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ConjuntoLivros2014.jpg

Créditos das imagens em  http://www.wook.pt/  e em http:almalusa.midaffair.net

 

Tenho muitos livros. Quando digo muitos, quero dizer que tenho mais do que o espaço da minha casa permite albergar. Por isso, existem colunas de livros em cima das mesas de apoio da sala e no escritório até o chão serve para arrumar aqueles que já não cabem nas prateleiras e armários.

 

Antes de o ano acabar fiz uma escolha, porque há livros que sei que não voltarei a ler e outros que já não têm qualquer relevância na minha vida, como sejam os livros técnicos. Dei alguns a algumas amigas e os restantes continuam à espera do seu destino. Pensei em inscrever-me numa feira de velharias para os vender a um preço meramente simbólico, mas depressa percebi que não tenho jeito algum para este tipo de actividades. Resta-me a opção de os dar (que é a opção que mais me agrada) para alguma instituição que necessite de livros para jovens cidadãos dos 6 aos 100 anos. É algo que irei procurar fazer junto da Câmara Municipal ou da Junta de Freguesia da minha residência.

 

Apesar de ter muitos livros, o ano de 2014 não foi rico em páginas lidas ou vistas – porque há livros que requerem outro tipo de leitura que não se prenda com as letras. Todavia, tenho seis livros que marcaram o meu ano. São eles:

 

«Norteando» - Um livro de fotografia de Luís Borges com textos em português e mirandês de Amadeu Ferreira. O projecto nasceu no Facebook e juntou as fotografias que Luís Borges foi tirando nas suas deambulações pelos caminhos ermos do Norte e que Amadeu Ferreira, à sua maneira tão autêntica, foi interpretando. O sucesso foi tal que passou para um livro bastante completo e lindo.

 

 

«Pintando com a Luz» - É um livro de imagens lindas captadas pelo olhar sensível de Pedro Tavares, um homem dedicado à fotografia desde jovem e um autodidacta que viu neste hobby um espaço para dar asas à sua criatividade e a oportunidade de dar a conhecer a sua forma de olhar o mundo. As fotografias levam-nos para várias latitudes, dando-nos a conhecer paisagens e pormenores belíssimos do nosso planeta. Em boa hora a Alma Lusa deitou à estampa este trabalho, também disponível em suporte digital.

 

 

«As mulheres da Fonte Nova» - é um romance da Alice Brito de tal forma bem escrito que agarra o leitor desde a primeira página. A acção decorre em Setúbal, sendo que a cidade é a principal personagem, por assim dizer, do romance. Retratando a vida de duas mulheres nascidas no ambiente de miséria (de meios e de espírito) dos anos 30 e 60 do século XX daquela cidade dominada pelos interesses da indústria pesqueira, bem como de outras que com elas se vão cruzando, a autora consegue uma narrativa forte e realista, com alguns apontamentos de humor, a que se junta um sólido conhecimento histórico.

 

 

«A mulher que venceu D. Juan» - é um romance de Teresa Martins Marques que, à semelhança do anterior, prende o leitor desde a primeira linha. Li-o em dois dias. Uma narrativa forte que mistura personagens fictícias com pessoas reais. As situações descritas neste romance são, em boa medida, reais. No lançamento do livro, a autora frisou porque iniciara este romance no Facebook, deixando a plateia boquiaberta. A história começa com um telefonema de uma amiga a pedir-lhe uns minutos para lhe falar. Era urgente. O assunto prendia-se com os maus-tratos infligidos pelo marido. Depois de uma ameaça feita pelo delator à autora, esta, decidida a enfrentá-lo dá início a esta fantástica narrativa.

 

Escrito de forma brilhante, repleto de pormenores sobre a arquitectura portuguesa, bem como de menções a autores e obras vários, este romance dá-nos a conhecer três estereótipos donjuanescos: Amaro Fróis, cirurgião plástico, procura nas mulheres a vingança de um passado tenebroso; Manaças, serial lover, recalca uma pulsão proibida; Joana (a Doña Juana) que colecciona os namorados das amigas.

 

A protagonista, Sara Dornelas, escapa à morte ajudada pelo seu motorista, Joaquim, que há muito vigiava os passos do Dr. Amaro Fróis que sabia ser de má índole e que leva a patroa a fazer uma denúncia na polícia. O comissário Paulo, perante as evidências do caso, toma diligências no sentido de afastar Sara o mais possível da sua cidade, o Porto, confiando-a à guarda da psicóloga Lúcia, que assumirá um papel importante neste enredo.

 

Entretanto, o leitor vai também conhecendo Manuela, a sobrinha de Lúcia que está a fazer uma tese sobre o «Diário de um Sedutor», de Kierkegaard, um trabalho que vai fazendo a ponte entre a parte teórica do tema do donjuanismo e a acção, pelo que este romance é duplamente aconselhável. Uma trama forte, bem concebida que não deixa ninguém indiferente. Uma lição de vida retratada pela coragem e pela renovação do amor-próprio.

 

Uma última nota relativamente à capa do livro - muito bem escolhida, na minha opinião. «O Beijo» -  assim se chama o quadro de Klimt que reveste este romance - é visto por muitos como um quadro romântico, que dignifica o amor, mas na verdade a obra retrata a mulher submissa, dominada pelo seu amante num cenário intimo. Uma escolha certeira e perspicaz.

 

 

«Inês de Portugal» - de João Aguiar é um livro que nos conta a mais romântica e trágica história de amor de um monarca português, D. Pedro I, com D. Inês de Castro, uma dama galega (no Museu de Arte Antiga está um quadro representando D. Inês a suplicar pela vida a D. Afonso IV que recomendo). A história é sobejamente conhecida, mas aqui é reconstruída pela mão do mestre João Aguiar.

 

Sinopse:

Castelo de Santarém, num dia do ano de Cristo de 1359.

Enquanto El-Rei D. Pedro I corre a caça pelos compôs, os seus conselheiros Álvaro Pais e João Afonso Tello esperam com sombria ansiedade a chegada de dois prisioneiros, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho, dois dos «matadores» de Inês de Castro (o terceiro, Diogo Lopes Pacheco, logrou fugir e refugiou-se em França). A esses homens havia sido solenemente prometido perdão, mas o Rei, decidido a vingar a única mulher que amou, quebrou o juramento feito, e agora eles vêm, debaixo de ferros, a caminho de Santarém.

 

 

«Delicioso Piquenique» - de Isabel Zibaia Rafael que já nos habituou a trabalhos de grande qualidade. Foi com alegria que assisti ao lançamento de mais este projecto da Isabel, autora do sobejamente conhecido blogue «Cinco Quartos de Laranja», no Verão do ano passado.

 

Repleto de receitas maravilhosas, este manual da comida para fora de casa, traz também vários conselhos e sugestões. Destaco a salada de beldroegas com mozarela, figos e salmão fumado por ter todos os ingredientes que mais aprecio. Mas não só, pois, todo o livro é uma inspiração com receitas que apetece fazer, provar e dar a provar.

 

 

É com doçura e carinho que termino este post dedicado às minhas leituras do ano que passou. Com energia renovada, espero que o ano que agora começa me proporcione muitos mais momentos de boa leitura e de aprendizagem.

 

Boas leituras!

Bom Ano Novo!

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