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O Guarda-Rios

por Paula, em 01.04.15

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Inserido em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, na aldeia de Barriosa, o restaurante Guarda-Rios está privilegiadamente localizado no local onde antigamente se situava um lagar de azeite. Por isso, não é de estranhar que as cristalinas águas da Ribeira de Alvoco lhe sirvam de tapete paisagístico. Ao comensal apenas é pedido que desfrute da boa cozinha serrana e da calma que envolve aquele cenário idílico, completado pelas notas musicais da água a cair nas três cascatas que compõem o Poço da Broca da Barriosa.

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O Guarda-Rios é um pássaro lindíssimo, com penas azuladas no dorso, alaranjadas no peito e castanhas na ponta interior da cauda. Mas, em tempos, foi também uma profissão criada no século XIX com o intuito de fiscalizar as correntes da ribeira, no seguimento dos mestres do vale, e a utilização da água, extinta em 1995. composiçao7.jpg

O restaurante é muito agradável. O atendimento é atencioso e sem pretensões. A comida, essa, é tradicionalmente serrana, onde impera o borrego e o cabrito. Estes animais são de criação local, pois são fornecidos por um pastor de Alvoco das Várzeas. Não é, pois, de admirar que a carne seja fabulosa. Pode-se afirmar que a cozinha do Guarda-Rios é uma verdadeira guardiã da gastronomia regional do Vale de Alvoco.

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No período em que decorre a Mostra de Gastronomia Aromas e Sabores da Montanha, até ao próximo dia 12 de Abril, o Guarda-Rios apresenta-nos o tradicional borrego e o arroz doce. As entradas são compostas por truta e sardinha de escabeche, bola de bacalhau e quiche de legumes e bacalhau. De realçar que a truta é originária do viveiro do Aguincho, que tem a preocupação de utilizar a água da Ribeira de Alvoco - que é muito oxigenada -, o que confere ao peixe uma consistência e cor diferentes das que normalmente se encontram nestes locais de criação.

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O Guarda-Rios tem ainda à venda artigos gourmet originários do Vale de Alvoco. Destacam-se os chocolates tradicionais com aguardente de mel e de medronho que são maravilhosos. As trutas em conserva, são também muito boas. Depois, existe toda uma panóplia de aguardentes típicos daquela zona, como os de zimbro, de mel e baunilha, de medronho, etc. que são feitos nas destilaria do restaurante, situada mesmo em frente do mesmo. Finalmente, os doces: geleia de medronho, marmelada, doce de marmelo, geleia de marmelo - tudo feito com produtos locais. É evidente que não pude sair sem trazer alguns destes artigos comigo.

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No final, um passeio junto à ribeira permitiu assistir a um espectáculo da natureza: ver uma cobra a agarrar a cauda de uma truta. Dizem que a cobra não larga a cauda da truta até a cansar. 

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Bom apetite e boas descobertas!

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L mirandés

por Paula, em 08.02.15

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“Há palavras que, quando as dizemos, nos deixam com pele de galinha, mas apenas nós nos apercebemos; há sons que nos envolvem como uma onda de calor, mas apenas nós sentimos o gelo que por vezes trazemos dentro de nós a derreter; há trejeitos da língua dentro da boca, falando, que nos fazem cócegas que mais ninguém sente; há ditos que não têm outra maneira de se dizer e ninguém se apercebe quando não conseguimos traduzi-los; há coisas que, quando usamos outra língua para as dizer, soam como estranhas e, no fim, ficamos com a ideia de que não fomos capazes de as dizer. Há palavras, sons, ditos, coisas, que dormiram durante tanto tempo connosco, que se tornaram cama para um lado e quando não nos deitamos para esse lado é como dormir sobre uma pedra.”

Amadeu Ferreira, in Língua Mirandesa – Manifesto em Forma de Hino

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Miranda do Douro lutou sempre pela sua identidade, e o mesmo se pode dizer de Amadeu Ferreira. Natural de Sendim, este mirandês tem uma história singular ligada à sua língua materna.

 

Acérrimo e dedicado impulsionador e divulgador da língua mirandesa, foi através dele que esta ganhou a dignidade que lhe era devida. Sem o seu empenho, a língua mirandesa seria mais um pilar da cultura portuguesa que se perderia para sempre. Sobre ela, escreveu um Manifesto em Modo de Hino, publicado pela Âncora Editora. Este Manifesto foi escrito em português pelo Amadeu Ferreira, e em mirandês pelo Fracisco Niebro, um dos seus pseudónimos. O mirandês está-lhe entranhado na alma. Define-o. Alimenta-o.

 

Começou a escrever aos 12 anos. Nessa altura, escreveu poesia, num caderninho quadriculado, sobre o Pinóquio. Mas roubaram-lho. E ele chorou a perda deste trabalho que seria o primeiro de muitos.

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Muitos anos mais tarde, escreveu, num mês, o romance Tempo de Fogo, cuja acção decorre no tempo da Inquisição e conta história de um frade homossexual. (Âncora Editora, 2011).

 

Traduziu para o mirandês várias obras importantes, como os Lusíadas, de Camões; a Mensagem, de Fernando Pessoa; os Quatro Evangelhos; e, a pedido da editora ASA, dois livros: Astérix L Goulés e Astérix L Galaton (uma edição rara com os desenhos originais de Albert Uderzo).

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Mas se sobressai como tradutor e romancista, é como poeta que se pode definir o Amadeu Ferreira. É a poesia que o solta, que o faz “encontrar-se consigo mesmo”. “Leva-me para lá da vida”, diz.

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Nesta vertente literária, escreveu sob vários pseudónimos. Os mais conhecidos são Fracisco Niebro e Fonso Roixo. Do primeiro, deu-nos a conhecer: Cebadeiros (2000) - com os poemas deste livro fez, juntamente com a pintora Balbina Mendes, uma exposição composta por pinturas e poemas, aquando a comemoração do Ano Europeu das Línguas Minoritárias, que percorreu o País -; Las Cuntas de Tiu Jouquin (2001); Cula Torna Ampuosta Quienquiera Ara (2004); Pul Alrobés de ls Calhos (2006); L Mais Alto Cantar de Salomon (2012). L Ancanto de las Arribas de L Douro (2003) – uma edição feita com lindíssimas aguarelas pintadas por Manuol Bandarra, seu irmão. Publicou ainda o livro Ars Vivendi, Ars Moriendi, poesia-bilingue em mirandês e português, Âncora Editora, 2012.

 

Já sob a pena de Fonso Roixo, mostrou-nos L Purmeiro Libro de Bersos (2009), a que se seguiu mais um.

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A banda desenhada também não lhe passou ao lado. Escreveu textos e histórias infantis: L filico, il Nobielho (2006), onde escreve que “hai cousas que nun podemos ber culs uolhos, mas podemos coincer cun outros sentidos”; L segredo de Peinha Campana (2008), conta-nos a história de Sabel, e de um rapazinho que vive numa rocha do Planalto Mirandês, que vai minguando à medida que a qualidade do ar se deteriora. Ambos com ilustrações de uma jovem, Sara Cangueiro.

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Mirandés – Stória dua Lhéngua i dun Pobo, é, como o próprio nome indica, a história da língua mirandesa em banda desenhada. Com desenhos de José Ruy, este livro viu a luz em 2009, ano em que se republicaria também em banda desenhada, e em mirandês, o trabalho daquele autor de banda desenhada, com tradução de Fracisco Niebro, Ls Lusíadas.

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Trabalhou ainda com aquele mestre da banda desenhada portuguesa em La Magie de las Letras, um livro sobre João de Deus e o seu revolucionário método de ensino, traduzindo mais uma vez a obra para mirandês.

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Depois, em 2014, juntou o seu nome ao de Luís Borges, um fotógrafo das terras nortenhas. Este lia as paisagens com a sua máquina e Amadeu Ferreira dava-lhe as palavras. Umas vezes em português, outras em mirandês. Daqui resultou um trabalho lindíssimo, de uma grande sensibilidade e com a incomparável qualidade da escrita de Amadeu Ferreira. O projecto nasceu no Facebook, mas depressa passou para as páginas de um livro.

 

Colaborou ainda em A Terra de Duas Línguas - Antologia de Autores Transmontanos, com Ernesto Rodrigues, e em Ditos Burriquitos, um livro de adágios, rifãos, provérbios, historietas, etc., recolhidos por Paulo Gaspar Ferreira, sendo que a principal colaboração não chegou a ser impressa em papel: trata-se de um dicionário de mirandês organizado, em 2009, por Amadeu Ferreira e José Pedro Cardona. Um símbolo e uma ferramenta muito útil para quem queira aprender a língua mirandesa.

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Recentemente, deu a conhecer um conjunto de provérbios (ditos) que foi recolhendo ao longo de vários anos. Este trabalho, culminou num pequeno livro chamado Ditos Dezideiros, (Âncora Editora, 2014) que é a mais completa recolha de ditos mirandeses. Os provérbios são apresentados por ordem alfabética e respeitam as regras da Convenção Ortográfica de Língua Mirandesa. Desta forma, ficam eternizados, não correndo o risco de desaparecerem.

 

Desenvolveu ainda blogues em mirandês como o Ls Mielgos, o Froles Mirandesas, o Cumo quen bai de Camino, entre muitos outros, bem como o ensino desta língua em horário pós-laboral.

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Por outro lado, também tem apoiado a publicação de livros mirandeses, como Dança da Bicha, um livro sobre uma dança associada ao sagrado, bem como um Roteiro Solsticial do Planalto Mirandês, onde se divulgam as tradições daquela região nos solstícios de Verão de Inverno.

 

Tierra Alantre, o último trabalho dos Ronda dos Quatro Caminhos, é uma expressão mirandesa para "caminho em frente". Este trabalho, conta com versos em mirandês da sua autoria. No dia 22 de maio de 2014, este grupo deu um concerto de lançamento do referido trabalho, no Teatro Nacional de S. Carlos, em que homenageou o poeta mirandês. Foi um espectáculo comovente.

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Mas o Amadeu Ferreira não é só o poeta e escritor mirandês que se atreveu a desafiar as probabilidades de sucesso na vida e sair de Miranda do Douro, descendo até Lisboa para se tornar um jurista respeitado. É muito mais do que isso. A sua dimensão enquanto ser humano está plasmada no novo trabalho da autora Teresa Martins Marques, O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira, dado à estampa novamente pela Âncora Editora.

 

A obra está dividida em duas partes. A primeira, é a biografia de Amadeu Ferreira, escrita pela pena de Teresa Martins Marques. A segunda, é constituída por testemunhos heterogéneos de pessoas tão diversas nas suas vidas e ofícios que, de uma forma ou doutra, sentiram a passagem de Amadeu Ferreira pelas suas vidas.

 

O lançamento está marcado para o próximo dia 5 de Março, na Universidade Nova de Lisboa, em Campolide, pelas 18H00. A apresentação está a cargo de Luís Vaz das Neves, Presidente do Tribunal da Relação de Lisboa.

 

Simultaneamente, será lançado o novo livro de Amadeu Ferreira, Velhice, que nos conta a história de um velho de 80 anos que vive nos anos 50 do século XX e que escreve sobre o que vai vendo. Transpõe para o papel as suas impressões sobre a sua aldeia, as pessoas e o que vai sentindo.

Retrato de Manuol Bandarra.jpg Aguarela de Manuel Bandarra - retirada do blogue do pintor, Cachicos

 

“E porque acredito que a rota escolhida pelo nosso Amigo Amadeu Ferreira é a mais maravilhosa aventura que a Humanidade pode viver, convido todos a entrar e a viajar neste sonho de Luz e de Paz!”

Luís Vaz das Neves, in O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira

 

Estão todos convidados!

Até lá! 

 

Buonas scubiertas!

 

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No Oeste de Portugal

por Paula, em 04.02.15

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Igreja Nossa Senhora da Conceição

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Portugal é um País onde a simpatia do povo, o clima e a boa comida servem de postal mais que ilustrado para quem o visita, mas, também, para nós que cá vivemos. Neste pequeno rectângulo, combinam-se uma miríade de tradições, ou não fossemos nós uma Nação com uma longa História e com uma rica herança de outros povos. Com uma vasta costa marítima, o peixe foi sempre uma constante na mesa e na gastronomia dos portugueses. Mesmo às terras do interior sempre chegaram, ainda que em menor quantidade, o peixe do mar, devido às técnicas de salmoura tão bem desenvolvidas por nós.

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Oeste de Portugal é uma zona onde o campo se encontra com o mar. Este casamento tão duradouro e profícuo, leva a que os seus habitantes beneficiem do melhor de ambos. A  Atouguia da Baleia, terra antiga, foi concedida  por D. Afonso Henriques ao cruzado Guilherme de Corni, pela sua ajuda na conquista de Lisboa, há mais de oito séculos. Há mais de quinhentos anos, viu ali as cortes gerais do Reino.  Teve três forais ao longo da sua história. O primeiro, foi concedido em 1167; o segundo, em 1268; e o terceiro, em 1510, por D. Manuel I. 

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É uma vila onde a agricultura e os serviços predominam, mas que, em tempos, o mar lhe conferiu a importância de um grande porto. Peniche, concelho a que hoje pertence a Vila de Atouguia da Baleia, era então uma ilha e só ganhou importância devido ao assoreamento do Porto da Atouguia, a partir do século XV. Todavia, só no século XVII é que Peniche passaria a vila e ganharia a mesma importância que a Atouguia da Baleia.

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O porto de Touria, do latim "taurus", boi ou touro em português, deve o seu nome inicial a estes animais devido à sua criação abundante pelos Ataídes. É por essa razão que o Brasão heráldico da Vila de Atouguia contém um touro no seu escudo. Este porto situava-se junto ao castelo de que hoje não restam praticamente vestígios. A Igreja de São Leonardo marca a entrada naquela vila, bem como o Pelourinho situado numa pequena praça. Esta igreja de estilo romano-gótico foi erigida durante o século XII em honra de S. Leonardo de Noblat, um nobre de origem gaulesa que dedicou a sua vida a ajudar os pobres e os soldados. Hoje, a Igreja conta com uma estátua da Rainha Santa Isabel (Isabel de Aragão), esposa do Rei D. Dinis, o "Lavrador", a quem foi concedido o senhorio da vila. Conta a lenda que a Rainha rezava na Igreja de S. Leonardo quando o baixo-relevo se rachou, sendo que o actual, que se encontra em frente ao altar-mor da referida Igreja, foi oferecido a D. Dinis pelos gauleses por este ter resolvido um pleito existente com a Santa Sé e cuja resolução também interessava aos franceses.

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Igreja de S. Leonardo - Igreja Matriz

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Conta-se que o nome de Touria evoluiu para Atouguia e, mais tarde, para Atouguia da Baleia por ter dado à costa uma baleia de grandes dimensões. Diz-se, ainda, que existia uma terra denominada Baleia e que o seu nome terá sido absorvido pelo crescimento da vila de Atouguia. Por proposta do Ministro Passos Manuel e decreto da Rainha D. Maria II, em 6 de Novembro de 1836, é extinto o concelho de Atouguia ficando incorporado no concelho de Peniche, mantendo-se a mesma como freguesia. 

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Na Vila de Atouguia podemos ainda visitar a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, de estilo barroco maneirista, obra do grande arquitecto-escultor João Antunes. No largo fronteiriço à igreja encontramos o Touril.  O jardim da Igreja tem ainda um Coreto e um parque Infantil para a pequenada se entreter. Em frente, tem o Café das Arcadas, com o seu estilo retro e uma variedade de bolos e gelados. Já os mais apaixonados por água, mas água calma, podem dar um pulinho ao Centro de Canoagem, na Barragem de S. Domingos, para praticar canoagem ou para ver as aves que por ali vivem, contando, seguramente, com uma luz fantástica de manhã ou ao final da tarde, bem como de paz.

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 Boas descobertas!

 

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«Todas a vezes que a visitei (a Beira), olhei e perscrutei, a ver se conseguia entendê-la, andei sempre à roda, à roda, e sempre à roda da mesma força polarizadora: - a Estrela. (...) Há rios na Beira? Descem da Estrela. Há queijo na Beira? Faz-se na Estrela. Há roupa na Beira? Tece-se na Estrela. Há vento na Beira? Sopra-o a Estrela. Há energia eléctrica na Beira? Gera-se na Estrela. Tudo se cria nela, tudo mergulha nas suas raízes no seu largo materno seio. Ela comanda, bafeja, castiga e redime. Gelada e carrancuda, cresta o que nasce sem a sua bênção; quente e desanuviada, a vida à sua volta abrolha e floresce. O Marão separa dois mundos - o minhoto e o transmontano. O Caldeirão, no pólo oposto de Portugal, imita-o como pode. Mas a Estrela não divide: concentra.»

 

Miguel Torga

 

Fotografias e montagem de Ricardo Barata - Aguincho

 

No Aguincho, aldeia protegida pelo Vale de Alvoco da Serra, correm as águas que nascem na Lagoa Comprida e se lançam a desenhar carreiros amparados por rebolas e ervas que se vestem de cor para a saudar à sua passagem. No moinho, os rodízios lançam-se na lenta roda que transforma os cereais em pão, ao sabor da sua corrente. O forno espera, quente, os pães e os esquecidos que encherão as arcas. Os pássaros, enamoram-se da corrente cristalina que revela peixes de tamanhos vários a passear despreocupadamente. O sol, acaricia esta água e a terra que a envolve numa bênção que a Serra reconhece. As gentes, agradecem, humildes, esta comunhão com a natureza.

 

Boas descobertas!

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Poço da Vagem - Pormenor do moinho comunitário

 

Situada em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, bem perto da Torre (em linha recta), na margem direita da Ribeira de Alvoco, fica a aldeia de Aguincho. É a mais distante e menos populosa aldeia da freguesia de Alvoco da Serra, de que dista 8 km, e a que permaneceu quase inacessível por carro até há poucos anos. Esta aldeia, que mais parece um lugar, faz parte da minha história.

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Vista da estrada nacional sobre Alvoco da Serra com a Serra da Estrela a amparar a vila

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Pormenor do restaurante da estânciade neve da Serra da Estrela

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Pormenor do muro junto ao restaurante da estância de neve da Serra da Estrela

 

Estima-se que a origem do povoamento de Alvoco da Serra poderá recuar até à Idade do Bronze, devido à descoberta de pinturas rupestres nas encostas das ribeiras de Alvôco e do Piódão. Quanto ao Aguincho, sabe-se, desde 1884, que os Romanos passaram por ali, porque se descobriu no sítio da Barroca do Galego um tesouro de denários republicanos.

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Pormenor do caminho no Aguincho

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Desconhece-se a sua toponímia, mas sabe-se que até ao século XVIII apenas havia referência nos registos de baptizados ao Pavão, lugar que fica nas imediações do Aguincho. Todavia, a capela, inicialmente dedicada a S. Domingos - talvez pelo facto de o Barão de S. Domingos e Alvito ali ter construído uma quinta de recreio repleta de estátuas de bronze que a população carinhosamente chamava de «santos negros» –, foi construída em 1726, tendo sido reconstruída já em pleno século XX. Hoje, é dedicada à Nossa Senhora da Agonia, devido, dizem, a promessa feita por Mário Luís Freire à Santa. O aguinchense prometera fazer uma festa em honra da Nossa Senhora da Agonia se conseguisse ficar curado de mal que lhe havia chegado. Tendo recuperado, tratou de cumprir o prometido. Em consequência, a festa da aldeia celebrada no primeiro Domingo de Setembro de cada ano é agora dedicada à referida Santa.

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Poço da Vagem - Aguincho

 

O Aguincho pouco mais tem para oferecer aos seus visitantes do que a sua fabulosa paisagem, marcada por socalcos feitos pelo homem para tornar a terra mais produtiva; a calma da água a correr na ribeira; o canto dos pássaros; a monumentalidade da água a cair na «Broca»; banhos refrescantes em águas límpidas e tranquilas; as trutas que habitam o viveiro e a serenidade regeneradora de dias tranquilos. Em rigor, o Aguincho oferece saúde e bem-estar.

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 Pormenor de casa

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Capela da Nossa Senhora da Agonia / Caminho para o Poço da Ponte / Diospireiro - Aguincho

 

Quem quiser passar uns dias nesta pérola da Serra da Estrela pode ficar no «Refúgio da Estrela» ou na «Casa do Galvão». Ambos oferecem a garantia de dias tranquilos marcados pela rusticidade que se deseja do lugar.

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Pormenores do Refúgio da Estrela - Turismo Rural - Aguincho

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Fonte junto ao Refúgio da Estrela a da Associação do Aguincho

 

Dali, pode partir à aventura e optar por vários percursos pedestres ou utilizando o carro. No Inverno, o ponto alto é subir à Serra da Estrela para sentir a neve. Passando por Loriga, lugar também ele de visita obrigatória com a sua história romana, encontra, a cerca de 30 minutos, a estância de neve. No regresso, pode passar pelo Museu do Pão, em Seia, e pelo Vale do Rossim. Seguindo noutra direcção, poderá também passar por Vide, e subir até à aldeia mais característica de Portugal: o Piódão. Aconselha-se ainda uma visita à aldeia de Cabeça, que este ano foi uma das aldeias Natal, e à sede da freguesia, Alvoco da Serra. O percurso mais simples e o favorito de muitos como eu, é ir a pé até à aldeia de Frádigas, cuja história está também de alguma forma ligada ao Aguincho, e tomar um café na esplanada situada na varanda da Associação Recreativa ou simplesmente deixar-se ficar pelo largo a conversar com os locais ou a ler um livro.

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Cachorro Serra da Estrela - Aguincho

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Pormenor da Ribeira de Alvoco junto ao Poço da Ponte - Aguincho

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Fonte da Mina - Aguincho

 

No que concerne à gastronomia, existem dois restaurantes situados a poucos quilómetros da aldeia. O restaurante «Pedras Lavradas», situado, como o próprio nome indica nas Pedras Lavradas, que fica entre Loriga e Unhais da Serra, oferece uma vista ampla sobre o vale e a Serra, bem como pratos tradicionais portugueses a preços muito acessíveis. Convém reservar, pois ao fim-de-semana costuma estar cheio. Na Barriosa, encontra-se o «Guarda-Rios», com a sua particular localização. Situado junto à ribeira e inserido na rocha, este restaurante oferece uma experiência única, porque pode tomar o seu café, no Verão, enquanto desfruta da água da ribeira. A cozinha é igualmente tradicional mas com uma apresentação mais cuidada. Um e outro merecem uma visita.

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Vista do caminho para o Poço da Vagem - Aguincho

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Vista da varanda da Capela da Nossa Senhora da Agonia - Aguincho

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Serra da Estrela vista da estrada do Aguincho em direcção a Vasco Esteves de Baixo 

 

Boas descobertas!

 

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Menus por Rafael Bordallo Pinheiro

por Paula, em 23.12.14

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IMG_7146.JPG«Prato Mesa Exposta» - Faiança - RBP Caldas 1897; 1898

 

Rafael Bordallo Pinheiro nasceu em 1846 e faleceu em 1905, deixando uma vasta obra naturalista ligada também à caricatura humorista e satírica.

 

Homem boémio na juventude, revelou na sua obra multifacetada o gosto de estar à mesa e o valor da boa gastronomia. Os seus registos no desenho, pintura e cerâmica dão assim a conhecer a dieta alimentar e os espaços de consumo do último quartel do século XVIII, como os mercados de rua e os armazéns de víveres.

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O seu humor apurado levou-o a utilizar muitas vezes a gastronomia como ponto para caracterizar muitas situações políticas e sociais da altura, usando expressões como «caldo entornado» ou «castanha da boa».

 

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Mas Rafael Bordallo Pinheiro deixou também registos de lindíssimos menus de banquetes de homenagem de que não só deu notícia como também decorou e compôs graficamente, caricaturando afectuosamente os convivas e representando-se, entre objectos sobredimensionados da culinária e da mesa, suscitando o humor.

 

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 Mesa exposta no Museu Bordalo Pinheiro

 

É com Rafael Bordallo Pinheiro que espero inspirar-vos para criar um bonito e humorístico menu de Ceia de Natal.

 

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Se ainda não visitaram o Museu Bordalo Pinheiro, façam-no por estes dias. Recomendo vivamente. O bilhete não é caro e o espaço está aberto à hora do almoço. Para além disso, a exposição é dinâmica e contém peças maravilhosas bem como uma biblioteca bonita. A loja vende artigos para oferta ou para recordação com a simbologia bordaliana. Os meus favoritos são os aventais. Por fim, do outro lado da estrada, encontra-se o Museu da Cidade de Lisboa que recebe no seu exterior o Jardim Bordalo Pinheiro onde estão expostas várias peças de tamanhos gigantes por todo o seu espaço. Imperdível!

 

Boas Festas!

Buonas Fiestas!

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O Museu do Fado e uma sopa

por Paula, em 18.05.14

 

Fachada do Museu do FadoCorredor no Museu do Fado

 

Hoje celebra-se o Dia Internacional dos Museus. Em Lisboa, as actividades começaram ontem. Por isso, a minha tarde foi dedicada a visitar dois lugares que há muito andava para ver. Um deles era o Museu do Fado – um ícone da cidade e abrigo daquele Património Imaterial da Humanidade.

 

Corredor no Museu do Fado

 

Quem visite o Museu do Fado este fim-de-semana, contará com uma visita guiada e com a actuação de alguns artistas. A entrada para estes eventos é gratuita.

 

Corredor no Museu do Fado

 

Neste espaço, sito no Largo do Chafariz de Dentro, em Alfama, num edifício que inicialmente albergava uma estação de águas, encontra-se o quadro original “O Fado”, de José Malhoa. Agradavelmente acolhedor, convida a ficar e a ouvir o nosso Fado. No corredor que dá para o largo, uma fotografia da Amália marca a entrada. Vêem-se guitarras, lê-se um pouco da sua história, bem como a do Fado, sem esquecer o período da sanção do século passado. Mas, quem desejar entrar, ali mesmo, numa casa de fado, também o poderá fazer, pois o Museu tem uma sala onde reproduz o ambiente daqueles lugares com gravações de vários fadistas de renome a actuar no “Clube do Fado” e não só.

 

Quadro Quadro no Museu do Fado

 

Marcando o património imaterial da cidade de Lisboa desde a sua génese, há 200 anos, conhecer o Fado, quer se goste ou não do género, é quase obrigatório.

 

Caricatura no Museu do FadoCaricatura de Fernando Farinha no Museu do Fado

 

"Cantarei até que a voz me doa"

 

Cantarei até que a voz me doa

Para cantar, canto sempre o meu fado

Como a ave que tão alto voa

E é livre de cantar em qualquer lado

Cantarei até que a voz me doa.

 

Cantarei até que a voz me doa

Ao meu país, à minha terra, à minha gente

À saudade e à tristeza que magoa

Ao amor de quem ama e morre ausente

Cantarei até que a voz me doa.

 

Cantarei até que a voz me doa

O amor e a paz cheia de esperança

Ao sorriso e à alegria da criança

Cantarei até que a voz me doa.

 

Fado cantado por Maria da Fé

José Luís Gordo / José Fontes Rocha

 

 

Cartaz de Revista no Museu do FadoQuadro

 

Para o jantar, nada melhor do que confeccionar uma sopa simples com sabores e ingredientes lusitanos.

 

SOPA DE FAVAS

 

INGREDIENTES

 

1 kg de favas tenras com casca, cortadas em juliana

1 farinheira

2 batatas médias, cortadas em pequenos cubos

1 cebola picada

2 cenouras cortadas em pequenos cubos

½ molho de coentros picados

Água q.b.

Sal e pimenta q.b.

Piso de poejos q.b.

 

PREPARAÇÃO

 

Numa panela, colocar a água e a farinheira com dois palitos em cada uma das extremidades para que não rebente. Deixar cozer. Retirar e reservar.

 

De seguida, juntar os legumes ao caldo da cozedura da farinheira e deixar cozinhar. Temperar com um pouco de sal e pimenta.

 

Servir quente com uma colher chá de piso poejos e pedaços de farinheira.

 

Sopa de Favas 

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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Sopa de cebola em Alfama

por Paula, em 29.04.14

Reprodução de

Reprodução do quadro "O Fado", de José Malhoa, exposta na Loja dos Descobrimentos

 

Quem passar por Alfama, não pode perder a Rua dos Bacalhoeiros, onde pululam lugares interessantes. Um dos que visitei recentemente fica situado ao lado da Casa do Bicos, que tanto caracteriza aquela parte de Lisboa.

 

Entrada da Loja dos DescobrimentosCasa dos Bicos e Sé de Lisboa

1. Entrada da Loja dos Descobrimentos; 2. Casa dos Bicos e Sé de Lisboa

 

A Loja dos Descobrimentos, como se chama, nasceu em 1986. É uma loja de venda de artesanato de azulejo e de olaria de Coimbra e do Alentejo onde o atendimento é uma parte da arte que ali se expõe. Para além disso, é também um atelier onde se realizam trabalhos ao vivo e onde se ministram workshops de pintura. Entrar naquele espaço é como submergir num oceano de cores, em que predomina o azul.

 

Interior da Loja dos Descobrimentos

Interior da Loja dos Descobrimentos

 

De regresso a casa, foi tempo de preparar uma sopa, utilizando as bonitas loiças que adquiri naquele espaço dedicado ao artesanato português.

 

Sopa de cebola

 

 

INGREDIENTES

 

1 c. de sopa de azeite

1 c. de sopa de manteiga

1 Kg de cebolas, cortadas finamente em meias-luas

2 c. de chá de açúcar amarelo

1 c. de sopa de farinha

1 L de caldo de galinha

0,5 L de água (aproximadamente)

1 Baguete, fatiada

Queijo mozarela (ou outro a gosto), ralado, q.b.

 

PREPARAÇÃO

 

Numa panela, colocar o azeite e a manteiga. Logo que ganhem temperatura, adicionar a cebola. Deixar cozinhar em lume médio durante cerca de 15 minutos, mexendo de vez em quando.

 

De seguida, levantar o lume e deixar cozinhar durante mais 20 minutos, até as cebolas ficarem bem alouradas. Juntar, então, a farinha (peneirada) e o açúcar. Envolver bem.

 

Adicionar o caldo e a água (suficiente para ganhar a consistência desejada) e envolver. Deixar levantar fervura e baixar o lume, deixando ferver por mais 15 minutos.

 

Entretanto, colocar o pão fatiado sob o grelhador do forno para torrar de ambos os lados. De seguida, polvilhar com queijo (enterrando-o um pouco no pão) e levar novamente ao forno para gratinar.

 

Sopa de cebola

 

Servir a sopa com o pão barrado com o queijo gratinado.

 

Não sendo uma sopa para todos os dias, é sem dúvida uma agradável surpresa pela doçura, pela textura e pelo casamento perfeito com o pão e o queijo.

 

Trabalho da Loja dos DescobrimentosSopa de Cebola

1. Painel exposto na Loja dos Descobrimentos; 2. Pormenor da sopa de cebola

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

 

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Conserveira de Lisboa

por Paula, em 15.04.14

Praça do Comércio - Lisboa

Casa dos Bicos - LisboaBaixa de Lisboa

Cais das Colunas - Lisboa

1 - Praça do Comércio em Lisboa; 2 - Casa dos Bicos, onde se situa a Fundação José Saramago; 3 - Vista para a Sé de Lisboa; 4 - Cais das Colunas

 

A semana passada o Notas Soltas & Coisas Doces esteve dedicado às conservas, tendo já em vista os bons frutos que o Verão nos trará, sob a forma de charcutaria e de conservas condimentadas.

 

Todavia, são várias as formas de conservar alimentos. Estas abrangem o tradicional escabeche – que utiliza o vinagre -, a fumagem – hoje mais desaconselhada devido à presença de agentes nocivos para a saúde -, a congelação, a salga, a cura, a secagem, os doces, a charcutaria e as conservas condimentadas. Cada forma de conserva tem um ou mais agentes naturais que ajudam à conservação. São eles, exemplificativamente, o sal, o açúcar, o azeite, óleos, vinagres, álcool e outras gorduras.

 

Para enriquecer este capítulo das conservas, nada melhor do que fazer uma visita à antiga e bem conhecida Conserveira de Lisboa.

 

Conserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

1 a 11 - Conserveira de Lisboa

 

A antiga Mercearia do Minho nasceu em 1930, sendo que em 1942 passou a denominar-se Conserveira de Lisboa, nome que ainda mantém. Trata-se de uma casa de comércio tradicional dedicada, como o próprio nome indica, às conservas. Detém três marcas próprias: Tricana, Prata do Mar e Minor.

 

Mantém a traça tradicional da loja dos anos 30 do século passado e tem o já raro atendimento personalizado. Por isso, pode dizer-se que é uma verdadeira jóia de Lisboa.

 

 

Praça do Comércio - LisboaLisboa

1 - Praça do Comércio; 2 - Chafariz D'el Rey

 

Localizada numa zona característica da Baixa de Lisboa, na Rua dos Bacalhoeiros, n.º 34, esta pérola dos sabores lusos dá ao seu visitante não apenas a oportunidade de saborear as melhores conservas e azeites do País, como proporciona também um excelente passeio por aquela zona da cidade. Ali próximo poderá visitar o Museu do Fado, a icónica Casa dos Bicos que hoje é o lar da Fundação José Saramago, um dos prémios Nobel da Literatura, a lindíssima Praça do Comércio com as esplanadas viradas para o Tejo e o romântico Cais das Colunas que recebe o rio de braços abertos.

 

 


 
 

Para chegar, poder-se-á utilizar o Metro e sair na Praça do Comércio se se for pela linha azul; se a opção for a linha verde, dever-se-á sair na Baixa/Chiado. Para levar o carro, o melhor é deixá-lo ficar no estacionamento do Campo das Cebolas. Os autocarros que passam ali próximo param na Praça do Comércio. Para uma sugestão mais turística, existe o tradicional eléctrico 28E, bem como o 18E e o 25E.

 

Bons passeios e excelentes descobertas!

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