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«Qualquer coisa de bom» para ler

por Paula, em 18.06.14

Lula recordou as palavras da mãe: «Quando quiseres dar mimo a alguém, faz-lhe um belo risotto giallo.» Achou que era um bom prato para aquecer o coração daqueles homens desesperados. Colocou em cima de uma mesa os ingredientes de que precisava e depois começou a cortar a cebola branca em pequenos dados. Deitou-os numa caçarola com um fio de azeite e deixou-os fritar até ficarem loiros. Depois deitou por cima uns punhados de arroz e esperou que ficasse translúcido antes de o regar com um borrifo generoso de vinho branco.

 

Nesse momento, alguns rostos curiosos assomaram à entrada da cozinha. Aqueles homens tinham encontrado um refúgio naquele sítio, nunca tinham sentido um perfume tão agradável e apetitoso. Lula não reparou neles, pois estava demasiado concentrada na preparação do risotto.

 

Manteve o lume vivo durante uns minutos para que o álcool do vinho evaporasse, e depois deitou na caçarola umas colheres de caldo a ferver, que tinha obtido desfazendo um cubo de caldo de carne em água quente. Mexeu tudo delicadamente até que o arroz atingiu o grau de cozedura ideal e, nesse momento, juntou o açafrão.

 

Desligou o fogão e deixou repousar o risotto durante uns minutos.

 

Depois despejou na caçarola um pacote de parmesão ralado e começou a mexer os grãos inchados e amarelos como pétalas de girassol.

 

Só então viu os homens parados à porta da cozinha, sem ousarem entrar.

 

Qualquer coisa de bom - livro

Créditos da imagem: http://www.fnac.pt

 

«Qualquer coisa de bom», de Sveva Casati Modignani, é um romance que nos transporta para o mundo dos sabores, dos aromas e da paixão pela cozinha aliada à vontade de ajudar os outros.

 

Sveva Casati Modignani é o pseudónimo de um casal de autores italianos: Bice Cairati e Nullo Cantaroni (já falecido). Enquanto ela é a autora da história e “mãe” das personagens, ele era o crítico e o angariador das receitas.

 

Bice acredita que a cozinha tem verdadeiramente «implicações psicológicas na forma como afecta o ser humano, de forma que se torna até uma espécie de elemento na medicina: uma pessoa pode curar-se comendo e bebendo». Para ela, o fascínio da culinária está no momento em que «uma mulher se coloca em frente do forno e se torna numa espécie de alquimista, aquele que sonha transformar em ouro um conjunto de metais. Ela transforma num prato o que, á partida, são simples ingredientes. Mesmo quando se prepara uma gelatina de frutos silvestres, olha-a e imagina um cristal de diferentes cores. É por esta razão que o trabalho na cozinha é muito gratificante, além de que permite descobertas sucessivas: o que ficará melhor com o quê, que sabor originará uma determinada mistura…»*

 

 

Sinopse:

A leitura do testamento de Alessandra Pluda Cavalli vai provocar um tremendo choque ao seu marido, Franco, e aos seus três filhos. A parte mais substancial do património vai na verdade para Ludovica Magnasco, porteira do prédio em que vive a família Cavalli. Ludovica, a quem todos chamam Lula, sente-se igualmente perturbada por este legado, cujo significado não consegue alcançar. Lula, que tem tido a sua conta de adversidades, é amada e respeitada por todos os moradores do prédio graças à sua inteligência e bom carácter. Mas tal não é suficiente para explicar o que terá levado Alessandra a deixar-lhe aquela fortuna. Certamente que não foram as pequenas delicadezas com que por vezes Lula a agraciava, nem tão-pouco as confidências que trocavam. A explicação, que tem as suas raízes num segredo de família desde sempre guardado com zelo, afecta-a e perturba-a, mas não altera as suas convicções: o dinheiro só nos ajuda a viver melhor se o usarmos também para nos tornarmos úteis ao próximo. A indicar-lhe o caminho certo está agora o acaso, que cruza o seu destino com o do fascinante Guido Montini, um reputado veterinário dedicado a acções de voluntariado. Juntos formam um casal magnífico e têm a possibilidade de fazer algo de verdadeiramente bom...

 

Com este romance, Sveva Casati Modignani presenteia os leitores com uma história em que os momentos dramáticos se alternam com momentos de humor subtil e passagens plenas de ternura e nostalgia, mas onde prevalece sobretudo uma sincera solidariedade para com quem nos rodeia e mais precisa de nós.

 

Este foi um dos livros mais agradáveis que li e cuja leitura recomendo vivamente. A particularidade de associar a cozinha às emoções e à aprendizagem de viver é o que me prende à obra da autora.

 

Bom apetite e boas leituras!

 

 

*Excerto de entrevista concedida pela autora à revista Lux Woman

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3 comentários

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De Margarida a 04.07.2014 às 13:01

Adorei!
Aprecio a leitura e esta é uma boa sugestão.
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De Paula a 05.07.2014 às 09:03

Bom dia Margarida, :-)

Muito obrigada pela sua visita.

Eu também aprecio muito a leitura. Dos trabalhos que li da Sveva - quatro ao todo - este foi o que mais me marcou pelo tema central da história. Outro que também gostei de ler foi «A Viela da Duquesa». Se tiver oportunidade, veja o livro.

Espero receber notícias das suas leituras.;-)

Paula
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De Margarida a 05.07.2014 às 16:31

Obrigada pela sugestão! Ótima para levar para férias.
Depois, dar-lhe-ei notícias.
Bjs

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