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Muamba ou moamba de galinha

por Paula, em 23.06.11

 

A muamba de galinha (ou moamba?) é um prato angolano que há muito despertou a minha curiosidade. Desde o tempo da faculdade onde, certa vez, a Associação de Estudantes teve a maravilhosa ideia de, juntamente com os colegas dos países africanos e com os responsáveis do bar/refeitório, fazer uma ementa constituída exclusivamente por pratos tipicamente africanos. O sucesso foi enorme. O tempo de espera era de duas horas e a fila era interminável. Eu ainda consegui esperar uma hora, mas o dever chamava e tive que desistir. Não sem antes espreitar a cozinha. Os aromas, as cores, as texturas eram de fazer crescer água na boca. Quase me impediam de cumprir com os meus deveres aliciando-me a esperar o tempo que fosse necessário. Os colegas estavam vestidos a rigor com os trajes típicos dos seus países o que tornou a experiência mais enriquecedora. Infelizmente, tanto quanto sei, não a repetiram.

 

Mais tarde, em conversa com um colega, fiquei a saber a receita que, segundo ele, não era a original, mas o resultado era muito bom. Um dia ofereceu-me um saco de quiabos para que eu tentasse fazer a muamba. Acabei por não fazê-la porque não tinha galinha mas apliquei-os num estufado de legumes.

 

Esta semana achei que não devia deixar passar a oportunidade de a fazer. 

 

 

Eis, pois, como fiz a muamba de galinha.

 

INGREDIENTES (para 4 pessoas):

*1 galinha

*100 grs de óleo de palma

*1 cebola média

*2 dentes de alho

*1 folha de louro

*200 grs de quiabos

*1 courgete

*piripiri a gosto (deve ficar forte)

*sal a gosto

* Cerca de 1 L de água

 

 

PREPARAÇÃO:

1 - Lave os quiabos e deixe-os a hidratar em água por 20 minutos. Esta água ficará gelatinosa e é excelente para ajudar a engrossar o molho da muamba.

2 - Retire a pele à galinha e corte-a em pedaços.

3 - Coloque a cebola picada, os alhos, o louro, a galinha e um pouco de óleo de palma num tacho e tempere com sal e piripiri. Deixe apurar. Se necessário junte um pouco da água dos quiabos.

4 - A galinha deverá cozinhar aproximadamente 1 hora. Durante este tempo vá acrescentando água morna e a água dos quiabos sempre que necessário. O molho deverá cobrir a galinha.

5 - Quando a galinha já estiver praticamente cozinhada, junte os quiabos e a courgete. Deixe cozer os legumes e rectifique o tempero se necessário.

6 - Sirva com farinha de milho ou com arroz branco.

 

Juntei os quiabos mais cedo porque os queria quase desfeitos de modo a conferir uma textura mais compacta e gelatinosa ao molho, o que acabou por suceder. Só depois juntei a courgete para que esta cozinhasse apenas o tempo suficiente. Faltaram alguns ingredientes referidos na receita original (a abóbora, que foi substituída pela courgete, e o limão, sendo que o tomate é dispensável), mas gostei deste resultado, não obstante o facto de ter usado um pouco mais de óleo do que o necessário (usei cerca de 200 grs - metade chega).

 

Servi com arroz branco e com farinha de mandioca. Ambos ligam bem com o molho intenso da muamba.

 

Podem utilizar-se-se outras carnes ou peixe. Fica assim a abertura para voltar a repetir a receita com outro tipo de carne e o mais aproximado possível da receita original.

 

Bom apetite!

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Há já algum tempo que andava para fazer uma receita deste livro da Nigella Lawson. Gosto da sua simplicidade na cozinha e do seu sorriso sempre aberto quando fala dos alimentos. Há quem diga que não é uma verdadeira cozinheira. Contudo, embora não aprecie a confecção de refeições com produtos pré-preparados a que ela recorre algumas vezes, a verdade é que não consigo concordar com aquela afirmação.

  

A Nigella Lawson é uma inspiração para as mulheres e homens que têm uma vida ocupada com o trabalho e com os filhos e que não gostam de negligenciar as refeições. Apresenta soluções fáceis, rápidas e com imaginação para confeccionar em casa. Por esta razão, mas também pela sua energia positiva, este livro é o destaque deste mês.

 

A receita escolhida foi linguine com cogumelos em limão, alho e tomilho por ser fácil, rápido, leve e por conter dois ingredientes que aprecio bastante: a massa e o limão. A curiosidade de saber como é que o limão resultaria nesta receita pesou ainda mais que os factores mencionados. No entanto, mais uma vez, não segui a receita à risca. Inspirei-me nela e adaptei-a ao que tinha em casa.

 

 

 

 

INGREDIENTES (para duas pessoas):

  • 200 g de tagliatelle
  • 30 g de cogumelos porcini secos
  • 1 dente de alho
  • sumo de 1/2 lima
  • casca de 1/2 lima
  • 1 colher de chá de tomilho seco
  • salsa q.b.
  • azeite q.b.
  • flor de sal q.b.
  • 1 colher de chá de manteiga
  • Queijo parmesão ralado q.b.

 

PREPARAÇÃO:

  1. Coloque os cogumelos num recipiente cobertos com água tépida e deixe hidratar durante 15 minutos.
  2. Depois de hidratados, retire-os, esprema-os bem e leve ao lume deixando ferver por 10 minutos.
  3. Coloque a massa a cozer em água a ferver por sensivelmente 10 minutos, para ficar al dente, ou conforme indicado na embalagem.
  4. Esmague um dente de alho e leve a refogar com um pouco de azeite, o tomilho e a casca da lima.
  5. Junte os cogumelos e regue-os com o sumo da lima.
  6. Tempere com a flor de sal e deixe apurar.
  7. Escorra a massa, deixando ficar um pouco de água, e junte a manteiga.
  8. Junte o preparado dos cogumelos e envolva-o na massa.
  9. Salpique com salsa e queijo ralado a gosto.

 

Na receita original os cogumelos ficam a marinar em azeite temperado com sal, alho, tomilho, sumo de limão (1 colher de chá) e casca de limão, sendo servidos crus envolvidos na massa. Mas a ideia dos cogumelos crus não me convenceu.

 

Esta massa ficou com um aroma muito agradável que resulta da junção do tomilho com o sumo da lima, sendo que este também ajuda a aromatizar os cogumelos. Sabe a férias e a Verão. Transporta-nos para a dimensão dos dias leves e prazenteiros.

 

Bom apetite!

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Sumo "Duas Estações"

por Paula, em 20.06.11

 

Este fim-de-semana, enquanto preparava o almoço, olhei de relance para a fruteira e o encontro com as laranjas e a toranja que dormitava sozinha no terceiro andar daquela despertaram em mim o desejo de um sumo fresco para acompanhar a refeição. Abri o frigorifico e verifiquei que ainda tinha duas fatias de melão. Pisquei o olho à laranja e à toranja e murmurei "duas estações"? Que vos parece um sumo que vá ao encontro do fim do Inverno e do início do Verão?

 

 

 

INGREDIENTES (para duas pessoas):

  • 1 toranja
  • 1 laranja
  • 2 fatias de melão
  • hortelã
  • 1 colher de chá de aveia

 

 

PREPARAÇÃO:

Corte a fruta em pedaços e coloque-a no liquificador, na velocidade 1, até obter um sumo cremoso. Verta-o para os copos, junte a aveia, gelo a gosto e decore com hortelã.

 

Este sumo fica fresco e pouco doce. É ideal para um dia de sol.

 

Bom apetite!

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Tarte de ervilha torta

por Paula, em 19.06.11

 

Esta tarte resultou da necessidade de gastar umas ervilhas tortas que a minha mãe me deu. Esta situação aliada ao facto de já não poder congelá-las e à vontade de comer algo delicioso que me garantisse o almoço do dia seguinte ditaram o seu destino.

 

 

 

INGREDIENTES:

  • 1 embalagem de massa quebrada
  • 300 g de ervilhas tortas
  • 2 cenouras
  • 100 g de bacon
  • 1 cebola média
  • azeite
  • sal
  • pimenta preta
  • 3 ovos
  • 300 ml de natas
  • 100 g de queijo de mistura ralado
  • 1 cálice de vinho branco

 

 

PREPARAÇÃO:

 

  1. Coza as ervilhas em água temperada com sal.
  2. Rale as cenouras e reserve.
  3. Escorra as ervilhas e reserve.
  4. Ligue o forno para os 180.º.
  5. Pique a cebola e refogue-a num pouco de azeite até alourar.
  6. Junte o bacon e as cenouras raladas e deixe apurar um pouco.
  7. Junte as ervilhas e tempere com um pouco de sal e pimenta preta.
  8. Deixe apurar um pouco mais e depois junte o cálice de vinho branco.
  9. Deixe evaporar o vinho.
  10. Entretanto coloque a massa quebrada numa tarteira com o papel vegetal e pique-a com um garfo.
  11. Leve ao forno por 5 minutos e retire.
  12. Bata as natas com os ovos.
  13. Coloque o preparado de ervilhas na tarteira e regue com as natas batidas.
  14. Polvilhe com o queijo ralado e leve ao forno por 30 minutos ou até o queijo dourar.

 

Esta tarte fica verdadeiramente deliciosa. Pode servi-la simples ou acompanhada de arroz branco. Eu prefiro-a acompanhada de arroz basmati.

 

Bom apetite!

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Desde que vi a Nigella Lawson no programa da SIC Mulher a preparar um bolo em camadas (trifle) que o desejava fazer. Não só pelo bom aspecto que tem mas também porque vi ali a possibilidade de aproveitar as sobras de bolos. A Nigella utilizou um pão-de-ló comprado mas eu prefiro fazê-lo em casa porque os bolos feitos por nós têm seguramente outro sabor - o do nosso empenho e carinho!

 

A oportunidade surgiu num almoço de família. O pão-de-ló de Coimbra que costumo fazer chegou e sobrou. Era o momento para dar largas à imaginação.

 

A dificuldade surgiu apenas no momento de escolher o fruto que complementaria o bolo. Mas logo foi ultrapassada. Uns dias antes, em conversa com a tia Maria dos Anjos sobre doces e o modo de os fazer, ficou a promessa de me enviar um doce feito por si. A promessa foi cumprida e para minha felicidade este tinha a textura e a cor ideal para este trifle. Assim, nasceu na minha mente um quadro de cores e texturas perfeito. E foi com entusiasmo que iniciei a composição desta sobremesa que ficou muito bem. O doce conferiu-lhe o sabor e a textura necessárias para um bom resultado porquanto as frutas estavam em pedaços e não desfeitas.

 

Devo confessar que não segui exactamente a receita da Nigella. Adaptei-a ao que tinha em casa. Ficou a ideia do trifle mas com um toque tugita e muito meu. E resulta. Não há nada melhor do que buscar inspiração e criar algo nosso. Muito nosso. Foi o que fiz. Fica para outra altura a preparação à risca do trifle da Nigella que é feito com frutos vermelhos (os meus favoritos). Talvez para quando as amoras silvestres da Serra estiverem no ponto. ;-)

  

 

INGREDIENTES:

  • 1 pão-de-ló
  • 400 ml de natas (2 pacotes) ou de mascarpone (1 pacote)
  • 1 cálice de licor de castanha (pode utilizar outro de que goste)
  • Doce de ameixa e pêssego (com a fruta em pedaços)
  • 150 g de amêndoas laminadas

 

PREPARAÇÃO:

 

  1. Parta o pão-de-ló em pedaços ou em fatias e forre o fundo de uma taça de servir (de preferência em vidro transparente).
  2. Regue com um pouco de licor.
  3. Coloque uma camada de natas batidas ou de mascarpone.
  4. Coloque uma camada de doce.
  5. Volte a repetir esta sequência de camadas, finalizando com uma camada de natas.
  6. Torre as amêndoas laminadas num refractário anti-aderente.
  7. Cubra a superfície com as amêndoas na hora de servir.

 

Pode usar frutos vermelhos com os quais deverá fazer um doce com açúcar baunilhado. Basta juntar estes dois ingredientes e deixar ferver o suficiente para conseguir um doce com textura e depois juntar frutos vermelhos em cima da camada de doce.

 

Deliciei-me com esta sobremesa maravilhosa. É para repetir e inovar mais uma vez.

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Canja de galinha

por Paula, em 17.06.11

 

A canja de galinha é um prato a que recorro muitas vezes. Até mesmo no Verão. Gosto daquele caldo simples em que a carne de galinha (não de frango) se revela no seu máximo e me envolve num calmo e relaxante momento de felicidade degustativa. Enceto naquele momento uma viagem ao meu mundo inventado onde o conforto e a paz são soberanos. Eis o poder de um simples caldo.

 

Há uns dias arranjei uma galinha com a preciosa ajuda da minha mãe. Embora estivesse destinada a ir para o forno, a meio do percurso o desejo de uma canja quente, aromática e saborosa falou mais alto. E foi assim que uma galinha poedeira e os seus ovos lindos e ricos acabaram por fazer parte do meu caldo de eleição.

 

 

  

INGREDIENTES:

  • 1 galinha sem pele e com as miudezas
  • 2 cenouras
  • sal q.b.
  • 150 g de massa de pevides ou couscous (bolinhas)
  • 1L de água mais o suficiente para cobrir a galinha aquando da cozedura
  • 1/2 lima ou limão ou gengibre
  • folhas frescas de hotelã

 

PREPARAÇÃO:

  1. Retire a pele à galinha e coloque-a na panela de pressão juntamente com as miuedezas (excpeto os ovos), cubra-a com água suficiente para cozer e tempere com sal. Deixe ferver por vinte minutos.
  2. Retire a galinha e desfie em pedaços.
  3. Coloque o caldo da cozedura da galinha numa panela e junte mais 1 L de água.
  4. Coloque os pedaços da galinha, as cenouras finamente cortadas em rodelas e deixe ferver por cinco minutos.
  5. Junte a massa e os ovos e (se for o caso) o gengibre ralado a gosto.
  6. Deixe cozer a massa. Verifique o tempero e no fim adicione folhas frescas de hortelã.
  7. Ao servir, se não utilizou o gengibre, coloque umas gotas de lima ou de limão e junte mais duas folhas de hortelã para decorar.

 

Esta canja fica fresca e saborosa. A acidez da lima, do limão ou do gengibre conferem-lhe uma frescura que combina muito bem com o sabor mais intenso do caldo de galinha tornando-o mais leve. Não colide de forma alguma com o sabor da hortelã. Talvez por isso esteja também presente na minha mesa nos dias mais quentes, contrariando a ideia de que estes caldos só casam bem com os dias frios e chuvosos de Inverno.

 

Bom apetite!

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Julia Child é uma figura que me fascina. Descobri-a através do filme "Julie & Julia" e fiquei encantada pela sua personalidade, pelo seu amor à vida, à  comida, ao seu companheiro de vida e pelo imenso respeito que tinha por todos os que com ela se cruzavam. 

 

Por este ser um blog dedicado à culinária e a tudo o que a rodeia e que com ela se liga, não resisti em colocar aqui um pequeno vídeo do programa de televisão de Julia Child, "The French Chef". E vejam, não é encantadora e deliciosamente excêntrica? Digo excêntrica porque o seu jeito meio desengonçado não deveria resultar muito bem na sociedade americana de então. E mais: ela era diferente das outras mulheres daquela época e estava absolutamente confortável na sua pele. Isso é fantástico e inteiramente autêntico! Era de uma simplicidade desconcertante. Mas sempre uma senhora.

 

 
 
 

 

 
 
Deixo mais uma vez o trailer do filme onde Meryl Streep faz um desempenho fabuloso. Façam vocês a comparação. Por mim, é excelente!
 
 
 
E a entrevista de Meryl Streep, onde a actriz fala um pouco da vida e da personalidade de Julia Child.
 
 

Et bon appétit!

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