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é sempre possível um caminho

por Paula, em 12.11.15

 

 

só, inseguro, frágil, talvez perdido, caminha o corço

sobre rochas onde nada dá fruta e apenas líquenes

sorriem: é um mistério a vida, ficando sempre aquém

da vontade de viver, mas indo além das condições que

lhe permitem deitar flor: é sempre possível abrir-lhe

um caminho, mesmo onde as ervas se perfilam como

sentinelas de uma desistência que até às próprias miragens

mete medo

 

In Norteando, Amadeu Ferreira (texto) e Luís Borges (fotografia), Âncora Editora, 2014

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Budapeste, de Chico Buarque

por Paula, em 23.05.15

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 “(…) Budapeste, cortada por um rio. O Danúbio, pensei, era o Danúbio mas não era azul, era amarelo, a cidade toda era amarela, os telhados, o asfalto, os parques, engraçado isso, uma cidade amarela, eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, mas Budapeste era amarela.”

 

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Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira.”

 

Budapeste cativou-me logo pelo nome. Quando entrei na livraria, recém-chegada da capital húngara, os meus olhos caíram, por mero acaso, naquele livro que parecia estar à minha espera. Não sabia de que tratava, nem tão pouco fazia ideia dos trabalhos do autor na área da literatura, confesso. Não foi, pois, a curiosidade sobre a obra realizada pelo autor, mas antes o nome da cidade impressa como título que me levou a pegar nele e a folheá-lo. Depois, sim. A primeira frase arrancou-me um sorriso inesperado e o meu coração deu um pulo. Era como se ele, o autor, me conhecesse e soubesse que eu iria passar por aquele sobressalto de querer aprender, sem razão e quase de forma obsessiva, aquela que “segundo as más-línguas, é a única língua do mundo que o diabo respeita”. Aquele arranque do livro era eu naquele momento a querer desbravar uma língua nova apenas porque me apaixonei pela sua sonoridade. E quando mais ninguém compreendia, Chico Buarque de Hollanda sabia, conhecia, e soube descrever a minha angústia. É o feitiço da língua húngara.

 

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"Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo, mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava e até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio com uma faca. Aos meus ouvidos, o húngaro poderia ser mesmo uma língua sem emendas, não constituída de palavras, mas que se desse a conhecer só por inteiro.”

 

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SINOPSE

Budapeste conta-nos a estória de José Costa, um escritor anónimo pago para produzir artigos de jornal, discursos políticos, cartas de amor, monografias e autobiografias romanceadas que outros assinam.

 

Um dia, regressando de um congresso de escritores anónimos em Istambul, é obrigado a fazer uma escala forçada em Budapeste. Fascinado pela língua magiar, José Costa retorna à capital húngara, passando a ser Zsose Kósta, e tornando-se amante de Kriska, a sua professora. A obsessão de dominar completamente o novo idioma leva-o a viver num tresloucado vaivém entre o Rio de Janeiro, onde vive a sua mulher, e Budapeste, onde passa a viver com Kriska.

 

No Rio de Janeiro, José atinge o auge da sua carreira com o best-seller involuntário, O Ginógrafo, “autobiografia” forjada do empresário alemão Kasper Krabbe, que aprendeu a escrever o português no corpo nu das mulheres. Em Budapeste acaba por escrever Os Tercetos Secretos em nome de um poeta, Kocsis Férenc, em franca decadência.

 

Budapeste é a história de um escritor dividido entre duas cidades, duas mulheres, dois livros e duas línguas, uma intrigante, e por vezes divertida, especulação sobre identidade e autoria.

 

O romance foi adaptado ao cinema num filme realizado por Walter Carvalho, onde participam os actores portugueses Ivo Canelas e Nicolau Breyner, com Leonardo Medeiros, Giovanna Antonelli e Gabriella Hámori nos principais papéis.

 

 

DO AUTOR

Chico Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro, em 1944. É mais conhecido pelos seus trabalhos como cantor e como compositor. Como escritor, publicou as peças Roda Viva (1968), Calabar (1973), Gota d’Água (1975) e Ópera do Malandro (1979) já exibida em Portugal. É, ainda, autor da novela Fazenda Modelo (1974) e dos romances Estorvo (1991), Prémio Jobuti 1992, Benjamin (1995), Budapeste (2003), Prémio Jobuti 2004, Leite Derramado (2009), Prémio Jobuti e Prémio PT de Literatura 2010, e mais recentemente de O Irmão Alemão.

 

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"Tenho esse ouvido infantil que pega e larga as línguas com facilidade, se perseverasse poderia aprender o grego, o coreano, até o vasconço. Mas o húngaro, nunca sonhara aprender."

 

Boas leituras!

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L mirandés

por Paula, em 08.02.15

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“Há palavras que, quando as dizemos, nos deixam com pele de galinha, mas apenas nós nos apercebemos; há sons que nos envolvem como uma onda de calor, mas apenas nós sentimos o gelo que por vezes trazemos dentro de nós a derreter; há trejeitos da língua dentro da boca, falando, que nos fazem cócegas que mais ninguém sente; há ditos que não têm outra maneira de se dizer e ninguém se apercebe quando não conseguimos traduzi-los; há coisas que, quando usamos outra língua para as dizer, soam como estranhas e, no fim, ficamos com a ideia de que não fomos capazes de as dizer. Há palavras, sons, ditos, coisas, que dormiram durante tanto tempo connosco, que se tornaram cama para um lado e quando não nos deitamos para esse lado é como dormir sobre uma pedra.”

Amadeu Ferreira, in Língua Mirandesa – Manifesto em Forma de Hino

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Miranda do Douro lutou sempre pela sua identidade, e o mesmo se pode dizer de Amadeu Ferreira. Natural de Sendim, este mirandês tem uma história singular ligada à sua língua materna.

 

Acérrimo e dedicado impulsionador e divulgador da língua mirandesa, foi através dele que esta ganhou a dignidade que lhe era devida. Sem o seu empenho, a língua mirandesa seria mais um pilar da cultura portuguesa que se perderia para sempre. Sobre ela, escreveu um Manifesto em Modo de Hino, publicado pela Âncora Editora. Este Manifesto foi escrito em português pelo Amadeu Ferreira, e em mirandês pelo Fracisco Niebro, um dos seus pseudónimos. O mirandês está-lhe entranhado na alma. Define-o. Alimenta-o.

 

Começou a escrever aos 12 anos. Nessa altura, escreveu poesia, num caderninho quadriculado, sobre o Pinóquio. Mas roubaram-lho. E ele chorou a perda deste trabalho que seria o primeiro de muitos.

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Muitos anos mais tarde, escreveu, num mês, o romance Tempo de Fogo, cuja acção decorre no tempo da Inquisição e conta história de um frade homossexual. (Âncora Editora, 2011).

 

Traduziu para o mirandês várias obras importantes, como os Lusíadas, de Camões; a Mensagem, de Fernando Pessoa; os Quatro Evangelhos; e, a pedido da editora ASA, dois livros: Astérix L Goulés e Astérix L Galaton (uma edição rara com os desenhos originais de Albert Uderzo).

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Mas se sobressai como tradutor e romancista, é como poeta que se pode definir o Amadeu Ferreira. É a poesia que o solta, que o faz “encontrar-se consigo mesmo”. “Leva-me para lá da vida”, diz.

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Nesta vertente literária, escreveu sob vários pseudónimos. Os mais conhecidos são Fracisco Niebro e Fonso Roixo. Do primeiro, deu-nos a conhecer: Cebadeiros (2000) - com os poemas deste livro fez, juntamente com a pintora Balbina Mendes, uma exposição composta por pinturas e poemas, aquando a comemoração do Ano Europeu das Línguas Minoritárias, que percorreu o País -; Las Cuntas de Tiu Jouquin (2001); Cula Torna Ampuosta Quienquiera Ara (2004); Pul Alrobés de ls Calhos (2006); L Mais Alto Cantar de Salomon (2012). L Ancanto de las Arribas de L Douro (2003) – uma edição feita com lindíssimas aguarelas pintadas por Manuol Bandarra, seu irmão. Publicou ainda o livro Ars Vivendi, Ars Moriendi, poesia-bilingue em mirandês e português, Âncora Editora, 2012.

 

Já sob a pena de Fonso Roixo, mostrou-nos L Purmeiro Libro de Bersos (2009), a que se seguiu mais um.

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A banda desenhada também não lhe passou ao lado. Escreveu textos e histórias infantis: L filico, il Nobielho (2006), onde escreve que “hai cousas que nun podemos ber culs uolhos, mas podemos coincer cun outros sentidos”; L segredo de Peinha Campana (2008), conta-nos a história de Sabel, e de um rapazinho que vive numa rocha do Planalto Mirandês, que vai minguando à medida que a qualidade do ar se deteriora. Ambos com ilustrações de uma jovem, Sara Cangueiro.

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Mirandés – Stória dua Lhéngua i dun Pobo, é, como o próprio nome indica, a história da língua mirandesa em banda desenhada. Com desenhos de José Ruy, este livro viu a luz em 2009, ano em que se republicaria também em banda desenhada, e em mirandês, o trabalho daquele autor de banda desenhada, com tradução de Fracisco Niebro, Ls Lusíadas.

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Trabalhou ainda com aquele mestre da banda desenhada portuguesa em La Magie de las Letras, um livro sobre João de Deus e o seu revolucionário método de ensino, traduzindo mais uma vez a obra para mirandês.

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Depois, em 2014, juntou o seu nome ao de Luís Borges, um fotógrafo das terras nortenhas. Este lia as paisagens com a sua máquina e Amadeu Ferreira dava-lhe as palavras. Umas vezes em português, outras em mirandês. Daqui resultou um trabalho lindíssimo, de uma grande sensibilidade e com a incomparável qualidade da escrita de Amadeu Ferreira. O projecto nasceu no Facebook, mas depressa passou para as páginas de um livro.

 

Colaborou ainda em A Terra de Duas Línguas - Antologia de Autores Transmontanos, com Ernesto Rodrigues, e em Ditos Burriquitos, um livro de adágios, rifãos, provérbios, historietas, etc., recolhidos por Paulo Gaspar Ferreira, sendo que a principal colaboração não chegou a ser impressa em papel: trata-se de um dicionário de mirandês organizado, em 2009, por Amadeu Ferreira e José Pedro Cardona. Um símbolo e uma ferramenta muito útil para quem queira aprender a língua mirandesa.

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Recentemente, deu a conhecer um conjunto de provérbios (ditos) que foi recolhendo ao longo de vários anos. Este trabalho, culminou num pequeno livro chamado Ditos Dezideiros, (Âncora Editora, 2014) que é a mais completa recolha de ditos mirandeses. Os provérbios são apresentados por ordem alfabética e respeitam as regras da Convenção Ortográfica de Língua Mirandesa. Desta forma, ficam eternizados, não correndo o risco de desaparecerem.

 

Desenvolveu ainda blogues em mirandês como o Ls Mielgos, o Froles Mirandesas, o Cumo quen bai de Camino, entre muitos outros, bem como o ensino desta língua em horário pós-laboral.

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Por outro lado, também tem apoiado a publicação de livros mirandeses, como Dança da Bicha, um livro sobre uma dança associada ao sagrado, bem como um Roteiro Solsticial do Planalto Mirandês, onde se divulgam as tradições daquela região nos solstícios de Verão de Inverno.

 

Tierra Alantre, o último trabalho dos Ronda dos Quatro Caminhos, é uma expressão mirandesa para "caminho em frente". Este trabalho, conta com versos em mirandês da sua autoria. No dia 22 de maio de 2014, este grupo deu um concerto de lançamento do referido trabalho, no Teatro Nacional de S. Carlos, em que homenageou o poeta mirandês. Foi um espectáculo comovente.

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Mas o Amadeu Ferreira não é só o poeta e escritor mirandês que se atreveu a desafiar as probabilidades de sucesso na vida e sair de Miranda do Douro, descendo até Lisboa para se tornar um jurista respeitado. É muito mais do que isso. A sua dimensão enquanto ser humano está plasmada no novo trabalho da autora Teresa Martins Marques, O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira, dado à estampa novamente pela Âncora Editora.

 

A obra está dividida em duas partes. A primeira, é a biografia de Amadeu Ferreira, escrita pela pena de Teresa Martins Marques. A segunda, é constituída por testemunhos heterogéneos de pessoas tão diversas nas suas vidas e ofícios que, de uma forma ou doutra, sentiram a passagem de Amadeu Ferreira pelas suas vidas.

 

O lançamento está marcado para o próximo dia 5 de Março, na Universidade Nova de Lisboa, em Campolide, pelas 18H00. A apresentação está a cargo de Luís Vaz das Neves, Presidente do Tribunal da Relação de Lisboa.

 

Simultaneamente, será lançado o novo livro de Amadeu Ferreira, Velhice, que nos conta a história de um velho de 80 anos que vive nos anos 50 do século XX e que escreve sobre o que vai vendo. Transpõe para o papel as suas impressões sobre a sua aldeia, as pessoas e o que vai sentindo.

Retrato de Manuol Bandarra.jpg Aguarela de Manuel Bandarra - retirada do blogue do pintor, Cachicos

 

“E porque acredito que a rota escolhida pelo nosso Amigo Amadeu Ferreira é a mais maravilhosa aventura que a Humanidade pode viver, convido todos a entrar e a viajar neste sonho de Luz e de Paz!”

Luís Vaz das Neves, in O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira

 

Estão todos convidados!

Até lá! 

 

Buonas scubiertas!

 

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Créditos das imagens em  http://www.wook.pt/  e em http:almalusa.midaffair.net

 

Tenho muitos livros. Quando digo muitos, quero dizer que tenho mais do que o espaço da minha casa permite albergar. Por isso, existem colunas de livros em cima das mesas de apoio da sala e no escritório até o chão serve para arrumar aqueles que já não cabem nas prateleiras e armários.

 

Antes de o ano acabar fiz uma escolha, porque há livros que sei que não voltarei a ler e outros que já não têm qualquer relevância na minha vida, como sejam os livros técnicos. Dei alguns a algumas amigas e os restantes continuam à espera do seu destino. Pensei em inscrever-me numa feira de velharias para os vender a um preço meramente simbólico, mas depressa percebi que não tenho jeito algum para este tipo de actividades. Resta-me a opção de os dar (que é a opção que mais me agrada) para alguma instituição que necessite de livros para jovens cidadãos dos 6 aos 100 anos. É algo que irei procurar fazer junto da Câmara Municipal ou da Junta de Freguesia da minha residência.

 

Apesar de ter muitos livros, o ano de 2014 não foi rico em páginas lidas ou vistas – porque há livros que requerem outro tipo de leitura que não se prenda com as letras. Todavia, tenho seis livros que marcaram o meu ano. São eles:

 

«Norteando» - Um livro de fotografia de Luís Borges com textos em português e mirandês de Amadeu Ferreira. O projecto nasceu no Facebook e juntou as fotografias que Luís Borges foi tirando nas suas deambulações pelos caminhos ermos do Norte e que Amadeu Ferreira, à sua maneira tão autêntica, foi interpretando. O sucesso foi tal que passou para um livro bastante completo e lindo.

 

 

«Pintando com a Luz» - É um livro de imagens lindas captadas pelo olhar sensível de Pedro Tavares, um homem dedicado à fotografia desde jovem e um autodidacta que viu neste hobby um espaço para dar asas à sua criatividade e a oportunidade de dar a conhecer a sua forma de olhar o mundo. As fotografias levam-nos para várias latitudes, dando-nos a conhecer paisagens e pormenores belíssimos do nosso planeta. Em boa hora a Alma Lusa deitou à estampa este trabalho, também disponível em suporte digital.

 

 

«As mulheres da Fonte Nova» - é um romance da Alice Brito de tal forma bem escrito que agarra o leitor desde a primeira página. A acção decorre em Setúbal, sendo que a cidade é a principal personagem, por assim dizer, do romance. Retratando a vida de duas mulheres nascidas no ambiente de miséria (de meios e de espírito) dos anos 30 e 60 do século XX daquela cidade dominada pelos interesses da indústria pesqueira, bem como de outras que com elas se vão cruzando, a autora consegue uma narrativa forte e realista, com alguns apontamentos de humor, a que se junta um sólido conhecimento histórico.

 

 

«A mulher que venceu D. Juan» - é um romance de Teresa Martins Marques que, à semelhança do anterior, prende o leitor desde a primeira linha. Li-o em dois dias. Uma narrativa forte que mistura personagens fictícias com pessoas reais. As situações descritas neste romance são, em boa medida, reais. No lançamento do livro, a autora frisou porque iniciara este romance no Facebook, deixando a plateia boquiaberta. A história começa com um telefonema de uma amiga a pedir-lhe uns minutos para lhe falar. Era urgente. O assunto prendia-se com os maus-tratos infligidos pelo marido. Depois de uma ameaça feita pelo delator à autora, esta, decidida a enfrentá-lo dá início a esta fantástica narrativa.

 

Escrito de forma brilhante, repleto de pormenores sobre a arquitectura portuguesa, bem como de menções a autores e obras vários, este romance dá-nos a conhecer três estereótipos donjuanescos: Amaro Fróis, cirurgião plástico, procura nas mulheres a vingança de um passado tenebroso; Manaças, serial lover, recalca uma pulsão proibida; Joana (a Doña Juana) que colecciona os namorados das amigas.

 

A protagonista, Sara Dornelas, escapa à morte ajudada pelo seu motorista, Joaquim, que há muito vigiava os passos do Dr. Amaro Fróis que sabia ser de má índole e que leva a patroa a fazer uma denúncia na polícia. O comissário Paulo, perante as evidências do caso, toma diligências no sentido de afastar Sara o mais possível da sua cidade, o Porto, confiando-a à guarda da psicóloga Lúcia, que assumirá um papel importante neste enredo.

 

Entretanto, o leitor vai também conhecendo Manuela, a sobrinha de Lúcia que está a fazer uma tese sobre o «Diário de um Sedutor», de Kierkegaard, um trabalho que vai fazendo a ponte entre a parte teórica do tema do donjuanismo e a acção, pelo que este romance é duplamente aconselhável. Uma trama forte, bem concebida que não deixa ninguém indiferente. Uma lição de vida retratada pela coragem e pela renovação do amor-próprio.

 

Uma última nota relativamente à capa do livro - muito bem escolhida, na minha opinião. «O Beijo» -  assim se chama o quadro de Klimt que reveste este romance - é visto por muitos como um quadro romântico, que dignifica o amor, mas na verdade a obra retrata a mulher submissa, dominada pelo seu amante num cenário intimo. Uma escolha certeira e perspicaz.

 

 

«Inês de Portugal» - de João Aguiar é um livro que nos conta a mais romântica e trágica história de amor de um monarca português, D. Pedro I, com D. Inês de Castro, uma dama galega (no Museu de Arte Antiga está um quadro representando D. Inês a suplicar pela vida a D. Afonso IV que recomendo). A história é sobejamente conhecida, mas aqui é reconstruída pela mão do mestre João Aguiar.

 

Sinopse:

Castelo de Santarém, num dia do ano de Cristo de 1359.

Enquanto El-Rei D. Pedro I corre a caça pelos compôs, os seus conselheiros Álvaro Pais e João Afonso Tello esperam com sombria ansiedade a chegada de dois prisioneiros, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho, dois dos «matadores» de Inês de Castro (o terceiro, Diogo Lopes Pacheco, logrou fugir e refugiou-se em França). A esses homens havia sido solenemente prometido perdão, mas o Rei, decidido a vingar a única mulher que amou, quebrou o juramento feito, e agora eles vêm, debaixo de ferros, a caminho de Santarém.

 

 

«Delicioso Piquenique» - de Isabel Zibaia Rafael que já nos habituou a trabalhos de grande qualidade. Foi com alegria que assisti ao lançamento de mais este projecto da Isabel, autora do sobejamente conhecido blogue «Cinco Quartos de Laranja», no Verão do ano passado.

 

Repleto de receitas maravilhosas, este manual da comida para fora de casa, traz também vários conselhos e sugestões. Destaco a salada de beldroegas com mozarela, figos e salmão fumado por ter todos os ingredientes que mais aprecio. Mas não só, pois, todo o livro é uma inspiração com receitas que apetece fazer, provar e dar a provar.

 

 

É com doçura e carinho que termino este post dedicado às minhas leituras do ano que passou. Com energia renovada, espero que o ano que agora começa me proporcione muitos mais momentos de boa leitura e de aprendizagem.

 

Boas leituras!

Bom Ano Novo!

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«Qualquer coisa de bom» para ler

por Paula, em 18.06.14

Lula recordou as palavras da mãe: «Quando quiseres dar mimo a alguém, faz-lhe um belo risotto giallo.» Achou que era um bom prato para aquecer o coração daqueles homens desesperados. Colocou em cima de uma mesa os ingredientes de que precisava e depois começou a cortar a cebola branca em pequenos dados. Deitou-os numa caçarola com um fio de azeite e deixou-os fritar até ficarem loiros. Depois deitou por cima uns punhados de arroz e esperou que ficasse translúcido antes de o regar com um borrifo generoso de vinho branco.

 

Nesse momento, alguns rostos curiosos assomaram à entrada da cozinha. Aqueles homens tinham encontrado um refúgio naquele sítio, nunca tinham sentido um perfume tão agradável e apetitoso. Lula não reparou neles, pois estava demasiado concentrada na preparação do risotto.

 

Manteve o lume vivo durante uns minutos para que o álcool do vinho evaporasse, e depois deitou na caçarola umas colheres de caldo a ferver, que tinha obtido desfazendo um cubo de caldo de carne em água quente. Mexeu tudo delicadamente até que o arroz atingiu o grau de cozedura ideal e, nesse momento, juntou o açafrão.

 

Desligou o fogão e deixou repousar o risotto durante uns minutos.

 

Depois despejou na caçarola um pacote de parmesão ralado e começou a mexer os grãos inchados e amarelos como pétalas de girassol.

 

Só então viu os homens parados à porta da cozinha, sem ousarem entrar.

 

Qualquer coisa de bom - livro

Créditos da imagem: http://www.fnac.pt

 

«Qualquer coisa de bom», de Sveva Casati Modignani, é um romance que nos transporta para o mundo dos sabores, dos aromas e da paixão pela cozinha aliada à vontade de ajudar os outros.

 

Sveva Casati Modignani é o pseudónimo de um casal de autores italianos: Bice Cairati e Nullo Cantaroni (já falecido). Enquanto ela é a autora da história e “mãe” das personagens, ele era o crítico e o angariador das receitas.

 

Bice acredita que a cozinha tem verdadeiramente «implicações psicológicas na forma como afecta o ser humano, de forma que se torna até uma espécie de elemento na medicina: uma pessoa pode curar-se comendo e bebendo». Para ela, o fascínio da culinária está no momento em que «uma mulher se coloca em frente do forno e se torna numa espécie de alquimista, aquele que sonha transformar em ouro um conjunto de metais. Ela transforma num prato o que, á partida, são simples ingredientes. Mesmo quando se prepara uma gelatina de frutos silvestres, olha-a e imagina um cristal de diferentes cores. É por esta razão que o trabalho na cozinha é muito gratificante, além de que permite descobertas sucessivas: o que ficará melhor com o quê, que sabor originará uma determinada mistura…»*

 

 

Sinopse:

A leitura do testamento de Alessandra Pluda Cavalli vai provocar um tremendo choque ao seu marido, Franco, e aos seus três filhos. A parte mais substancial do património vai na verdade para Ludovica Magnasco, porteira do prédio em que vive a família Cavalli. Ludovica, a quem todos chamam Lula, sente-se igualmente perturbada por este legado, cujo significado não consegue alcançar. Lula, que tem tido a sua conta de adversidades, é amada e respeitada por todos os moradores do prédio graças à sua inteligência e bom carácter. Mas tal não é suficiente para explicar o que terá levado Alessandra a deixar-lhe aquela fortuna. Certamente que não foram as pequenas delicadezas com que por vezes Lula a agraciava, nem tão-pouco as confidências que trocavam. A explicação, que tem as suas raízes num segredo de família desde sempre guardado com zelo, afecta-a e perturba-a, mas não altera as suas convicções: o dinheiro só nos ajuda a viver melhor se o usarmos também para nos tornarmos úteis ao próximo. A indicar-lhe o caminho certo está agora o acaso, que cruza o seu destino com o do fascinante Guido Montini, um reputado veterinário dedicado a acções de voluntariado. Juntos formam um casal magnífico e têm a possibilidade de fazer algo de verdadeiramente bom...

 

Com este romance, Sveva Casati Modignani presenteia os leitores com uma história em que os momentos dramáticos se alternam com momentos de humor subtil e passagens plenas de ternura e nostalgia, mas onde prevalece sobretudo uma sincera solidariedade para com quem nos rodeia e mais precisa de nós.

 

Este foi um dos livros mais agradáveis que li e cuja leitura recomendo vivamente. A particularidade de associar a cozinha às emoções e à aprendizagem de viver é o que me prende à obra da autora.

 

Bom apetite e boas leituras!

 

 

*Excerto de entrevista concedida pela autora à revista Lux Woman

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Scones e um livro especial

por Paula, em 14.07.13

 

Scones d'avó 2

 

Apesar de o ano não ser o melhor para a agricultura, a boa sorte trouxe-nos boa batata, feijão, courgettes e, ao que parece, tomate coração-de-boi, que, apesar de ainda não dar para colher, já me traz a esperança de um doce caseiro e saboroso. Com scones fica maravilhoso. Ganha vida e dá alento a quem o prova ao pequeno-almoço ou num lanche tranquilo.

 

 

INGREDIENTES

 

(para 12 unidades)

 

450 g de farinha com fermento

80 g de manteiga cortada em cubos

3,10 dl de leite (mais um pouco para pincelar)

 

PREPARAÇÃO

 

  1. Aquecer o forno a 200ºC. Untar e polvilhar com um pouco de farinha um tabuleiro para ir ao forno.
  2. Peneirar a farinha para um recipiente largo.
  3. Incorporar a manteiga na farinha, com as mãos, até obter uma massa areada fina.
  4. Fazer uma cova no centro da massa e juntar 2,5 dl de leite. Misturar bem com uma espátula de metal até obter uma massa homogénea. Acrescentar mais leite, se necessário.
  5. Colocar a massa numa superfície de trabalho, levemente polvilhada com farinha e amassar um pouco (sem ser demasiado para que os scones não fiquem duros).
  6. Moldar a massa com cerca de 2 cm de espessura e colocá-los no tabuleiro, deixando um intervalo de cerca de 1 cm entre eles.
  7. Pincelar os scones com um pouco de leite e levar ao forno por 20 minutos ou até ficarem dourados.
  8. Deixar arrefecer um pouco numa rede e servir com compotas, doces ou manteiga. 

 

Scones d' avó

 

Os scones são uma delícia e tão rápidos e simples de fazer que apetece tê-los na mesa todos os dias.   

 

Esta receita foi retirada de um livro mimoso sobre cozinha caseira, a minha favorita, e que eu associo sempre a comida de conforto. É um livro de que gosto bastante e do qual já tenho retirado várias receitas que tenho feito cá em casa, sempre com sucesso. Para além das receitas, o "Cozinha da Avó", dá várias sugestões sobre economia e organização caseiras no âmbito, é claro, da culinária. No final, tem ainda um capítulo dedicado às técnicas básicas de cozinha. Trata-se de um mimo que faz parte do meu universo de livros que não dispenso. Para mim, é um livro essencial, já que não sou perita nas artes da culinária. Estou a aprender e é, acima de tudo, por isso que existe este blogue.

Livro

Créditos da fotografia: www.fnac.pt

 

 

 

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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Depois de uma correria hercúlea para chegar a Benfica, consegui o tão desejado autógrafo da Carina Costa, a melhor cake designer portuguesa e uma das melhores da Europa.

 

É uma verdadeira artista. A sua criatividade está plasmada nos seus dois livros. Dois trabalhos excelentes. Está ligada desde o início à única escola credenciada em Portugal pela Wilton (EUA) e pela PME (Reino Unido), a "Isto Faz-se". Esta escola desenvolveu uma pasta de açúcar diferente da usual pasta americana - a pasta portuguesa. É mais fácil de trabalhar, tanto na cobertura do bolo como na elaboração de figuras, e é duplamente mais barata, no sentido em que tem um custo efetivamente mais barato e pelo facto de se poder utilizar apenas um tipo de pasta para a cobertura e para a modelagem. Para além disso, é mais aromática. É a única pasta com que gosto de fazer bolos decorados e tenho imenso orgulho por ser portuguesa.

 

  

 

O livro "Meses Doces - Bolos para Celebrar" está cheio de sugestões, dicas, moldes e técnicas de modelagem e pintura fantásticas. Mesmo quem nada saiba sobre decoração de bolos, ficará com vontade de experimentar e verificará que, ao seguir o livro, esta arte afinal não é tão difícil. Fica o aviso de que é viciante e excelente para o desenvolvimento da criatividade. Esta época é ótima para dar-mos asas à nossa imaginação e fazer um bolo diferente para colocar na mesa. Por isso, este é o "Livro do Mês" aqui no blogue (uma rubrica que estava parada mas que regressa agora).

 

A Carina incutiu-me o gosto pela decoração de bolos. O que inicialmente era apenas curiosidade, transformou-se em paixão durante o primeiro workshop que fiz com ela. O meu primeiro (e até agora único) Wonky Cake - o que está na fotografia de perfil deste blogue - foi feito durante esse workshop.

 

Fiquei encantada com a sua dedicatória. Revela bem o seu espírito. Senti-me inspirada e sorri ao ler aquelas palavras tão maravilhosas que, no fundo, se encaixam em cada um de nós. O sonho comanda a vida e basta tê-lo para que a vida seja mais sorridente e feliz.

 

"Sonha. Diverte-te e a magia acontece."

 

Bons sonhos com muita cor e magia!

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Frango com Caril

por Paula, em 26.11.12

 

 

Frango com Caril

 

Já dizia a Minnie, no filme "As Serviçais", que o frango é o remédio para todos os males. Traz conforto, é saudável e adapta-se a todas as ocasiões. Pode ser de aviário - o menos recomendado - ou do campo. Distingue-se da galinha pelo tempo de criação. Ao fim de dois meses, o frango (do campo) está pronto a ser utilizado. A galinha, por sua vez, já pôs ovos e conta com 12 a 15 meses de criação. A distinção faz-se facilmente pela cor e textura da carne. O primeiro é tenro e de cor mais clara; a segunda tem uma carne escura, mais dura e fibrosa.

 

O caril está associado à cozinha indiana e asiática. De cor intensa e apelativa, este consiste numa mistura de pimenta, malagueta, coentros, cominhos, açúcar de cana e curcuma (também conhecido por açafrão-da-índia).

 

A inspiração para a sugestão de hoje veio do caril. Procurava uma receita que me deixasse feliz. Ao vasculhar a minha estante de livros, encontrei um dedicado exclusivamente ao frango. E lá estava, no "Receitas Simples & Rápidas" (frango), da Euro Impala, aquela que me agradou. Tomando em conta os ingredientes existentes na despensa, adaptei-a e fiquei muito feliz com o resultado.

 

Frango com Caril

 

INGREDIENTES

(Serve 4)

1 frango 

1 cebola

1 dente de alho

0,5 dl de azeite

1 lata de coco em conserva (utilizei leite de coco) 

300 g de miolo de camarão

1 c. de sopa de caril em pó

2 dl de natas

1 ramo de coentros (não usei)

300 g de arroz

Sal e pimenta q.b.

 

 

PREPARAÇÃO

1 - Arranjar o frango e cortá-lo em pedaços. Temperar com sal e pimenta.

2 - Cortar e picar a cebola finamente, assim como o alho. Corar em azeite.

3 - Juntar o frango e deixar cozinhar durante 10 minutos.

4 - Juntar o leite de coco, o miolo de camarão e o caril.

5 - Adicionar as natas. Envolver tudo muito bem.

6 - Rectificar o tempero e salpicar com os coentros picados.

7 - Servir com arroz branco cozido em água e sal.

 

Nesta receita, substituí o coco cortado em juliana por leite de coco e não utilizei os coentros. De todo o modo, a receita resultou muito bem. O molho ficou cremoso, sem ser em exagero, saboroso e o prato exalava um aroma cativante a caril que me transportou para outra dimensão geográfica.

 

Quanto ao livro, consiste numa boa opção. O preço é muito convidativo, mesmo para as bolsas mais modestas, não ocupa muito espaço na estante ou na cozinha e acaba por ser uma fonte de inspiração muito digna.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

 

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A autora do blogue "Cinco Quartos de Laranja" vai lançar o livro (tão esperado!) de receitas. Quem segue o blogue da Isabel Rafael, sabe que o aquele será de grande qualidade porquanto as suas sugestões são sempre convidativas para um bom momento passado à mesa.

 

Eu, que já experimentei várias das suas receitas, estou felicíssima com este lançamento.

 

Pois, a partir de amanhã, dia 20 de outubro, poderemos procurá-lo nas prateleiras das nossas livrarias. O lançamento é da responsabilidade da editora "Marcador" que em boa hora pegou neste fantástico projeto que é o "Cinco Quartos de Laranja" e o transformou em papel.

 

Estou ansiosa para ter o meu exemplar.

 

Parabéns, Isabel, e bem-haja por mais este mimo que nos deixas! {#emotions_dlg.happy}

 

 Boas compras, melhores leituras e excelentes descobertas em torno dos aromas da cozinha! {#emotions_dlg.beja}

 

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Bolinhos de açúcar

por Paula, em 30.10.12

 

Momentos doces numa tarde bem passada em torno da cozinha e dos afetos que se querem sinceros e genuínos. É no seio da família que se encontram os ingredientes para trabalhar a massa que somos. Ela é, ainda, o reduto mais desejado ao fim do dia.

 

 

Ingredientes:

200 g de farinha sem fermento

Pitada de sal

2 colheres de chá de fermento em pó

115g de manteiga sem sal, à temperatura ambiente

225g de açúcar granulado fino

1 ovo, ligeiramente batido

1/4 de colher de chá se essência de baunilha

60 g de açúcar mascavado

 

Preparação:

1. Peneirar a farinha, o sal e o fermento em pó. Bater a manteiga até obter uma massa uniforme. Gradualmente, juntar o açúcar à manteiga, batendo sempre até obter um creme esbranquiçado. Adicionar o ovo aos poucos, batendo bem entre cada adição. Juntar a essência de baunilha e misturar.

2. Juntar a farinha ao preparado anterior e mexer bem. Cobrir a massa com película aderente e refrigerar durante 15 minutos, ou até que fique firme.

3. Quando a mistura estiver bem firme, moldar num rolo com cerca de 5 cm de diâmetro. Envolver em em película aderente, torcendo as pontas para selar bem. Colocar novamente a massa no frigorífico durante 10 minutos. Findo este tempo, desembrulhar e passar pelo açúcar mascavado até cobrir, deixando as extremidades intactas. Colocar no frigorífico até que volte a ser necessária.

4. Aquecer o forno até 180.ºC. Barrar dois tabuleiros de ir ao forno com manteiga derretida ou liquida. Cortar rodelas de massa de 4 cm de espaço entre si. Levar ao forno durante 12 a 15 minutos, ou até ficarem douradas, deixando arrefecer sobre uma grade.

 

 

 

A massa pode ser congelada até 4 semanas, moldada em rolo. Para a utilizar, basta cortá-la às rodelas, ainda congelada. Os bolos podem ir ao forno ainda congelados, sendo que o tempo de cozedura será maior.

 

Esta receita foi retirada do livro "Le Cordon Bleu - Receitas Caseiras - Biscoitos". Esta escola é sempre uma grande inspiração para os profissionais, mas, também, para quem é apenas curioso. Trata-se de uma coleção editada por pequenos volumes, a um preço acessível, e que vieram valorizar a "biblioteca culinária" cá de casa.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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