos prémios Nobel da Literatura, a lindíssima Praça do Comércio com as esplanadas viradas para o Tejo e o romântico Cais das Colunas que recebe o rio de braços abertos.

 

 


 
 

Para chegar, poder-se-á utilizar o Metro e sair na Praça do Comércio se se for pela linha azul; se a opção for a linha verde, dever-se-á sair na Baixa/Chiado. Para levar o carro, o melhor é deixá-lo ficar no estacionamento do Campo das Cebolas. Os autocarros que passam ali próximo param na Praça do Comércio. Para uma sugestão mais turística, existe o tradicional eléctrico 28E, bem como o 18E e o 25E.

 

Bons passeios e excelentes descobertas!

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O caldo da Beira Alta

por Paula, em 17.12.12

Fotografia exposta no restaurante "Pedras Lavradas"

 

As Beiras designam um conjunto de três latitudes que servem de fronteira entre o Norte e o Sul de Portugal: a Beira Alta, a Beira Baixa e a Beira Litoral. A primeira, que alguns também designaram de Beira Transmontana, devido às semelhanças com a província que a delimita a Norte,  tem um lugar especial no meu coração porque uma parte da minha ascendência partiu das faldas da Serra da Estrela e, tanto quanto possível, fui crescendo envolta em tradições, comidas e paisagens daquela região.

 

A Serra da Estrela, considerada em 1976 como parque nacional, é o marco supremo da Beira Alta e não apenas pela sua altitude. Caracterizada essencialmente pela pastorícia, o seu produto mais conhecido é o famoso Queijo da Serra, feito a partir do leite de ovelha retirado na primeira ordenha da manhã. Este é posteriormente adicionado à flor de cardo, previamente esmagada num almofariz e colocada numa panela de ferro. Depois de pronto, é enrolado num pano que será mudado todos os dias até o queijo estar curado. Para a sua qualidade contribuem, no processo artesanal, o frio e a humidade que caracterizam aquela região nos meses de Inverno. Para além deste, são também oriundos daquela região o pão de centeio e o aguardente de zimbro. 

 

Parque Natural da Serra da Estrela: 1 - Pedras Lavradas; 2 e 5 - Aldeia de Aguincho; 3, 4 e 6 - Ribeira de Alvôco da Serra

 

Nem só de pastorícia vivem os beirões. As hortas ainda têm importância na subsistência da população local. Delas fazem parte as couves galega e portuguesa. A primeira, planta-se em dezembro ou janeiro, sendo que ao fim de dois ou três meses se poderão recolher as primeiras folhas. Existe durante o ano inteiro e pode ir até cinco anos. A sua folha é mais escura que a da couve portuguesa. Esta, planta-se antes do inverno para ser consumida durante essa estação, sendo que em fevereiro ou março começará a grelar dando início à confeção de outros pratos.

 

Neste regresso às origens, apeteceu-me um caldo tão beirão quanto singelo. Embora nada tenha de requintado ou de elaborado, este caldo é apreciado por todo o País e por quase todas as pessoas. Por mim, não o dispenso.

 

 

 

Caldo-verde

 

INGREDIENTES

 

750 g de batatas

250 g de couve galega cortada em caldo-verde

1 cebola média

5 colheres de sopa de azeite

Sal q.b.

Chouriço fatiado a gosto

 

 

PREPARAÇÃO

 

Descascar as batatas e a cebola e levá-las a cozer em água a ferver. Temperar com sal.

Depois de cozidas, reduzir a puré.

Deixar levantar novamente fervura e juntar a couve galega cortada em caldo-verde. Nessa altura, juntar o azeite.

Servir com uma rodela de chouriço e com broa de milho.

 

 

Se a couve for muito rija, antes de a colocar na panela, esfregá-la entre as mãos debaixo de água corrente para a amaciar ou escaldá-la em água a ferver.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

 

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Sopa Com Sabor a Saudade

por Paula, em 15.02.12

Vale de Alvôco da Serra

Vale de Alvôco da Serra, Parque Natural da Serra da Estrela

 

Canta a Mariza que as coisas vulgares que há na vida não deixam saudade. Há gente que fica na história, na história da gente e outras de quem nem o nome lembramos ouvir. São emoções que dão vida à saudade que trago (...). Há dias que marcam a alma e a vida da gente.

 

A tia Palmira, mulher simples, criada e vivida nas faldas da Serra da Estrela, era uma figura singular. Os seus modos alegres cativavam os familiares e amigos que muitas vezes se desviavam do seu caminho para a ir visitar. À chegada, encontrávamo-la sempre descalça, fosse verão ou inverno. Recebia-nos sempre de sorriso largo e já desdentado, que o dinheiro não chegava para as consultas do dentista, e de brilho intenso no olhar. A alegria de nos ver, aos miúdos da cidade, ficava estampada naquele rosto curtido pelo sol e pelo frio dos dias de lavoura.

 

- Entrai, pois então! Entrai e sentai-vos à mesa. Comei uma malga de sopa que está a acabar de fazer, pois sim! – dizia-nos de sorriso largo ao mesmo tempo que escancarava a porta da entrada.

- Entrai e aquecei-vos! Andai lá e comei qualquer coisa! – insistia. E logo ordenava ao meu tio que fosse buscar pão fresco à arca de madeira e vinho para ajudar a empurrar o pão e o queijo. Tudo feito por aquelas mãos.

 

Lareirasopa da tia Palmirasopa da tia Palmira

 

O cheiro a lenha queimada sentia-se antes de chegarmos à porta da casa feita de pedra por fora e de madeira por dentro. Um luxo face à casa da quinta que amanhava. Subíamos as escadas, sentindo a madeira a ranger sob os nossos pés, para logo avistarmos a panela preta de ferro fundido, pesada, presa nas cadeias da lareira, a ser acariciada pela chama do lume. No seu interior, fervilhava uma sopa de feijão encarnado, couve portuguesa e esparguete. Para acompanhar, havia fatias de pão de milho (broa) ou pão de centeio com queijo da serra caseiro.

  

Na família, a opinião sempre foi unânime: aquela era a melhor sopa que já havíamos comido. E era sempre por ambas que voltávamos. Para o fim, já não havia panela ao lume todos os dias… e eu ficava a olhar para a lareira apagada, sem vida, sentindo o desconforto de toda uma vida dura que agora dava sinais de estar a terminar.

 

A tia Palmira já faleceu, mas esta imagem dela, descalça e de sorriso largo e franco, há de acompanhar-me sempre, bem como o sabor daquela sopa.

 

As coisas mudam. Há vidas que nos tocam e que se apagam, mas que jamais nos saem da memória emotiva, fotográfica, olfativa e gustativa. Fica a saudade, mesmo que dela não falemos. Tentamos resgatar sabores e continuar velhos legados, mas aquele sabor não voltamos a provar e as emoções já não serão as mesmas. Perde-se o encanto.

  

lareira

 

Ingredientes:

300g de feijão “pantufas” (feijão encarnado de vagem arredondada)

4 batatas

1 cebola

1 couve portuguesa

200 g de esparguete

Sal q.b.

Azeite q.b.

Àgua q.b.

 

Preparação:

Numa panela de ferro fundido, coloque o feijão, duas batatas e a cebola. Cubra com água e tempere com sal e azeite *, embora, em rigor este deva ser colocado apenas no fim, já que é uma gordura que não deve ser cozinhada.

 

Depois de os legumes estarem cozidos, reduza-os a puré. A tia Palmira utilizava uma grande colher de pau e um garfo para fazer o puré o que acabava por deixar alguns feijões inteiros. Como utilizei a trituradora, deixei uma concha de sopa de feijões inteiros.

 

Junte a couve cortada de modo mais grosseiro do que para o caldo verde, duas batatas cortadas em quartos *, adicione mais água quente, a gosto, consoante queira a consistência do caldo e deite mais um pouco de azeite.

 

Quando a couve estiver praticamente cozida, junte o esparguete e retifique os temperos, se necessário.

 

Sirva bem quente numa malga e acompanhe com uma fatia de broa ou de pão de centeio com queijo.

 

sopa da tia PalmiraSopa da tia Palmira

 

O segredo desta sopa não estava apenas nas mãos de quem a fazia, no lume da lareira, nos alimentos que provinham da terra que aquelas mãos cuidavam, da água que era retirada da fonte cuja origem está no centro da Serra da Estrela e da geada que amaciava as folhas das couves, mas, sobretudo, no tempo de cozedura dos alimentos, aliado à temperatura que não execedia os 70.º ou 80.º. Eram estes factores que definiam o maravilhoso sabor desta sopa porque respeitavam as propriedades dos alimentos, deixando-os revelarem-se. Na província (e naquela altura) o tempo é aliado das pessoas e da comida. Poque ele existe, tudo se torna mais autêntico.

 

À tia Palmira que nos recebia sempre com um prato fumegante, tão simples e tão reconfortante quanto o seu sorriso.

 

Bom apetite!

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* Nota ao texto: Na fotografia não aparecem as batatas cortadas em quartos porque me esqueci. Acabei por confirmar com a minha prima Lurdes alguns detalhes e acolhi ainda as sugestões de um amigo (A.) relativamente ao azeite, ao tempo e à temperatura que, de facto, marcam a diferença. Bem-haja a ambos! :D

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Ainda sobre o azeite

por Paula, em 11.12.09

Vejam mais sobre a história do azeite em Portugal e receitas com este ingrediente de ouro  na página da Casa do Azeite.

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Os portugueses recuperaram o prazer do azeite após tantos anos em que foi fustigado por diferentes óleos e pelo corte natural com um passado no qual servia para quase tudo em casa, da alimentação à iluminação. É por isso que o reaparecimento da mancha de olival nos últimos anos em Portugal permite pensar que um dos maiores símbolos da identidade mediterrânica está de volta. Nos últimos anos, mais e melhores azeites têm sido produzidos, o gosto dos consumidores está a refinar-se (é frequente, por exemplo, perceber melhor as diferenças entre os azeites do Alentejo e os de Trás-os-Montes, e os diferentes tipos de azeitona utlizados) e as verdadeiras cartas de azeites poderão chegar em breve às mesas dos restaurantes.

Desde cerca de 3000 a.C. que a oliveira está ligada à cultura da zona do Crescente Fértil e, depois, do Mediterrâneo. Os gregos e os romanos tornaram-se seus embaixadores, até porque o azeite servia não apenas para a culinária, mas também como medicamento, bálsamo, perfume, combustível para ilumanação e lubrificante. O olival, assim, foi-se espalhando por toda a bacia do Mediterrêneo e, mais tarde, atravessou o Atlântico. A oliveira ganhou também uma característica simbólica muito forte: representa a paz, a sabedoria e a glória. Remo e Rómulo, os fundadores de Roma, nasceram sobre uma oliveira. Sófocles, no seu Édipo, escreve mesmo que "uma gloriosa árvore floresce na nossa terra dórica, nossa doce, prateada ama de leite, a oliveira. Nascida sozinha e imortal, sem temer inimigos, a sua força eterna desafia velhacos jovens e idosos, pois Zeus e Atena a protegem com os olhos insones".

A influência árabe também não é desprezível na cultura do azeite. Em português, a palavra tem origem na expressão árabe al-zait (sumo de azeitona). Todas essas culturas que deixaram a sua impressão digital na Península Ibérica (e em Portugal, claro) acabaram por tornar a oliveira parte da mancha florestal nacional. A partir do século XIII, o azeite passa a ter alguma importância no comércio externo do reino e os conventos utilizam-no avidamente. As azeitonas frescas, de sabor ácido e desagradável, acabam por ser as que directamente estão ligadas à produção do azeite. Depois de as azeitonas serem submetidas a altas pressões a frio, obtém-se então o azeite virgem, o de maior qualidade para a cozinha. De grande valor dietético, tem a particularidade de não apenas proporcionar calorias mas também componentes muito importantes para garantir aos seres humanos um alimento saudável.

Hoje, diferenciam-se vários tipos de azeite, como o virgem, obtido apenas a partir de processos macânicos, sem tratamentos químicos, que ganhou, de acordo com o seu grau de acidez, as qualificações de "extra", "fino", "corrente" e "semifino". Em Portugal, a região de produção é também cada vez mais importante na definição da qualidade do produto. Existem também azeites refinados ou puros (mistura) de qualidade inferior.

Muitas novas unidades de produção estão a emergir em Portugal com bons produtos. Um caso recente e exemplar, onde se alia a dimensão da zona de olival (setecentos hectares) a um novo conceito de design (uma garrafa desenvolvida por Michael Young) e a uma equipa jovem, é o projecto dos Herdeiros Passanha, que tem como base a Quinta de São Vicente, em Ferreira do Alentejo. A gama, neste momento, é composta por dois azeites: o Quinta de S. Vicente e o Colheita Premium. O primeiro é um azeite virgem extra, com acidez máxima inferior a 0,2º, elaborado a partir da junção de duas variedades: a Cobrançosa de Trás-os-Montes e a Arbequina. O Quinta de S. Vicente Colheita Premium é um azeite virgem extra com acidez máxima inferior a 0,2º, desenvolvido a partir dos melhores lotes de colheita, misturado e doseado de modo a que os seus perfis aromáticos se enquadrem perfeitamente. Estes azeites são vendidos apenas em lojas gourmets e alguns hipermercados.

Esta e outras marcas estão a dar consistência a um mercado crescentemente atento às qualidades do melhor azeite. Quem já experimentou colocar umas gotas de azeite numa mousse de chocolate caseira ou simplesmente colocar um pratinho de azeite na mesa para ser degustado com um bom pão. A cultura do azeite volta a renascer em Portugal. Porque o seu sabor e o seu aroma merecem. E os portugueses também merecem conhecer a sua História, intimamente ligada ao azeite.

In revista Must, n.º 019, Dezembro de 2009, Suplemento do Jornal de Negócios, pp 50

 

Como boa apreciadora de azeite não resisti em colocar aqui este interessante artigo do Fernando Sobral.

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