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Sopa gulyás com pastelinhos

por Paula, em 30.12.11

 

Budapeste - vista da Igreja Matias e do Bastião dos Pescadores da Ponte da Liberdade

Budapeste: a Igreja Matias e o Bastião dos Pescadores avistados da Ponte da Liberdade

 

A gastronomia húngara é caracterizada essencialmente pela paprica (pimentão), que encontramos à venda em vários lugares, e pela carne. Pode ser encontrada fresca (pimentões húngaros), seca, em pó (pimentão) ou em massa. Apresenta-se numa grande variedade de aromas e de intensidade. Em rigor, são sete as categorias que podemos experimentar: (i) especial - é doce e muito suave; (ii) suave - pouco picante; (iii) delicada - levemente picante; (iv) doce - doce mas muito aromática; (v) semi-doce - meio picante; (vi) rosada - picante; e (vii) picante, ou seja, forte.

 

Por não ser banhada pelo mar, o peixe é usado na cozinha húngara com parcimónia, em comparação com Portugal, sendo o peixe do rio, como a carpa, aquele que mais se encontra. Num passado recente, tentou-se introduzir o bacalhau no mercado que, por ser um peixe seco, poderia ser facilmente vendido. No entanto, a falta de informação sobre a forma de o cozinhar invalidou esta iniciativa.

 

sopa húngara goulash

 

O meu prato de eleição é a sopa gulyás (goulash). Assim que regressei a Portugal, fiz um jantar com a minha amiga Sandra, companheira da primeira viagem, sob o signo da cozinha húngara, em que o principal objetivo era reproduzir a sopa que tínhamos comido em Budapeste. No Bairro do Castelo (Budai Vár), comprei dois livros excelentes sobre a cozinha húngara a um preço simpático. Foi do trabalho de György Hargitai intitulado Cozinha húngara, publicado pela Média Nova, que retirei esta receita.

 

Livro de cozinha húngara 

Goulash no prato

 

 Ingredientes:

600 g de carne de vaca da chã ou da pá

1 cebola encarnada grande

3 dentes de alho

4 colheres de sopa de azeite

1 colher de sopa de paprica doce

Sal q.b.

1/2 colher de chá de sementes de alcaravia (não encontrei, por isso usei sementes de papoila)

1/2 colher de chá pimenta rosa em grão

1 tomate

1 pimentão húngaro - usei o forte

2 cenouras médias

1 cherivia média

600 g de batatas

1 ramo de salsa

 

Para os pastelinhos:

1 ovo

1/2 chávena de farinha sem fermento

Sal q.b.

 

Preparação:

1. Corte a carne em cubos médios.

2. Limpe e corte a cebola e o alho. Saltei-os em azeite juntamente com a carne até a carne ficar branca e a cebola dourada.

3. Junte a paprica, cubra com um pouco de água, e tempere com sal, sementes de alcaravia e a pimenta rosa (pode esmagá-los no almofariz).

4. Adicione o tomate em cubos e o pimento húngaro cortado em rodelas ou em tiras.

5. Deixe cozinhar a carne em lume brando, tapada, aproximadamente uma hora e meia, até ficar tenra. Tenha o cuidado de verificar a água de vez em quando. Sempre que preciso, junte mais água quente para não atrasar a cozedura.

6. Entretanto, prepare os restantes legumes. Descasque as cenouras, a cherivia e as batatas em cubos ligeiramente maiores que os de carne.

7. Acrescente os vegetais à carne cozinhada e cubra com 1/4 de água ou a gosto.

8. Levante o lume até ferver. Reduza-o novamente e deixe apurar até estar pronto.

9. Faça os pastelinhos juntando o ovo e a farinha e tempere com sal. Faça bolas do tamanho de ervilhas e junte-as à sopa deixando a cozinhar por 2 ou 3 minutos.

10. Retifique os temperos e guarneça com salsa picada.

 

Justiça seja feita a esta sopa. Nos dias de inverno aquece-nos a alma e conforta-nos o estômago. Preciosos são os passos e cada minuto que está ao lume. É com ela que abraço e acarinho a cozinha húngara cá em casa.

 

Canção interpretada por Csilla com poema de Kányádi Sándor (Ballag már

 

Pós-graduação do ano está de volta, olhando para trás, seguido por seu irmão mais novo vem, assobiando alegremente.

Recebendo o velho, e arcar com o ónus da tripulação para descolar, mas ainda apenas uma criança.

Andando em silêncio, e quando vem à meia-noite, um homem aperta a mão com uma história do futuro.

 

Bom apetite!

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Sziá!

 

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Um Natal com sabor a limão

por Paula, em 27.12.11

 

O que mais gosto no Natal é a azáfama na cozinha para conseguir que tudo esteja pronto a horas. Com tempo discute-se o que se vai fazer e as tarefas dividem-se como convém numa casa cheia. A mana mais nova faz o tradicional bolo-rei (ficou uma delícia), o arroz doce que nunca pode faltar, a mousse de chocolate e as rabanadas que tanto apreciamos - este ano foram feitas ao vapor. O mano junior  traz os brigadeiros e as tortas de que tanto gosta. A mana do meio faz o pudim de ovos, também tradição cá em casa. A avó faz as filhós. Os pais trazem as batatas, as couves, o vinho produzido com as uvas da horta situada num lindíssimo vale da Serra da Estrela e o peru para o dia de Natal. Tudo caseiro. Eu faço os sonhos, as azevias e um bolo decorado para colorir ainda mais a mesa. Este ano escolhi um bolo de limão, em jeito de agradecimento à boa forma do limoeiro. Mas é a minha mãe que faz o prato mais apetecido: a roupa velha. O bacalhau é presença assídua na nossa mesa e o almoço de Natal inclui sempre este prato dos humildes.  Eu diria que este é o ponto alto da nossa festa.

 

 

É disto que é feito o nosso Natal - momentos de convívio na cozinha e à volta da mesa, marcados pela alegria e a fantasia das crianças a que se juntam os adultos. É o retorno à infância numa viagem de sabores e de faz-de-conta.

 

 

Bolo de iogurte e limão

 

Ingredientes:

250 g de manteiga

1 1/4 de chávena de frutose (não usei açúcar)

Raspa da casca de 2 limões

5 ovos grandes

1 1/4 de chávena de iogurte grego

2 1/2 chávenas de farinha com fermento

1/2 colher de chá de sal

Manteiga para untar

 

Para a calda:

1 chávena de frutose

1/4 de chávena de água

Sumo de 2 limões

Casca de 2 limões (facultativo)

 

Preparação:

1. Aqueça o forno a 175.ºC. Coloque numa tigela a manteiga, a frutose e a raspa da casca de limão e bata tudo até obter uma mistura cremosa.

2. Adicione as gemas uma a uma, tendo o cuidado de reduzir a velocidade da batedeira. Junte o iogurte.

3. Junte ao preparado a farinha peneirada e o sal e mexa bem.

4. Bata as claras em castelo bem firme e envolva-as cuidadosamente na massa anterior.

5. Deite o preparado numa forma, previamente untada com manteiga e leve ao forno durante 50 a 60 minutos.

6. Prepare a calda. Leve a lume brando um tacho com a frutose, a água, o sumo e a casca de limão. Deixe cozer por 10 minutos. Depois de fria, passe a calda por um coador para retirar as cascas de limão que poderá utilizar na decoração do bolo.

7. Depois de cozido, retire o bolo do forno e deite-lhe por cima a calda, aos poucos, para o bolo ficar bem encharcado. Deixe-o absorver bem a calda e arrefecer. Desenforme-o para um prato de serviço.

8. Na hora de servir, decore o bolo comas tiras de limão e acompanhe com natas batidas aromatizadas com canela ou noz-moscada.

 

É um bolo que fica fresco. Recomendo apenas cautela no uso do sumo dos dois limões para fazer a calda porque o sabor fica muito intenso. Porque preferi decorar o bolo, não usei a calda directamente. Servi-a à parte para que cada um decidisse como queria a sua fatia. Por mim, fica bom das duas maneiras.   

 

Pela primeira vez substitui o açúcar por frutose para que todos pudessem comer sem grandes restrições e resultou muito bem. 

 

A receita foi retirada do livro "Bolos de todo o mundo", da Tamara Milstein. É um livro que nos leva numa viagem doce a quase todos os cantos do mundo.

 

Bom apetite!

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Culinária e música para crianças

por Paula, em 16.12.11

 

Há alguns dias atrás precorri várias livrarias à procura de livros de culinária para as minhas sobrinhas. Não encontrei. Em contrapartida, trouxe uns aventais e uns conjuntos de cortadores e outros utensílios para fazer bolos e bolachas. A ideia é fazer algumas sessões de culinária com as crianças. Eu sou de opinião que estas devem ser envolvidas, desde tenra idade, na preparação das refeições para que ganhem gosto pela culinária e respeito pela comida e por quem cozinha. Por isso, fico feliz por esta iniciativa que me parece encantadora e muito apelativa para os mais pequenos. Espero conseguir um exemplar!

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Era uma vez um ratinho que se chamava Sebastião e que vivia numa casinha junto ao rio Tejo. Sebastião gostava de ali viver porque tinha comida durante todo o ano. No Inverno, o senhor João e a D. Maria, acendiam a lareira que lhe aquecia o quartinho situado por cima do forno a lenha. Durante o dia, podia subir ao telhado para avistar o rio e à noite gostava de ficar ali a olhar para as estrelas no céu.

 

No quintal havia várias árvores de fruto, mas a sua favorita era a nogueira. O senhor João e a D. Maria não se importavam que ele tirasse algumas nozes para guardar para o Inverno. Quem se arreliava era o Chiquito, o cão de guarda. O seu pêlo amarelo ficava todo em pé e os dentes grandes bem à mostra. Assustava toda a gente! Até a Estroina, a cobra que no Verão se tinha instalado no buraco da parede do depósito de água, para caçar o Sebastião, fugiu com medo. Tal proeza deixou o velho cão de guarda todo empertigado. 

- Um dia destes também corro contigo, Sebastião! – rosnava o Chiquito para o pequeno ratinho.

Sebastião até lhe estava grato por ele ter corrido com a Estroina, mas não gostava nada destas ameaças. Até aqui tinham conseguido conviver minimamente bem. O Sebastião não passava junto à casota do Chiquito e, quando este andava à solta, nem se atrevia a sair do quartinho. Quando o fazia, espreitava primeiro pelo ralo da saída de água para saber onde ele andava.

 

O resto do Verão foi tranquilo. Gaspar e Teresa, os melros que também viviam no quintal, tinham construído uma casa no topo da laranjeira e tiveram uma cria, o Samuel. O senhor João e a D. Maria deliciavam-se a vê-los por ali. Não interferiam na sua vida mas, mesmo assim, o Gaspar tinha o cuidado de se esconder sempre que trazia comida para o seu filhote. Pensava que lha podiam roubar e se o Samuel não comesse a horas, ficava rabugento.

- Parabéns, Gaspar! Tens aí um belo rapaz! - declarou Sebastião.

- Obrigada, Sebastião! E tu, quando é que tens um rebento?

- Ora, ora… Ainda não encontrei uma rapariga com quem queira casar... - dizia o Sebastião, corando ao mesmo tempo que tentava disfarçar o seu embaraço.

 

Samuel cresceu e ganhou forças para abandonar o ninho. Primeiro, saltou para um ramo, depois para outro e finalmente deu um pulo para o chão. Depois deu um voo pequenino e depois outro e mais outro e conseguiu chegar novamente a casa. Gaspar e Teresa estavam escondidos a observá-lo e abraçaram-se orgulhosos do seu pequenote. Em breve deixaria a casa dos pais. Sebastião também presenciara a cena e ficara muito feliz pelos seus amigos.

 

O Verão estava a terminar e Sebastião começou a guardar alguns frutos para o Inverno. Estava ele de volta de uma ameixa, quando reparou que na outra ponta do quintal a Amarela, a osga mais velha das redondezas, olhava com curiosidade para a videira que se esticava delicadamente para cima do muro e do tecto da capoeira das galinhas.

- O que se passa Amarela? É a Estroina outra vez?

- Não -  sussurrou a Amarela -, acho que desta vez tens companhia. Está aqui uma rapariga parecida contigo. Vem cá ver.

Sebastião largou a ameixa e correu para junto da Amarela.

- Oh! Mas o que se passa? Está a dormir?

- Não, está ferida. Não vês!? Tens que a levar e cuidar dela.

- Eu!? Não posso! Não sei cuidar de ninguém! – exclamou assustado o Sebastião.

- Sabes sim - retorquiu a Amarela -, vá lá! Leva-a e dá-lhe de comer e de beber. Ela precisa de descansar para se restabelecer.

Resignado, Sebastião levou-a para o seu cantinho, aconchegou-a e cuidou muito bem dela. Passaram uns dias e ficou a saber que ela se chamava Clara. Era tão bonita, simpática e bem-educada que Sebastião nunca mais a largou. Clara, por sua vez, ficara tão feliz por conhecer o Sebastião que já nem se lembrava do ataque da Estroina.

 

Casaram no Outono. Foi uma festa linda! A bicharada andou toda num alvoroço. Todos ajudaram na preparação do casamento e todos contribuíram com uma pequena lembrança para o jovem casal. Até o Chiquito se esqueceu que não queria ali o Sebastião e escreveu ao Pai Natal a pedir uns cobertores novos e uns gorros para os rebentos que iriam nascer no Inverno. Queria que estivessem bem fortes na Primavera para brincarem com ele.

 

Chegou a noite de Natal e Sebastião tinha convidado toda a gente para a ceia. O Chiquito estava nervoso. Ia ser o padrinho de um dos bebés e não sabia se a sua carta tinha chegado a tempo. Comeram e brincaram durante toda a noite. Depois, já cansados, foram dormir. Na sua casota, Chiquito pensava no que teria acontecido ao Pai Natal. Ainda não tinha aparecido e o dia já estava a nascer novamente. Se calhar não tinha recebido a sua carta.

- Oh!... O que é que eu faço? - suspirou o Chiquito.

De repente começa a ouvir uns sininhos ao longe. Levantou-se e correu para o telhado. Foi então que avistou umas luzinhas sobre o Tejo. Era o Pai Natal!!!

O trenó pousou no terraço e o Pai Natal abeirou-se da chaminé, mas quando ia a descer, ficou preso!

- Upsss! Outra vez!… Não é possível!

- Posso ajudar, Pai Natal? - perguntou entusiasmado o Chiquito.

- Ora viva, Chiquito! Claro que sim. Fico-te muito agradecido. Fiquei muito contente por me teres escrito. Tenho o que pediste para o Sebastião e também tenho uma pequena lembrança para ti. Foi o Sebastião que me pediu. Podes deixar estes quatro pacotes no quartinho dele, por favor?

- Sim, claro!

Chiquito deu uma corrida para deixar os presentes e pegou no pacote de nozes que o Sebastião tinha deixado para o Pai Natal junto à grande pinha de Natal. Na sua opinião, as nozes faziam melhor do que as bolachas.

 

O Pai Natal despediu-se e partiu para ir entregar o resto das prendas. Já sozinho, Chiquito apressou-se a abrir a sua prenda. Sorriu ao ver o que Sebastião lhe tinha encomendado… uma manta muito quentinha para ele se aquecer no Inverno. Aconchegou-se nela e finalmente adormeceu.

 

Sebastião e Chiquito ficaram amigos para sempre e todos os anos escrevem ao Pai Natal para pedir prendas um para o outro. Nunca pedem nada para si porque acham que têm a melhor prenda do mundo: a sua sincera e incondicional amizade.

 

FIM

 

*Esta história foi escrita no ano passado para um dos elementos mais novos da família participar num concurso de contos de Natal, promovido pela biblioteca e escolas locais. Todas as personagens viveram (algumas sem serem convidadas) no quintal cá de casa. E o "Sebastião" que se instalou no Cinco Estrelas das Galinhas (entenda-se, na capoeira), gostava mesmo de nozes. Foi por dar pela falta delas que percebi que tinha um "hóspede" no quintal. :-) Espero que tenham gostado.

Um Feliz Natal!

 
 
 
Ingredientes
(serve 4)
 
30 g de manteiga sem sal
1 cebola, cortada em pedaços
2 cenouras médias
1 pé de brócolo médio
3 maçãs Granny Smith ou semelhante, cortada aos pedaços
1 ramo de cheiros (usei salsa, tomilho e louro)
Caldo de galinha q.b.
Flor de sal e pimenta q.b.
 
 
Preparação
 
1. Derreta a manteiga numa panela média  e adicione a cebola. Cubra a panela com a tampa e deixe a cebola cozinhar suavemente até ficar translúcida.
2. Adicione as cenouras cortadas em rodelas, o pé de brócolos arranjado e as maçãs.
3. Tempere com a flor de sal e a pimenta e deixe cozinhar por uns instantes.
4. Junte o ramo de cheiros.
5. Cubra os legumes com o caldo de galinha e deixe levantar fervura. Reduza o lume e deixe cozinhar por 25 minutos ou até os legumes estarem tenros.
6. Retire o ramo dos cheiros e reduza a sopa a puré.
7. Sirva quente e guarnecida com nozes e algumas folhas de tomilho. Pode usar, em alternativa, natas ou créme fraiche.
 

 

Esta sopa foi inspirada numa receita constante do livro dedicado às sopas da coleção "Le Cordon Bleu - receitas caseiras". Foi uma boa uma surpresa. É uma sopa que fica leve e com uma textura sedosa que convida a repetir. Sobressai o sabor das maçãs e do tomilho. Se desejar um sabor menos intenso, use menos tomilho.
 
 
 
Bom apetite!
 
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Arroz de grelos com salmão

por Paula, em 14.12.11

 

 

20h40. Termino mais um dia de trabalho. A caminho de casa, confirmo que já não consigo passar pelo supermercado que encerra às 21h00. O leite e outros dois itens ficam para o dia seguinte, se for possível. O carro acusa falta de combustível desde ontem, mas a pressa de chegar a casa para fazer o jantar e o almoço para o dia seguinte impede-me de desviar caminho e passar pela bomba de gasolina. Torço para que o que resta no depósito seja suficiente para chegar a casa e até à bomba no dia seguinte.

 

21h30. Suspiro de alívio. Estou em casa. Amanhã logo se verá se o carro chega até ao seu "restaurante". No frigorífico, ainda estão alguns grelos cozidos que cresceram de um molho que arranjei a semana passada. Noutra caixa, estão dois lombos de salmão que ontem deixei a descongelar sem saber muito bem o que iria preparar. Começa a ficar tarde para jantar. A decisão de fazer algo simples e rápido parece-me sensata.

 

 

 
Ingredientes
(Serve 2 pessoas)
 
1 1/2 chávena de arroz carolino
1/2 molho de grelos cozidos em água temperada com sal

1 dente de alho

1 cebola pequena

2 lombos de salmão

Flor de sal q.b.

Pimenta q.b.

Endro seco q.b.

1 colher de chá de azeite

1/2 caldo de legumes da Knorr (ou caseiro)

1/2 cálice de vinho do Porto branco

 

Preparação

 

1. Num tacho coloque o azeite, o alho e a cebola picados e deixe alourar.

2. Parta os lombos de salmão em tiras e junte-as ao refogado.

3. Dilua o caldo de legumes em água previamente aquecida e deite um pouco sobre o preparado anterior.

4. Junte os grelos picados finamente e tempere com a flor de sal, a pimenta e o endro seco. Deixe apurar.

5. Junte o vinho do Porto e deixe apurar novamente.

6. Junte mais um pouco do caldo de legumes e o arroz.

7. Antes de o arroz estar cozido, junte mais um pouco do caldo (conforme deseje o arroz mais ou menos "malandrinho"). Deixe ferver uns segundos.

8. Apague o lume, tape o tacho e deixe repousar 3 a 5 minutos.

 

 

Sirva e delicie-se porque fica realmente muito bom. O sabor do salmão combina bem com os restantes ingredientes e o vinho do Porto confere ao prato um toque muito especial. Nos dias de inverno apetece não só a comida de forno como também estes pratos mais caldosos que se devem comer quentes.

 

Bom apetite!

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A minha primeira àrvore de Natal

por Paula, em 12.12.11

  

A época natalícia abriu oficialmente cá em casa. Este ano, não sei se em virtude da crise e do mal estar que esta tem trazido a todos nós de um modo geral, a verdade é que quebrei a regra de não comprar árvore de natal. Já nem me lembro bem das razões que me levaram a não comprar uma cá para casa nos anos anteriores. Tinha uma pequenina que nos acompanhava sempre que o Natal era passado na serra e que, de vez em quando, também servia como árvore principal cá em casa. Quando digo pequenina, quero dizer que era mesmo portátil, tem poucos centímetros de altura.

 

Mas, no domingo, tive vontade de ter uma árvore a sério, não natural, é claro, mas grande e bonita. Quando dei por mim, já estava em casa a montá-la e a decorá-la. Ficou linda - ou pelo menos eu acho que ficou.

 

 

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Renascer com chocolate e pimenta

por Paula, em 08.12.11

 

Clara acordou devagarinho. O seu corpo estava cansado e dorido. Sentou-se na cama e sentiu a pele do rosto seca e repuxada. O gosto salgado nos seus lábios lembrou-a imediatamente de que a noite anterior tinha sido marcada, mais uma vez, por lágrimas. Chorara até adormecer. Há algum tempo que era assim todas as noites. Levantou-se e arrastou-se até à cozinha. Colocou a cafeteira ao lume na esperança de sentir algum conforto numa chávena de café bem quente. Nunca era apenas uma. Era quase um ritual. Bebia a primeira chávena para acordar e a segunda para saborear o café. Enquanto aguardava a música do café a ferver na cafeteira, percorreu o pequeno espaço que era a sua casa e levantou as persianas. O dia estava soalheiro e frio, como ditava o mês de Dezembro. Um sorriso amargo marcou-lhe os lábios finos e rosados. Entretanto, o som do café a borbulhar fê-la voltar à cozinha.

 

Serviu-se da primeira chávena e sentou-se à mesa para escrever aquela que seria a sua primeira e última carta a Luís. Para ela, uma despedida deveria ser feita daquela forma. À antiga, como impunha o seu lado romântico. Escreveu o que lhe ia no coração magoado sem se preocupar com o facto de se expor. Passou para o papel todas as suas feridas e todo o seu sofrimento de anos. Luís nunca soubera apreciar o seu espírito, nem a valorizava. Em relação a Clara, era inferior em inteligência e sensibilidade, mas não o reconhecia. A decisão estava, portanto, tomada. Aquela relação sufocante e tóxica terminava ali. Iria começar uma nova vida. Serviu-se da segunda chávena de café e constatou que já estava frio. Como não apreciava café aquecido, tornou a encher a cafeteira com água e café. De novo a musicalidade daquele líquido escuro a brotar e a espalhar o seu aroma revigorante pela cozinha. Confortada com a segunda chávena, decidiu tomar um banho e fazer algo que marcasse este novo início de vida. As lágrimas terminavam para dar lugar à alegria de viver. Seria livre e viveria a vida com prazer, dedicando-se a si e ao que mais gostava.

 

A cozinha era a sua paixão. Para Clara, esta era o verdadeiro baú dos afectos. Achava que quem cozinhasse bem, tinha que ser boa pessoa porque um prato reflecte a alma do cozinheiro. Espreitou a despensa e verificou que tinha várias barras de chocolate. Há muito que desejava fazer uns bombons de chocolate e pimenta. Ali estava uma receita ousada para um momento marcante. Colocou o seu avental favorito e começou a preparar o chocolate para fazer bombons de mascarpone e pimenta rosa.

 

 

Bombons de mascarpone e pimenta rosa

 

Partiu 100 g de chocolate preto e levou-o a derreter em banho-maria juntamente com 10 grãos de pimenta rosa esmagados no almofariz. O perfume da pimenta fez-se notar, conferindo à tarefa mais ânimo. Depois de o chocolate estar derretido, pincelou umas formas de bombons, deixando uma boa camada para formar o invólucro do recheio. Deixou arrefecer um pouco e colocou-os no frigorífico.

 

Preparou, então, um recheio simples com 250 g de mascarpone,  1 colher de chá de essência de baunilha e 200 g de chocolate de leite derretido em banho-maria. Juntou tudo numa tigela e avivou esta mistura com mais uns grãos de pimenta rosa moída.

 

Depois, com uma colher preencheu o interior dos bombons e levou tudo novamente ao frigorífico para solidificar. Derreteu mais 100 g de chocolate negro, juntamente com uma colher de sopa de natas, para forrar os bombons e levou tudo ao frigorífico por mais uma hora. Nessa altura, retirou-os e bateu com a placa na mesa para os soltar. Finalmente, colocou o resto do creme num saco de pasteleiro e fez uma pequena bola no topo de cada bombom. Finalizou com um grão de pimenta para dar cor. O resultado agradou-lhe bastante.

 

O telefone tocou. Do outro lado, Luís desculpava-se por não lhe ter telefonado antes, como tantas outras vezes no passado, e por ter faltado ao jantar. Clara não respondeu. Desligou o telefone e inibiu o número.

 

Mordeu um bombom e aquele sabor doce e ligeiramente picante invadiram os seus sentidos, deixando-a leve e confiante. O dia seguinte seria melhor e o que se seguiria seria ainda melhor, pensou decidida. Um sorriso largo iluminou-lhe o rosto. Na sua cabeça ouviu a voz de Catherine Deneuve a cantar "C'est beau la vie", como no filme "Potiche", enquanto alcançava mais um bombom.

 

 

Com esta estória participo no passatempo Chocolate e Picante: Um desafio de receitas com histórias dentro, promovido pelo "Gourmets Amadores" e pela editora "Casa das Letras" do grupo Leya. A receita foi inspirada no livro "Chocolate", da editora Parragon.

 

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Adoro livros. Posso viver sem roupas caras ou da última moda, mas não posso viver sem livros. São a minha companhia, a minha voz, o meu passaporte para o mundo, a minha realidade transformada em sonhos e o contrário. Os livros são o mundo na minha estante. São o verão na minha sala quando a chuva cai lá fora. São o meu porto de abrigo. Tenho-os de vários formatos e sobre vários assuntos. Gosto de todos. Às vezes gosto mais de uns do que de outros. Depende do momento. No entanto, há um grupo de que gosto sempre, que folheio quase diariamente na tentativa de resgatar ou apressar o tempo que não tenho para saber tudo o que preciso. Ou acho que preciso. São os livros de culinária. Andam sempre espalhados pela casa.

 

Uma das últimas aquisições foi uma colecção (ainda incompleta) de livros intitulada "Le Cordon Bleu - Receitas Caseiras". Um sonho realizado e outro por realizar juntos na minha mão. A cozinha francesa ao meu alcance. Sonho voltar a Paris e fazer um curso nesta famosa escola. Um pequenino, claro, porque são caros. Quem sabe se um dia não irei lá com este propósito!? Afinal, o sonho comanda a vida.

 

 

Esta é uma receita que consta do volume dedicado aos muffins. É rica em sabor e em ingredientes saudáveis e constitui uma excelente proposta para as crianças comerem mais fruta.

 

Ingredientes

 

300 g de farinha auto levedante para bolos

1 c. de chá de gengibre em pó

115 g de açúcar mascavado

75 g de gengibre cristalizado finamente picado (não usei)

60 g de manteiga sem sal

2 c. de sopa de mel

125 ml de leite

2 ovos

240 g de banana esmagada (cerca de duas bananas médias)

 

Cobertura (não utilizei)

125 g de queijo creme amolecido

2 c. de sopa de açúcar em pó

2 c. de chá de raspa fina de limão

 

 

Preparação

 

1. Pré aqueça o forno a 180.º. Unte um tabuleiro para muffins com manteiga ou coloque formas de papel (dispensando o uso de manteiga).

2. Peneire a farinha e o gengibre em pó para dentro de uma tigela grande, misture com o açúcar e os pedaços de gengibre cristalizado e faça uma cova no centro.

3. Coloque a manteiga e o mel num pequeno tacho e leve a lume brando, mexendo sempre, até derreter. Retire do lume. Bata os ovos com o leite.

4. Deite de uma só vez a mistura de mel e manteiga, a mistura de leite e ovos, e a banana esmagada na cova feita nos ingredientes secos. Mexa com uma colher de metal até os ingredientes estarem combinados. Não mexa demasiado - a mistura deverá ficar com grumos.

5. Encha as formas até cerca de três quartos e leve ao forno cerca de 20 minutos. Faça o teste do palito.

6. Deixe os muffins repousarem 5 minutos antes de os retirar das formas. Coloque sobre uma rede e espere que arrefeçam completamente antes de os cobrir com creme.

7. Para fazer a cobertura, bata o queijo creme com o açúcar em pó e a raspa de limão até obter um creme leve. Espalhe sobre os muffins e decore com fatias finas de gengibre cristalizado.

 

 

 

Estes bolos acompanham bem uma chávena de chá ou de café e têm a vantagem de poderem ser congelados  e utilizados quando se quiser. Não perdem sabor nem qualidade, o que dá jeito para aquelas situações em que não temos tempo para fazer um mimo a uma visita inesperada ou a nós mesmos. Basta deixar descongelar e tem um bolo fresco e saboroso.

 

Bom apetite!

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