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Budapeste: Turul do Palácio Real 

Palácio Real: Turul, a ave mítica, esculpida em bronze, celebra os mil anos da conquista magiar (896)

 

O início do ano é sempre tempo de balanços e de traçar novos objetivos. Para mim, o ponto alto do ano que findou foi marcado pela viagem a Praga, Viena e Budapeste. Esta última cidade marcou-me de tal forma que decidi regressar. As paixões não se explicam, acontecem.

 

Budapeste - Palácio Real: portão do Escadório HabsburgoBudapeste - Palácio Real: Porta do Escadório Habsburgo

Palácio Real: portal do Escadório HabsburgoBudapeste: Palácio Real - gradeamento do Escadório Habsburgo

Palácio Real: portão do Escadório Habsburgo

 

No dia em que regressei a Budapeste cheguei ao hotel por volta das 16h00. Depois de arrumar tudo, pensei em ir até ao Bairro do Castelo de Buda (Budái Vár) porque foi um dos locais que ficou por visitar da primeira vez. Mas numa súbita viragem de planos, decidi ir ao cinema e visitar umas livrarias que ficavam no centro comercial perto do hotel. Foi uma boa decisão. Ir ao cinema na Hungria foi uma boa experiência. Ao contrário de cá, as pessoas respeitam o início do filme e sabem comer pipocas. Nas livrarias encontrei bons livros e um vasto leque de escolhas. Comprei um dicionário de bolso de português-húngaro e húngaro-português, que me tem sido muito útil, e alguns filmes de adaptações da obra de Jane Austen, que não consegui encontrar por cá, a € 6 os dois filmes, sendo que um contém dois dvd's.

 

Budapeste - Széll Kálman térBudapeste - placa no Bairro do CasteloBudapeste - Bairro do Castelo: Correios

1 - Széll Kálmán tér; 2 - Placa da rua do Palácio; 3 - Edifício dos correios no Bairro do Castelo

 

É engraçado sentir o ritmo da cidade quando vamos com mais calma e mais tempo para vermos o que queremos. Assim, no dia seguinte, depois de comprar , no quiosque dos jornais, uma carteira de 10 bilhetes para os transportes, que icnclui o metro, autocarro e elétrico, a € 1,50 cada,  apanhei o elétrico (villamos) e depois o minibus 16 (várbusz) até ao Bairro do Castelo que fica no cimo da colina de Buda. Esta é uma área praticamente pedonal. O referido autocarro passa em Peste, na Praça Roosevelt, e em Buda podemo-lo apanhar na Praça (tér) Széll Kálmán, onde convergem vários transportes. Mas para quem estiver no lado Peste, recomendo atravessar a Ponte das Correntes até à Clark Adám tér e subir pelo jardim do Palácio ou utilizar o Funicular (sikló). No Budái Vár podemos visitar o Palácio Real, onde se encontram a Galeria Nacional da Hungria, o Museu de História de Budapeste, o Palácio Sandór, residência oficial do Primeiro-Ministro, o Labirinto e o Funicular. É também naquele Bairro que encontramos a Igreja Matias e o Bastião dos Pescadores, de onde se tem uma vista magnífica sobre o Danúbio e sobre Peste, avistando-se a Ponte das Correntes, o Palácio Gresham, a Basílica de S. Estevão, a Ponte Isabel, o Parlamento e a Ilha Margarida.

 

Budapeste - Palácio Real

Budapeste: Barcos no DanúbioBudapeste: Ponte das Correntes

Budapeste - Palácio Real e Ponte das CorrentesBudapeste - Palácio Real e Ponte das Correntes

Budapeste - Labirinto no Palácio Real

 

Visto de Peste, o Palácio Real aparece soberbo com o seu Turul a vigiar toda a cidade como que a prevenir outras invasões. Esta ave mítica, esculpida em bronze, celebra os mil anos da conquista magiar, em 896. As varandas do Palácio parecem debruçar-se com curiosidade sobre o Danúbio ovando a vida que nele passa. Barcos de vários tamanhos cruzam-se levando e trazendo turistas e locais embalados numa dança perfeita ao som imaginário da Valsa do Danúbio Azul, de Strauss (filho). Outros, permanecem numa preguiça doce nas margens do rio como que a chamar os transeuntes para um café, um copo de bom vinho ou de palinka, demorado, contrariando a pressa das águas agitadas do rio.

 

Budapeste - estátua de Eugénio de Sabóia

Budapeste - Estátua de Eugénio de SabóiaBudapeste - pátio do Palácio Real

Budapeste - pátio do Palácio RealBudapeste: Turul do Palácio Real

1 e 2 - Estátua de Eugénio de Sabóia; 3 e 4 - Pátio do Palácio Real; 5 - Turul e zimbrório do Palácio Real de estilo neoclássico

 

O Palácio Real é, na verdade, uma amálgama de vários edíficios. Talvez seja aquele que mais mudanças e peripécias sofreu ao longo da história húngara. O primeiro documento escrito data de 1255. Trata-se de uma missiva do rei Béla IV sobre a sua construção. Ao longo de vários séculos o Palácio foi ganhando formas inspiradas nos distintos movimentos que marcaram os diversos reinados, desde o gótico de Sigismundo de Luxemburgo, passando pelo renascentismo de Matias e pela influência dos Habsburgos. Seria destruído durante a Segunda Guerra Mundial, em Fevereiro de 1945, e reconstruído mais tarde. Durante os trabalhos de reconstrução descobriram-se as ruinas do palácio gótico mandado erigir por Sigismundo, cujas muralhas e aposentos estão agora a descoberto. No pátio norte, econtramos uma linda estátua do rei Matias Corvino - a Fonte Matias -, uma obra de Alajos Stróbl (1904), que representa o amor impossível entre o rei e Ilonka, uma camponesa que conhece durante uma caçada.

 

Budapeste - Palácio SandórBudapeste - entrada do funicular junto ao Palácio Sándor

Budapeste: interior do FunicularBudapeste - vista do Funicular pela Clark Adám tér

Budapeste - entrada do funicular pela Clark Adám térBudapeste - Fonte Matias

1 - Palácio Sandór; 2 - Entrada do Funicular pelo Palácio Real; 3 - Interior do Funicular;

4 - Entrada do Funicular pela Clark Adám tér; 5 - Brazão à entrada do Funicular; 6 - Fonte Matias

 

A Galeria Nacional da Hungria, criada em 1957, acolhe a arte húngara desde a Idade Média até ao século XX, em especial a época de Secessão - movimento que tentou quebrar com o romantismo do século XIX, procurando novas inspirações no passado distante, nomeadamente nas cores vivas da arte popular transilvana. É um movimento marcado pela cor, por formas excêntricas e estilizadas, abrangendo várias formas de arte visuais e decorativas. Um dos edíficios do movimento sessionista é o Palácio Gresham que encontramos junto à Ponte das Correntes e que hoje é o Hotel Four Seasons.

 

A Galeria, recebe-nos com um quadro lindíssimo de Pierre-Joseph Verhagen (1728 - 1881) representando a coroação rei Estevão pelo Papa (1770).  Para além deste, aqueles que mais me marcaram foram: um quadro de Szöny István (Ùfpest, 1894 - Zebegény, 1960) intitulado "Crossing the Danube", de 1960, "Woman on the Shore" (1897), de Ivány Grünwald Béla (1867 - 1940) e "Piquenique em Maio" (1873), de Szinyei Merse. Não gostei da exposição no último andar por a achar muito agressiva. Os bilhetes não são caros (1200 Ft) e vale a pena passar um hora naquele espaço.

 

Budapeste - Galeria Nacional HungaraCrossing the Danube - pintura de Szönyi István

Budapeste: Esplanada do Palácio Real

Da esquerda para a direita: 1 - "Piquenique em Maio", de Szinyei Merse; 2 - Galeria Nacional da Hungria;

3 - "Crossing the Danubio", de Szönyi István

 

Depois de visitar a Galeria, recomendo que tome um café, ao fim da tarde, na esplanada do Palácio. A vista para a Ponte das Correntes é muito bonita, embora não seja a mais alargada. Depois de comer uma salada que estava ótima, tomei o meu café voltada para a Ponte. Ali estava eu absorta na contemplação daquela obra magnífica, do escocês Clark Adám, quando vejo o Palácio Gresham, a Basílica e a Ponte das Correntes a iluminarem-se. Recebiam, assim, o entardecer. Para ter uma vista mais abrangente do rio àquela hora, corri até ao pátio do Funicular. Ali, pude avistar, refletidos no rio, o Parlamento e as diversas pontes que ligam Buda a Peste. Um espetáculo de luz gradual, lindo e romântico.

 

Budapeste - Ponte das CorrentesBudapeste - Parlamento avistado do Palácio Real

Budapeste - vista do Palácio Real

1 - Ponte das Correntes e Palácio Gresham; 2 - Parlamento; 3 - Ponte Isabel (Sisi)

 

O regresso ao hotel acabou por se tornar numa pequena aventura, por minha culpa, claro. Decidi que regressaria a pé. Depois de me ter enganado na paragem do autocarro, voltei a cometer o mesmo erro. Eu queria apanhar o minibus de regresso à Széll Kármán tér e daí seguir a pé. Enquanto aguardava pelo minibus, no lado direito da praça que fica por detrás do Palácio, depois de já ter estado na paragem errada, vi o motorista parar no lado oposto da rua. Pensando que estava enganada outra vez, atravessei a praça e perguntei-lhe qual era a paragem correta e qual seria o melhor caminho para regressar ao hotel. Este, num inglês perfeito, indicou-me o caminho, mas aconselhou-me a apanhar o elétrico. Disse-me para entrar e para não me preocupar com o bilhete. Este episódio trouxe-me à memória um indêntico que se passou cá. Tinha nove anos e pouca noção do percurso dos transportes. Certo dia, estava na paragem e fiz sinal para ao motorista do autocarro parar. Para me certificar que apanhava o transporte correto, perguntei qual era o percurso do mesmo, pronunciando mal o nome da localidade para onde pretendia ir. O motorista respondeu-me uns impropérios, fechou a porta e arrancou, deixando-me ali. A diferença...

 

Voltando a Budapeste, entrei no autocarro e o motorista arrancou, parando na paragem onde estive, o que me deixou duplamente embaraçada: primeiro, eu estava no sítio certo; segundo, dei ar de espertinha ao passar à frente das outras pessoas. Na última paragem, voltou a dar-me indicações sobre como chegar ao hotel. Com um ar preocupado, voltou a referir que devia apanhar o elétrico. 

 

Assim que saí da estação, virei na direção errada. Depois de andar algum tempo, verifiquei que estava a andar para trás. A rua, com pouca iluminação, não inspirava segurança e eu só pensava que era uma tonta. Uns metros à frente, vejo uns senhores a jogar malha e uma senhora com uma criança atravessava o parque. Perguntei-lhe que direção deveria tomar para encontrar a Krisztina tér. Com as suas indicações cheguei à praça, mas voltei a enganar-me. Agora já estava assutada, embora visse algumas pessoas a passar com sacos da mercearia. Com calma, lá encontrei de novo a rua pretendida e quando avistei o hotel, senti-me em casa.

 

Canção interpretada por Osondor Kata, "Add tovább" (Passá-lo)

 

 
Sziá!
 
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