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Budapeste, de Chico Buarque

por Paula, em 23.05.15

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 “(…) Budapeste, cortada por um rio. O Danúbio, pensei, era o Danúbio mas não era azul, era amarelo, a cidade toda era amarela, os telhados, o asfalto, os parques, engraçado isso, uma cidade amarela, eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, mas Budapeste era amarela.”

 

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Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira.”

 

Budapeste cativou-me logo pelo nome. Quando entrei na livraria, recém-chegada da capital húngara, os meus olhos caíram, por mero acaso, naquele livro que parecia estar à minha espera. Não sabia de que tratava, nem tão pouco fazia ideia dos trabalhos do autor na área da literatura, confesso. Não foi, pois, a curiosidade sobre a obra realizada pelo autor, mas antes o nome da cidade impressa como título que me levou a pegar nele e a folheá-lo. Depois, sim. A primeira frase arrancou-me um sorriso inesperado e o meu coração deu um pulo. Era como se ele, o autor, me conhecesse e soubesse que eu iria passar por aquele sobressalto de querer aprender, sem razão e quase de forma obsessiva, aquela que “segundo as más-línguas, é a única língua do mundo que o diabo respeita”. Aquele arranque do livro era eu naquele momento a querer desbravar uma língua nova apenas porque me apaixonei pela sua sonoridade. E quando mais ninguém compreendia, Chico Buarque de Hollanda sabia, conhecia, e soube descrever a minha angústia. É o feitiço da língua húngara.

 

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"Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo, mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava e até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio com uma faca. Aos meus ouvidos, o húngaro poderia ser mesmo uma língua sem emendas, não constituída de palavras, mas que se desse a conhecer só por inteiro.”

 

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SINOPSE

Budapeste conta-nos a estória de José Costa, um escritor anónimo pago para produzir artigos de jornal, discursos políticos, cartas de amor, monografias e autobiografias romanceadas que outros assinam.

 

Um dia, regressando de um congresso de escritores anónimos em Istambul, é obrigado a fazer uma escala forçada em Budapeste. Fascinado pela língua magiar, José Costa retorna à capital húngara, passando a ser Zsose Kósta, e tornando-se amante de Kriska, a sua professora. A obsessão de dominar completamente o novo idioma leva-o a viver num tresloucado vaivém entre o Rio de Janeiro, onde vive a sua mulher, e Budapeste, onde passa a viver com Kriska.

 

No Rio de Janeiro, José atinge o auge da sua carreira com o best-seller involuntário, O Ginógrafo, “autobiografia” forjada do empresário alemão Kasper Krabbe, que aprendeu a escrever o português no corpo nu das mulheres. Em Budapeste acaba por escrever Os Tercetos Secretos em nome de um poeta, Kocsis Férenc, em franca decadência.

 

Budapeste é a história de um escritor dividido entre duas cidades, duas mulheres, dois livros e duas línguas, uma intrigante, e por vezes divertida, especulação sobre identidade e autoria.

 

O romance foi adaptado ao cinema num filme realizado por Walter Carvalho, onde participam os actores portugueses Ivo Canelas e Nicolau Breyner, com Leonardo Medeiros, Giovanna Antonelli e Gabriella Hámori nos principais papéis.

 

 

DO AUTOR

Chico Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro, em 1944. É mais conhecido pelos seus trabalhos como cantor e como compositor. Como escritor, publicou as peças Roda Viva (1968), Calabar (1973), Gota d’Água (1975) e Ópera do Malandro (1979) já exibida em Portugal. É, ainda, autor da novela Fazenda Modelo (1974) e dos romances Estorvo (1991), Prémio Jobuti 1992, Benjamin (1995), Budapeste (2003), Prémio Jobuti 2004, Leite Derramado (2009), Prémio Jobuti e Prémio PT de Literatura 2010, e mais recentemente de O Irmão Alemão.

 

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"Tenho esse ouvido infantil que pega e larga as línguas com facilidade, se perseverasse poderia aprender o grego, o coreano, até o vasconço. Mas o húngaro, nunca sonhara aprender."

 

Boas leituras!

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