Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O meu presente de Natal

por Paula, em 19.12.14

Espanto-me com a forma como o tempo me foge. Sem dar por isso, já se passou mais um ano. Já é Natal! Para alguns, a ceia revela a manifesta falta de meios para conferir dignidade a esta época do ano. Uns terão alguma culpa; outros apenas se encontram na cordilheira do desemprego e dos cortes salariais ou outras situações idênticas. O que é certo, caros leitores, é que à minha volta vejo, claramente, desânimo e um fraco espírito natalício.

 

Embora um pouco fora das situações acima mencionadas, mas igualmente em situação de revés financeiro, revejo-me na falta de presença daquele espírito. Este ano, a minha casa está «natalmente» descaracterizada. Não tenho luzes a piscar e muito menos a árvore de Natal colorida a marcar presença na minúscula sala de estar. Faltam também os presentes. Neste Natal, nem as crianças da família terão o meu presente a marcar a noite da Consoada.

 

Mas afinal o que posso eu dar para marcar esta data em que se celebra a família? A resposta é simples: para o Natal de 2014 tenho apenas arrobas de carinho para dar, acompanhadas dos tradicionais sonhos... de abóbora!

 

Feliz Natal para todos!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

No sábado passado, decorreu, no Mercado de Sant'Ana, em Leiria, a «III Mostra do Trajo Etnográfico da Alta Estremadura», promovido pela Associação Folclórica da Alta Estremadura.

III Montra de Trajo Etnográfico da Alta Estremadura.jpg

Foi um evento que reuniu vários ranchos folclóricos daquele distrito, tanto no desfile como no canto. Os diversos conjuntos de trajos foram acompanhados por explicações prévias de José Travaços Santos (etnógrafo e historiador que foi galardoado em 2012 com o Óscar Mundial de Folclore) e de Maria Emília Francisco, o que ajudou a enquadrar os eventos sociais em que cada um se inseria.

III Mostra de Trajo Etnográfico da Alta Estremadura.jpg

Trata-se de uma iniciativa de louvar, que muito ajuda a manter vivas as tradições de Portugal, bem como a dar a conhecer um pouco mais do nosso percurso etnográfico.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Estufado de grão

por Paula, em 25.07.14

Casa da serra

 

Apetece-me contrariar rumos; traçar outras rotas e lançar-me na aventura (ainda que comedida). Quero romper rotinas, despir-me de cansaços e envolver-me com um manto de emoções frescas.

 

Os dias sabem-me a fel, consequência de rotinas gastas e de dias calçados de nada. E o nada é uma sola que não protege nem do calor nem do frio. Pesa, apenas.

 

Ah! Mas se eu conseguisse rompê-lo, então seria novamente criança e correria em busca de outras cores, descalça de tudo e vestida de alegria. Leve, seria eu!

Estufado de grão

 

INGREDIENTES

1 cebola, picada

2 dentes de alho picados

1 c. de sopa de azeite

200 g de tomate em cubos (conserva)

1 c. de chá de cominhos

1 c. de chá de coentros em pó

Sal e pimenta q.b.

Água q.b.

2 cenouras cortadas às rodelas

2 curgetes cortadas em cubos (sem casca)

1 pacote de espinafres congelados

420 g de grão em conserva

 

PREAPARAÇÃO

Num tacho, colocar o azeite e a cebola a refogar até ficar dourada. Juntar o alho e envolver. De seguida, adicionar o tomate e envolver. Temperar com os cominhos, os coentros em pó, o sal e a pimenta. Envolver e deixar apurar os sabores. Juntar um pouco de água se necessário.

 

Depois, é tempo de juntar as cenouras e de as deixar cozinhar um pouco, antes de lhes juntar a curgete e os espinafres. Por último, juntar o grão, envolver e deixar apurar.

 

Estufado de grão

 

Bons sabores do campo que nos devolvem o vigor da boa disposição.

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Creme de abóbora

 

As cenouras chegaram-me da horta da Serra pela mão dos meus pais. Sem pensar muito, juntei-lhes os ingredientes de que dispunha para fazer uma sopa simples e muito aconchegante.

 

Creme de abóbora e cenoura

 

São coisas boas que me chegam, a lembrar que os aromas verdadeiros dos legumes me enchem a alma.

 

Creme de abóbora e cenoura

 

INGREDIENTES

 

300 g de abóbora, cortada em cubos

4 cenouras, cortadas às rodelas

2 batatas médias, cortadas em cubos

1 cebola, cortada em meias-luas

1 dente de alho, picado

1 c. de sopa de azeite

1 c. de chá de gengibre em pó

1 c. de chá de cominhos

700 ml de caldo de legumes ou água

Sal e pimenta q.b.

Pesto de poejo q.b.

 

PREPARAÇÃO

 

Numa panela, colocar o azeite, a cebola, o alho, o gengibre e os cominhos e deixar refogar até a cebola alourar.

 

De seguida, juntar a abóbora, as batatas e a cenoura e envolver. Temperar com sal e pimenta.

 

Adicionar o caldo e deixar cozinhar os legumes.

 

Triturar com a varinha mágica ou num liquidificador.

 

Servir com uma colher de chá de pesto de poejo e um fio de azeite.

 

Ceme de abóbora e cenoura

 

Um sopa tão simples quanto deliciosa, a conjugar especiarias com ingredientes despretensiosos.

 

Creme de abóbora e cenoura

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Chamuças no forno

por Paula, em 16.07.14

Chamuças no forno

 

Via-a a passar com o seu sari sempre impecável. O cabelo estava elegantemente apanhado. Os seus modos eram delicados e a forma de sorrir era tímida. Caminhava com delicadeza – a mesma com que, suponho, confeccionava as chamuças que abasteciam os cafés do bairro. Nunca soube o seu nome, nem de onde vinha, mas ainda guardo na memória os aromas e o sabor daqueles maravilhosos folhados indianos.

 

Chamuças no forno

 

De vez em quando olho pela minha janela de onde avisto a sua casa e pergunto-me se ainda as fará para a família. Imagino-a vestida num bonito sari, de cabelos já prateados apanhados de forma elegante, a cozinhar pratos com aromas ricos, intensos e deliciosos.

 

 

INGREDIENTES

(para cerca de 18 unidades)

 

2 embalagens de massa filo

500g de carne picada

2 alhos picados

1 c. de sopa de azeite

1 c. de chá de coentros em pó

2 c. de sopa de açafrão-das-índias

1 c. de chá de colorau

1 c. de chá de gengibre em pó

1 c. de chá de cravinho em pó

1 c. de sopa de polpa de tomate

3 cebolas médias, picadas

1 molho de coentros, picados

1 limão pequeno

Sal e piripiri q.b.

1 iogurte grego

 

PREPARAÇÃO

Numa frigideira funda, colocar o azeite, a cebola e as especiarias e deixar que libertem os sabores e refogem ligeiramente. De seguida, adicionar o alho e envolver. Juntar a carne e temperar com sal e piripiri. Deixar a carne cozinhar.

 

Depois, se tiver muito líquido, deixar escorrer num passador fino. Juntar os coentros picados, regar com sumo de limão e envolver.

 

Entretanto, cortar a massa filo em tiras de 8 cm de largura. Pincelar com um pouco de azeite. Com uma colher de sopa, colocar o preparado numa das pontas da tira de massa e enrolá-la, dobrando as margens para dentro e depois fazendo triângulos até terminar a tira. Colar com um pouco de azeite e dispor num tabuleiro de ir ao forno devidamente forrado com papel vegetal.

 

Levar ao forno aquecido a 200º C por cerca de 12 minutos ou até a massa estar dourada.

 

Servir com iogurte grego e coentros picados.

 

Chamuças no forno

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Muffins de frutos vermelhos

por Paula, em 09.07.14

Muffins de frutos vermelhos

 

Os frutos vermelhos são antioxidantes. Esta característica faz deles bons aliados para um pequeno-almoço mais doce ou, se adicionados a papas de aveia, mais natural e consequentemente de acordo com uma dieta saudável.

 

Mas para um lanche que convida a boa conversa e a uma chávena de chá, uns muffins com os ditos frutos são, digo eu, a escolha perfeita. Entre um assunto e outro, vão-se saboreando sem cansar e sem pesar, pois são equilibrados para se comerem sem culpas.

 

Muffins de frutos vermelhos

 

 

INGREDIENTES

(para 12 unidades)

 

200 g de farinha com fermento

150 g de farinha integral

100 g de açúcar amarelo + um pouco para polvilhar

150 g de frutos vermelhos

2 ovos

250 ml de leite

125 g de manteiga derretida

 

PREPARAÇÃO

Começar por pré-aquecer o forno a 200ºC e colocar forminhas de papel num tabuleiro para muffins antiaderente.

 

Depois, peneirar as farinhas para um recipiente largo, juntar o açúcar e as framboesas e fazer uma cova no centro.

 

De seguida, bater o leite com os ovos. Adicionar o preparado e a manteiga à mistura de anterior. Mexer, com uma colher de metal, até estar tudo misturado (mas não em demasia, pois deverão ficar alguns grumos).

 

Encher as formas com a ajuda de duas colheres de sopa até ¾ com a massa.

 

Polvilhar a massa com um pouco de açúcar e levar ao forno durante cerca de 20 minutos.

 

Retirar, esperar cinco minutos e depois colocar a arrefecer numa rede.

 

Muffins de frutos vermelhos

 

Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Uma verdadeira pérola

por Paula, em 04.07.14

 

É fresquinho na blogosfera do Sapo e é um mimo de blog. Chama-se "Botão de Pérola" e na verdade é o rosto de um atelier de costura e artesanato com uma componente de retrosaria, com espaço para venda de artigos em segunda mão a preços simbólicos,  sito na vila de Atouguia da Baleia, que surgiu da necessidade da sua autora e artesã renascer, pelas suas filhas, da dor  e para fazer face às dificuldades financeiras que o desemprego e a viuvez lhe trouxeram.

 

Botão de Pérola

 

É um espaço que promete bons trabalhos de artesanato com tecidos, E.V.A., malhas, crochet e outros materias que se encontram no mercado, aliando a tradição à modernidade. Vale a pena visitar tanto o blog como o atelier e aproveitar as promoções e os workshops que a Carla vai fazendo.

 

Boas descobertas!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Receita simples em post intimista

por Paula, em 03.07.14

Botão de Pérola

Ramo de flores elaborado pela "Sonhos e Lembranças"

 

Há acontecimentos na vida de cada um que deixam marcas difíceis de ultrapassar. 2012 revelou-se um ano terrível na vida da minha família. O ano começou com o desemprego a instalar-se no quotidiano de alguns familiares, enquanto outros saíam para o trabalho mas sem vislumbrar o fim do mês… Apesar disso, havia um motivo de alegria: nascia o membro mais novo da família que viria a ser minha afilhada. Julho foi o mês escolhido para o baptizado, não obstante a minha irmã Carla estar ainda desempregada.

 

Chegado o fim-de-semana do acontecimento, ultimámos os preparativos finais, desconhecendo que aquele Domingo nos traria mais tristeza do que alegria. O destino gozava-nos, ria-se entre dentes da maldade que nos preparava.

 

Fomos à igreja, seguimos para o almoço simples preparado por amigos do João, o meu cunhado, convivemos e, antes de me ir embora, disse-lhe, num sentimentalismo pouco habitual em mim, que aquele tinha sido um dia feliz. O João acompanhou-me ao carro e despedimo-nos. Finalizei dizendo para ele ir para perto das suas meninas. Voltou-se e calculando os passos para a porta que não via, foi para casa. Ainda teve tempo para brincar com os filhos...

Atouguia da Baleia

Atelier "Botão de Pérola"; Igreja Nossa Senhora da Conceição; Coreto e Touril na Atouguia da Baleia

 

De regresso ao meu lar, a minha irmã mais nova informa-me que temos de regressar a casa da minha irmã Carla, pois o meu cunhado tinha falecido. O choque e a confusão tomaram conta de mim. Por momentos, pensei que estava a ter um sonho mau. Mas não. O pesadelo era real e doía muito.

 

Faz, pois, para a semana, dois anos que acompanho a minha irmã Carla nesta viagem dolorosa de criar duas crianças e de tentar colocar a dor de lado por elas. Como lidar com o próprio sofrimento e tentar explicar o desaparecimento do pai a uma criança de quatro anos? Como dizer que o pai já não vai voltar a brincar com ela? Como responder às suas perguntas-afirmações sobre o que fazer com as roupas do pai que se mantinham no mesmo lugar? E porque é que os médicos no Céu não conseguem curar o pai? Como lidar com as insónias de uma criança que, de madrugada, se senta no chão e diz que não tem sono porque tem saudades do pai ou porque quer uma nova explicação para a sua ausência? Como aliviar a dor de uma criança que tenta disfarçar o seu sofrimento para proteger a mãe? E tantas outras dificuldades.

 

Artigos Botão de Pérola

Trabalhos do "Botão de Pérola"

 

Felizmente, este ano, a Carla reuniu forças e, ainda desempregada, conseguiu lançar o seu projecto de trabalho. Todos ajudámos à nossa maneira, claro. O meu pai pintou o espaço e deu um móvel antigo que estava na garagem à espera de melhores dias; a minha mãe ajudou na elaboração de alguns trabalhos de crochet; a minha amiga Sílvia doou umas mesas para servirem de balcão; a SE através da minha irmã Vera deu umas estantes que servem de prateleiras; o meu irmão Miguel contribuiu com um móvel e elaborou a parte da publicidade; o meu cunhado Ralph colocou os candeeiros; a amiga e comadre Marina ajudou a encontrar o espaço para o atelier, com a apresentação de ideias, na confecção de alguns artigos e na elaboração das montras; a minha amiga Isabel deu um cadeirão; a Ana ajudou a restaurar o móvel antigo (um trabalho incrível); os sogros e os cunhados da minha irmã ajudaram a montar as prateleiras e o provador; a D. Maria Gil, da "Sonhos e Lembranças" ofereceu um lindo vaso de orquídeas para alegrar o espaço e bons conselhos. No fundo, as pessoas que lhe querem bem e que são realmente suas amigas, juntaram-se e ajudaram como podiam de modo a que o atelier fosse montado quase a custo zero – o que foi possível!

 

Rolinhos de salmão fumado

 

É neste contexto que surge esta entrada simples. Servi-a no dia em que a Carla inaugurou o “Botão de Pérola”, um atelier de costura, artesanato e retrosaria, situado no largo da Atouguia da Baleia, junto à Igreja Nossa Senhora da Conceição. O dia, felizmente, correu bem. Agora, espero que o resto também corra muito bem e que lhe dê o sustento de que tanto necessita para criar as filhas e pagar as suas contas.

 

Espreitem o blogue “Botão de Pérola”, façam sugestões e visitem o atelier e a lindíssima vila de Atouguia da Baleia.

 

ROLINHOS DE SALMÃO

 

INGREDIENTES

1 Embalagem de wraps*

3 Embalagens de salmão fumado

250g de queijo creme

Rama de funcho q.b.

PREPARAÇÃO

Barrar os wraps com o queijo creme. De seguida, dispor o salmão e finalizar com o funcho. Enrolar os wraps e cortar em fatias ligeiramente largas. Servir bem fresco.

 

Citando Donna Hay: fast, fresh and simple! Não suja muita loiça e ainda prescinde do fogão.

 

Rolinhos de salmão

 

*Encontram-se à venda nos supermercados junto do pão de forma e afins.

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Risotto de morangos

por Paula, em 19.06.14

Risotto de morangos

 

Que um bom risotto é um bálsamo para alma, ninguém duvida. O que poucos saberão é do gosto incrível de um risotto com sabor a festa e a Verão.

 

Ligeiramente avinagrado e frutado, este prato é ideal para um jantar de amigos ou… para um momento mais romântico – a dois.

 

Morangos

 

 

INGREDIENTES

300 g de morangos, cortados em pedaços

2c. de sopa de açúcar

2 c. de sopa de vinagre de framboesa

1 cebola, picada

80 g de margarina

300 g de arroz arborio

2 dl de espumante ou champanhe

1,3 l (aproximadamente) de água a ferver

Sal q.b.

 

PREPARAÇÃO

Fazer uma marinada com os morangos, o açúcar e o vinagre de framboesa e reservar.

 

Num tacho largo, derreter uma parte da manteiga, adicionar a cebola e deixar alourar. De seguida, juntar o arroz e deixar fritar um pouco, mexendo sempre.

 

É então altura de refrescar com o espumante e deixar cozinhar sem parar de mexer até o arroz absorver praticamente todo o líquido.

 

Temperar com sal e adicionar a água aos poucos. Uma concha de sopa de cada vez, deixando que o arroz absorva o caldo entre cada adição.

 

Quando o arroz estiver cozido, juntar a restante manteiga e mexer bem. Por fim, juntar os morangos e a marinada e envolver.

 

Servir guarnecido com folhas de hortelã.

 

Risotto de morangos

 

Bom apetite!

Que bos faga bun porbeito!

Autoria e outros dados (tags, etc)


«Qualquer coisa de bom» para ler

por Paula, em 18.06.14

Lula recordou as palavras da mãe: «Quando quiseres dar mimo a alguém, faz-lhe um belo risotto giallo.» Achou que era um bom prato para aquecer o coração daqueles homens desesperados. Colocou em cima de uma mesa os ingredientes de que precisava e depois começou a cortar a cebola branca em pequenos dados. Deitou-os numa caçarola com um fio de azeite e deixou-os fritar até ficarem loiros. Depois deitou por cima uns punhados de arroz e esperou que ficasse translúcido antes de o regar com um borrifo generoso de vinho branco.

 

Nesse momento, alguns rostos curiosos assomaram à entrada da cozinha. Aqueles homens tinham encontrado um refúgio naquele sítio, nunca tinham sentido um perfume tão agradável e apetitoso. Lula não reparou neles, pois estava demasiado concentrada na preparação do risotto.

 

Manteve o lume vivo durante uns minutos para que o álcool do vinho evaporasse, e depois deitou na caçarola umas colheres de caldo a ferver, que tinha obtido desfazendo um cubo de caldo de carne em água quente. Mexeu tudo delicadamente até que o arroz atingiu o grau de cozedura ideal e, nesse momento, juntou o açafrão.

 

Desligou o fogão e deixou repousar o risotto durante uns minutos.

 

Depois despejou na caçarola um pacote de parmesão ralado e começou a mexer os grãos inchados e amarelos como pétalas de girassol.

 

Só então viu os homens parados à porta da cozinha, sem ousarem entrar.

 

Qualquer coisa de bom - livro

Créditos da imagem: http://www.fnac.pt

 

«Qualquer coisa de bom», de Sveva Casati Modignani, é um romance que nos transporta para o mundo dos sabores, dos aromas e da paixão pela cozinha aliada à vontade de ajudar os outros.

 

Sveva Casati Modignani é o pseudónimo de um casal de autores italianos: Bice Cairati e Nullo Cantaroni (já falecido). Enquanto ela é a autora da história e “mãe” das personagens, ele era o crítico e o angariador das receitas.

 

Bice acredita que a cozinha tem verdadeiramente «implicações psicológicas na forma como afecta o ser humano, de forma que se torna até uma espécie de elemento na medicina: uma pessoa pode curar-se comendo e bebendo». Para ela, o fascínio da culinária está no momento em que «uma mulher se coloca em frente do forno e se torna numa espécie de alquimista, aquele que sonha transformar em ouro um conjunto de metais. Ela transforma num prato o que, á partida, são simples ingredientes. Mesmo quando se prepara uma gelatina de frutos silvestres, olha-a e imagina um cristal de diferentes cores. É por esta razão que o trabalho na cozinha é muito gratificante, além de que permite descobertas sucessivas: o que ficará melhor com o quê, que sabor originará uma determinada mistura…»*

 

 

Sinopse:

A leitura do testamento de Alessandra Pluda Cavalli vai provocar um tremendo choque ao seu marido, Franco, e aos seus três filhos. A parte mais substancial do património vai na verdade para Ludovica Magnasco, porteira do prédio em que vive a família Cavalli. Ludovica, a quem todos chamam Lula, sente-se igualmente perturbada por este legado, cujo significado não consegue alcançar. Lula, que tem tido a sua conta de adversidades, é amada e respeitada por todos os moradores do prédio graças à sua inteligência e bom carácter. Mas tal não é suficiente para explicar o que terá levado Alessandra a deixar-lhe aquela fortuna. Certamente que não foram as pequenas delicadezas com que por vezes Lula a agraciava, nem tão-pouco as confidências que trocavam. A explicação, que tem as suas raízes num segredo de família desde sempre guardado com zelo, afecta-a e perturba-a, mas não altera as suas convicções: o dinheiro só nos ajuda a viver melhor se o usarmos também para nos tornarmos úteis ao próximo. A indicar-lhe o caminho certo está agora o acaso, que cruza o seu destino com o do fascinante Guido Montini, um reputado veterinário dedicado a acções de voluntariado. Juntos formam um casal magnífico e têm a possibilidade de fazer algo de verdadeiramente bom...

 

Com este romance, Sveva Casati Modignani presenteia os leitores com uma história em que os momentos dramáticos se alternam com momentos de humor subtil e passagens plenas de ternura e nostalgia, mas onde prevalece sobretudo uma sincera solidariedade para com quem nos rodeia e mais precisa de nós.

 

Este foi um dos livros mais agradáveis que li e cuja leitura recomendo vivamente. A particularidade de associar a cozinha às emoções e à aprendizagem de viver é o que me prende à obra da autora.

 

Bom apetite e boas leituras!

 

 

*Excerto de entrevista concedida pela autora à revista Lux Woman

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D