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Cebolas, para que vos quero...

por Paula, em 26.09.15

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Se a vida me dá cebolas, não choro. Pelo contrário, sorrio perante o leque de receitas que posso fazer com elas. Imagino logo uma sopa de cebola, com um delicioso queijo a derreter por cima, bem ao estilo francês; um bife de cebolada apuradinho, bem português; um chutney, a lembrar o estilo britânico; ou simplesmente cruas, em saladas, ao estilo italiano ou grego. Existem tantas receitas que seria um pecado chorar por me ver perante um bom carrego de cebolas.

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CHUTNEY DE CEBOLA ROXA

(Receita de Linda Brown, retirada do livro Conservas)

 

INGREDIENTES

2 c. de sopa de azeite

1 kg de cebolas roxas, descascadas e cortadas em rodelas ou meias-luas

Sal e pimenta preta q.b.

150 ml de vinho tinto

3 c. de sopa de vinagre balsâmico

3 c. de sopa de vinagre de vinho branco

6 c. de sopa de açúcar amarelo

 

PREPARAÇÃO

Numa panela de fundo reforçado, deitar o azeite e adicionar a cebola. Temperar com sal e pimenta. Deixar cozinhar em lume brando até a cebola amolecer, durante 20 minutos, mexendo de vez em quando para que não agarre.

 

Depois, aumentar ligeiramente o lume, e regar com o vinho e os vinagres. Mexer para misturar tudo. Deixar levantar fervura e depois baixar novamente o lume. Nessa altura, adicionar o açúcar e deixar cozinhar por mais 30 a 40 minutos, mexendo de vez em quando.

 

Finalmente, retirar a panela do lume, provar e rectificar temperos, se necessário. Colocar em frascos, com tampas não metálicas, esterilizados e aquecidos. Deixar arrefecer e guardar no frigorífico durante um mês.

 

Na altura de o abrir, tenha por perto um bom queijo, figos e um bom vinho para acompanhar. Pode ainda ser servido com terrines ou carnes frias.

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 Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

 

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Coisas simples com Pablo Neruda

por Paula, em 04.05.14

 

Flores do campo

 

Chegar numa tarde ou num dia qualquer

Às aldeias humildes onde ninguém espera,

Onde o perfume das flores, beijos de primavera

Nos recebe e nos faz pulsar o coração

 

Na emoção singela das coisas pequenas

que sabem ser doces, nos parecem risonhas

atrás do encanto ingénuo da tarde que sonha

ou do dia que arqueia da sua canção.

 

Cansaço inútil o nosso na bruma de olvido

que tecem as fragâncias das flores de ninho

num encantamento de amor e de bondade!

 

E sentirmo-nos humildes pequenos e malditos

pela estrada ilusória de nossos longos gritos

no quebranto da fatalidade.

 

Pablo Neruda, "As aldeias humildes" in Cadernos de Temuco

 

Açorda com filetes de cavala

 

AÇORDA COM FILETES DE CAVALA

 

INGREDIENTES

 

500g de pão saloio de véspera, cortado em pedaços

0,5L de água

3 dentes de alho, laminados

100 ml de azeite

1 ramo de coentros, picados, + algumas folhas para finalizar

2 ovos

Sal e pimenta q.b.

2 latas conserva de filetes de cavala em óleo

 

PREPARAÇÃO

 

Colocar o pão num recipiente e cobrir com água. Deixar a demolhar um pouco.

 

De seguida, fazer o refogado deitando o azeite num tacho seguido do alho. Deixar alourar ligeiramente e juntar alguns coentros.

 

Adicionar o pão e a água, temperar com sal e pimenta e envolver bem no refogado. Deixar cozer. Nesta fase, poder-se-á juntar mais alguns coentros frescos.

 

Juntar os ovos e envolver no preparado. Finalizar com as restantes folhas de coentros e com as filetes de cavala.

 

Conserva de filetes de cavala

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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Conserveira de Lisboa

por Paula, em 15.04.14

Praça do Comércio - Lisboa

Casa dos Bicos - LisboaBaixa de Lisboa

Cais das Colunas - Lisboa

1 - Praça do Comércio em Lisboa; 2 - Casa dos Bicos, onde se situa a Fundação José Saramago; 3 - Vista para a Sé de Lisboa; 4 - Cais das Colunas

 

A semana passada o Notas Soltas & Coisas Doces esteve dedicado às conservas, tendo já em vista os bons frutos que o Verão nos trará, sob a forma de charcutaria e de conservas condimentadas.

 

Todavia, são várias as formas de conservar alimentos. Estas abrangem o tradicional escabeche – que utiliza o vinagre -, a fumagem – hoje mais desaconselhada devido à presença de agentes nocivos para a saúde -, a congelação, a salga, a cura, a secagem, os doces, a charcutaria e as conservas condimentadas. Cada forma de conserva tem um ou mais agentes naturais que ajudam à conservação. São eles, exemplificativamente, o sal, o açúcar, o azeite, óleos, vinagres, álcool e outras gorduras.

 

Para enriquecer este capítulo das conservas, nada melhor do que fazer uma visita à antiga e bem conhecida Conserveira de Lisboa.

 

Conserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

1 a 11 - Conserveira de Lisboa

 

A antiga Mercearia do Minho nasceu em 1930, sendo que em 1942 passou a denominar-se Conserveira de Lisboa, nome que ainda mantém. Trata-se de uma casa de comércio tradicional dedicada, como o próprio nome indica, às conservas. Detém três marcas próprias: Tricana, Prata do Mar e Minor.

 

Mantém a traça tradicional da loja dos anos 30 do século passado e tem o já raro atendimento personalizado. Por isso, pode dizer-se que é uma verdadeira jóia de Lisboa.

 

 

Praça do Comércio - LisboaLisboa

1 - Praça do Comércio; 2 - Chafariz D'el Rey

 

Localizada numa zona característica da Baixa de Lisboa, na Rua dos Bacalhoeiros, n.º 34, esta pérola dos sabores lusos dá ao seu visitante não apenas a oportunidade de saborear as melhores conservas e azeites do País, como proporciona também um excelente passeio por aquela zona da cidade. Ali próximo poderá visitar o Museu do Fado, a icónica Casa dos Bicos que hoje é o lar da Fundação José Saramago, um dos prémios Nobel da Literatura, a lindíssima Praça do Comércio com as esplanadas viradas para o Tejo e o romântico Cais das Colunas que recebe o rio de braços abertos.

 

 


 
 

Para chegar, poder-se-á utilizar o Metro e sair na Praça do Comércio se se for pela linha azul; se a opção for a linha verde, dever-se-á sair na Baixa/Chiado. Para levar o carro, o melhor é deixá-lo ficar no estacionamento do Campo das Cebolas. Os autocarros que passam ali próximo param na Praça do Comércio. Para uma sugestão mais turística, existe o tradicional eléctrico 28E, bem como o 18E e o 25E.

 

Bons passeios e excelentes descobertas!

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Chutney de figos

por Paula, em 11.04.14

Chutney de figos

 

Ainda em sintonia com as conservas, trago uma sugestão para se aproveitarem os maravilhosos e frágeis figos que o Verão nos traz. Desta feita, não se trata de uma receita tirada da boa e tradicional cozinha portuguesa, mas antes de uma inspiração das terras de Sua Majestade the Queen of England.

 

Os chutneys são preparados que combinam legumes, frutas frescas, frutos secos e especiarias. São cozinhados lenta e demoradamente até adquirirem uma consistência espessa e brilhante.

 

Ideais para acompanhar carnes frias e queijos, requerem do cozinheiro a sábia paciência até à primeira prova. De facto, desde que são cozinhados até à hora de se revelarem, devem passar cerca de dois meses. Só desta forma o sabor se revelará na sua plenitude. Se provados mais cedo, poder-se-á ter uma experiência desagradável, na medida em que o sabor não está ainda apurado. Por isso, é uma boa opção fazê-los com frutos do Verão e servi-los perto do Natal. Constituirão, certamente, uma boa surpresa na mesa natalícia.

 

Chutney de figos

 

INGREDIENTES

1 kg de figos, cortados em quartos

350g de maçãs, descaroçadas e cortadas em quartos

250g de cebola, cortada em fatias finas

125g de passas

300g de açúcar amarelo

1 c. de chá de sal

1 c. de chá de pimenta

1 c. de chá de canela

1 c. de coentros moídos

1 malagueta seca

1 c. de chá de sementes de funcho

600 ml de vinagre de sidra

 

PREPARAÇÃO

Deitar todos os ingredientes numa panela com fundo reforçado e deixar levantar fervura, mexendo até o açúcar dissolver.

 

Baixar o lume e deixar cozinhar durante cerca de 2 horas, tendo o cuidado de ir mexendo de vez em quando e mais amiúde para o final da cozedura para que não queime.

 

Para verificar se o chutney está pronto, passar a colher de pau no fundo da panela e se esta deixar marca, poderá desligar-se o fogão. Verificar se necessita de mais sal e ajustar, se necessário.

 

Colocar o preparado em frascos esterilizados, vedar bem e dispô-los sobre um pano de algodão, virados com a tampa para baixo, para que ganhem vácuo.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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Concentrado de tomate caseiro

por Paula, em 10.04.14

Concentrado de tomate caseiro

 

Quando a época do tomate está em alta, é hora de colocar as mãos a trabalhar para o aproveitar ao máximo. De entre os vários tipos de conservas, das quais se destacam os doces, esta é uma alternativa salgada que faz todo o sentido fazer. Um pouco de trabalho que rende muito. O Inverno será bem melhor se o tivermos na dispensa.

 

A receita e a confecção deste preparado, feito no Verão passado, são, mais uma vez, da minha mãe.

 

Concentrado de tomate caseiro

 

INGREDIENTES

Tomate q.b. (de preferência coração-de-boi)

Alho q.b.

Óleo q.b.

Louro

Ervas a gosto (manjericão, tomilho, etc.)

Sal q.b.

 

PREPARAÇÃO

Começar por escaldar o tomate. Retirar a pele e as sementes. De seguida, colocar num escorredor e deixar perder maior parte dos sucos. Depois, espremer bem o tomate.

 

É então altura de temperar com alho, louro, e ervas a gosto. Colocar em frascos esterilizados, pressionar e finalizar com óleo e uma boa camada de sal. Tampar bem e levar a ferver em água durante vinte minutos.

 

Deixar arrefecer com a tampa virada para baixo em cima de um pano de algodão para que ganhe vácuo e assim conserve melhor o preparado.

  

Malmequer primaverilConcentrado de tomate caseiro

 

Este concentrado é óptimo para utilizar em refogados, em marinadas, em assados, etc. Aconselha-se moderação no uso do sal quando se aplicar este preparado, pois por si já contem bastante.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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Pasta de pimento caseira

por Paula, em 09.04.14

Pasta de pimento caseira

 

Quando a Primavera nos sorri, sabemos que em breve o Verão chega e, com ele, a produção das nossas hortas aumenta. É o tempo do tomate, da courgette, do pimento, do feijão – enfim, um rol de bons produtos.

 

A quantidade que nos chega, quando o ano agrícola é bom, é por vezes superior à que se consegue consumir em tempo útil. Por isso, encontrar formas de conservar estes alimentos para que perdurem para além da estação e para que possam aplicar-se de diferentes formas na cozinha, é algo que as nossas avós bem sabiam fazer.

 

A minha sugestão de hoje é uma pasta simples e versátil, feita com pimentos vermelhos, que a minha mãe faz todos os anos e que depois distribui pela família.

 

INGREDIENTES

Pimentos vermelhos q.b.

Alho a gosto

Orégãos (facultativo)

Louro

Óleo q.b.

Sal q.b.

 

PREPARAÇÃO

Lavar e escaldar os pimentos. Tirar a pele e as sementes. Cortar em pequenos quadrados e deixar escorrer. Depois, triturar com a ajuda de uma varinha mágica. De seguida, temperar com alho, orégãos e louro.

 

Por fim, colocar o preparado em frascos esterilizados*, juntando então o óleo e cobrindo bem com sal. Tampar bem e levar os frascos a ferver em água numa panela durante 20 minutos.

 

Guardar em local seco e fresco. Depois de abertos devem conservar-se no frigorífico.

 

Esta pasta colorida pode aplicar-se depois em carnes, massas, peixe e preparados de forno.

 

 

*Nota: Para esterilizar os frascos, costumo lavá-los previamente na máquina de lavar louça. Depois, quando os vou utilizar, coloco-os numa panela com água a ferver e deixo-os cerca de 20 minutos, retirando-os de seguida com uma pinça com pontas de borracha para que não estalem com a diferença de temperatura. Disponho-os então, de gargalo virado para baixo, em cima de um pano de algodão bem limpo, onde acabam por secar. Poder-se-á ainda, depois destes passos, levá-los ao forno durante poucos minutos para que sequem bem, mas é facultativo.

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