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é sempre possível um caminho

por Paula, em 12.11.15

 

 

só, inseguro, frágil, talvez perdido, caminha o corço

sobre rochas onde nada dá fruta e apenas líquenes

sorriem: é um mistério a vida, ficando sempre aquém

da vontade de viver, mas indo além das condições que

lhe permitem deitar flor: é sempre possível abrir-lhe

um caminho, mesmo onde as ervas se perfilam como

sentinelas de uma desistência que até às próprias miragens

mete medo

 

In Norteando, Amadeu Ferreira (texto) e Luís Borges (fotografia), Âncora Editora, 2014

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Pedro e Inês

por Paula, em 17.10.15

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Créditos das três fotografias dos bailarinos: Companhia Nacional de Bailado

 

Pedro e Inês é um bailado coreografado por Olga Roriz, e interpretado pelos bailarinos da Companhia Nacional de Bailado, que conta a trágica história de amor de D. Pedro I e de Dona Inês de Castro. Está em palco, desde o dia 8 e até ao próximo dia 24 de Outubro, no Teatro Camões, no Parque das Nações.

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A dramaturgia reparte-se por várias cenas. Começa com os sonhos de Inês que são interrompidos abruptamente com a visita dos seus carrascos. É uma peça intensa, que leva o espectador a viver paixão do par romântico e a sua carga dramática. Os movimentos dos bailarinos personificam o fardo da tragédia, até mesmo quando Pedro e Inês se amam junto ao lago da Quinta das Lágrimas. A serenidade parece chegar depois de D. Pedro arrancar o coração aos carrascos que mataram a sua amada, e de a ter coroado Rainha de Portugal, ainda que depois de morta. Com Dona Inês vingada, Pedro carrega-a nos seus braços e leva-a para o mesmo local simbólico, despedindo-se dela com um longo beijo. Termina com Pedro a aguardar o momento de se lhe juntar eternamente.

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É a quarta vez que vejo este bailado. Em todas elas me senti esmagada pelos movimentos dos bailarinos e pela intensidade da peça.

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Smooth FM and All That Jazz em Belém

por Paula, em 14.10.15

A noite estava serena. Com uma temperatura agradável, convidava ao passeio pela bonita cidade de Lisboa. O local escolhido, não por acaso, foi Belém.  Acabou, pois, por ser preenchida ao som da Smooth FM and All That Jazz, no  CCB. Normalmente, é a rádio que trago sintonizada no carro. Não há melhor para ajudar a enfrentar o trânsito. Calma, cool, boa música e com tantos artistas talentosos para descobrir. Adoro e não a troco por nenhuma outra.

 

Sabendo deste meu gosto pelo jazz, ofereceram-me um bilhete para ir assistir ao concerto do 4.º aniversário da Smooth FM and All That Jazz. Foi uma boa surpresa.

 

Do painel do concerto, constava o nome sonante de Stacey Kent, que muito admiro, e que irá dar um concerto, também no CCB, dentro de quinze dias. Marcaram também presença as portuguesas Cherry, Cláudia Franco, Maria Ana Bobone, e, a acompanhar, a Big Band de Jorge Costa Pinto. Todavia, a grande surpresa da noite, para mim, foi Anthony Strong. Já tinha ouvido uma ou outra música na minha rádio favorita, mas vê-lo ao vivo foi revelador de um grande talento e de uma presença em palco muito segura. Num ritmo alucinante, Anthony Strong proporcionou um grande momento de espetáculo.

 

Porque este blogue não se constrói apenas de comida, deixo esta sugestão de alimento para a alma: Smooth FM and All That Jazz. Ora oiçam.

 

Boa semana!

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Liberdade, sempre!

por Paula, em 25.04.15

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Música: "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso

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O Guarda-Rios

por Paula, em 01.04.15

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Inserido em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, na aldeia de Barriosa, o restaurante Guarda-Rios está privilegiadamente localizado no local onde antigamente se situava um lagar de azeite. Por isso, não é de estranhar que as cristalinas águas da Ribeira de Alvoco lhe sirvam de tapete paisagístico. Ao comensal apenas é pedido que desfrute da boa cozinha serrana e da calma que envolve aquele cenário idílico, completado pelas notas musicais da água a cair nas três cascatas que compõem o Poço da Broca da Barriosa.

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O Guarda-Rios é um pássaro lindíssimo, com penas azuladas no dorso, alaranjadas no peito e castanhas na ponta interior da cauda. Mas, em tempos, foi também uma profissão criada no século XIX com o intuito de fiscalizar as correntes da ribeira, no seguimento dos mestres do vale, e a utilização da água, extinta em 1995. composiçao7.jpg

O restaurante é muito agradável. O atendimento é atencioso e sem pretensões. A comida, essa, é tradicionalmente serrana, onde impera o borrego e o cabrito. Estes animais são de criação local, pois são fornecidos por um pastor de Alvoco das Várzeas. Não é, pois, de admirar que a carne seja fabulosa. Pode-se afirmar que a cozinha do Guarda-Rios é uma verdadeira guardiã da gastronomia regional do Vale de Alvoco.

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No período em que decorre a Mostra de Gastronomia Aromas e Sabores da Montanha, até ao próximo dia 12 de Abril, o Guarda-Rios apresenta-nos o tradicional borrego e o arroz doce. As entradas são compostas por truta e sardinha de escabeche, bola de bacalhau e quiche de legumes e bacalhau. De realçar que a truta é originária do viveiro do Aguincho, que tem a preocupação de utilizar a água da Ribeira de Alvoco - que é muito oxigenada -, o que confere ao peixe uma consistência e cor diferentes das que normalmente se encontram nestes locais de criação.

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O Guarda-Rios tem ainda à venda artigos gourmet originários do Vale de Alvoco. Destacam-se os chocolates tradicionais com aguardente de mel e de medronho que são maravilhosos. As trutas em conserva, são também muito boas. Depois, existe toda uma panóplia de aguardentes típicos daquela zona, como os de zimbro, de mel e baunilha, de medronho, etc. que são feitos nas destilaria do restaurante, situada mesmo em frente do mesmo. Finalmente, os doces: geleia de medronho, marmelada, doce de marmelo, geleia de marmelo - tudo feito com produtos locais. É evidente que não pude sair sem trazer alguns destes artigos comigo.

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No final, um passeio junto à ribeira permitiu assistir a um espectáculo da natureza: ver uma cobra a agarrar a cauda de uma truta. Dizem que a cobra não larga a cauda da truta até a cansar. 

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Bom apetite e boas descobertas!

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Os pratos mais emblemáticos da região vão estar à mesa dos restaurantes do concelho de Seia, durante o período da Páscoa, em mais uma edição da Mostra de Gastronomia “Aromas e Sabores da Montanha”.

 

A Mostra de Gastronomia decorre de 28 de março a 12 de abril, nos 24 espaços aderentes, e promete surpreender os clientes com pratos típicos e inovadores, de sabores e saberes que refletem os hábitos e tradições da Montanha.

 

De entrada, petisco ou prato principal, confecionado de forma tradicional ou num prato mais sofisticado, serão várias as opções em destaque, que privilegiam, entre outros, o uso do cabrito, borrego, Queijo Serra da Estrela, mel, requeijão, enchidos, o Pão do Sabugueiro e a Broa de Loriga, enquanto produtos locais, mas também outros pratos típicos, onde faltarão sugestões de vinho do Dão, produzido no concelho.

 

Promovida pela ADIRAM – Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha, em parceria com os restaurantes e o Município de Seia, a mostra pretende promover o potencial gastronómico do concelho e, assim, impulsionar o setor da restauração, um património gastronómico único, testemunho de gerações passadas, inspirado nos produtos locais e nas necessidades e exigências da vida quotidiana daqueles que aqui vivem.

 

O legado desta valiosa herança de saberes e sabores, no nosso concelho de Seia, é reconhecido como um dos produtos turísticos com maior capacidade de promoção da região, sendo a Mostra de Gastronomia um dos instrumentos para a sua divulgação.

 

RESTAURANTES ADERENTES
Abrigo da Floresta | Abrigo da Montanha | Borges | Cabeço das Fragas | Churrasqueira Serrana | Guarda Rios | Império | Miralva | Mirante da Estrela | Museu do Pão | O Camelo | O Farol | O Favo | O Fim do Mundo | O Forno Margarida I | O Manjar da Serra da Estrela | O Tachinho do Francisco | O Vicente | O Regional da Serra | São Martinho- Quinta do Crestelo | Senhora da Lomba | Espaço Ego

Outros Espaços: Conta Gotas | Senalonga 

 

Fonte: http://www.cm-seia.pt/

 

Boas descobertas!

 

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Hoje, o meu coração está de luto.

 

Perdi um grande amigo. Choro. Faço um esforço para não chorar. Mas as lágrimas e os soluços teimam em saltar. Não era assim que ele gostaria que eu estivesse. Ele que afastava as vicissitudes da vida – e foram tantas! – com uma gargalhada solta como que desafiando tudo e todos. As lágrimas, essas, escondia-as.

 

Conversávamos sobre tudo e sobre nada. Depois, vinha a poesia em mirandês, onde largava o seu ser, a sua alma, o seu verdadeiro eu. O mirandês que me encantava e que me encanta. Lia a sua poesia de uma forma suave, doce, meiga. As palavras saiam como que murmuradas, ainda que não o fossem. Falava-nos ao coração. Era assim o meu amigo. Um homem inteligente, bom, sensível.

 

Tenho saudades suas! – disse-lhe. Volto no Sábado para lermos mais um pouco. – acrescentei.

Gostava muito, Paula! – as palavras saem acompanhadas de um aperto na minha mão que segurava no seu colo.

Mas a leitura de Sábado não aconteceu. E não voltámos a falar.

 

E agora, tenho ainda mais saudades suas!! Muitas!

 

Mas o meu amigo não me queria ver assim. Isso eu sei.

An ruin anho, buona cara!

 

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Fotografia retirada do Facebook 

 

"NACIMIENTO DE COUSAS NUOBAS"

Morriu-se hoije, 1 de márcio, an sue casa, an Lisboua, l poeta, scritor i jurista Amadeu Ferreira, por bias de padecer de un cáncaro de l celebro hai mais de anho i meio.Cumprindo-se l sou pedido, l cuorpo será cremado. Nun haberá cerimónias fúnebres.

 

Eiran a realizar-se dues houmenaiges an sue mimória esta sumana: ua l die 3, terça, apuis l meio de la tarde,an Lisboua, na Casa de Trás-ls-Montes; outra l die 4,a la tarde, na sue tierra, an Sendin, Miranda de l Douro, na Casa de la Cultura, adonde ls amigos poderan rendir le houmenaige, lendo testos de l’outorie de l scritor ou simplemente passando.

 

Amadeu Ferreira naciu a 29 de júlio de 1950 an Sendin, Miranda de l Douro. Era persidente de la Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa, persidente de la Academie de Lhetras de Trás-ls-Montes, bice-persidente de la Comisson de l Mercado de Balores Mobiliairos (CMVM), porsor cumbidado de la Faculdade de Dreito de la Ounibersidade Nuoba de Lisboua, membro de l Cunseilho Giral de l Anstituto Politécnico de Bregáncia i, zde 2004, comendador de la Orde de lMérito de la República Pertuesa.

 

Outor i tradutor dua bastíssema obra an pertués i mirandés, tamien culs pseudónimos Fracisco Niebro, Marcus Miranda i Fonso Roixo, Amadeu Ferreira dou mos obras científicas i lhiterairas, an poesie i an prosa. Antre muitas outras publicou: ne l Dreito, "Homicídio Preveligiado" i"Direito dos Valores Mobiliários"; an poesie,"Cebadeiros", "Ars Vivendi / Ars Moriendi" i "Norteando"; an prosa, "La bouba de la Tenerie / Tempo de Fogo", "Cuntas de Tiu Jouquin", "Lhéngua Mirandesa – Manifesto an Forma de Hino" i "Ditos Dezideiros / Provérbios Mirandeses". Traduziu pa la lhéngua mirandesa obras cumo "Ls Quatro Eibangeilhos", "Ls Lúsiadas", de Luís Vaz de Camões, "Mensaige", de Fernando Pessoa, dues abinturas de "Astérix" i obras de Hourácio, Bergildo i Catulo, antre muitos outros.Alhá desso,fuicolaborador, subretodo an mirandés, de de lJornal Nordeste, adonde mantenie hai muitos anhos la Fuolha Mirandesa, de lMensageiro de Bragança, de lDiário de Trás-os-Montes, de lPúblico i de la rádio MirandumFM, i publicoumais de trés mil testos, quaijeque todos lhiterairos,an blogues cumo Fuontes de l Aire,Cumo Quien Bai de Camino i Froles Mirandesas.

 

La sue biografie i l sou mais reciente lhibro, “Belheç / Velhice”,tenen salimiento marcado pa l die 5 de márcio, esta sumana, na Faculdade de Dreito de la Nuoba de Lisboua. Neste últimopuode ler se pula mano de l sou pseudónimo Fracisco Niebro:

 

"Hai un tiempo para nacer i un tiempo para un se morrer. L'alma nun puode bolar pa l cielo. Senó, cumo podien nacer cousas nuobas? Essa ye la rucerreiçon de las almas: son bidas nuobas. Son bichicos, arbicas i todo l que bibe. Ye por esso que fázen mui mal an anterrar las pessonas ne l semitério: habien de las anterrar pul campo para ajudar las almas a nacer. Assi, Dius, seia quien fur, ten muito mais trabalho."

 

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Créditos das imagens em  http://www.wook.pt/  e em http:almalusa.midaffair.net

 

Tenho muitos livros. Quando digo muitos, quero dizer que tenho mais do que o espaço da minha casa permite albergar. Por isso, existem colunas de livros em cima das mesas de apoio da sala e no escritório até o chão serve para arrumar aqueles que já não cabem nas prateleiras e armários.

 

Antes de o ano acabar fiz uma escolha, porque há livros que sei que não voltarei a ler e outros que já não têm qualquer relevância na minha vida, como sejam os livros técnicos. Dei alguns a algumas amigas e os restantes continuam à espera do seu destino. Pensei em inscrever-me numa feira de velharias para os vender a um preço meramente simbólico, mas depressa percebi que não tenho jeito algum para este tipo de actividades. Resta-me a opção de os dar (que é a opção que mais me agrada) para alguma instituição que necessite de livros para jovens cidadãos dos 6 aos 100 anos. É algo que irei procurar fazer junto da Câmara Municipal ou da Junta de Freguesia da minha residência.

 

Apesar de ter muitos livros, o ano de 2014 não foi rico em páginas lidas ou vistas – porque há livros que requerem outro tipo de leitura que não se prenda com as letras. Todavia, tenho seis livros que marcaram o meu ano. São eles:

 

«Norteando» - Um livro de fotografia de Luís Borges com textos em português e mirandês de Amadeu Ferreira. O projecto nasceu no Facebook e juntou as fotografias que Luís Borges foi tirando nas suas deambulações pelos caminhos ermos do Norte e que Amadeu Ferreira, à sua maneira tão autêntica, foi interpretando. O sucesso foi tal que passou para um livro bastante completo e lindo.

 

 

«Pintando com a Luz» - É um livro de imagens lindas captadas pelo olhar sensível de Pedro Tavares, um homem dedicado à fotografia desde jovem e um autodidacta que viu neste hobby um espaço para dar asas à sua criatividade e a oportunidade de dar a conhecer a sua forma de olhar o mundo. As fotografias levam-nos para várias latitudes, dando-nos a conhecer paisagens e pormenores belíssimos do nosso planeta. Em boa hora a Alma Lusa deitou à estampa este trabalho, também disponível em suporte digital.

 

 

«As mulheres da Fonte Nova» - é um romance da Alice Brito de tal forma bem escrito que agarra o leitor desde a primeira página. A acção decorre em Setúbal, sendo que a cidade é a principal personagem, por assim dizer, do romance. Retratando a vida de duas mulheres nascidas no ambiente de miséria (de meios e de espírito) dos anos 30 e 60 do século XX daquela cidade dominada pelos interesses da indústria pesqueira, bem como de outras que com elas se vão cruzando, a autora consegue uma narrativa forte e realista, com alguns apontamentos de humor, a que se junta um sólido conhecimento histórico.

 

 

«A mulher que venceu D. Juan» - é um romance de Teresa Martins Marques que, à semelhança do anterior, prende o leitor desde a primeira linha. Li-o em dois dias. Uma narrativa forte que mistura personagens fictícias com pessoas reais. As situações descritas neste romance são, em boa medida, reais. No lançamento do livro, a autora frisou porque iniciara este romance no Facebook, deixando a plateia boquiaberta. A história começa com um telefonema de uma amiga a pedir-lhe uns minutos para lhe falar. Era urgente. O assunto prendia-se com os maus-tratos infligidos pelo marido. Depois de uma ameaça feita pelo delator à autora, esta, decidida a enfrentá-lo dá início a esta fantástica narrativa.

 

Escrito de forma brilhante, repleto de pormenores sobre a arquitectura portuguesa, bem como de menções a autores e obras vários, este romance dá-nos a conhecer três estereótipos donjuanescos: Amaro Fróis, cirurgião plástico, procura nas mulheres a vingança de um passado tenebroso; Manaças, serial lover, recalca uma pulsão proibida; Joana (a Doña Juana) que colecciona os namorados das amigas.

 

A protagonista, Sara Dornelas, escapa à morte ajudada pelo seu motorista, Joaquim, que há muito vigiava os passos do Dr. Amaro Fróis que sabia ser de má índole e que leva a patroa a fazer uma denúncia na polícia. O comissário Paulo, perante as evidências do caso, toma diligências no sentido de afastar Sara o mais possível da sua cidade, o Porto, confiando-a à guarda da psicóloga Lúcia, que assumirá um papel importante neste enredo.

 

Entretanto, o leitor vai também conhecendo Manuela, a sobrinha de Lúcia que está a fazer uma tese sobre o «Diário de um Sedutor», de Kierkegaard, um trabalho que vai fazendo a ponte entre a parte teórica do tema do donjuanismo e a acção, pelo que este romance é duplamente aconselhável. Uma trama forte, bem concebida que não deixa ninguém indiferente. Uma lição de vida retratada pela coragem e pela renovação do amor-próprio.

 

Uma última nota relativamente à capa do livro - muito bem escolhida, na minha opinião. «O Beijo» -  assim se chama o quadro de Klimt que reveste este romance - é visto por muitos como um quadro romântico, que dignifica o amor, mas na verdade a obra retrata a mulher submissa, dominada pelo seu amante num cenário intimo. Uma escolha certeira e perspicaz.

 

 

«Inês de Portugal» - de João Aguiar é um livro que nos conta a mais romântica e trágica história de amor de um monarca português, D. Pedro I, com D. Inês de Castro, uma dama galega (no Museu de Arte Antiga está um quadro representando D. Inês a suplicar pela vida a D. Afonso IV que recomendo). A história é sobejamente conhecida, mas aqui é reconstruída pela mão do mestre João Aguiar.

 

Sinopse:

Castelo de Santarém, num dia do ano de Cristo de 1359.

Enquanto El-Rei D. Pedro I corre a caça pelos compôs, os seus conselheiros Álvaro Pais e João Afonso Tello esperam com sombria ansiedade a chegada de dois prisioneiros, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho, dois dos «matadores» de Inês de Castro (o terceiro, Diogo Lopes Pacheco, logrou fugir e refugiou-se em França). A esses homens havia sido solenemente prometido perdão, mas o Rei, decidido a vingar a única mulher que amou, quebrou o juramento feito, e agora eles vêm, debaixo de ferros, a caminho de Santarém.

 

 

«Delicioso Piquenique» - de Isabel Zibaia Rafael que já nos habituou a trabalhos de grande qualidade. Foi com alegria que assisti ao lançamento de mais este projecto da Isabel, autora do sobejamente conhecido blogue «Cinco Quartos de Laranja», no Verão do ano passado.

 

Repleto de receitas maravilhosas, este manual da comida para fora de casa, traz também vários conselhos e sugestões. Destaco a salada de beldroegas com mozarela, figos e salmão fumado por ter todos os ingredientes que mais aprecio. Mas não só, pois, todo o livro é uma inspiração com receitas que apetece fazer, provar e dar a provar.

 

 

É com doçura e carinho que termino este post dedicado às minhas leituras do ano que passou. Com energia renovada, espero que o ano que agora começa me proporcione muitos mais momentos de boa leitura e de aprendizagem.

 

Boas leituras!

Bom Ano Novo!

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Gosto de ir ao cinema ver um bom filme - conceito carregado de subjectividade porquanto o que será para mim um bom filme poderá ser um desastre para outros. Todavia, as minhas idas ao cinema em 2014 foram parcas. Creio que uma mão chegará para contar as vezes em que me sentei no escurinho do cinema. Mas (há sempre um «mas») isso não impediu que os meus olhos e a minha alma se enchessem de boa filmologia. Em casa, no conforto do sofá e sem hora marcada, a TVCine proporcionou-me momentos inesquecíveis e deu-me a conhecer telas que eu nem sabia existirem, com destaque para o cinema europeu e alternativo. De entre os que assisti nas salas de cinema ou na minha pequena sala privada, eis os que me deram imenso prazer ver e que ficaram na minha memória.

 

«A LANCHEIRA» (2014)

Remeto para o post que escrevi sobre «A Lancheira» na altura em que vi o filme no cinema.

 

«O BOM NOME» (2006)

 

O filme o «O Bom Nome» é a história de uma família americana contemporânea muito diferente: os Gangulis que foram da Índia para os Estados Unidos para poderem ter uma vida diferente. Apaixonado, devido a um imprevisto, pela obra de Nikolay Gogol, o patriarca da família decide baptizar o filho mais velho com o nome do romancista, o que irá causar vários embaraços ao longo do seu crescimento. Em ruptura com as tradições indianas, o jovem Gogol começa a namorar uma rapariga americana distanciando-se assim cada vez mais da sua cultura. Numa tentativa de conciliar os filhos com as tradições do seu País, o casal Ganguli decide viajar até Calcutá. De regresso a Nova Iorque, o jovem Gogol irá aprender a importância de ser quem é e do seu nome.

 

Ifrran Khan tem, mais uma vez, uma excelente interpretação.

 

«A VIAGEM DOS 100 PASSOS» (2014)

«A viagem dos cem passos» é um filme que harmoniza este blogue com o post. Contém as duas características que marcam este espaço da blogosfera: paixão pela comida e pela vida temperadas com notas doces.

 

Hassan Kadam é um jovem que sai da sua terra natal, na Índia, com a sua família, liderada pelo pai, à procura de um local em território europeu para abrir (novamente) um restaurante. Depois de passarem por Inglaterra, acabam por se instalar na antiga aldeia de Lumière, no Sul de França. É neste local repleto de charme que o senhor Kadam encontra o lugar perfeito para abrir «o Maison Mumbai». Só que, defronte daquele espaço encontra-se o «Le Saule Pleurer», um restaurante galardoado com um estrela Michelin e comandado pela temível Madame Mallory. É aqui que começam as peripécias da fria proprietária para derrubar o típico restaurante indiano. Mas Hassan quer aprender mais sobre a comida servida pelo restaurante de cozinha clássica francesa e este fica só a cem passos do seu.

 

«BOWLING - AMIGAS EM JOGO» (2012)

Eis uma comédia francesa que poderia ser adaptada à realidade portuguesa. A acção decorre em Carhaix, em plena Bretanha onde existe um pequeno hospital e uma pequena maternidade onde ocorrem poucos partos. Catherine, uma parisiense, é enviada para aquela localidade com a missão de reestruturar o hospital e de encerrar a maternidade. No desempenho das suas funções, trava conhecimento com Mathilda, parteira do hospital, Firmine a enfermeira do berçário, e Louise a proprietária do «Bowling de Carhaix» que, para além de colegas, são amigas com idades, personalidades e origens distintas mas vivem uma vida pacata e feliz. Juntas irão formar um grupo forte de solidariedade na defesa da maternidade. A Vida, o amor, a amizade, a Bretanha e ... o bowling são os ingredientes desta comédia.

 

«UM PORCO EM GAZA» (2011)

 

«Um porco em Gaza» surpreendeu-me. Quando me cruzei com o título do filme pensei que aquele não era título que se desse a uma película do cinema. Não o levei a sério. Quão errada estava! Vi-o por coincidência e rendi-me à história, ao ingrediente humorístico, à interpretação de Sasson Gabai e sobretudo ao seu final poético.

 

Jaafar é um pescador palestiniano a viver na Faixa de Gaza com uma tremenda falta de sorte. Depois de numa noite uma tempestade ter assolado a região, o pescador faz-se ao mar com esperança renovada. Mas o seu dia de frete acabaria por se revelar uma grande dor de cabeça. Ao invés de peixe, a rede de pesca trouxe-lhe um porco! O que fazer com um animal que lhe é proibido tocar - até mesmo o solo da Palestina - quanto mais comer. Invadido pelo desespero, Jafaar tenta vender, sem sucesso, o animal. Depois de desabafar com um amigo, fica a saber que numa comunidade, do outro lado do muro,  se faz criação de suínos. Imbuído de um espírito esperançado, Jaffaar faz negócio com Yelena. Todavia, para os judeus o porco também um animal interdito, pelo que a criadora apenas mostra interesse no esperma do suíno. É pois a fazer contrabando de esperma de suínos que o azarado pescador encontra uma forma de subsistir. A grande dificuldade reside nem manter o animal incógnito da comunidade e da sua mulher Fátima...

 

«SÓ PRECISAMOS DE AMOR» (2013)

 

Por fim, uma comédia romântica que é um hino ao melhor ingrediente da nossa exstência - o Amor! - e à própria vida.

 

Ida (Trine Dyrholm) é uma dinamarquesa que, nos últimos meses, viveu uma angustiante luta contra um cancro da mama. Depois da consulta do tratamento final de quimioterapia, Ida está feliz e anseia por dar a boa notícia ao marido, Leif. Mas, ao chegar a casa, encontra o marido com uma mulher mais jovem. De viagem marcada para o casamento da sua filha Astrid, em Sorrento, Itália, Ida dirige-se ao aeroporto. Afectada pelos acontecimentos, faz uma manobra desastrada e acaba por ver o seu carro abalroado pelo veículo de Philip (Pierce Brosnan), um empresário amargurado desde a morte da sua mulher, que por acaso é o pai do noivo da filha. Já em Itália, nasce uma estranha atracção entre os dois, dando origem a um amor maduro, calmo e profundamente compensador. Porque, afinal, só precisamos de amor.

 

Bom Ano!

 

 

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2015 – Um ano de mudanças

por Paula, em 31.12.14

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A vida é feita de ciclos. É assim que a encaro. Os últimos anos fazem parte de uma curva descendente, ou seja, de um ciclo negativo. Em 2011 escrevi um texto neste blogue sobre os meus desejos para o ano seguinte. Esse ano seria, ao contrário do que havia escrito, o acentuar da curva descendente de um ciclo já de si pouco positivo. De lá para cá, a curva moveu-se um pouco no sentido ascendente. Todavia, mantém-se ainda em registos negativos. Mas, feita uma avaliação mais rigorosa, reconheço também alguns pontos bastante positivos. Um deles foi a recuperação da minha saúde – ainda em progresso – mas distante do cenário grave de 2012. Outro aspecto positivo é sem dúvida continuar a ter um emprego e a minha família junto de mim. O ano de 2013 foi igualmente caracterizado por notícias e mudanças nada positivas no campo laboral, sendo que o cenário se agravou durante o ano de 2014. A esperança a que me agarrava acabou por se desvanecer face à força dos factos. Não obstante todo este cenário de alguma forma carregado, acredito que 2015 será um ano de afirmação e de mudanças. Esperam-me grandes desafios pessoais e profissionais mas acredito que estes chegarão para me fortalecer e para me fazer seguir o (meu) caminho rumo a dias melhores. 2015 é o Ano Internacional da Luz e eu acredito que será, para mim, um ano repleto dela. É o início de um novo ciclo e de uma nova vida. Será para isso que irei trabalhar com empenho e dedicação, perseguindo assim os meus sonhos e os meus objectivos de vida.

 

Desejo a todos um Excelente Ano de 2015, com muita saúde, alegria, luz, paz e esperança num novo ciclo!

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