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Risotto de morangos

por Paula, em 19.06.14

Risotto de morangos

 

Que um bom risotto é um bálsamo para alma, ninguém duvida. O que poucos saberão é do gosto incrível de um risotto com sabor a festa e a Verão.

 

Ligeiramente avinagrado e frutado, este prato é ideal para um jantar de amigos ou… para um momento mais romântico – a dois.

 

Morangos

 

 

INGREDIENTES

300 g de morangos, cortados em pedaços

2c. de sopa de açúcar

2 c. de sopa de vinagre de framboesa

1 cebola, picada

80 g de margarina

300 g de arroz arborio

2 dl de espumante ou champanhe

1,3 l (aproximadamente) de água a ferver

Sal q.b.

 

PREPARAÇÃO

Fazer uma marinada com os morangos, o açúcar e o vinagre de framboesa e reservar.

 

Num tacho largo, derreter uma parte da manteiga, adicionar a cebola e deixar alourar. De seguida, juntar o arroz e deixar fritar um pouco, mexendo sempre.

 

É então altura de refrescar com o espumante e deixar cozinhar sem parar de mexer até o arroz absorver praticamente todo o líquido.

 

Temperar com sal e adicionar a água aos poucos. Uma concha de sopa de cada vez, deixando que o arroz absorva o caldo entre cada adição.

 

Quando o arroz estiver cozido, juntar a restante manteiga e mexer bem. Por fim, juntar os morangos e a marinada e envolver.

 

Servir guarnecido com folhas de hortelã.

 

Risotto de morangos

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

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«Qualquer coisa de bom» para ler

por Paula, em 18.06.14

Lula recordou as palavras da mãe: «Quando quiseres dar mimo a alguém, faz-lhe um belo risotto giallo.» Achou que era um bom prato para aquecer o coração daqueles homens desesperados. Colocou em cima de uma mesa os ingredientes de que precisava e depois começou a cortar a cebola branca em pequenos dados. Deitou-os numa caçarola com um fio de azeite e deixou-os fritar até ficarem loiros. Depois deitou por cima uns punhados de arroz e esperou que ficasse translúcido antes de o regar com um borrifo generoso de vinho branco.

 

Nesse momento, alguns rostos curiosos assomaram à entrada da cozinha. Aqueles homens tinham encontrado um refúgio naquele sítio, nunca tinham sentido um perfume tão agradável e apetitoso. Lula não reparou neles, pois estava demasiado concentrada na preparação do risotto.

 

Manteve o lume vivo durante uns minutos para que o álcool do vinho evaporasse, e depois deitou na caçarola umas colheres de caldo a ferver, que tinha obtido desfazendo um cubo de caldo de carne em água quente. Mexeu tudo delicadamente até que o arroz atingiu o grau de cozedura ideal e, nesse momento, juntou o açafrão.

 

Desligou o fogão e deixou repousar o risotto durante uns minutos.

 

Depois despejou na caçarola um pacote de parmesão ralado e começou a mexer os grãos inchados e amarelos como pétalas de girassol.

 

Só então viu os homens parados à porta da cozinha, sem ousarem entrar.

 

Qualquer coisa de bom - livro

Créditos da imagem: http://www.fnac.pt

 

«Qualquer coisa de bom», de Sveva Casati Modignani, é um romance que nos transporta para o mundo dos sabores, dos aromas e da paixão pela cozinha aliada à vontade de ajudar os outros.

 

Sveva Casati Modignani é o pseudónimo de um casal de autores italianos: Bice Cairati e Nullo Cantaroni (já falecido). Enquanto ela é a autora da história e “mãe” das personagens, ele era o crítico e o angariador das receitas.

 

Bice acredita que a cozinha tem verdadeiramente «implicações psicológicas na forma como afecta o ser humano, de forma que se torna até uma espécie de elemento na medicina: uma pessoa pode curar-se comendo e bebendo». Para ela, o fascínio da culinária está no momento em que «uma mulher se coloca em frente do forno e se torna numa espécie de alquimista, aquele que sonha transformar em ouro um conjunto de metais. Ela transforma num prato o que, á partida, são simples ingredientes. Mesmo quando se prepara uma gelatina de frutos silvestres, olha-a e imagina um cristal de diferentes cores. É por esta razão que o trabalho na cozinha é muito gratificante, além de que permite descobertas sucessivas: o que ficará melhor com o quê, que sabor originará uma determinada mistura…»*

 

 

Sinopse:

A leitura do testamento de Alessandra Pluda Cavalli vai provocar um tremendo choque ao seu marido, Franco, e aos seus três filhos. A parte mais substancial do património vai na verdade para Ludovica Magnasco, porteira do prédio em que vive a família Cavalli. Ludovica, a quem todos chamam Lula, sente-se igualmente perturbada por este legado, cujo significado não consegue alcançar. Lula, que tem tido a sua conta de adversidades, é amada e respeitada por todos os moradores do prédio graças à sua inteligência e bom carácter. Mas tal não é suficiente para explicar o que terá levado Alessandra a deixar-lhe aquela fortuna. Certamente que não foram as pequenas delicadezas com que por vezes Lula a agraciava, nem tão-pouco as confidências que trocavam. A explicação, que tem as suas raízes num segredo de família desde sempre guardado com zelo, afecta-a e perturba-a, mas não altera as suas convicções: o dinheiro só nos ajuda a viver melhor se o usarmos também para nos tornarmos úteis ao próximo. A indicar-lhe o caminho certo está agora o acaso, que cruza o seu destino com o do fascinante Guido Montini, um reputado veterinário dedicado a acções de voluntariado. Juntos formam um casal magnífico e têm a possibilidade de fazer algo de verdadeiramente bom...

 

Com este romance, Sveva Casati Modignani presenteia os leitores com uma história em que os momentos dramáticos se alternam com momentos de humor subtil e passagens plenas de ternura e nostalgia, mas onde prevalece sobretudo uma sincera solidariedade para com quem nos rodeia e mais precisa de nós.

 

Este foi um dos livros mais agradáveis que li e cuja leitura recomendo vivamente. A particularidade de associar a cozinha às emoções e à aprendizagem de viver é o que me prende à obra da autora.

 

Bom apetite e boas leituras!

 

 

*Excerto de entrevista concedida pela autora à revista Lux Woman

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Tarte de folhas de videira

por Paula, em 17.06.14

Videiras

 

Das videiras sei que são bonitas, frondosas e refrescantes. Gosto do corte das folhas a lembrar saias para usar na praia ou numa tarde soalheira a que se junta um copo de vinho para completar o quadro. E as cores? Verdes claras quando rebentam, verdes escuras no Verão e no Outono tornam-se numa paleta de amarelos, laranjas e castanhos, como que a aquecer o ambiente e a forrar o chão para receberem as primeiras chuvas e as mãos que as irão vindimar.

 

Delas, cristalizo ainda nos sentidos os frutos: bagos rosados ou dourados para saborear ou para ofertar a Baco. Mas não são só os frutos que têm lugar na mesa. Com as folhas também se faz uma refeição antiga, oriental e saborosa.

 

 

A receita é da parte turca do Chipre. Chegou ao meu conhecimento através do livro de Yotam Ottolenghi, O Novo Vegetariano, que contém 120 receitas originais desenvolvidas pelo autor para a coluna New Vegetarian da revista Guardian Weekend. Estas são bastante apelativas, fáceis de executar e óptimas para vegetarianos e não só. A ousadia, pelo exemplo que fica, é um traço da sua forma de abordar a culinária. Esta em particular é um clássico da cozinha turca que pode ser servido morno ou à temperatura ambiente como entrada ou como petisco.

 

 

INGREDIENTES

20 a 25 folhas de videira frescas e tenras

4 chalotas, picadas finamente

4 c. de sopa de azeite

20 g de manteiga sem sal, derretida

200g de iogurte grego, mais algum para servir

25g de pinhões, ligeiramente torrados

½ c. de sopa de estragão, picado finamente

2 c. de sopa de salsa, picada finamente

3 c. de sopa de endro, picado finamente

Raspa de 1 limão

1 c. de sopa de sumo de limão

70g de farinha de arroz

3 c. de sopa de pão ralado

Sal e pimenta-preta q.b.

 

PREPARAÇÃO

Aquecer o forno a 190.ºC.

 

Colocar as folhas de videira num recipiente e cobrir com água a ferver e deixar demolhar durante 10 minutos. De seguida, retiras as folhas, secá-las com um pano de cozinha. Com uma tesoura, aparar os pedaços duros na base das folhas.

 

Numa frigideira, deitar uma colher de sopa de azeite e saltear as chalotas durante 8 minutos. Deixar arrefecer.

 

Num prato de forno redondos dispor as folhas de videira, cobrindo o fundo e os lados, sobrepondo-as ligeiramente e permitindo que que passem acima do rebordo do prato.

 

Depois, misturar a manteiga derretida com 2 c. de sopa de azeite e utilizar cerca de 2/3 para pincelar generosamente as folhas que estão a forrar o prato.

 

De seguida, misturar as chalotas, o iogurte, os pinhões, as ervas aromáticas, a raspa e o sumo de limão. Temperar com sal e pimenta-preta a gosto. Juntar a farinha de arroz e mexer bem até obter uma pasta homogénea.

 

Espalhar o preparado uniformemente sobre as folhas que estão a forrar o prato. Dobrar as folhas para cima do recheio e cobrir com as restantes folhas de videira. Pincelar com a restante mistura de manteiga e azeite. Por fim, polvilhar com pão ralado e regar com a restante colher de sopa de azeite.

 

Levar ao forno durante 40 minutos ou até as folhas estarem estaladiças e o pão ralado estar dourado. Retirar do forno e deixar repousar por 10 minutos.

 

Servir com iogurte grego bem fresco.

 

 

Esta receita é bastante invulgar e revela-se uma agradável surpresa. No livro, Yotam Ottolenghi refere que esta tarte pode ser feita com folhas de videira em conserva. Como tenho videiras no quintal, decidi arriscar e tentar fazer uma conserva aproveitando as folhas que ainda estão tenras para utilizar noutra altura do ano. Em tempo darei nota do resultado e, se for bom, deixarei a receita.

 

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

 

 

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40 e então?

por Paula, em 13.06.14

 

Ontem foi dia de festa em Lisboa. Todavia, a minha ida à Avenida da Liberdade nada teve que ver com a celebração do dia de Santo António. Não. Sem me aperceber, comprei bilhete para assistir à peça “40 e então?” para a noite mais folclórica e animada da capital.

 

A bilheteira ainda estava encerrada quando cheguei ao Teatro Tivoli. Lá fora, a agitação já era muita: televisão, carros de apoio, bancadas, muitas pessoas – famílias inteiras, grupos de amigos, vendedores de manjericos e turistas – escolhiam o lugar para assistir ao tradicional desfile das Marchas de Lisboa. Ouvem-se os acordes da música que acompanha o primeiro bairro, mas permaneço onde estou, sentada nas escadas que dão acesso à sala de espectáculo. Quero rever três actrizes fabulosas em palco.

 

40 e então?

Créditos da imagem:http://www.uau.pt/

 

Dez anos depois, Ana Brito e Cunha, Fernanda Serrano e Maria Henrique regressam ao palco, depois do sucesso de “Confissões das Mulheres de 30” a que tive o imenso prazer de assistir, trazendo consigo muitas histórias com as quais qualquer mulher na idade da ternura se identifica. São histórias comoventes, divertidas, hilariantes e repletas de afectos, contadas por várias mulheres com vivências diferentes que ganham vida pelos sapatos que calçam: a mãe que deixa de ter nome para ser chamada apenas a mãe de X, mulher de y; a mulher que se vai divorciar depois de se dedicar ao mesmo homem desde a adolescência, a mulher que quer viver a sua sexualidade em pleno, a mulher que quer iniciar uma carreira aos 40! Sim, aos 40 e então? E muito, muito mais. É um espectáculo para todas as mulheres e, já agora, para os homens também.

 

40 e então?

Créditos da imagem:http://www.uau.pt/

 

Nesta peça, em cena no Teatro Tivoli, as actrizes dão voz a textos seus e das autoras Ana Bola, Helena Sacadura Cabral, Inês Maria Meneses, Leonor Xavier, Sílvia Baptista, Sónia Aragão, Rita Ferro e Rute Gil. A direcção é a da Sónia Aragão. Está em cena de quinta-feira a Sábado, às 21h30, e aos Domingos, às 16h30, sendo que os preços à quinta-feira têm o valor único de 10€, sem lugar marcado.

 

 

 

RISOTTO DE ABÓBORA E SALVA FRITA

 

Para completar a noite, um risotto fácil de confeccionar e absolutamente delicioso. A salva frita em manteiga é divina.

 

Risotto de abóbora e salva frita

 

 

INGREDIENTES

250ml de arroz arbóreo

1 chalota, picada

80 ml de vinho branco

200g de abóbora cortada em pequenos pedaços

Caldo de legumes ou água, q.b., quente

Manteiga q.b.

Queijo parmesão ralado q.b. (ou outro a gosto)

Folhas de salva a gosto

Sal e pimenta q.b.

 

PREPARAÇÃO

Num tacho, colocar o azeite e a cebola e deixar alourar. De seguida, juntar a abóbora e duas folhas de salva e deixar cozinhar um pouco. Temperar com sal e pimenta. Retirar as folhas de salva. Adicionar o arroz e deixar fritar ligeiramente. Refrescar com o vinho e deixar que este evapore.

 

É então altura de começar a adicionar o caldo de legumes, tendo como medida uma concha de sopa. Deverá juntar-se concha a concha e deixar que seja absorvido antes de adicionar a seguinte, até o arroz estar cozido.

 

Acrescentar um pouco de manteiga e o queijo. Envolver.

 

Numa frigideira, colocar a manteiga e cerca de seis folhas de salva. Fritar até as folhas até ficarem com um aspecto estaladiço. Finalizar o arroz com estas folhas e a manteiga. 

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

 

 

Na minha cabeça ainda ecoam algumas frases do espectáculo que, infelizmente, não consigo reproduzir com fidelidade: Aprendi que a cultura não é só cinema, teatro, leitura... aprendi que cozinhar algo de que gosto, conversar com a família ou ver o pôr-do-sol no meu terraço também me preenche. Aprendi que, aos quarenta, a vida ganha um fôlego diferente. Sim, aos 40 e então?

 

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