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Batatas do pobre à moda do João

por Paula, em 17.04.11

 

 

O domesticação da batata começou 6000 anos antes da Era Cristã. Os incas foram pioneiros nesta cultura e quando os espanhóis chegaram ao Perú, esta civilização fantástica já dominava a técnica da sua conservação.

Mas o impulso para a sua introdução na gastronomia europeia veio, mais uma vez, de França, no século XVIII. Conta-se que durante a Guerra dos Sete Anos, Auguste Parmentier (farmacêutico) foi feito prisioneiro na Prússia e foi alimentado apenas com batatas. A sua curiosidade foi acicatada por esta imposição e logo que chegou a França convenceu Luís XVI acerca das suas qualidades. Pretendia demonstrar que a batata podia substituir o pão e combater a escassez do trigo. O rei concedeu-lhe um extenso terreno perto de Paris para a plantação da batata. Certa noite, o povo roubou as batatas, o que muito alegrou Parmentier, pois assim conseguira provar que a batata não causava lepra e não servia apenas para alimentar os animais. Para assinalar o êxito o farmacêutico preparou um banquete composto por pratos à base de batatas.

(fonte: Alimentos ao Sabor da História, de Fortunato da Câmara, p. 41 a 43)

Cá em casa, as batatas são uma constante. Desde muito pequena que me lembro dos meus pais a semearem as batatas e depois a apanhá-las. Mais tarde, também comecei a ajudar nesta lide. E assim tem sido todos os anos. No próximo fim de semana lá estaremos todos juntos a semeá-las. Juntos é sempre mais fácil. Todos os anos temos esta tarefa e alguns até já nos chamaram de doidos, argumentando que já ninguém semeia batatas. Ora, esta crise vem afinal mostrar que não estávamos enganados e é engraçado ver agora os apelos ao regresso às hortas. Eu acho que vale a pena semear e plantar um pouco do que queremos comer, principalmente quando pretendemos produtos mais naturais, a cujas sementeiras se adicionam apenas os compostos naturais que resultam da limpeza das terras e das capoeiras dos animais. Mas mesmo que assim não fosse, continuaríamos a semeá-las já que se trata de uma tradição cá de casa. 

 

Certa vez, o stock não foi suficiente para um ano, de modo que me vi obrigada a comprar batatas. Não consegui comê-las a não ser na sopa. Eram intragáveis. As saudades que eu tive da nossa batata branca tão saborosa. E a encarnada...

Com maior ou menor quantidade, o certo é que temos sempre batatas para partilhar com os amigos e familiares.

Assim, no Verão a batata acompanha muitas vezes, juntamente com a salada, o tão desejado peixe grelhado. E foi nestes almoços que começámos a fazer estas batatas. Primeiro o meu pai e depois os restantes que acharam graça a esta mistura.

 

 

 

Ingredientes:

  • Batatas q.b.
  • 1 Alface
  • 1 Cebola
  • Sal q.b.
  • Azeite q.b.
  • Sumo de limão q.b.

Preparação:

  1. Coza as batatas em água temperadas com sal.
  2. Entretanto lave a alface muito bem e corte-a como caldo verde.
  3. Junte-lhe a cebola a gosto cortada em meias luas fininhas.
  4. Tempere com azeite, sal e bastante sumo de limão.
  5. Escorra as batatas e reduza-as grosseiramente a puré com o esmagador de batatas.
  6. Deixe amornar as batatas e junte-as à salada (as batatas não podem estar muito quentes para não cozerem a alface).
  7. Sirva com peixe grelhado.

Estas batatas ficam muito agradáveis. Têm o aroma do limão e o sabor do Verão. Marcam os almoços demorados no terraço nesta época. No Inverno, os purés e as sopas albergam-nas para meu deleite e conforto.  

 

Bom apetite!

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