Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Requeijão com pêssego e lavanda

por Paula, em 24.04.14

 

Requeijão com pêssego e lavanda

 

A lavanda não é muito consensual no que à cozinha diz respeito. O seu aroma é um dos meus favoritos, mas tem estado sempre associado ao ambiente de casa ou à estética. A sua utilização na culinária ainda não tinha tido o seu tempo de antena no meu petit bistrot.

 

Há uns bons meses, comprei um pacote para fazer uma panacotta. Todavia, quando me deparei com esta receita na revista El Mueble tive vontade de arriscar e fazê-la para o aniversário do meu pai. A parte boa é que consegui adoptá-la ao regime da diabetes; a menos simpática é que a maioria não apreciou o aroma e o sabor da lavanda na comida. Como gostei, aqui deixo a receita para os mais audazes.

 

 

Requeijão com pêssego e lavanda

 

INGREDIENTES

 

3 pêssegos (ou uma lata de pêssego em calda)

120g de requeijão

4 c. de sopa de mel

1 c. de chá de lavanda para uso culinário

Sumo de ½ limão

1 c. de sopa de açúcar

 

PREPARAÇÃO

Começar por lavar e tirar a pela aos pêssegos e cortá-los em rodelas. Polvilhar com açúcar e regar com o sumo de limão.

 

De seguida, começar a empratar. Para o efeito, colocar um aro de metal sobre o prato de servir e colocar camadas alternadas de pêssego e requeijão.

 

Depois, levar o mel e a lavanda ao lume até ganhar temperatura e os sabores se fundirem. Retirar e regar os pastéis de requeijão e pêssego. Deixar arrefecer e servir.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Salada quente de espargos e atum

por Paula, em 23.04.14

Salada quente de espargos e atum

 

De cada vez que faço ovos escalfados, lembro-me da Julia Roberts no filme Uma noiva em fuga onde contracena com o charmoso Richard Gere. Nesta história romântica, Julia representa uma jovem que era conhecida por abandonar os noivos no altar. A determinada altura a personagem é confrontada com o facto de não saber sequer como gostava de comer os ovos (muito habituais nos menus americanos), por tanto querer agradar ao seu namorado e consequentemente adoptar o seu estilo de vida. Depois de experimentar, sozinha, todas as formas de cozinhar os ovos, acaba por compreender que os seus preferidos são os escalfados.

 

Num registo menos romântico e menos dramático, dou-me conta de que estes também são os meus favoritos. A clara fica sedosa e, quando bem cozinhados, a gema escorre, criando uma tela colorida.

 

Saladaquente  de espargos e atum

 

INGREDIENTES

 

1 molho de espargos

150g de massa pevide

150g de cubos de preparado de atum

Sal e pimenta q.b.

1 noz de manteiga

1 c. de sopa de azeite trufado (ou simples)

2 ovos

1 c. de sopa de vinagre

Água q.b.

 

PREPARAÇÃO

 

Lavar os espargos, cortar as pontas duras e partir em pedaços. Colocar em água a ferver e deixar cozinhar cerca de 5 minutos.

 

Adicionar a massa e temperar com sal. Quando esta estiver praticamente cozinhada, juntar o preparado de atum e uma noz de manteiga. Envolver e deixar que o preparado ganhe temperatura. Escorrer a água, se existir, e reservar.

 

Num outro recipiente, colocar água a ferver e o vinagre. Mexer com uma colher para criar em centro de centrifugação e deitar um ovo de cada vez. Deixar até que ganhe a consistência desejada.

 

Servir a salada quente com um ovo, temperar com um pouco de pimenta moída na hora e um fio de azeite.

 

Salada quente de espargos e atum

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bolo de coco e figos secos

 

O fim-de-semana foi dedicado à cozinha e à família, como em muitos outros lares. Desta vez, fugi às tradições da Páscoa e aventurei-me por outros sabores. Embora aprecie um bom folar, cá em casa o trabalho e o prazer de o comer seriam apenas meus. Ora, como cozinhar é partilhar e conviver, a máxima falou mais alto que a tradição. Inspirei-me nos bolos de Tamara Milstein* e o resultado foi arrasador. Ninguém sentiu falta do folar, nem das bem-amadas amêndoas.

 

Bolo de coco e figos secos

 

INGREDIENTES

 

300g de coco ralado

2 chávenas de farinha (250ml)

4 c. de chá de fermento em pó

200g de manteiga (+ um pouco para untar a forma)

2 chávenas de açúcar amarelo

7 ovos

0,5dl de azeite

8 a 10 figos secos, picados

 

Para a calda:

Sumo e casca de 3 limões

1 ½ chávena de açúcar amarelo

 

PREPARAÇÃO

Começar por ligar o forno a 190ºC. Untar, generosamente, uma forma e polvilhar com um pouco de coco ralado.

 

Peneirar a farinha com o fermento e reservar. Picar os figos e reservar.

 

Bater a manteiga com o açúcar até obter um creme. Juntar os ovos um a um, batendo bem entre cada adição.

 

Adicionar o azeite, o coco ralado, os figos, a farinha e o fermento peneirados. Envolver bem.

 

Deitar o preparado na forma e levar ao forno durante 10 minutos. Depois, reduzir a temperatura para os 165ºC e deixar cozer por mais cerca de 65 minutos. Fazer o teste do palito e retirar.

 

Para preparar a calda, retirar pequenas lascas das cascas dos limões e colocar num tacho juntamente com o sumo e o açúcar. Levar ao lume e deixar ferver por cerca de três minutos.

 

De seguida, coar a calda e deitar sobre o bolo enquanto ainda está quente e dentro da forma. Deixar arrefecer. Desenformar e decorar com as tiras de limão cristalizadas.

 

Bolo de coco e figos secos

 

Este bolo é fenomenal. Sente-se o sabor do coco, dos figos e a acidez do limão aviva-o deixando no ar uma sensação fantástica a Verão. Na receita, Tamara Milstein, utiliza uma chávena de tiras de coco torradas que eu não usei.

 

Bolo de coco e figos secos

 

Nota: Tamara Milstein é uma famosa chef australiana, que também ministra aulas adoptando um conceito cozinha descomplicada mas deliciosa, com vários livros publicados, entre os quais “Bolos de todo o Mundo”, de onde retirei esta receita.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Saltimbocca alla Romana

por Paula, em 18.04.14

Saltimbocca alla Romana

 

Saltimbocca alla Romana é um prato feito com bife de vitela panado em farinha e cozinhado com salva e presunto. Pode ser apresentado de forma natural, plana, ou enrolado e preso com palitos. Esta segunda forma, embora mais bonita, pode apresentar uma dificuldade: que o bife não cozinhe uniformemente. Por mim, dispensei a farinha, mas dei uso de bom grado à salva e optei pela apresentação mais simples.

 

O nome científico da salva é salvia officinalis. Todavia, é também conhecida por muitos outras designações: erva-santa, salva-mansa, salva-menor, salva-das-farmácias, salva-da-catalunha, grande-salva, chá-da-europa, chá-da-grécia, chá-da-frança. Sobre esta última é interessante saber que Luís XIV bebia todas as manhãs, ao levantar, duas chávenas de salva e verónica.

 

Originária do Mediterrâneo, a salva é caracterizada por ter folhas oblongas de um verde-acinzentado, aveludadas e com pêlos, ricas em óleo que contém cânfora, taninos, alcalóides e saponina. Para além da variação mais comum, existe ainda a salva-esclareia (Salvia sclarea) que tem um aroma almiscarado muito intenso. Esta variedade é mais usada em bouquets aromáticos e almofadas de ervas, sendo que há quem a utilize também para aromatizar vinhos, marmeladas e fruta cozinhada.

 

As suas propriedades são conhecidas há séculos. Conta-se que a Escola de Salerno (famosa escola de medicina situada naquela cidade italiana) já a designava de Salvia salvatrix, numa evocação à máxima de que a existir um jardim de salva, não haveria morte. Aliás, salvia deriva de salus que significa saúde.

 

Por ser uma planta muito aromática e de sabor intenso, é difícil apreciá-la na primeira abordagem. Apesar de ser bastante utilizada na culinária, o seu uso deve ser moderado pois pode tornar-se tóxica. Pessoas com hipertensão devem evitar o seu consumo.

 

Saltimbocca alla Romana

 

INGREDIENTES

4 bifes finos de vitela (alcatra ou lombo)

1 pitada de sal

1 pitada de pimenta

1 pé de salva fresca (de 2 a 3 folhas por bife)

250 g de presunto fatiado

1 c. de sopa de azeite

30 g de manteiga

80 ml de vinho Moscatel

100 ml de caldo de vitela (ou de galinha)

 

PREPARAÇÃO

Colocar os bifes, um de cada vez, entre duas folhas de papel vegetal e bater ligeiramente para que adelgacem e estendam um pouco mais.

 

Temperar com um pouco de sal e pimenta – tendo em conta que o presunto e o caldo já contêm sal, pelo que há perigo de salgar os bifes. Dispor duas a três folhas por bife, carregando um pouco para que adiram bem à carne. De seguida, dispor o presunto sobre os bifes, pressionando igualmente com os dedos.

 

Numa frigideira, colocar o azeite e metade da manteiga e deixar aquecer. Saltear os bifes durante dois minutos de cada lado. Regar com o vinho, retirar os bifes e reservar.

 

Juntar o caldo aos sucos que ficaram na frigideira e deixar reduzir. É então altura de juntar a manteiga restante, bem como os bifes que se reservou apenas para ligarem como molho.

 

Estes bifes (saltimbocca) vão bem acompanhados com batatas cortadas em gomos e assadas no forno. Para o efeito, ligar o forno a 200.ºC. Descascar e cortar as batatas em gomos. Temperar com sal, uma folha de louro, dois dentes de alhos esmagados com camisa (ou seja, com casca) uma colher de chá de pimentão-doce e regar com um fio de azeite. Levar ao forno durante cerca de 20 minutos ou até estarem cozinhadas e douradas.

 

Saltimbocca alla Romana

 

Pessoalmente, já tinha tentado usar a salva mas sem sucesso. Contudo, esta receita levou a que fosse aceite na minha cozinha a ponto de querer saber mais sobre ela. Creio que merece que se aposte nela, devendo dar-se-lhe um uso moderado, como já referido.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Conserveira de Lisboa

por Paula, em 15.04.14

Praça do Comércio - Lisboa

Casa dos Bicos - LisboaBaixa de Lisboa

Cais das Colunas - Lisboa

1 - Praça do Comércio em Lisboa; 2 - Casa dos Bicos, onde se situa a Fundação José Saramago; 3 - Vista para a Sé de Lisboa; 4 - Cais das Colunas

 

A semana passada o Notas Soltas & Coisas Doces esteve dedicado às conservas, tendo já em vista os bons frutos que o Verão nos trará, sob a forma de charcutaria e de conservas condimentadas.

 

Todavia, são várias as formas de conservar alimentos. Estas abrangem o tradicional escabeche – que utiliza o vinagre -, a fumagem – hoje mais desaconselhada devido à presença de agentes nocivos para a saúde -, a congelação, a salga, a cura, a secagem, os doces, a charcutaria e as conservas condimentadas. Cada forma de conserva tem um ou mais agentes naturais que ajudam à conservação. São eles, exemplificativamente, o sal, o açúcar, o azeite, óleos, vinagres, álcool e outras gorduras.

 

Para enriquecer este capítulo das conservas, nada melhor do que fazer uma visita à antiga e bem conhecida Conserveira de Lisboa.

 

Conserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

Conserveira de LisboaConserveira de Lisboa

1 a 11 - Conserveira de Lisboa

 

A antiga Mercearia do Minho nasceu em 1930, sendo que em 1942 passou a denominar-se Conserveira de Lisboa, nome que ainda mantém. Trata-se de uma casa de comércio tradicional dedicada, como o próprio nome indica, às conservas. Detém três marcas próprias: Tricana, Prata do Mar e Minor.

 

Mantém a traça tradicional da loja dos anos 30 do século passado e tem o já raro atendimento personalizado. Por isso, pode dizer-se que é uma verdadeira jóia de Lisboa.

 

 

Praça do Comércio - LisboaLisboa

1 - Praça do Comércio; 2 - Chafariz D'el Rey

 

Localizada numa zona característica da Baixa de Lisboa, na Rua dos Bacalhoeiros, n.º 34, esta pérola dos sabores lusos dá ao seu visitante não apenas a oportunidade de saborear as melhores conservas e azeites do País, como proporciona também um excelente passeio por aquela zona da cidade. Ali próximo poderá visitar o Museu do Fado, a icónica Casa dos Bicos que hoje é o lar da Fundação José Saramago, um dos prémios Nobel da Literatura, a lindíssima Praça do Comércio com as esplanadas viradas para o Tejo e o romântico Cais das Colunas que recebe o rio de braços abertos.

 

 


 
 

Para chegar, poder-se-á utilizar o Metro e sair na Praça do Comércio se se for pela linha azul; se a opção for a linha verde, dever-se-á sair na Baixa/Chiado. Para levar o carro, o melhor é deixá-lo ficar no estacionamento do Campo das Cebolas. Os autocarros que passam ali próximo param na Praça do Comércio. Para uma sugestão mais turística, existe o tradicional eléctrico 28E, bem como o 18E e o 25E.

 

Bons passeios e excelentes descobertas!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Chutney de figos

por Paula, em 11.04.14

Chutney de figos

 

Ainda em sintonia com as conservas, trago uma sugestão para se aproveitarem os maravilhosos e frágeis figos que o Verão nos traz. Desta feita, não se trata de uma receita tirada da boa e tradicional cozinha portuguesa, mas antes de uma inspiração das terras de Sua Majestade the Queen of England.

 

Os chutneys são preparados que combinam legumes, frutas frescas, frutos secos e especiarias. São cozinhados lenta e demoradamente até adquirirem uma consistência espessa e brilhante.

 

Ideais para acompanhar carnes frias e queijos, requerem do cozinheiro a sábia paciência até à primeira prova. De facto, desde que são cozinhados até à hora de se revelarem, devem passar cerca de dois meses. Só desta forma o sabor se revelará na sua plenitude. Se provados mais cedo, poder-se-á ter uma experiência desagradável, na medida em que o sabor não está ainda apurado. Por isso, é uma boa opção fazê-los com frutos do Verão e servi-los perto do Natal. Constituirão, certamente, uma boa surpresa na mesa natalícia.

 

Chutney de figos

 

INGREDIENTES

1 kg de figos, cortados em quartos

350g de maçãs, descaroçadas e cortadas em quartos

250g de cebola, cortada em fatias finas

125g de passas

300g de açúcar amarelo

1 c. de chá de sal

1 c. de chá de pimenta

1 c. de chá de canela

1 c. de coentros moídos

1 malagueta seca

1 c. de chá de sementes de funcho

600 ml de vinagre de sidra

 

PREPARAÇÃO

Deitar todos os ingredientes numa panela com fundo reforçado e deixar levantar fervura, mexendo até o açúcar dissolver.

 

Baixar o lume e deixar cozinhar durante cerca de 2 horas, tendo o cuidado de ir mexendo de vez em quando e mais amiúde para o final da cozedura para que não queime.

 

Para verificar se o chutney está pronto, passar a colher de pau no fundo da panela e se esta deixar marca, poderá desligar-se o fogão. Verificar se necessita de mais sal e ajustar, se necessário.

 

Colocar o preparado em frascos esterilizados, vedar bem e dispô-los sobre um pano de algodão, virados com a tampa para baixo, para que ganhem vácuo.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Concentrado de tomate caseiro

por Paula, em 10.04.14

Concentrado de tomate caseiro

 

Quando a época do tomate está em alta, é hora de colocar as mãos a trabalhar para o aproveitar ao máximo. De entre os vários tipos de conservas, das quais se destacam os doces, esta é uma alternativa salgada que faz todo o sentido fazer. Um pouco de trabalho que rende muito. O Inverno será bem melhor se o tivermos na dispensa.

 

A receita e a confecção deste preparado, feito no Verão passado, são, mais uma vez, da minha mãe.

 

Concentrado de tomate caseiro

 

INGREDIENTES

Tomate q.b. (de preferência coração-de-boi)

Alho q.b.

Óleo q.b.

Louro

Ervas a gosto (manjericão, tomilho, etc.)

Sal q.b.

 

PREPARAÇÃO

Começar por escaldar o tomate. Retirar a pele e as sementes. De seguida, colocar num escorredor e deixar perder maior parte dos sucos. Depois, espremer bem o tomate.

 

É então altura de temperar com alho, louro, e ervas a gosto. Colocar em frascos esterilizados, pressionar e finalizar com óleo e uma boa camada de sal. Tampar bem e levar a ferver em água durante vinte minutos.

 

Deixar arrefecer com a tampa virada para baixo em cima de um pano de algodão para que ganhe vácuo e assim conserve melhor o preparado.

  

Malmequer primaverilConcentrado de tomate caseiro

 

Este concentrado é óptimo para utilizar em refogados, em marinadas, em assados, etc. Aconselha-se moderação no uso do sal quando se aplicar este preparado, pois por si já contem bastante.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Pasta de pimento caseira

por Paula, em 09.04.14

Pasta de pimento caseira

 

Quando a Primavera nos sorri, sabemos que em breve o Verão chega e, com ele, a produção das nossas hortas aumenta. É o tempo do tomate, da courgette, do pimento, do feijão – enfim, um rol de bons produtos.

 

A quantidade que nos chega, quando o ano agrícola é bom, é por vezes superior à que se consegue consumir em tempo útil. Por isso, encontrar formas de conservar estes alimentos para que perdurem para além da estação e para que possam aplicar-se de diferentes formas na cozinha, é algo que as nossas avós bem sabiam fazer.

 

A minha sugestão de hoje é uma pasta simples e versátil, feita com pimentos vermelhos, que a minha mãe faz todos os anos e que depois distribui pela família.

 

INGREDIENTES

Pimentos vermelhos q.b.

Alho a gosto

Orégãos (facultativo)

Louro

Óleo q.b.

Sal q.b.

 

PREPARAÇÃO

Lavar e escaldar os pimentos. Tirar a pele e as sementes. Cortar em pequenos quadrados e deixar escorrer. Depois, triturar com a ajuda de uma varinha mágica. De seguida, temperar com alho, orégãos e louro.

 

Por fim, colocar o preparado em frascos esterilizados*, juntando então o óleo e cobrindo bem com sal. Tampar bem e levar os frascos a ferver em água numa panela durante 20 minutos.

 

Guardar em local seco e fresco. Depois de abertos devem conservar-se no frigorífico.

 

Esta pasta colorida pode aplicar-se depois em carnes, massas, peixe e preparados de forno.

 

 

*Nota: Para esterilizar os frascos, costumo lavá-los previamente na máquina de lavar louça. Depois, quando os vou utilizar, coloco-os numa panela com água a ferver e deixo-os cerca de 20 minutos, retirando-os de seguida com uma pinça com pontas de borracha para que não estalem com a diferença de temperatura. Disponho-os então, de gargalo virado para baixo, em cima de um pano de algodão bem limpo, onde acabam por secar. Poder-se-á ainda, depois destes passos, levá-los ao forno durante poucos minutos para que sequem bem, mas é facultativo.

Autoria e outros dados (tags, etc)


As morcelas da Maria

por Paula, em 08.04.14

Enchidos portugeses

 

Desde tempos imemoriais que a humanidade se dedicou a apurar técnicas para conservar durante mais tempo os alimentos sazonais. A cozinha tradicional portuguesa está repleta de receitas simples e eficazes no que respeita à conservação alimentar. Uma das que acompanhei durante a infância e a adolescência tem que ver com a carne de porco.

 

Em casa dos meus pais, os meses de dezembro e de janeiro eram parcialmente dedicados à matança do porco. Durante quinze dias, a azáfama na cozinha a lenha (espaço com fumeiro e forno de padeiro) era intensa. Eram dias em que, depois de chegar da escola, me juntava à minha mãe e a uma vizinha que nos ajudava, para fazer enchidos. Guardo ainda na memória os primeiros pratos preparados e a forma gradual com que me fui habituando aos cheiros, aos sabores e às diferentes texturas. Ajudava a minha mãe com os temperos e no enchimento dos chouriços, das morcelas, das farinheiras e das alheiras e, ocasionalmente, o meu pai na desmancha e armazenamento das diferentes peças de carne. Todo o animal era aproveitado.

 

Hoje, os meus pais continuam a criar um porco por ano e a tradição dos enchidos ainda se mantém.

 

Morcela beirã

 

INGREDIENTES

Sangue da matança do porco q.b.

Vinho tinto q.b.

Gorduras macias de porco q.b.

Tripas q.b.

Laranja q.b.

Limão q.b.

Sal a gosto

Alho a gosto

Folhas de louro

Cominhos a gosto

Colorau simples a gosto

Colorau picante a gosto

Piripiri moído a gosto

 

PREPARAÇÃO

Aquando da matança do porco, tem-se preparado um recipiente para receber o sangue do animal que deverá conter sal e alho. Quando se juntam os três ingredientes, deverá mexer-se continuamente. Entretanto, rega-se o porco com vinho e aproveitam-se todos os sucos que escorram, juntando-se à mistura anterior.

 

À medida que se for desmanchando o porco, vão-se escolhendo as gorduras macias que se partem em pedaços pequenos. A estas, juntam-se alho, sal, duas folhas de louro e um bom punhado de cominhos moídos. Tempera-se ainda com uma mão cheia de cravinho, colorau simples, colorau picante e piripiri moído. Mexe-se tudo muito bem.

 

Deverá então verificar-se o sabor. Para o efeito, coloca-se um pouco do preparado numa frigideira e deixa-se cozinhar. Se necessário, procede-se à rectificação do tempero.

 

De seguida, faz-se o enchimento. Para isto, tem-se preparadas as tripas mais estreitas do porco que se lavaram muito bem em água corrente (antigamente eram lavadas previamente na água das ribeiras e utilizavam-se os paus das giestas para se limparem as impurezas). Temperam-se com sal, alho, vinagre, sumo de limão e sumo de laranja e deixam-se nesta marinada durante 24 horas. Cortam-se à medida que se quer para a morcela.

 

À medida que se faz o enchimento, deve-se ir mexendo o preparado com uma colher de pau. No fim de cada enchimento, faz-se um nó com um fio, ligando as duas pontas.

 

Finalizada esta parte do processo, deverá colocar-se uma panela de ferro sobre o lume da lareira do fumeiro. Cozem-se então as morcelas em água a ferver. Para verificar se estão no ponto, espeta-se uma agulha nas mesmas, devendo extrair-se um líquido limpo – sinal de que a morcela está cozida.

 

Finalmente, colocam-se as morcelas no pau do fumeiro, onde devem ficar cerca de dois a três dias. O lume não deverá ser muito alto para que não seque em demasia o enchido.

 

Estas morcelas poderão então utilizar-se no delicioso cozido à portuguesa, poderão grelhar-se e servir de entrada, como petisco numa tarde animada ou ainda pratos estufados a ligar com favas, feijão, ervilhas, outras carnes, etc.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Beringela recheada com quinoa

por Paula, em 03.04.14

Beringela recheada com quinoa

 

Os grãos da quinoa, aplicados neste prato simples e cheio de sabor, parecem pequenas pérolas a decorar uma peça de joalharia.

 

INGREDIENTES

 

2 Beringelas

Sumo de ½ lima

1 Malagueta picada, limpa de sementes

1 Courgette cortada em cubos médios

2 C. sopa de azeite

½ Chávena de quinoa

1 Cebola picada

200 ml de caldo de legumes (ou água)

200g de tomate em lata

Sal e pimenta a gosto

Queijo parmesão ralado a gosto

 

PREPARAÇÃO

 

Começar por aquecer o forno a 180.º C. Forrar um tabuleiro de ir ao forno com papel vegetal.

 

Lavar a beringela, secá-la e cortá-la longitudinalmente. Retirar a polpa com a ajuda de uma colher, cortar em pedaços e reservar.

 

Regar as metades de beringela com o sumo da lima. Dispô-las no tabuleiro forrado e levar ao forno pré-aquecido durante 15 minutos.

 

Entretanto, colocar a quinoa num pequeno tacho, cobrir com uma chávena e meia de água e temperar com sal. Deixar cozinhar durante 15 minutos. Tapar e reservar.

 

Deitar o azeite numa frigideira e refogar a cebola até ficar macia. Acrescentar a malagueta e deixar cozinhar cerca de 1 minuto. Adicionar então a courgette e a polpa da beringela e envolver bem. Regar com o caldo de legumes e deixar cozinhar até os legumes ficarem tenros.

 

Depois, é altura de juntar o tomate e temperar com sal e pimenta a gosto.

 

Por fim, juntar a quinoa ao preparado e colocar nas metades da beringela. Polvilhar com o queijo parmesão e levar a gratinar durante mais 15 minutos.

 

Beringela recheada com quinoa

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jo étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D