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Hoje, o meu coração está de luto.

 

Perdi um grande amigo. Choro. Faço um esforço para não chorar. Mas as lágrimas e os soluços teimam em saltar. Não era assim que ele gostaria que eu estivesse. Ele que afastava as vicissitudes da vida – e foram tantas! – com uma gargalhada solta como que desafiando tudo e todos. As lágrimas, essas, escondia-as.

 

Conversávamos sobre tudo e sobre nada. Depois, vinha a poesia em mirandês, onde largava o seu ser, a sua alma, o seu verdadeiro eu. O mirandês que me encantava e que me encanta. Lia a sua poesia de uma forma suave, doce, meiga. As palavras saiam como que murmuradas, ainda que não o fossem. Falava-nos ao coração. Era assim o meu amigo. Um homem inteligente, bom, sensível.

 

Tenho saudades suas! – disse-lhe. Volto no Sábado para lermos mais um pouco. – acrescentei.

Gostava muito, Paula! – as palavras saem acompanhadas de um aperto na minha mão que segurava no seu colo.

Mas a leitura de Sábado não aconteceu. E não voltámos a falar.

 

E agora, tenho ainda mais saudades suas!! Muitas!

 

Mas o meu amigo não me queria ver assim. Isso eu sei.

An ruin anho, buona cara!

 

AF_Virgilio.jpg

Fotografia retirada do Facebook 

 

"NACIMIENTO DE COUSAS NUOBAS"

Morriu-se hoije, 1 de márcio, an sue casa, an Lisboua, l poeta, scritor i jurista Amadeu Ferreira, por bias de padecer de un cáncaro de l celebro hai mais de anho i meio.Cumprindo-se l sou pedido, l cuorpo será cremado. Nun haberá cerimónias fúnebres.

 

Eiran a realizar-se dues houmenaiges an sue mimória esta sumana: ua l die 3, terça, apuis l meio de la tarde,an Lisboua, na Casa de Trás-ls-Montes; outra l die 4,a la tarde, na sue tierra, an Sendin, Miranda de l Douro, na Casa de la Cultura, adonde ls amigos poderan rendir le houmenaige, lendo testos de l’outorie de l scritor ou simplemente passando.

 

Amadeu Ferreira naciu a 29 de júlio de 1950 an Sendin, Miranda de l Douro. Era persidente de la Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa, persidente de la Academie de Lhetras de Trás-ls-Montes, bice-persidente de la Comisson de l Mercado de Balores Mobiliairos (CMVM), porsor cumbidado de la Faculdade de Dreito de la Ounibersidade Nuoba de Lisboua, membro de l Cunseilho Giral de l Anstituto Politécnico de Bregáncia i, zde 2004, comendador de la Orde de lMérito de la República Pertuesa.

 

Outor i tradutor dua bastíssema obra an pertués i mirandés, tamien culs pseudónimos Fracisco Niebro, Marcus Miranda i Fonso Roixo, Amadeu Ferreira dou mos obras científicas i lhiterairas, an poesie i an prosa. Antre muitas outras publicou: ne l Dreito, "Homicídio Preveligiado" i"Direito dos Valores Mobiliários"; an poesie,"Cebadeiros", "Ars Vivendi / Ars Moriendi" i "Norteando"; an prosa, "La bouba de la Tenerie / Tempo de Fogo", "Cuntas de Tiu Jouquin", "Lhéngua Mirandesa – Manifesto an Forma de Hino" i "Ditos Dezideiros / Provérbios Mirandeses". Traduziu pa la lhéngua mirandesa obras cumo "Ls Quatro Eibangeilhos", "Ls Lúsiadas", de Luís Vaz de Camões, "Mensaige", de Fernando Pessoa, dues abinturas de "Astérix" i obras de Hourácio, Bergildo i Catulo, antre muitos outros.Alhá desso,fuicolaborador, subretodo an mirandés, de de lJornal Nordeste, adonde mantenie hai muitos anhos la Fuolha Mirandesa, de lMensageiro de Bragança, de lDiário de Trás-os-Montes, de lPúblico i de la rádio MirandumFM, i publicoumais de trés mil testos, quaijeque todos lhiterairos,an blogues cumo Fuontes de l Aire,Cumo Quien Bai de Camino i Froles Mirandesas.

 

La sue biografie i l sou mais reciente lhibro, “Belheç / Velhice”,tenen salimiento marcado pa l die 5 de márcio, esta sumana, na Faculdade de Dreito de la Nuoba de Lisboua. Neste últimopuode ler se pula mano de l sou pseudónimo Fracisco Niebro:

 

"Hai un tiempo para nacer i un tiempo para un se morrer. L'alma nun puode bolar pa l cielo. Senó, cumo podien nacer cousas nuobas? Essa ye la rucerreiçon de las almas: son bidas nuobas. Son bichicos, arbicas i todo l que bibe. Ye por esso que fázen mui mal an anterrar las pessonas ne l semitério: habien de las anterrar pul campo para ajudar las almas a nacer. Assi, Dius, seia quien fur, ten muito mais trabalho."

 

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Lançamento de “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”, de Teresa Martins Marques

(Âncora Editora)

Dia 5 de Março

18H00

Universidade Nova de Lisboa

Campolide

 

Amadeu Ferreira é uma figura incontornável na defesa da língua mirandesa. É, também, um homem ligado ao Direito, área em que desenvolveu a sua profissão. Acidentalmente ligado aos valores mobiliários, este jurista rapidamente se tornou um professor e um profissional indispensável nas salas da Faculdade e no mercado de capitais devido à sua inteligência, capacidade de trabalho e humanismo. Hoje, é Vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), professor na Universidade Nova de Lisboa e autor de grande parte  de legislação que ainda está em vigor nesta área. Apesar de tudo, nunca largou as suas raízes nem esqueceu a língua em que mamou: o mirandês.

 

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Teresa Martins Marques, a autora de O Fio das Lembranças - Uma Biografia de Amadeu Ferreira, dá-nos a conhecer este transmontano adoptado por Lisboa em todas as vertentes. Para o efeito, procedeu a uma pesquisa exaustiva de todos os acontecimentos que ocorreram pelo mundo no dia em que Amadeu Ferreira nasceu, bem como a entrevistas a familiares, amigos e colegas. Senhora das letras, tem várias obras publicadas, das quais destaco o seu último romance A Mulher que Venceu D. Juan. É doutorada em Literatura e Cultura, na especialidade de Estudos Portugueses, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Actualmente é investigadora integrada no Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, da mesma Universidade. Foi  membro da equipa do Instituto de Lexicologia e Lexicografia  da Academia das Ciências de Lisboa, entre  1992 e 1995, com funções específicas de coordenação da nomenclatura literária. Dirigiu a equipa de organização do espólio de David Mourão-Ferreira, em regime de destacamento de serviço do Ministério da Educação para a Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1997 e 1999 e como bolseira do Ministério da Educação, entre 1999 e 2004, num total de 7 anos a trabalhar o espólio do escritor, sobre o qual viria a fazer a  tese de doutoramento  intitulada Clave de Sol  - Chave de Sombra - Memória e Inquietude em David Mourão Ferreira. Dirigiu e prefaciou a Edição das Obras Completas de José Rodrigues Miguéis, em 13 volumes, (Círculo de Leitores,1994-1996)  no próximo ano, vai voltar  a dirigir esta edição na Porto Editora. Tem abundante colaboração em jornais e revistas especializadas - Colóquio-Letras, Foro das Letras, Relâmpago, O Escritor, Mealibra, Letras Com Vida, Matraga, Metamorfoses (Rio de Janeiro), Navegações (Rio Grande do Sul).

 

Esta obra acaba por ser mais do que uma biografia. É um retrato sociológico do Portugal da segunda metade do século XX. Através da vida de Amadeu Ferreira - uma vida cheia, como poderão constatar através do livro - vamos tendo a noção da vida rural de Trás-os-Montes, da evolução das ideias e dos ideais que ditaram o 25 de Abril, do período político que se seguiu a esta revolução, do nascimento e evolução do mercado de capitais em Portugal e do renascimento da segunda língua oficial de Portugal, o mirandês. A biografia deste homem notável que Portugal teve a honra de receber na sua vida é, perdoem-me a redundância, mais do que isso. É uma obra imperdível!

 

A segunda parte da biografia é constituída por diversos testemunhos em que tenho a honra de participar com um pequeno texto.

 

“Há Homens cuja força de carácter se pressente à distância e se afirmam através da vontade férrea do seu querer.

Há Homens que por vezes sobrevoam o próprio Tempo, transformando sílabas de alfabetos perdidos em linguagem compreendida pelos outros homens.

Embalando a montanha e os seus musgos, ou simplesmente cumprindo alguma promessa antiga, trazem consigo e como testemunho a marca indelével do Tempo.”

António Afonso, in “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira

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“Conhecemo-nos há vinte anos. No dia 26 de Maio de 1993, em jornadas promovidas pelo Banco de Portugal e pela Associação Portuguesa de Bancos, proferi uma conferência intitulada Desmaterialização dos títulos de crédito: valores mobiliários escriturais. No final da intervenção, o Amadeu Ferreira interpelou-me com uma objecção acerca de opinião que eu expusera. Quando, no mesmo ano, publiquei na Revista da Banca, n.º 26, o texto revisto da minha conferência, agradeci em nota (p. 35) as “argutas observações” do Dr. Amadeu José Ferreira, procurando então, sem o contrariar, uma saída técnico-jurídica para o seu argumento.”

Carlos Ferreira de Almeida, in “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”

 

“Anho 2000. Corria o mês de Março. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) recebia um novo Conselho Directivo e entrava em vigor o (novo) Código dos Valores Mobiliários que tinha sido objecto de alargada discussão e de cujo grupo de trabalho fizera parte o Dr. Amadeu Ferreira. Estas mudanças davam início a uma nova fase na sua vida profissional, porquanto assumia a função de vogal daquele órgão deliberativo, mas também na minha.”

Paula Freire, in O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”

 

E porque acredito que a rota escolhida pelo nosso Amigo Amadeu Ferreira é a mais maravilhosa aventura que a Humanidade pode viver, convido todos a entrar e a viajar neste sonho de Luz e de Paz!”

Luís Vaz das Neves, in “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”

 

Boas leituras e boas descobertas!

Buonas lheituras e buonas sçubiertas!

 

 

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“Estiveram toda a tarde a dançar aqui no largo da rua da Frágua. Um jovem esforçava-se por tocar muita gaita-de-beiços. Apenas parou quando quase todos seguiram para o Bairro Alto. Dei comigo a pensar que nunca ouvi aquela cantiga, muito diferente das que eu aprendi. Há coisas, por exemplo as cantigas, em que já não caibo, mundos que parecem já nada ter a ver comigo.”

 

É assim que começa o livro Belheç (Velhice), de Fracisco Niebro (um dos pseudónimos de Amadeu Ferreira), escrito em mirandês e em português, enriquecido com desenhos de Manuel Bandarra, que nos dá a conhecer os textos de “um velho de oitenta anos, a viver nos anos cinquenta do século XX, numa aldeia transmontana, que se senta todos os dias no poial da sua porta de casa e vê passar o mundo nas pessoas da sua aldeia.” O autor veste desta forma a pele de um homem pouco letrado que escreve com uma clareza e simplicidade puras, deixando-nos por vezes a reflectir nas suas palavras.

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A apresentação deste novo trabalho terá lugar no próximo dia 5 de março, pelas 18H00, em simultâneo com o lançamento da sua biografia escrita por Teresa Martins Marques, na Universidade Nova de Lisboa, em Campolide. São ambos publicados pela Âncora Editora.

 

Um lançamento imperdível.

 

Até lá!

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L mirandés

por Paula, em 08.02.15

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“Há palavras que, quando as dizemos, nos deixam com pele de galinha, mas apenas nós nos apercebemos; há sons que nos envolvem como uma onda de calor, mas apenas nós sentimos o gelo que por vezes trazemos dentro de nós a derreter; há trejeitos da língua dentro da boca, falando, que nos fazem cócegas que mais ninguém sente; há ditos que não têm outra maneira de se dizer e ninguém se apercebe quando não conseguimos traduzi-los; há coisas que, quando usamos outra língua para as dizer, soam como estranhas e, no fim, ficamos com a ideia de que não fomos capazes de as dizer. Há palavras, sons, ditos, coisas, que dormiram durante tanto tempo connosco, que se tornaram cama para um lado e quando não nos deitamos para esse lado é como dormir sobre uma pedra.”

Amadeu Ferreira, in Língua Mirandesa – Manifesto em Forma de Hino

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Miranda do Douro lutou sempre pela sua identidade, e o mesmo se pode dizer de Amadeu Ferreira. Natural de Sendim, este mirandês tem uma história singular ligada à sua língua materna.

 

Acérrimo e dedicado impulsionador e divulgador da língua mirandesa, foi através dele que esta ganhou a dignidade que lhe era devida. Sem o seu empenho, a língua mirandesa seria mais um pilar da cultura portuguesa que se perderia para sempre. Sobre ela, escreveu um Manifesto em Modo de Hino, publicado pela Âncora Editora. Este Manifesto foi escrito em português pelo Amadeu Ferreira, e em mirandês pelo Fracisco Niebro, um dos seus pseudónimos. O mirandês está-lhe entranhado na alma. Define-o. Alimenta-o.

 

Começou a escrever aos 12 anos. Nessa altura, escreveu poesia, num caderninho quadriculado, sobre o Pinóquio. Mas roubaram-lho. E ele chorou a perda deste trabalho que seria o primeiro de muitos.

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Muitos anos mais tarde, escreveu, num mês, o romance Tempo de Fogo, cuja acção decorre no tempo da Inquisição e conta história de um frade homossexual. (Âncora Editora, 2011).

 

Traduziu para o mirandês várias obras importantes, como os Lusíadas, de Camões; a Mensagem, de Fernando Pessoa; os Quatro Evangelhos; e, a pedido da editora ASA, dois livros: Astérix L Goulés e Astérix L Galaton (uma edição rara com os desenhos originais de Albert Uderzo).

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Mas se sobressai como tradutor e romancista, é como poeta que se pode definir o Amadeu Ferreira. É a poesia que o solta, que o faz “encontrar-se consigo mesmo”. “Leva-me para lá da vida”, diz.

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Nesta vertente literária, escreveu sob vários pseudónimos. Os mais conhecidos são Fracisco Niebro e Fonso Roixo. Do primeiro, deu-nos a conhecer: Cebadeiros (2000) - com os poemas deste livro fez, juntamente com a pintora Balbina Mendes, uma exposição composta por pinturas e poemas, aquando a comemoração do Ano Europeu das Línguas Minoritárias, que percorreu o País -; Las Cuntas de Tiu Jouquin (2001); Cula Torna Ampuosta Quienquiera Ara (2004); Pul Alrobés de ls Calhos (2006); L Mais Alto Cantar de Salomon (2012). L Ancanto de las Arribas de L Douro (2003) – uma edição feita com lindíssimas aguarelas pintadas por Manuol Bandarra, seu irmão. Publicou ainda o livro Ars Vivendi, Ars Moriendi, poesia-bilingue em mirandês e português, Âncora Editora, 2012.

 

Já sob a pena de Fonso Roixo, mostrou-nos L Purmeiro Libro de Bersos (2009), a que se seguiu mais um.

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A banda desenhada também não lhe passou ao lado. Escreveu textos e histórias infantis: L filico, il Nobielho (2006), onde escreve que “hai cousas que nun podemos ber culs uolhos, mas podemos coincer cun outros sentidos”; L segredo de Peinha Campana (2008), conta-nos a história de Sabel, e de um rapazinho que vive numa rocha do Planalto Mirandês, que vai minguando à medida que a qualidade do ar se deteriora. Ambos com ilustrações de uma jovem, Sara Cangueiro.

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Mirandés – Stória dua Lhéngua i dun Pobo, é, como o próprio nome indica, a história da língua mirandesa em banda desenhada. Com desenhos de José Ruy, este livro viu a luz em 2009, ano em que se republicaria também em banda desenhada, e em mirandês, o trabalho daquele autor de banda desenhada, com tradução de Fracisco Niebro, Ls Lusíadas.

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Trabalhou ainda com aquele mestre da banda desenhada portuguesa em La Magie de las Letras, um livro sobre João de Deus e o seu revolucionário método de ensino, traduzindo mais uma vez a obra para mirandês.

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Depois, em 2014, juntou o seu nome ao de Luís Borges, um fotógrafo das terras nortenhas. Este lia as paisagens com a sua máquina e Amadeu Ferreira dava-lhe as palavras. Umas vezes em português, outras em mirandês. Daqui resultou um trabalho lindíssimo, de uma grande sensibilidade e com a incomparável qualidade da escrita de Amadeu Ferreira. O projecto nasceu no Facebook, mas depressa passou para as páginas de um livro.

 

Colaborou ainda em A Terra de Duas Línguas - Antologia de Autores Transmontanos, com Ernesto Rodrigues, e em Ditos Burriquitos, um livro de adágios, rifãos, provérbios, historietas, etc., recolhidos por Paulo Gaspar Ferreira, sendo que a principal colaboração não chegou a ser impressa em papel: trata-se de um dicionário de mirandês organizado, em 2009, por Amadeu Ferreira e José Pedro Cardona. Um símbolo e uma ferramenta muito útil para quem queira aprender a língua mirandesa.

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Recentemente, deu a conhecer um conjunto de provérbios (ditos) que foi recolhendo ao longo de vários anos. Este trabalho, culminou num pequeno livro chamado Ditos Dezideiros, (Âncora Editora, 2014) que é a mais completa recolha de ditos mirandeses. Os provérbios são apresentados por ordem alfabética e respeitam as regras da Convenção Ortográfica de Língua Mirandesa. Desta forma, ficam eternizados, não correndo o risco de desaparecerem.

 

Desenvolveu ainda blogues em mirandês como o Ls Mielgos, o Froles Mirandesas, o Cumo quen bai de Camino, entre muitos outros, bem como o ensino desta língua em horário pós-laboral.

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Por outro lado, também tem apoiado a publicação de livros mirandeses, como Dança da Bicha, um livro sobre uma dança associada ao sagrado, bem como um Roteiro Solsticial do Planalto Mirandês, onde se divulgam as tradições daquela região nos solstícios de Verão de Inverno.

 

Tierra Alantre, o último trabalho dos Ronda dos Quatro Caminhos, é uma expressão mirandesa para "caminho em frente". Este trabalho, conta com versos em mirandês da sua autoria. No dia 22 de maio de 2014, este grupo deu um concerto de lançamento do referido trabalho, no Teatro Nacional de S. Carlos, em que homenageou o poeta mirandês. Foi um espectáculo comovente.

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Mas o Amadeu Ferreira não é só o poeta e escritor mirandês que se atreveu a desafiar as probabilidades de sucesso na vida e sair de Miranda do Douro, descendo até Lisboa para se tornar um jurista respeitado. É muito mais do que isso. A sua dimensão enquanto ser humano está plasmada no novo trabalho da autora Teresa Martins Marques, O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira, dado à estampa novamente pela Âncora Editora.

 

A obra está dividida em duas partes. A primeira, é a biografia de Amadeu Ferreira, escrita pela pena de Teresa Martins Marques. A segunda, é constituída por testemunhos heterogéneos de pessoas tão diversas nas suas vidas e ofícios que, de uma forma ou doutra, sentiram a passagem de Amadeu Ferreira pelas suas vidas.

 

O lançamento está marcado para o próximo dia 5 de Março, na Universidade Nova de Lisboa, em Campolide, pelas 18H00. A apresentação está a cargo de Luís Vaz das Neves, Presidente do Tribunal da Relação de Lisboa.

 

Simultaneamente, será lançado o novo livro de Amadeu Ferreira, Velhice, que nos conta a história de um velho de 80 anos que vive nos anos 50 do século XX e que escreve sobre o que vai vendo. Transpõe para o papel as suas impressões sobre a sua aldeia, as pessoas e o que vai sentindo.

Retrato de Manuol Bandarra.jpg Aguarela de Manuel Bandarra - retirada do blogue do pintor, Cachicos

 

“E porque acredito que a rota escolhida pelo nosso Amigo Amadeu Ferreira é a mais maravilhosa aventura que a Humanidade pode viver, convido todos a entrar e a viajar neste sonho de Luz e de Paz!”

Luís Vaz das Neves, in O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira

 

Estão todos convidados!

Até lá! 

 

Buonas scubiertas!

 

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