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Creme de abóbora

 

As cenouras chegaram-me da horta da Serra pela mão dos meus pais. Sem pensar muito, juntei-lhes os ingredientes de que dispunha para fazer uma sopa simples e muito aconchegante.

 

Creme de abóbora e cenoura

 

São coisas boas que me chegam, a lembrar que os aromas verdadeiros dos legumes me enchem a alma.

 

Creme de abóbora e cenoura

 

INGREDIENTES

 

300 g de abóbora, cortada em cubos

4 cenouras, cortadas às rodelas

2 batatas médias, cortadas em cubos

1 cebola, cortada em meias-luas

1 dente de alho, picado

1 c. de sopa de azeite

1 c. de chá de gengibre em pó

1 c. de chá de cominhos

700 ml de caldo de legumes ou água

Sal e pimenta q.b.

Pesto de poejo q.b.

 

PREPARAÇÃO

 

Numa panela, colocar o azeite, a cebola, o alho, o gengibre e os cominhos e deixar refogar até a cebola alourar.

 

De seguida, juntar a abóbora, as batatas e a cenoura e envolver. Temperar com sal e pimenta.

 

Adicionar o caldo e deixar cozinhar os legumes.

 

Triturar com a varinha mágica ou num liquidificador.

 

Servir com uma colher de chá de pesto de poejo e um fio de azeite.

 

Ceme de abóbora e cenoura

 

Um sopa tão simples quanto deliciosa, a conjugar especiarias com ingredientes despretensiosos.

 

Creme de abóbora e cenoura

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

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Chamuças no forno

por Paula, em 16.07.14

Chamuças no forno

 

Via-a a passar com o seu sari sempre impecável. O cabelo estava elegantemente apanhado. Os seus modos eram delicados e a forma de sorrir era tímida. Caminhava com delicadeza – a mesma com que, suponho, confeccionava as chamuças que abasteciam os cafés do bairro. Nunca soube o seu nome, nem de onde vinha, mas ainda guardo na memória os aromas e o sabor daqueles maravilhosos folhados indianos.

 

Chamuças no forno

 

De vez em quando olho pela minha janela de onde avisto a sua casa e pergunto-me se ainda as fará para a família. Imagino-a vestida num bonito sari, de cabelos já prateados apanhados de forma elegante, a cozinhar pratos com aromas ricos, intensos e deliciosos.

 

 

INGREDIENTES

(para cerca de 18 unidades)

 

2 embalagens de massa filo

500g de carne picada

2 alhos picados

1 c. de sopa de azeite

1 c. de chá de coentros em pó

2 c. de sopa de açafrão-das-índias

1 c. de chá de colorau

1 c. de chá de gengibre em pó

1 c. de chá de cravinho em pó

1 c. de sopa de polpa de tomate

3 cebolas médias, picadas

1 molho de coentros, picados

1 limão pequeno

Sal e piripiri q.b.

1 iogurte grego

 

PREPARAÇÃO

Numa frigideira funda, colocar o azeite, a cebola e as especiarias e deixar que libertem os sabores e refogem ligeiramente. De seguida, adicionar o alho e envolver. Juntar a carne e temperar com sal e piripiri. Deixar a carne cozinhar.

 

Depois, se tiver muito líquido, deixar escorrer num passador fino. Juntar os coentros picados, regar com sumo de limão e envolver.

 

Entretanto, cortar a massa filo em tiras de 8 cm de largura. Pincelar com um pouco de azeite. Com uma colher de sopa, colocar o preparado numa das pontas da tira de massa e enrolá-la, dobrando as margens para dentro e depois fazendo triângulos até terminar a tira. Colar com um pouco de azeite e dispor num tabuleiro de ir ao forno devidamente forrado com papel vegetal.

 

Levar ao forno aquecido a 200º C por cerca de 12 minutos ou até a massa estar dourada.

 

Servir com iogurte grego e coentros picados.

 

Chamuças no forno

 

Bom apetite!

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Muffins de frutos vermelhos

por Paula, em 09.07.14

Muffins de frutos vermelhos

 

Os frutos vermelhos são antioxidantes. Esta característica faz deles bons aliados para um pequeno-almoço mais doce ou, se adicionados a papas de aveia, mais natural e consequentemente de acordo com uma dieta saudável.

 

Mas para um lanche que convida a boa conversa e a uma chávena de chá, uns muffins com os ditos frutos são, digo eu, a escolha perfeita. Entre um assunto e outro, vão-se saboreando sem cansar e sem pesar, pois são equilibrados para se comerem sem culpas.

 

Muffins de frutos vermelhos

 

 

INGREDIENTES

(para 12 unidades)

 

200 g de farinha com fermento

150 g de farinha integral

100 g de açúcar amarelo + um pouco para polvilhar

150 g de frutos vermelhos

2 ovos

250 ml de leite

125 g de manteiga derretida

 

PREPARAÇÃO

Começar por pré-aquecer o forno a 200ºC e colocar forminhas de papel num tabuleiro para muffins antiaderente.

 

Depois, peneirar as farinhas para um recipiente largo, juntar o açúcar e as framboesas e fazer uma cova no centro.

 

De seguida, bater o leite com os ovos. Adicionar o preparado e a manteiga à mistura de anterior. Mexer, com uma colher de metal, até estar tudo misturado (mas não em demasia, pois deverão ficar alguns grumos).

 

Encher as formas com a ajuda de duas colheres de sopa até ¾ com a massa.

 

Polvilhar a massa com um pouco de açúcar e levar ao forno durante cerca de 20 minutos.

 

Retirar, esperar cinco minutos e depois colocar a arrefecer numa rede.

 

Muffins de frutos vermelhos

 

Bom apetite!

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Uma verdadeira pérola

por Paula, em 04.07.14

 

É fresquinho na blogosfera do Sapo e é um mimo de blog. Chama-se "Botão de Pérola" e na verdade é o rosto de um atelier de costura e artesanato com uma componente de retrosaria, com espaço para venda de artigos em segunda mão a preços simbólicos,  sito na vila de Atouguia da Baleia, que surgiu da necessidade da sua autora e artesã renascer, pelas suas filhas, da dor  e para fazer face às dificuldades financeiras que o desemprego e a viuvez lhe trouxeram.

 

Botão de Pérola

 

É um espaço que promete bons trabalhos de artesanato com tecidos, E.V.A., malhas, crochet e outros materias que se encontram no mercado, aliando a tradição à modernidade. Vale a pena visitar tanto o blog como o atelier e aproveitar as promoções e os workshops que a Carla vai fazendo.

 

Boas descobertas!

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Receita simples em post intimista

por Paula, em 03.07.14

Botão de Pérola

Ramo de flores elaborado pela "Sonhos e Lembranças"

 

Há acontecimentos na vida de cada um que deixam marcas difíceis de ultrapassar. 2012 revelou-se um ano terrível na vida da minha família. O ano começou com o desemprego a instalar-se no quotidiano de alguns familiares, enquanto outros saíam para o trabalho mas sem vislumbrar o fim do mês… Apesar disso, havia um motivo de alegria: nascia o membro mais novo da família que viria a ser minha afilhada. Julho foi o mês escolhido para o baptizado, não obstante a minha irmã Carla estar ainda desempregada.

 

Chegado o fim-de-semana do acontecimento, ultimámos os preparativos finais, desconhecendo que aquele Domingo nos traria mais tristeza do que alegria. O destino gozava-nos, ria-se entre dentes da maldade que nos preparava.

 

Fomos à igreja, seguimos para o almoço simples preparado por amigos do João, o meu cunhado, convivemos e, antes de me ir embora, disse-lhe, num sentimentalismo pouco habitual em mim, que aquele tinha sido um dia feliz. O João acompanhou-me ao carro e despedimo-nos. Finalizei dizendo para ele ir para perto das suas meninas. Voltou-se e calculando os passos para a porta que não via, foi para casa. Ainda teve tempo para brincar com os filhos...

Atouguia da Baleia

Atelier "Botão de Pérola"; Igreja Nossa Senhora da Conceição; Coreto e Touril na Atouguia da Baleia

 

De regresso ao meu lar, a minha irmã mais nova informa-me que temos de regressar a casa da minha irmã Carla, pois o meu cunhado tinha falecido. O choque e a confusão tomaram conta de mim. Por momentos, pensei que estava a ter um sonho mau. Mas não. O pesadelo era real e doía muito.

 

Faz, pois, para a semana, dois anos que acompanho a minha irmã Carla nesta viagem dolorosa de criar duas crianças e de tentar colocar a dor de lado por elas. Como lidar com o próprio sofrimento e tentar explicar o desaparecimento do pai a uma criança de quatro anos? Como dizer que o pai já não vai voltar a brincar com ela? Como responder às suas perguntas-afirmações sobre o que fazer com as roupas do pai que se mantinham no mesmo lugar? E porque é que os médicos no Céu não conseguem curar o pai? Como lidar com as insónias de uma criança que, de madrugada, se senta no chão e diz que não tem sono porque tem saudades do pai ou porque quer uma nova explicação para a sua ausência? Como aliviar a dor de uma criança que tenta disfarçar o seu sofrimento para proteger a mãe? E tantas outras dificuldades.

 

Artigos Botão de Pérola

Trabalhos do "Botão de Pérola"

 

Felizmente, este ano, a Carla reuniu forças e, ainda desempregada, conseguiu lançar o seu projecto de trabalho. Todos ajudámos à nossa maneira, claro. O meu pai pintou o espaço e deu um móvel antigo que estava na garagem à espera de melhores dias; a minha mãe ajudou na elaboração de alguns trabalhos de crochet; a minha amiga Sílvia doou umas mesas para servirem de balcão; a SE através da minha irmã Vera deu umas estantes que servem de prateleiras; o meu irmão Miguel contribuiu com um móvel e elaborou a parte da publicidade; o meu cunhado Ralph colocou os candeeiros; a amiga e comadre Marina ajudou a encontrar o espaço para o atelier, com a apresentação de ideias, na confecção de alguns artigos e na elaboração das montras; a minha amiga Isabel deu um cadeirão; a Ana ajudou a restaurar o móvel antigo (um trabalho incrível); os sogros e os cunhados da minha irmã ajudaram a montar as prateleiras e o provador; a D. Maria Gil, da "Sonhos e Lembranças" ofereceu um lindo vaso de orquídeas para alegrar o espaço e bons conselhos. No fundo, as pessoas que lhe querem bem e que são realmente suas amigas, juntaram-se e ajudaram como podiam de modo a que o atelier fosse montado quase a custo zero – o que foi possível!

 

Rolinhos de salmão fumado

 

É neste contexto que surge esta entrada simples. Servi-a no dia em que a Carla inaugurou o “Botão de Pérola”, um atelier de costura, artesanato e retrosaria, situado no largo da Atouguia da Baleia, junto à Igreja Nossa Senhora da Conceição. O dia, felizmente, correu bem. Agora, espero que o resto também corra muito bem e que lhe dê o sustento de que tanto necessita para criar as filhas e pagar as suas contas.

 

Espreitem o blogue “Botão de Pérola”, façam sugestões e visitem o atelier e a lindíssima vila de Atouguia da Baleia.

 

ROLINHOS DE SALMÃO

 

INGREDIENTES

1 Embalagem de wraps*

3 Embalagens de salmão fumado

250g de queijo creme

Rama de funcho q.b.

PREPARAÇÃO

Barrar os wraps com o queijo creme. De seguida, dispor o salmão e finalizar com o funcho. Enrolar os wraps e cortar em fatias ligeiramente largas. Servir bem fresco.

 

Citando Donna Hay: fast, fresh and simple! Não suja muita loiça e ainda prescinde do fogão.

 

Rolinhos de salmão

 

*Encontram-se à venda nos supermercados junto do pão de forma e afins.

 

Bom apetite!

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Risotto de morangos

por Paula, em 19.06.14

Risotto de morangos

 

Que um bom risotto é um bálsamo para alma, ninguém duvida. O que poucos saberão é do gosto incrível de um risotto com sabor a festa e a Verão.

 

Ligeiramente avinagrado e frutado, este prato é ideal para um jantar de amigos ou… para um momento mais romântico – a dois.

 

Morangos

 

 

INGREDIENTES

300 g de morangos, cortados em pedaços

2c. de sopa de açúcar

2 c. de sopa de vinagre de framboesa

1 cebola, picada

80 g de margarina

300 g de arroz arborio

2 dl de espumante ou champanhe

1,3 l (aproximadamente) de água a ferver

Sal q.b.

 

PREPARAÇÃO

Fazer uma marinada com os morangos, o açúcar e o vinagre de framboesa e reservar.

 

Num tacho largo, derreter uma parte da manteiga, adicionar a cebola e deixar alourar. De seguida, juntar o arroz e deixar fritar um pouco, mexendo sempre.

 

É então altura de refrescar com o espumante e deixar cozinhar sem parar de mexer até o arroz absorver praticamente todo o líquido.

 

Temperar com sal e adicionar a água aos poucos. Uma concha de sopa de cada vez, deixando que o arroz absorva o caldo entre cada adição.

 

Quando o arroz estiver cozido, juntar a restante manteiga e mexer bem. Por fim, juntar os morangos e a marinada e envolver.

 

Servir guarnecido com folhas de hortelã.

 

Risotto de morangos

 

Bom apetite!

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«Qualquer coisa de bom» para ler

por Paula, em 18.06.14

Lula recordou as palavras da mãe: «Quando quiseres dar mimo a alguém, faz-lhe um belo risotto giallo.» Achou que era um bom prato para aquecer o coração daqueles homens desesperados. Colocou em cima de uma mesa os ingredientes de que precisava e depois começou a cortar a cebola branca em pequenos dados. Deitou-os numa caçarola com um fio de azeite e deixou-os fritar até ficarem loiros. Depois deitou por cima uns punhados de arroz e esperou que ficasse translúcido antes de o regar com um borrifo generoso de vinho branco.

 

Nesse momento, alguns rostos curiosos assomaram à entrada da cozinha. Aqueles homens tinham encontrado um refúgio naquele sítio, nunca tinham sentido um perfume tão agradável e apetitoso. Lula não reparou neles, pois estava demasiado concentrada na preparação do risotto.

 

Manteve o lume vivo durante uns minutos para que o álcool do vinho evaporasse, e depois deitou na caçarola umas colheres de caldo a ferver, que tinha obtido desfazendo um cubo de caldo de carne em água quente. Mexeu tudo delicadamente até que o arroz atingiu o grau de cozedura ideal e, nesse momento, juntou o açafrão.

 

Desligou o fogão e deixou repousar o risotto durante uns minutos.

 

Depois despejou na caçarola um pacote de parmesão ralado e começou a mexer os grãos inchados e amarelos como pétalas de girassol.

 

Só então viu os homens parados à porta da cozinha, sem ousarem entrar.

 

Qualquer coisa de bom - livro

Créditos da imagem: http://www.fnac.pt

 

«Qualquer coisa de bom», de Sveva Casati Modignani, é um romance que nos transporta para o mundo dos sabores, dos aromas e da paixão pela cozinha aliada à vontade de ajudar os outros.

 

Sveva Casati Modignani é o pseudónimo de um casal de autores italianos: Bice Cairati e Nullo Cantaroni (já falecido). Enquanto ela é a autora da história e “mãe” das personagens, ele era o crítico e o angariador das receitas.

 

Bice acredita que a cozinha tem verdadeiramente «implicações psicológicas na forma como afecta o ser humano, de forma que se torna até uma espécie de elemento na medicina: uma pessoa pode curar-se comendo e bebendo». Para ela, o fascínio da culinária está no momento em que «uma mulher se coloca em frente do forno e se torna numa espécie de alquimista, aquele que sonha transformar em ouro um conjunto de metais. Ela transforma num prato o que, á partida, são simples ingredientes. Mesmo quando se prepara uma gelatina de frutos silvestres, olha-a e imagina um cristal de diferentes cores. É por esta razão que o trabalho na cozinha é muito gratificante, além de que permite descobertas sucessivas: o que ficará melhor com o quê, que sabor originará uma determinada mistura…»*

 

 

Sinopse:

A leitura do testamento de Alessandra Pluda Cavalli vai provocar um tremendo choque ao seu marido, Franco, e aos seus três filhos. A parte mais substancial do património vai na verdade para Ludovica Magnasco, porteira do prédio em que vive a família Cavalli. Ludovica, a quem todos chamam Lula, sente-se igualmente perturbada por este legado, cujo significado não consegue alcançar. Lula, que tem tido a sua conta de adversidades, é amada e respeitada por todos os moradores do prédio graças à sua inteligência e bom carácter. Mas tal não é suficiente para explicar o que terá levado Alessandra a deixar-lhe aquela fortuna. Certamente que não foram as pequenas delicadezas com que por vezes Lula a agraciava, nem tão-pouco as confidências que trocavam. A explicação, que tem as suas raízes num segredo de família desde sempre guardado com zelo, afecta-a e perturba-a, mas não altera as suas convicções: o dinheiro só nos ajuda a viver melhor se o usarmos também para nos tornarmos úteis ao próximo. A indicar-lhe o caminho certo está agora o acaso, que cruza o seu destino com o do fascinante Guido Montini, um reputado veterinário dedicado a acções de voluntariado. Juntos formam um casal magnífico e têm a possibilidade de fazer algo de verdadeiramente bom...

 

Com este romance, Sveva Casati Modignani presenteia os leitores com uma história em que os momentos dramáticos se alternam com momentos de humor subtil e passagens plenas de ternura e nostalgia, mas onde prevalece sobretudo uma sincera solidariedade para com quem nos rodeia e mais precisa de nós.

 

Este foi um dos livros mais agradáveis que li e cuja leitura recomendo vivamente. A particularidade de associar a cozinha às emoções e à aprendizagem de viver é o que me prende à obra da autora.

 

Bom apetite e boas leituras!

 

 

*Excerto de entrevista concedida pela autora à revista Lux Woman

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Tarte de folhas de videira

por Paula, em 17.06.14

Videiras

 

Das videiras sei que são bonitas, frondosas e refrescantes. Gosto do corte das folhas a lembrar saias para usar na praia ou numa tarde soalheira a que se junta um copo de vinho para completar o quadro. E as cores? Verdes claras quando rebentam, verdes escuras no Verão e no Outono tornam-se numa paleta de amarelos, laranjas e castanhos, como que a aquecer o ambiente e a forrar o chão para receberem as primeiras chuvas e as mãos que as irão vindimar.

 

Delas, cristalizo ainda nos sentidos os frutos: bagos rosados ou dourados para saborear ou para ofertar a Baco. Mas não são só os frutos que têm lugar na mesa. Com as folhas também se faz uma refeição antiga, oriental e saborosa.

 

 

A receita é da parte turca do Chipre. Chegou ao meu conhecimento através do livro de Yotam Ottolenghi, O Novo Vegetariano, que contém 120 receitas originais desenvolvidas pelo autor para a coluna New Vegetarian da revista Guardian Weekend. Estas são bastante apelativas, fáceis de executar e óptimas para vegetarianos e não só. A ousadia, pelo exemplo que fica, é um traço da sua forma de abordar a culinária. Esta em particular é um clássico da cozinha turca que pode ser servido morno ou à temperatura ambiente como entrada ou como petisco.

 

 

INGREDIENTES

20 a 25 folhas de videira frescas e tenras

4 chalotas, picadas finamente

4 c. de sopa de azeite

20 g de manteiga sem sal, derretida

200g de iogurte grego, mais algum para servir

25g de pinhões, ligeiramente torrados

½ c. de sopa de estragão, picado finamente

2 c. de sopa de salsa, picada finamente

3 c. de sopa de endro, picado finamente

Raspa de 1 limão

1 c. de sopa de sumo de limão

70g de farinha de arroz

3 c. de sopa de pão ralado

Sal e pimenta-preta q.b.

 

PREPARAÇÃO

Aquecer o forno a 190.ºC.

 

Colocar as folhas de videira num recipiente e cobrir com água a ferver e deixar demolhar durante 10 minutos. De seguida, retiras as folhas, secá-las com um pano de cozinha. Com uma tesoura, aparar os pedaços duros na base das folhas.

 

Numa frigideira, deitar uma colher de sopa de azeite e saltear as chalotas durante 8 minutos. Deixar arrefecer.

 

Num prato de forno redondos dispor as folhas de videira, cobrindo o fundo e os lados, sobrepondo-as ligeiramente e permitindo que que passem acima do rebordo do prato.

 

Depois, misturar a manteiga derretida com 2 c. de sopa de azeite e utilizar cerca de 2/3 para pincelar generosamente as folhas que estão a forrar o prato.

 

De seguida, misturar as chalotas, o iogurte, os pinhões, as ervas aromáticas, a raspa e o sumo de limão. Temperar com sal e pimenta-preta a gosto. Juntar a farinha de arroz e mexer bem até obter uma pasta homogénea.

 

Espalhar o preparado uniformemente sobre as folhas que estão a forrar o prato. Dobrar as folhas para cima do recheio e cobrir com as restantes folhas de videira. Pincelar com a restante mistura de manteiga e azeite. Por fim, polvilhar com pão ralado e regar com a restante colher de sopa de azeite.

 

Levar ao forno durante 40 minutos ou até as folhas estarem estaladiças e o pão ralado estar dourado. Retirar do forno e deixar repousar por 10 minutos.

 

Servir com iogurte grego bem fresco.

 

 

Esta receita é bastante invulgar e revela-se uma agradável surpresa. No livro, Yotam Ottolenghi refere que esta tarte pode ser feita com folhas de videira em conserva. Como tenho videiras no quintal, decidi arriscar e tentar fazer uma conserva aproveitando as folhas que ainda estão tenras para utilizar noutra altura do ano. Em tempo darei nota do resultado e, se for bom, deixarei a receita.

 

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

 

 

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40 e então?

por Paula, em 13.06.14

 

Ontem foi dia de festa em Lisboa. Todavia, a minha ida à Avenida da Liberdade nada teve que ver com a celebração do dia de Santo António. Não. Sem me aperceber, comprei bilhete para assistir à peça “40 e então?” para a noite mais folclórica e animada da capital.

 

A bilheteira ainda estava encerrada quando cheguei ao Teatro Tivoli. Lá fora, a agitação já era muita: televisão, carros de apoio, bancadas, muitas pessoas – famílias inteiras, grupos de amigos, vendedores de manjericos e turistas – escolhiam o lugar para assistir ao tradicional desfile das Marchas de Lisboa. Ouvem-se os acordes da música que acompanha o primeiro bairro, mas permaneço onde estou, sentada nas escadas que dão acesso à sala de espectáculo. Quero rever três actrizes fabulosas em palco.

 

40 e então?

Créditos da imagem:http://www.uau.pt/

 

Dez anos depois, Ana Brito e Cunha, Fernanda Serrano e Maria Henrique regressam ao palco, depois do sucesso de “Confissões das Mulheres de 30” a que tive o imenso prazer de assistir, trazendo consigo muitas histórias com as quais qualquer mulher na idade da ternura se identifica. São histórias comoventes, divertidas, hilariantes e repletas de afectos, contadas por várias mulheres com vivências diferentes que ganham vida pelos sapatos que calçam: a mãe que deixa de ter nome para ser chamada apenas a mãe de X, mulher de y; a mulher que se vai divorciar depois de se dedicar ao mesmo homem desde a adolescência, a mulher que quer viver a sua sexualidade em pleno, a mulher que quer iniciar uma carreira aos 40! Sim, aos 40 e então? E muito, muito mais. É um espectáculo para todas as mulheres e, já agora, para os homens também.

 

40 e então?

Créditos da imagem:http://www.uau.pt/

 

Nesta peça, em cena no Teatro Tivoli, as actrizes dão voz a textos seus e das autoras Ana Bola, Helena Sacadura Cabral, Inês Maria Meneses, Leonor Xavier, Sílvia Baptista, Sónia Aragão, Rita Ferro e Rute Gil. A direcção é a da Sónia Aragão. Está em cena de quinta-feira a Sábado, às 21h30, e aos Domingos, às 16h30, sendo que os preços à quinta-feira têm o valor único de 10€, sem lugar marcado.

 

 

 

RISOTTO DE ABÓBORA E SALVA FRITA

 

Para completar a noite, um risotto fácil de confeccionar e absolutamente delicioso. A salva frita em manteiga é divina.

 

Risotto de abóbora e salva frita

 

 

INGREDIENTES

250ml de arroz arbóreo

1 chalota, picada

80 ml de vinho branco

200g de abóbora cortada em pequenos pedaços

Caldo de legumes ou água, q.b., quente

Manteiga q.b.

Queijo parmesão ralado q.b. (ou outro a gosto)

Folhas de salva a gosto

Sal e pimenta q.b.

 

PREPARAÇÃO

Num tacho, colocar o azeite e a cebola e deixar alourar. De seguida, juntar a abóbora e duas folhas de salva e deixar cozinhar um pouco. Temperar com sal e pimenta. Retirar as folhas de salva. Adicionar o arroz e deixar fritar ligeiramente. Refrescar com o vinho e deixar que este evapore.

 

É então altura de começar a adicionar o caldo de legumes, tendo como medida uma concha de sopa. Deverá juntar-se concha a concha e deixar que seja absorvido antes de adicionar a seguinte, até o arroz estar cozido.

 

Acrescentar um pouco de manteiga e o queijo. Envolver.

 

Numa frigideira, colocar a manteiga e cerca de seis folhas de salva. Fritar até as folhas até ficarem com um aspecto estaladiço. Finalizar o arroz com estas folhas e a manteiga. 

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

 

 

Na minha cabeça ainda ecoam algumas frases do espectáculo que, infelizmente, não consigo reproduzir com fidelidade: Aprendi que a cultura não é só cinema, teatro, leitura... aprendi que cozinhar algo de que gosto, conversar com a família ou ver o pôr-do-sol no meu terraço também me preenche. Aprendi que, aos quarenta, a vida ganha um fôlego diferente. Sim, aos 40 e então?

 

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Frango com amêndoas

por Paula, em 28.05.14

 

O comboio errado pode levar-nos à estação certa, assim como a lancheira errada nos pode conduzir à pessoa certa. Pode reconciliar duas pessoas com a vida e levá-las numa viagem de (re)descoberta de si mesmas. Uma lancheira pode conter muitos aromas e sabores agradáveis, daqueles que fazem sorrir, viajar e sonhar. Pode, ainda, conter um bilhete para a felicidade ou para uma vida nova. O poder da comida é imenso, mas só toca aqueles que a respeitam.

 

Capa do filma

Créditos da imagem: Medeia Filmes

 

Ila Vaid (Nimrat Kaur), é uma mulher jovem, casada, que tenta combater a indiferença do marido cozinhando pratos deliciosos, inspirados no livro de culinária da sua avó, que seguem no “correio das lancheiras” (Dabawallahs) para o local de trabalho daquele. Ao fim do dia, espera ansiosamente pela sua reacção ao prato ou ao novo ingrediente que a tia, que vive no andar de cima, lhe vai enviando através de uma cesta pendurada na janela. É a sua conselheira e confidente.

 

Créditos das imagens: Medeia Filmes

 

A Lancheira (Dabba), que regressava sempre com uma boa parte do seu recheio, chega, certo dia, vazia. Esperançada, Ila arranja-se para o marido. Perante a mesma indiferença, insiste em saber se a comida lhe agradara. Descobre então que a sua merenda foi parar às mãos de outra pessoa. Decide, a conselho da tia, escrever ao bom garfo que tinha apreciado a sua refeição. A partir daqui, iniciam-se trocas diárias de bilhetes (em papel!) que vão transformar a sua vida que passa a ser temperada pelas críticas à comida que prepara, levando-a a cozinhar ainda com mais gosto.

 

Saajan Fernandes (Irrfan Khan), um contabilista à beira da reforma que vive sozinho, é o destinatário da marmita que Ila prepara. A sua alma será tocada pelos maravilhosos aromas e pelas estórias que lhe vão chegando. É ao sabor dos pratos preparados por Ila que Fernandes desperta novamente para a vida.

 

 

A estória, de uma simplicidade desconcertante, realizada por Ritesh Batra, cativa logo no primeiro momento, transportando o espectador para outra dimensão, sendo que chama atenção para algumas questões sociais relevantes. A banda sonora, essa, entra no ouvido e leva-nos até à Índia. Foi uma noite de cinema que me deixou de alma cheia.

 

 

 

 

FRANGO COM AMÊNDOAS TORRADAS E CUSCUZ DE HORTELÃ

 

Frango com cuscuz e amêndoas torradas

 

INGREDIENTES

 

100g de amêndoas com casca

1 frango cortado em pedaços

Sal e pimenta q.b.

Sumo e raspa de ½ limão

 

2 cebolas roxas cortadas em rodelas

2 dentes de alho picados

1 estrela de anis

1 pau de canela

1 c. de chá de sementes de coentros

1 c. de chá de gengibre em pó

1 c. de sopa de gengibre fresco ralado

1 c. de café de açúcar

80 ml de vinho moscatel

80 ml de água quente

 

Para o cuscuz

1 chávena de cuscuz

1 chávena de água

1 noz de manteiga

Sal q.b.

 

Para o vinagrete

Sal e pimenta q.b.

Azeite q.b.

Sumo de limão q.b.

1 c. de chá de mostarda

1 pitada de açúcar

2 pés de hortelã (só as folhas)

 

PREPARAÇÃO

 

Aquecer o forno a 180.ºC, colocar as amêndoas num tabuleiro forrado com papel vegetal e levar ao forno durante 10 minutos. Depois de arrefecidas, coloca-las num pano e esfregar por forma a soltarem a pele. Cortar as amêndoas grosseiramente e reservar.

 

Temperar o frango com sal, pimenta, gengibre em pó e o sumo de limão. Reservar cerca de 30 minutos. De seguida, numa caçarola larga de cerâmica, colocar o frango com a pele para baixo e deixar cozinhar na própria gordura. Quando estiver bem dourado, virar e deixar que termine de cozinhar. Retirar o frango e reservar.

 

Deitar as cebolas, os alhos, o gengibre ralado, a estrela de anis, a canela e as sementes de coentros na caçarola e deixar cozinhar até caramelizarem. Adicionar o vinho e deixar reduzir.

Juntar novamente o frango, para ganhar um pouco do sabor do refogado e retirar novamente. Depois, juntar a água e deixar apurar um pouco. Rectificar o tempero e reduzir o refogado a um molho espesso com a ajuda da varinha mágica. Passar o molho por passador e colocar numa molheira para servir.

 

Entretanto, aquecer água para fazer o cuscuz. Deitar o cuscuz num recipiente e cobrir com a água quente. Deixar cozinhar por cinco minutos.

 

Noutro recipiente, colocar os ingredientes do vinagrete e emulsionar com a varinha mágica. Rectificar os temperos e deitar cerca de três colheres de sopa sobre o cuscuz, juntamente com a manteiga. Envolver tudo com a ajuda de um garfo e servir.

 

Servir o frango com o cuscuz, as amêndoas e o molho.

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

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