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Era uma vez um ratinho que se chamava Sebastião e que vivia numa casinha junto ao rio Tejo. Sebastião gostava de ali viver porque tinha comida durante todo o ano. No Inverno, o senhor João e a D. Maria, acendiam a lareira que lhe aquecia o quartinho situado por cima do forno a lenha. Durante o dia, podia subir ao telhado para avistar o rio e à noite gostava de ficar ali a olhar para as estrelas no céu.

 

No quintal havia várias árvores de fruto, mas a sua favorita era a nogueira. O senhor João e a D. Maria não se importavam que ele tirasse algumas nozes para guardar para o Inverno. Quem se arreliava era o Chiquito, o cão de guarda. O seu pêlo amarelo ficava todo em pé e os dentes grandes bem à mostra. Assustava toda a gente! Até a Estroina, a cobra que no Verão se tinha instalado no buraco da parede do depósito de água, para caçar o Sebastião, fugiu com medo. Tal proeza deixou o velho cão de guarda todo empertigado. 

- Um dia destes também corro contigo, Sebastião! – rosnava o Chiquito para o pequeno ratinho.

Sebastião até lhe estava grato por ele ter corrido com a Estroina, mas não gostava nada destas ameaças. Até aqui tinham conseguido conviver minimamente bem. O Sebastião não passava junto à casota do Chiquito e, quando este andava à solta, nem se atrevia a sair do quartinho. Quando o fazia, espreitava primeiro pelo ralo da saída de água para saber onde ele andava.

 

O resto do Verão foi tranquilo. Gaspar e Teresa, os melros que também viviam no quintal, tinham construído uma casa no topo da laranjeira e tiveram uma cria, o Samuel. O senhor João e a D. Maria deliciavam-se a vê-los por ali. Não interferiam na sua vida mas, mesmo assim, o Gaspar tinha o cuidado de se esconder sempre que trazia comida para o seu filhote. Pensava que lha podiam roubar e se o Samuel não comesse a horas, ficava rabugento.

- Parabéns, Gaspar! Tens aí um belo rapaz! - declarou Sebastião.

- Obrigada, Sebastião! E tu, quando é que tens um rebento?

- Ora, ora… Ainda não encontrei uma rapariga com quem queira casar... - dizia o Sebastião, corando ao mesmo tempo que tentava disfarçar o seu embaraço.

 

Samuel cresceu e ganhou forças para abandonar o ninho. Primeiro, saltou para um ramo, depois para outro e finalmente deu um pulo para o chão. Depois deu um voo pequenino e depois outro e mais outro e conseguiu chegar novamente a casa. Gaspar e Teresa estavam escondidos a observá-lo e abraçaram-se orgulhosos do seu pequenote. Em breve deixaria a casa dos pais. Sebastião também presenciara a cena e ficara muito feliz pelos seus amigos.

 

O Verão estava a terminar e Sebastião começou a guardar alguns frutos para o Inverno. Estava ele de volta de uma ameixa, quando reparou que na outra ponta do quintal a Amarela, a osga mais velha das redondezas, olhava com curiosidade para a videira que se esticava delicadamente para cima do muro e do tecto da capoeira das galinhas.

- O que se passa Amarela? É a Estroina outra vez?

- Não -  sussurrou a Amarela -, acho que desta vez tens companhia. Está aqui uma rapariga parecida contigo. Vem cá ver.

Sebastião largou a ameixa e correu para junto da Amarela.

- Oh! Mas o que se passa? Está a dormir?

- Não, está ferida. Não vês!? Tens que a levar e cuidar dela.

- Eu!? Não posso! Não sei cuidar de ninguém! – exclamou assustado o Sebastião.

- Sabes sim - retorquiu a Amarela -, vá lá! Leva-a e dá-lhe de comer e de beber. Ela precisa de descansar para se restabelecer.

Resignado, Sebastião levou-a para o seu cantinho, aconchegou-a e cuidou muito bem dela. Passaram uns dias e ficou a saber que ela se chamava Clara. Era tão bonita, simpática e bem-educada que Sebastião nunca mais a largou. Clara, por sua vez, ficara tão feliz por conhecer o Sebastião que já nem se lembrava do ataque da Estroina.

 

Casaram no Outono. Foi uma festa linda! A bicharada andou toda num alvoroço. Todos ajudaram na preparação do casamento e todos contribuíram com uma pequena lembrança para o jovem casal. Até o Chiquito se esqueceu que não queria ali o Sebastião e escreveu ao Pai Natal a pedir uns cobertores novos e uns gorros para os rebentos que iriam nascer no Inverno. Queria que estivessem bem fortes na Primavera para brincarem com ele.

 

Chegou a noite de Natal e Sebastião tinha convidado toda a gente para a ceia. O Chiquito estava nervoso. Ia ser o padrinho de um dos bebés e não sabia se a sua carta tinha chegado a tempo. Comeram e brincaram durante toda a noite. Depois, já cansados, foram dormir. Na sua casota, Chiquito pensava no que teria acontecido ao Pai Natal. Ainda não tinha aparecido e o dia já estava a nascer novamente. Se calhar não tinha recebido a sua carta.

- Oh!... O que é que eu faço? - suspirou o Chiquito.

De repente começa a ouvir uns sininhos ao longe. Levantou-se e correu para o telhado. Foi então que avistou umas luzinhas sobre o Tejo. Era o Pai Natal!!!

O trenó pousou no terraço e o Pai Natal abeirou-se da chaminé, mas quando ia a descer, ficou preso!

- Upsss! Outra vez!… Não é possível!

- Posso ajudar, Pai Natal? - perguntou entusiasmado o Chiquito.

- Ora viva, Chiquito! Claro que sim. Fico-te muito agradecido. Fiquei muito contente por me teres escrito. Tenho o que pediste para o Sebastião e também tenho uma pequena lembrança para ti. Foi o Sebastião que me pediu. Podes deixar estes quatro pacotes no quartinho dele, por favor?

- Sim, claro!

Chiquito deu uma corrida para deixar os presentes e pegou no pacote de nozes que o Sebastião tinha deixado para o Pai Natal junto à grande pinha de Natal. Na sua opinião, as nozes faziam melhor do que as bolachas.

 

O Pai Natal despediu-se e partiu para ir entregar o resto das prendas. Já sozinho, Chiquito apressou-se a abrir a sua prenda. Sorriu ao ver o que Sebastião lhe tinha encomendado… uma manta muito quentinha para ele se aquecer no Inverno. Aconchegou-se nela e finalmente adormeceu.

 

Sebastião e Chiquito ficaram amigos para sempre e todos os anos escrevem ao Pai Natal para pedir prendas um para o outro. Nunca pedem nada para si porque acham que têm a melhor prenda do mundo: a sua sincera e incondicional amizade.

 

FIM

 

*Esta história foi escrita no ano passado para um dos elementos mais novos da família participar num concurso de contos de Natal, promovido pela biblioteca e escolas locais. Todas as personagens viveram (algumas sem serem convidadas) no quintal cá de casa. E o "Sebastião" que se instalou no Cinco Estrelas das Galinhas (entenda-se, na capoeira), gostava mesmo de nozes. Foi por dar pela falta delas que percebi que tinha um "hóspede" no quintal. :-) Espero que tenham gostado.

Um Feliz Natal!

 
 
 
Ingredientes
(serve 4)
 
30 g de manteiga sem sal
1 cebola, cortada em pedaços
2 cenouras médias
1 pé de brócolo médio
3 maçãs Granny Smith ou semelhante, cortada aos pedaços
1 ramo de cheiros (usei salsa, tomilho e louro)
Caldo de galinha q.b.
Flor de sal e pimenta q.b.
 
 
Preparação
 
1. Derreta a manteiga numa panela média  e adicione a cebola. Cubra a panela com a tampa e deixe a cebola cozinhar suavemente até ficar translúcida.
2. Adicione as cenouras cortadas em rodelas, o pé de brócolos arranjado e as maçãs.
3. Tempere com a flor de sal e a pimenta e deixe cozinhar por uns instantes.
4. Junte o ramo de cheiros.
5. Cubra os legumes com o caldo de galinha e deixe levantar fervura. Reduza o lume e deixe cozinhar por 25 minutos ou até os legumes estarem tenros.
6. Retire o ramo dos cheiros e reduza a sopa a puré.
7. Sirva quente e guarnecida com nozes e algumas folhas de tomilho. Pode usar, em alternativa, natas ou créme fraiche.
 

 

Esta sopa foi inspirada numa receita constante do livro dedicado às sopas da coleção "Le Cordon Bleu - receitas caseiras". Foi uma boa uma surpresa. É uma sopa que fica leve e com uma textura sedosa que convida a repetir. Sobressai o sabor das maçãs e do tomilho. Se desejar um sabor menos intenso, use menos tomilho.
 
 
 
Bom apetite!
 
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4 comentários

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De Suzana a 22.12.2011 às 22:53

Paula,

Que história deliciosa sobre a amizade! Cá em casa os personagens "inconvenientes" e os que cá moram sem ser convidados também vão ganhando nomes e um lugar no nosso coração. Como é suposto nas casas bem vividas e na imaginação dos pequenos. ;)

Um beijo natalício*
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De Paula a 24.12.2011 às 10:29

Suzana,

Obrigada! :D Os mais novos gostaram desta pequena história.
Ao longo dos anos fomos tendo alguns personagens que se fizeram convidados. ;))) Mas nunca me tinha acontecido ficar sem nozes. :)
Um grande beijinho natalício! :D
Feliz Natal!
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De Susana Gomes (Gasparzinha) a 31.12.2011 às 13:18

Eu sou uma grande adepta de juntar fruta à sopa. E brócolos com maçã é sempre uma boa dupla.
:)
Bjs e desejo-t um 2012 cheio de sabor!
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De Paula a 31.12.2011 às 15:57

Foi a primeira vez que ousei colocar fruta na sopa. Gostei muito.

Obrigada, Susana! :)

Desejo-te também um ano de 2012 cheio de bons sabores! :)

Beijinhos.

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