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Hoje, o meu coração está de luto.

 

Perdi um grande amigo. Choro. Faço um esforço para não chorar. Mas as lágrimas e os soluços teimam em saltar. Não era assim que ele gostaria que eu estivesse. Ele que afastava as vicissitudes da vida – e foram tantas! – com uma gargalhada solta como que desafiando tudo e todos. As lágrimas, essas, escondia-as.

 

Conversávamos sobre tudo e sobre nada. Depois, vinha a poesia em mirandês, onde largava o seu ser, a sua alma, o seu verdadeiro eu. O mirandês que me encantava e que me encanta. Lia a sua poesia de uma forma suave, doce, meiga. As palavras saiam como que murmuradas, ainda que não o fossem. Falava-nos ao coração. Era assim o meu amigo. Um homem inteligente, bom, sensível.

 

Tenho saudades suas! – disse-lhe. Volto no Sábado para lermos mais um pouco. – acrescentei.

Gostava muito, Paula! – as palavras saem acompanhadas de um aperto na minha mão que segurava no seu colo.

Mas a leitura de Sábado não aconteceu. E não voltámos a falar.

 

E agora, tenho ainda mais saudades suas!! Muitas!

 

Mas o meu amigo não me queria ver assim. Isso eu sei.

An ruin anho, buona cara!

 

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Fotografia retirada do Facebook 

 

"NACIMIENTO DE COUSAS NUOBAS"

Morriu-se hoije, 1 de márcio, an sue casa, an Lisboua, l poeta, scritor i jurista Amadeu Ferreira, por bias de padecer de un cáncaro de l celebro hai mais de anho i meio.Cumprindo-se l sou pedido, l cuorpo será cremado. Nun haberá cerimónias fúnebres.

 

Eiran a realizar-se dues houmenaiges an sue mimória esta sumana: ua l die 3, terça, apuis l meio de la tarde,an Lisboua, na Casa de Trás-ls-Montes; outra l die 4,a la tarde, na sue tierra, an Sendin, Miranda de l Douro, na Casa de la Cultura, adonde ls amigos poderan rendir le houmenaige, lendo testos de l’outorie de l scritor ou simplemente passando.

 

Amadeu Ferreira naciu a 29 de júlio de 1950 an Sendin, Miranda de l Douro. Era persidente de la Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa, persidente de la Academie de Lhetras de Trás-ls-Montes, bice-persidente de la Comisson de l Mercado de Balores Mobiliairos (CMVM), porsor cumbidado de la Faculdade de Dreito de la Ounibersidade Nuoba de Lisboua, membro de l Cunseilho Giral de l Anstituto Politécnico de Bregáncia i, zde 2004, comendador de la Orde de lMérito de la República Pertuesa.

 

Outor i tradutor dua bastíssema obra an pertués i mirandés, tamien culs pseudónimos Fracisco Niebro, Marcus Miranda i Fonso Roixo, Amadeu Ferreira dou mos obras científicas i lhiterairas, an poesie i an prosa. Antre muitas outras publicou: ne l Dreito, "Homicídio Preveligiado" i"Direito dos Valores Mobiliários"; an poesie,"Cebadeiros", "Ars Vivendi / Ars Moriendi" i "Norteando"; an prosa, "La bouba de la Tenerie / Tempo de Fogo", "Cuntas de Tiu Jouquin", "Lhéngua Mirandesa – Manifesto an Forma de Hino" i "Ditos Dezideiros / Provérbios Mirandeses". Traduziu pa la lhéngua mirandesa obras cumo "Ls Quatro Eibangeilhos", "Ls Lúsiadas", de Luís Vaz de Camões, "Mensaige", de Fernando Pessoa, dues abinturas de "Astérix" i obras de Hourácio, Bergildo i Catulo, antre muitos outros.Alhá desso,fuicolaborador, subretodo an mirandés, de de lJornal Nordeste, adonde mantenie hai muitos anhos la Fuolha Mirandesa, de lMensageiro de Bragança, de lDiário de Trás-os-Montes, de lPúblico i de la rádio MirandumFM, i publicoumais de trés mil testos, quaijeque todos lhiterairos,an blogues cumo Fuontes de l Aire,Cumo Quien Bai de Camino i Froles Mirandesas.

 

La sue biografie i l sou mais reciente lhibro, “Belheç / Velhice”,tenen salimiento marcado pa l die 5 de márcio, esta sumana, na Faculdade de Dreito de la Nuoba de Lisboua. Neste últimopuode ler se pula mano de l sou pseudónimo Fracisco Niebro:

 

"Hai un tiempo para nacer i un tiempo para un se morrer. L'alma nun puode bolar pa l cielo. Senó, cumo podien nacer cousas nuobas? Essa ye la rucerreiçon de las almas: son bidas nuobas. Son bichicos, arbicas i todo l que bibe. Ye por esso que fázen mui mal an anterrar las pessonas ne l semitério: habien de las anterrar pul campo para ajudar las almas a nacer. Assi, Dius, seia quien fur, ten muito mais trabalho."

 

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Salada de polvo, quinoa e beterraba

por Paula, em 24.02.15

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Por vezes a conjugação de determinados ingredientes surpreendem. Pensa-se nas texturas, nas cores, nos sabores e as coisas começam a conjugar-se. Depois é só arregaçar as mangas e fazer. No final, espera-se algo de bom para fazer valer o esforço e para alimentar o ego - que também precisa.

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Esta salada é resultado de um desses momentos. A doçura e o sabor térreo da beterraba conjugam maravilhosamente bem com a ligeira acidez do vinagre e da lima. Os restantes ingredientes parecem seguir aquele conjunto, fazendo de uma simples salada quente uma verdadeira festa.

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INGREDIENTES

1 polvo

1 cebola

1 folha de louro

Quinoa q.b.

1 dente de alho, picado

1 c. de sopa de azeite

1 c. de sopa de vinagre de framboesa

2 anchovas

Coentros a gosto, picados

1 beterraba cozida, cortada em cubos

1 lima

 

PREPARAÇÃO

Cozer o polvo na panela de pressão com um pouco de água, a cebola e a folha de louro. Quando estiver cozido, partir em pedaços e reservar.

 

Cozer a quinoa de acordo com as instruções da embalagem. Reservar.

 

De seguida, colocar o azeite numa frigideira larga e funda. Juntar o alho e as anchovas. Deixar refogar um pouco. Entretanto, adicionar o polvo e envolver. Colocar, então, a beterraba e voltar a envolver. Juntar os coentros e  regar com o vinagre de framboesa.

 

Adicionar a quinoa cozida, envolver e finalizar com mais coentros frescos, um pouco de azeite e sumo da lima (a gosto).

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 As cores, as texturas, os sabores tornam esta salada muito apelativa e saborosa. Que o sabor não me engana... ;-)

 

Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

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Lançamento de “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”, de Teresa Martins Marques

(Âncora Editora)

Dia 5 de Março

18H00

Universidade Nova de Lisboa

Campolide

 

Amadeu Ferreira é uma figura incontornável na defesa da língua mirandesa. É, também, um homem ligado ao Direito, área em que desenvolveu a sua profissão. Acidentalmente ligado aos valores mobiliários, este jurista rapidamente se tornou um professor e um profissional indispensável nas salas da Faculdade e no mercado de capitais devido à sua inteligência, capacidade de trabalho e humanismo. Hoje, é Vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), professor na Universidade Nova de Lisboa e autor de grande parte  de legislação que ainda está em vigor nesta área. Apesar de tudo, nunca largou as suas raízes nem esqueceu a língua em que mamou: o mirandês.

 

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Teresa Martins Marques, a autora de O Fio das Lembranças - Uma Biografia de Amadeu Ferreira, dá-nos a conhecer este transmontano adoptado por Lisboa em todas as vertentes. Para o efeito, procedeu a uma pesquisa exaustiva de todos os acontecimentos que ocorreram pelo mundo no dia em que Amadeu Ferreira nasceu, bem como a entrevistas a familiares, amigos e colegas. Senhora das letras, tem várias obras publicadas, das quais destaco o seu último romance A Mulher que Venceu D. Juan. É doutorada em Literatura e Cultura, na especialidade de Estudos Portugueses, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Actualmente é investigadora integrada no Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, da mesma Universidade. Foi  membro da equipa do Instituto de Lexicologia e Lexicografia  da Academia das Ciências de Lisboa, entre  1992 e 1995, com funções específicas de coordenação da nomenclatura literária. Dirigiu a equipa de organização do espólio de David Mourão-Ferreira, em regime de destacamento de serviço do Ministério da Educação para a Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1997 e 1999 e como bolseira do Ministério da Educação, entre 1999 e 2004, num total de 7 anos a trabalhar o espólio do escritor, sobre o qual viria a fazer a  tese de doutoramento  intitulada Clave de Sol  - Chave de Sombra - Memória e Inquietude em David Mourão Ferreira. Dirigiu e prefaciou a Edição das Obras Completas de José Rodrigues Miguéis, em 13 volumes, (Círculo de Leitores,1994-1996)  no próximo ano, vai voltar  a dirigir esta edição na Porto Editora. Tem abundante colaboração em jornais e revistas especializadas - Colóquio-Letras, Foro das Letras, Relâmpago, O Escritor, Mealibra, Letras Com Vida, Matraga, Metamorfoses (Rio de Janeiro), Navegações (Rio Grande do Sul).

 

Esta obra acaba por ser mais do que uma biografia. É um retrato sociológico do Portugal da segunda metade do século XX. Através da vida de Amadeu Ferreira - uma vida cheia, como poderão constatar através do livro - vamos tendo a noção da vida rural de Trás-os-Montes, da evolução das ideias e dos ideais que ditaram o 25 de Abril, do período político que se seguiu a esta revolução, do nascimento e evolução do mercado de capitais em Portugal e do renascimento da segunda língua oficial de Portugal, o mirandês. A biografia deste homem notável que Portugal teve a honra de receber na sua vida é, perdoem-me a redundância, mais do que isso. É uma obra imperdível!

 

A segunda parte da biografia é constituída por diversos testemunhos em que tenho a honra de participar com um pequeno texto.

 

“Há Homens cuja força de carácter se pressente à distância e se afirmam através da vontade férrea do seu querer.

Há Homens que por vezes sobrevoam o próprio Tempo, transformando sílabas de alfabetos perdidos em linguagem compreendida pelos outros homens.

Embalando a montanha e os seus musgos, ou simplesmente cumprindo alguma promessa antiga, trazem consigo e como testemunho a marca indelével do Tempo.”

António Afonso, in “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira

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“Conhecemo-nos há vinte anos. No dia 26 de Maio de 1993, em jornadas promovidas pelo Banco de Portugal e pela Associação Portuguesa de Bancos, proferi uma conferência intitulada Desmaterialização dos títulos de crédito: valores mobiliários escriturais. No final da intervenção, o Amadeu Ferreira interpelou-me com uma objecção acerca de opinião que eu expusera. Quando, no mesmo ano, publiquei na Revista da Banca, n.º 26, o texto revisto da minha conferência, agradeci em nota (p. 35) as “argutas observações” do Dr. Amadeu José Ferreira, procurando então, sem o contrariar, uma saída técnico-jurídica para o seu argumento.”

Carlos Ferreira de Almeida, in “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”

 

“Anho 2000. Corria o mês de Março. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) recebia um novo Conselho Directivo e entrava em vigor o (novo) Código dos Valores Mobiliários que tinha sido objecto de alargada discussão e de cujo grupo de trabalho fizera parte o Dr. Amadeu Ferreira. Estas mudanças davam início a uma nova fase na sua vida profissional, porquanto assumia a função de vogal daquele órgão deliberativo, mas também na minha.”

Paula Freire, in O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”

 

E porque acredito que a rota escolhida pelo nosso Amigo Amadeu Ferreira é a mais maravilhosa aventura que a Humanidade pode viver, convido todos a entrar e a viajar neste sonho de Luz e de Paz!”

Luís Vaz das Neves, in “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”

 

Boas leituras e boas descobertas!

Buonas lheituras e buonas sçubiertas!

 

 

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“Estiveram toda a tarde a dançar aqui no largo da rua da Frágua. Um jovem esforçava-se por tocar muita gaita-de-beiços. Apenas parou quando quase todos seguiram para o Bairro Alto. Dei comigo a pensar que nunca ouvi aquela cantiga, muito diferente das que eu aprendi. Há coisas, por exemplo as cantigas, em que já não caibo, mundos que parecem já nada ter a ver comigo.”

 

É assim que começa o livro Belheç (Velhice), de Fracisco Niebro (um dos pseudónimos de Amadeu Ferreira), escrito em mirandês e em português, enriquecido com desenhos de Manuel Bandarra, que nos dá a conhecer os textos de “um velho de oitenta anos, a viver nos anos cinquenta do século XX, numa aldeia transmontana, que se senta todos os dias no poial da sua porta de casa e vê passar o mundo nas pessoas da sua aldeia.” O autor veste desta forma a pele de um homem pouco letrado que escreve com uma clareza e simplicidade puras, deixando-nos por vezes a reflectir nas suas palavras.

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A apresentação deste novo trabalho terá lugar no próximo dia 5 de março, pelas 18H00, em simultâneo com o lançamento da sua biografia escrita por Teresa Martins Marques, na Universidade Nova de Lisboa, em Campolide. São ambos publicados pela Âncora Editora.

 

Um lançamento imperdível.

 

Até lá!

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Bolo de tangerina com glacé

por Paula, em 18.02.15

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Antes de mais, fica o aviso à navegação de que este post não é a publicação atrasada de algo que se prenda com o "Dia dos Namorados". Não tenho nada contra, mas a verdade é que não costumo dar-lhe muita importância aqui no blogue.

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Por outro lado, nós por cá, temos como lema que os vários tipos de amor se celebram todos os dias com gestos como um sorriso, um elogio, um galanteio, uma flor, uma ajuda nas tarefas do dia-a-dia, uma opinião sincera, um apoio numa situação qualquer, um beijo, um abraço, um gesto inesperado, uma mão dada, um carinho, um bolo, uma festa no rosto, um olhar meigo e sincero.  Sem o amor em todas as suas formas, não somos seres completos.

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 INGREDIENTES

4 tangerinas, descascadas e sem sementes

2 ovos

170 g de farinha branca

150 g de farinha integral

1 c. de sopa de fermento

100 g de açúcar amarelo

100 ml de óleo de girassol

 

Para o glacé

1 clara de ovo

100 g de açúcar em pó

1 c. de sopa de óleo

Raspa de uma tangerina

 

PREPARAÇÃO

Aquecer o forno a 160.º C. Untar uma forma de bolo inglês com um pouco de óleo e farinha. Retirar o excesso de farinha. Reservar.

 

Num copo misturador ou liquificadora, colocar as tangerinas, o açúcar, os ovos e o óleo de girassol. Triturar tudo até obter um puré cremoso.

 

Numa tigela, colocar as farinhas e o fermento peneirados. Adicionar lentamente o puré de tangerina à medida que se vai mexendo.

 

Colocar a massa na forma e nivelar com a ajuda de uma espátula. Levar ao forno durante cerca de 40 minutos. Fazer o teste do palito antes de retirar o bolo do forno.

 

Enquanto o bolo está a cozer, poderá preparar-se o glacé. Para o efeito, juntar o óleo e a raspa de laranja ao açúcar em pó e envolver. Depois, bater a clara em castelo e adicionar, aos poucos, ao açúcar.

 

Quando o bolo estiver morno, fazer uns buracos com a ajuda de um palito e barrar com o glacé. Deixar repousar uma hora antes de servir.

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Este bolo não fica muito doce. Tem uma consistência compacta agradável (ou seja, não fica muito fofo). O facto de se picar com o palito, ajuda a que a glacé penetre no interior do bolo e lhe confira alguma humidade.

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Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

 

Nota: Esta receita foi retirada da revista Cozinha Fácil, de Janeiro de 2015.

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Farinha de Abóbora

por Paula, em 17.02.15

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A paisagem do Vale de Alvoco da Serra não era como a conhecemos hoje. Foi apenas a partir do século XIX que a Serra da Estrela viu as suas "saias" ganharem novos contornos. A "revolução" deu-se por conta do milho. 

 

Embora tenha crescido habituada a ver nascer tudo o que se plantava nas terras do Aguincho, a verdade é que nem sempre foi assim. Por um lado, as terras eram efectivamente pouco férteis; por outro, havia escassez de variedade de produtos, pelo que cada região produzia o que mais dava ou tinha para cultivar. No caso das aldeias serranas, predominava o centeio e o trigo que se adaptavam a solos mais pobres. Todavia, as sementes destes cereais rendiam pouco.

 

O milho surgiu em Portugal por volta do século XVI, mas só se estendeu às Beiras nos séculos XVIII e XIX. Sendo um cereal de bom rendimento, depressa tomou o lugar principal de cultivo. Como necessitava de bastante água, era necessário adaptar as terras íngremes ao seu cultivo e à rega. Surgem assim as levadas que conduziam as águas das ribeiras para os socalcos feitos pelos agricultores. Com esta revolução, surge também a figura do zelador das levadas, que era nomeado pelas gentes da aldeia e pago pela paróquia, que determinava as horas a que cada um podia regar. E quem fosse nomeado para a função, não podia recusar. Este sistema de uso das águas das levadas, ainda está em vigor nestas aldeias.

 

A transumância era habitual nas terras serranas, sendo que o gado era constituído essencialmente por cabras e ovelhas. Com a introdução do milho, a forragem começa a ser utilizada no Inverno para alimentar os animais, dando lugar ao esmorecimento daquela actividade, que tanto rendimento trouxe ao Vale de Alvoco, e ao aproveitamento do estrume para adubar as terras. No século XX, ainda era este o quadro da agricultura serrana. Muitas foram as viagens de Lisboa para o Aguincho em que eu e o meu pai levávamos carregos de estrume retirado das capoeiras das galinhas e dos coelhos para adubar a terra escura dos socalcos que iriam receber as batatas.

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A farinha de abóbora é um prato que se cozinhava em casa dos meus avós paternos que viviam no Aguincho. Era feito essencialmente para comer ao pequeno-almoço, mas também era servido como sobremesa. Para o efeito, adicionava-se mel, pois não havia açúcar à disposição.

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Os naperons são um produto artesanal da Botão de Pérola.

 

FARINHA DE ABÓBORA DO AGUINCHO

(Receita da minha mãe)

 

INGREDIENTES:

400 g de abóbora cozida e escorrida

3 c. de sopa de farinha de milho

3 c. de sopa de mel de rosmaninho ou de açúcar amarelo

150 ml de leite

1 gema de ovo

1 pau de canela

1 raspa de limão

 

PREPARAÇÃO:

Desfazer a abóbora, já cozida num pouco de água temperada com sal e escorrida, com a ajuda de um garfo (para uma apresentação mais rústica) ou com a ajuda da varinha mágica.

 

Num tacho, colocar o leite e juntar a gema de ovo. Mexer bem até esta se desfazer. Adicionar o açúcar e a farinha peneirada. Mexer bem com a ajuda de uma vara de arames, para não criar grumos.

 

De seguida, juntar a abóbora, o pau de canela e a raspa de limão. Colocar o tacho  ao lume. Envolver bem o preparado. Ir mexendo e deixar ferver até que ganhe a consistência desejada (tipo leite-creme).

 

Colocar em taças e decorar a gosto com canela ou frutas da época.

 

 

A receita original não leva canela nem limão. Esta é a versão da minha mãe para a enriquecer um pouco mais.

 

Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

 

 

Nota: Os naperons são um produto artesanal da Botão de Pérola.

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Os dias correm frios, não deixando o Inverno a sua identidade por mãos alheias. Solta-se o vento norte, varrendo as ruas na sua viagem nocturna, acompanhado da fria geada. Um par tão infalível quanto a estação que os acolhe!

 

Nesta cordilheira de dias frios, ressoa o clamor pela lareira e pelos pratos quentes, divididos entre família e amigos. Nada mais se deseja do que o simples e caloroso convívio em torno da mesa, com aqueles de quem gostamos.

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INGREDIENTES:

2 embalagens de massa quebrada

1 kg de maçãs

1 limão

1 morcela

1 cebola, picada

3 c. de sopa de azeite

Óleo q.b.

250 ml de vinho do Porto branco

3 c. de sopa de mel (rosmaninho)

2 cravinhos

2 c. de sopa de manteiga

Canela moída q.b.

Noz-moscada (ralada na hora) q.b.

 

PREPARAÇÃO:

Ligar o forno a 180.º .

 

Untar um tabuleiro de formas para empadas (ou formas individuais) com um pouco de óleo (com a ajuda de papel de cozinha, para não deixar óleo a mais).

 

Cortar metade da quantidade de maçãs em pequenos cubos e regar com sumo de limão para não oxidar. De seguida, colocar o azeite numa caçarola, juntar a cebola e deixar refogar cerca de 10 minutos. Se necessário ir adicionando colheres de sopa de água para não deixar queimar.

 

Entretanto, retirar a tripa da morcela e, com ajuda de um garfo, desfazê-la. Reservar.

 

Adicionar as maçãs cortadas em cubos à cebola e deixar cozinhar cerca de 5 minutos.

 

É então altura de adicionar a morcela. Deixar cozinhar cerca de 3 minutos e envolver bem no preparado. Reservar.

 

Cortar a massa com um cortador circular (uma chávena também serve) com duas medidas diferentes: uma para a base e outra para a tampa da empada. Dispor as bases no tabuleiro das formas e rechear com o preparado da morcela. De seguida, colocar a tampa e fechar, pressionando a massa (pode utilizar um ovo batido e pincelar, para ser mais fácil). Levar ao forno cerca de 15 a 20 minutos, até a massa ficar cozida.

 

Cortar as restantes maçãs em rodelas e regar com sumo de limão. Numa sertã, colocar a manteiga. Quando esta tiver derretido, adicionar as maçãs e polvilhar com canela e noz-moscada a gosto. Saltear durante dois a três minutos.

 

Finalmente, preparar a calda. Para o efeito, levar um tacho ao lume com o vinho do Porto, o mel e o cravinho. Deixar levantar fervura e engrossar ligeiramente. Deixar arrefecer um pouco antes de servir com as empadas, rodeadas das fatias de maçãs e regadas com esta maravilhosa calda.

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O sabor da maçã torna a o gosto da morcela mais leve. Quando regada com a calda, eleva-se então a outro patamar onde o paladar descobre sabores leves e simultaneamente ricos. É uma entrada que resulta muito bem e que cria alguma expectativa quanto ao resto dos elementos que comporão a eventual ementa.

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Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

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Ervilhas com ovos escalfados

por Paula, em 11.02.15

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Ervilhas com ovos escalfados é um prato que me lembra bastante a infância e que representa o que gosto de chamar de "comida conforto". O cheiro que invade a cozinha, o vapor agradável que se sente quando se destapa o tacho e as cores que preenchem o olhar, são bálsamos para a alma. Tudo é conforto, alegria, mimos em forma de bolas redondas que explodem na boca despertando o paladar.

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INGREDIENTES:

500 g ervilhas congeladas

250 g de toucinho fumado, em pedaços

2 cebolas, picadas

2 dentes de alho, picados

4 tomates, sem pele e picados

Azeite q.b.

Sal e pimenta q.b.

Água q.b.

1 c. de sopa de vinagre

4 ovos

 

PREPARAÇÃO:

Num tacho, colocar o azeite e a cebola e deixar refogar ligeiramente. De seguida, juntar o alho e deixar refogar mais um pouco. Adicionar então o toucinho fumado e deixar que liberte o seu sabor. Depois, juntar o tomate ao refogado e finalmente as ervilhas. Temperar com sal e pimenta a gosto. Deixar cozinhar cerca de 20 minutos, até as ervilhas estarem tenras.

 

Aquecer água num tacho pequeno (ou num fervedor) e juntar o vinagre. Mexer bem a água com uma colher até que crie um remoinho. Nessa altura, juntar o ovo e deixar que cozinhe. Repetir a mesma operação para cada ovo.

 

No fim, servir as ervilhas com os ovos escalfados e mais um pouco de pimenta.

 

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Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

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L mirandés

por Paula, em 08.02.15

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“Há palavras que, quando as dizemos, nos deixam com pele de galinha, mas apenas nós nos apercebemos; há sons que nos envolvem como uma onda de calor, mas apenas nós sentimos o gelo que por vezes trazemos dentro de nós a derreter; há trejeitos da língua dentro da boca, falando, que nos fazem cócegas que mais ninguém sente; há ditos que não têm outra maneira de se dizer e ninguém se apercebe quando não conseguimos traduzi-los; há coisas que, quando usamos outra língua para as dizer, soam como estranhas e, no fim, ficamos com a ideia de que não fomos capazes de as dizer. Há palavras, sons, ditos, coisas, que dormiram durante tanto tempo connosco, que se tornaram cama para um lado e quando não nos deitamos para esse lado é como dormir sobre uma pedra.”

Amadeu Ferreira, in Língua Mirandesa – Manifesto em Forma de Hino

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Miranda do Douro lutou sempre pela sua identidade, e o mesmo se pode dizer de Amadeu Ferreira. Natural de Sendim, este mirandês tem uma história singular ligada à sua língua materna.

 

Acérrimo e dedicado impulsionador e divulgador da língua mirandesa, foi através dele que esta ganhou a dignidade que lhe era devida. Sem o seu empenho, a língua mirandesa seria mais um pilar da cultura portuguesa que se perderia para sempre. Sobre ela, escreveu um Manifesto em Modo de Hino, publicado pela Âncora Editora. Este Manifesto foi escrito em português pelo Amadeu Ferreira, e em mirandês pelo Fracisco Niebro, um dos seus pseudónimos. O mirandês está-lhe entranhado na alma. Define-o. Alimenta-o.

 

Começou a escrever aos 12 anos. Nessa altura, escreveu poesia, num caderninho quadriculado, sobre o Pinóquio. Mas roubaram-lho. E ele chorou a perda deste trabalho que seria o primeiro de muitos.

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Muitos anos mais tarde, escreveu, num mês, o romance Tempo de Fogo, cuja acção decorre no tempo da Inquisição e conta história de um frade homossexual. (Âncora Editora, 2011).

 

Traduziu para o mirandês várias obras importantes, como os Lusíadas, de Camões; a Mensagem, de Fernando Pessoa; os Quatro Evangelhos; e, a pedido da editora ASA, dois livros: Astérix L Goulés e Astérix L Galaton (uma edição rara com os desenhos originais de Albert Uderzo).

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Mas se sobressai como tradutor e romancista, é como poeta que se pode definir o Amadeu Ferreira. É a poesia que o solta, que o faz “encontrar-se consigo mesmo”. “Leva-me para lá da vida”, diz.

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Nesta vertente literária, escreveu sob vários pseudónimos. Os mais conhecidos são Fracisco Niebro e Fonso Roixo. Do primeiro, deu-nos a conhecer: Cebadeiros (2000) - com os poemas deste livro fez, juntamente com a pintora Balbina Mendes, uma exposição composta por pinturas e poemas, aquando a comemoração do Ano Europeu das Línguas Minoritárias, que percorreu o País -; Las Cuntas de Tiu Jouquin (2001); Cula Torna Ampuosta Quienquiera Ara (2004); Pul Alrobés de ls Calhos (2006); L Mais Alto Cantar de Salomon (2012). L Ancanto de las Arribas de L Douro (2003) – uma edição feita com lindíssimas aguarelas pintadas por Manuol Bandarra, seu irmão. Publicou ainda o livro Ars Vivendi, Ars Moriendi, poesia-bilingue em mirandês e português, Âncora Editora, 2012.

 

Já sob a pena de Fonso Roixo, mostrou-nos L Purmeiro Libro de Bersos (2009), a que se seguiu mais um.

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A banda desenhada também não lhe passou ao lado. Escreveu textos e histórias infantis: L filico, il Nobielho (2006), onde escreve que “hai cousas que nun podemos ber culs uolhos, mas podemos coincer cun outros sentidos”; L segredo de Peinha Campana (2008), conta-nos a história de Sabel, e de um rapazinho que vive numa rocha do Planalto Mirandês, que vai minguando à medida que a qualidade do ar se deteriora. Ambos com ilustrações de uma jovem, Sara Cangueiro.

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Mirandés – Stória dua Lhéngua i dun Pobo, é, como o próprio nome indica, a história da língua mirandesa em banda desenhada. Com desenhos de José Ruy, este livro viu a luz em 2009, ano em que se republicaria também em banda desenhada, e em mirandês, o trabalho daquele autor de banda desenhada, com tradução de Fracisco Niebro, Ls Lusíadas.

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Trabalhou ainda com aquele mestre da banda desenhada portuguesa em La Magie de las Letras, um livro sobre João de Deus e o seu revolucionário método de ensino, traduzindo mais uma vez a obra para mirandês.

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Depois, em 2014, juntou o seu nome ao de Luís Borges, um fotógrafo das terras nortenhas. Este lia as paisagens com a sua máquina e Amadeu Ferreira dava-lhe as palavras. Umas vezes em português, outras em mirandês. Daqui resultou um trabalho lindíssimo, de uma grande sensibilidade e com a incomparável qualidade da escrita de Amadeu Ferreira. O projecto nasceu no Facebook, mas depressa passou para as páginas de um livro.

 

Colaborou ainda em A Terra de Duas Línguas - Antologia de Autores Transmontanos, com Ernesto Rodrigues, e em Ditos Burriquitos, um livro de adágios, rifãos, provérbios, historietas, etc., recolhidos por Paulo Gaspar Ferreira, sendo que a principal colaboração não chegou a ser impressa em papel: trata-se de um dicionário de mirandês organizado, em 2009, por Amadeu Ferreira e José Pedro Cardona. Um símbolo e uma ferramenta muito útil para quem queira aprender a língua mirandesa.

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Recentemente, deu a conhecer um conjunto de provérbios (ditos) que foi recolhendo ao longo de vários anos. Este trabalho, culminou num pequeno livro chamado Ditos Dezideiros, (Âncora Editora, 2014) que é a mais completa recolha de ditos mirandeses. Os provérbios são apresentados por ordem alfabética e respeitam as regras da Convenção Ortográfica de Língua Mirandesa. Desta forma, ficam eternizados, não correndo o risco de desaparecerem.

 

Desenvolveu ainda blogues em mirandês como o Ls Mielgos, o Froles Mirandesas, o Cumo quen bai de Camino, entre muitos outros, bem como o ensino desta língua em horário pós-laboral.

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Por outro lado, também tem apoiado a publicação de livros mirandeses, como Dança da Bicha, um livro sobre uma dança associada ao sagrado, bem como um Roteiro Solsticial do Planalto Mirandês, onde se divulgam as tradições daquela região nos solstícios de Verão de Inverno.

 

Tierra Alantre, o último trabalho dos Ronda dos Quatro Caminhos, é uma expressão mirandesa para "caminho em frente". Este trabalho, conta com versos em mirandês da sua autoria. No dia 22 de maio de 2014, este grupo deu um concerto de lançamento do referido trabalho, no Teatro Nacional de S. Carlos, em que homenageou o poeta mirandês. Foi um espectáculo comovente.

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Mas o Amadeu Ferreira não é só o poeta e escritor mirandês que se atreveu a desafiar as probabilidades de sucesso na vida e sair de Miranda do Douro, descendo até Lisboa para se tornar um jurista respeitado. É muito mais do que isso. A sua dimensão enquanto ser humano está plasmada no novo trabalho da autora Teresa Martins Marques, O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira, dado à estampa novamente pela Âncora Editora.

 

A obra está dividida em duas partes. A primeira, é a biografia de Amadeu Ferreira, escrita pela pena de Teresa Martins Marques. A segunda, é constituída por testemunhos heterogéneos de pessoas tão diversas nas suas vidas e ofícios que, de uma forma ou doutra, sentiram a passagem de Amadeu Ferreira pelas suas vidas.

 

O lançamento está marcado para o próximo dia 5 de Março, na Universidade Nova de Lisboa, em Campolide, pelas 18H00. A apresentação está a cargo de Luís Vaz das Neves, Presidente do Tribunal da Relação de Lisboa.

 

Simultaneamente, será lançado o novo livro de Amadeu Ferreira, Velhice, que nos conta a história de um velho de 80 anos que vive nos anos 50 do século XX e que escreve sobre o que vai vendo. Transpõe para o papel as suas impressões sobre a sua aldeia, as pessoas e o que vai sentindo.

Retrato de Manuol Bandarra.jpg Aguarela de Manuel Bandarra - retirada do blogue do pintor, Cachicos

 

“E porque acredito que a rota escolhida pelo nosso Amigo Amadeu Ferreira é a mais maravilhosa aventura que a Humanidade pode viver, convido todos a entrar e a viajar neste sonho de Luz e de Paz!”

Luís Vaz das Neves, in O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira

 

Estão todos convidados!

Até lá! 

 

Buonas scubiertas!

 

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Queques de banana e chocolate

por Paula, em 07.02.15

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Acordar num sábado de manhã e deliciar-me com uns queques (ou muffins) maravilhosos, é prenúncio de um excelente fim-de-semana. Sejam quais forem as amarguras que traga na alma durante a semana, é certo e sabido que a cura passa por um bolinho fresco, com sabor a fruta e a chocolate e carregado de... boas energias!

 

O que mais aprecio nestes bolos, para além do que fica dito, é a facilidade com que se fazem e os bons aproveitamentos que se conseguem operar, como aquela banana que ficou na fruteira e que ninguém vai comer porque já está muito madura, por exemplo.

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 INGREDIENTES

300 g de farinha sem fermento

1 c. de sopa de fermento

100 g de açúcar amarelo

60 g de manteiga com sal

2 c. de sopa de mel

125 ml de natas de soja

2 ovos

Raspa de um limão

3 bananas médias bem maduras

100 g de pepitas de chocolate (70% cacau)

 

PREPARAÇÃO

Aquecer o forno a 180.º C. Colocar formas de papel num tabuleiro para queques antiaderente.

 

Peneirar a farinha e o fermento. Juntar o açúcar e envolver. Fazer um buraco, para receber depois os ingredientes líquidos.

 

De seguida, levar o mel e a manteiga ao lume até derreter. Envolver bem e reservar. Entretanto, bater os ovos com o leite.

Deitar as misturas líquidas no recipiente da farinha, juntar as bananas partidas em pedaços (ou esmagadas, conforme a preferência), o chocolate e as raspas de limão.

 

Com uma colher de metal, mexer até os ingredientes se misturarem - atenção para não mexer demasiado - e colocar o preparado nas formas.

 

Levar ao forno durante 15 a 20 minutos. Retirar e deixar arrefecer em cima de uma rede.

 

Para uma apresentação mais bonita e um toque mais requintado, poderá bater um pouco de queijo-creme, com um pouco de açúcar em pó, juntar mais umas raspas de limão e cobrir os queques com a mistura.

 

 

São seguramente a garantia de um bom momento!

 

Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

 

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