23 de Abril de 2012

Bolo decorado

 

A semana passada os meus amigos Isabel e Pedro convidaram-me para a festinha do terceiro aniversário do seu rebento, a Beatriz. Pediram-me que, à semelhança do ano passado, fizesse o bolo, caso tivesse disponibilidade. Mas, este ano, a aniversariante é que escolheu o tema e pediu-me um bolo com o casal mais famoso do mundo animado. Aceitei, claro, porque queria mesmo fazer o bolo. Seria a minha prenda. Contudo, o pânico tomou conta de mim, porquanto eu nunca tinha feito tais figuras e nem sabia como haveria de as fazer.

 

Neste mundo da decoração de bolos, de que eu faço parte apenas como curiosa (muito pouco), há o momento da criação que nos vai guiando à medida que vamos construindo a nossa ideia e o que à partida é uma dificuldade muito grande, vai ganhando forma sob as nossas mãos sem sabermos muito bem como. Foi o que aconteceu com este bolo. Até começar a fazer as figuras, não tinha a mínima ideia de como as iria fazer. Ademais, não tinha as minhas habituais estecas, de modo que a modelagem foi feita apenas com as mãos. Não ficou perfeito, mas a pequena Beatriz gostou muito e o resto da pequenada também. Todos queriam tocar no bolo. As cores também os entusiasmou porque na hora de servir o bolo, todos queriam o encarnado.

 

Deu-me imenso prazer fazer este bolo. Na noite de sexta para sábado, a cozinha funcionou em horário de padaria. Fiz os dois bolos e enfeitei-os na manhã de sábado. Foi uma noite bonita, envolta em cheiros de chocolate com o calor do forno a aquecer o ambiente e boa conversa. As horas passaram sem dar por isso. Já passava das três quando a cozinha encerrou. Fazer este mimo, ainda que imperfeito, deixou-me muito feliz, não só porque alegrei o dia dos meus amigos como fiz algo que não sabia ser capaz de fazer.

 

Bolo decoradoBolo decoradoBolo decorado

Bolo decorado

 

A massa do bolo branco era de chocolate e cacau com recheio de mascarpone; o bolo encarnado era de chocolate com recheio de doce de leite. A base da receita é a mesma deste bolo, mas com  ligeiras diferenças. Por isso, deixo aqui os passos que dei para fazer ambos.

 

Bolo de chocolate e cacau

 

Ingredientes

8 ovos inteiros

4 chávenas de açúcar

4 chávenas de farinha

2 chávenas de óleo

2 chávenas de água a ferver

1 pacote de chocolate em pó (125 grs)

2 colheres de chá de fermento

1 pacote de cacau em pó (125 grs)

2 embalagens de mascarpone (500 grs)

4 colheres de sopa de açúcar baunilhado

 

Preparação

 

Ligar o forno na função de bolos e regular a temperatura para os 175º / 180º.

 

Juntar os ovos e o açúcar e bater bem até obter um creme fofo. Adicionar a farinha peneirada e o fermento em pó e envolver no preparado anterior.

 

Juntar o óleo e mexer até este ficar incorporado na massa. Deitar a água a ferver. Juntar o chocolate e o cacau peneirados e bater bem até a massa ficar consistente e começar a fazer pregas. Deitar o preparado numa forma untada com manteiga e farinha ou utilizar spray vegetal (que se vende nas lojas de artigos para decoração de bolos).

 

Levar ao forno por 40 a 50  minutos. Fazer o teste do palito, tendo em conta que este bolo fica com uma consistência húmida.

 

Para preparar o recheio, juntar num recipiente o creme mascarpone e o açúcar e bater bem com a varinha.

 

Depois partir o bolo em duas metades e rechear, deixando ficar um pouco para barrar à volta do bolo, sem fazer camada, para agarrar a pasta de açúcar com que se cobre o bolo. Se deixar muito recheio a pasta de açúcar fica mole porque está húmida e estraga o trabalho. Por isso, a camada deverá ser muito fina.

 

Para partir o bolo pode-se utilizar uma régua e medir o bolo, colocando um palito na medida que se pretende, normalmente a meio, e fazer isso à volta do bolo. Depois com uma faca e cortar o pão, cortar seguindo os palitos. Desta forma e corte fica direito.

 

Bolo decoradobolo decoradobolo decorado

bolo decoradobolo decoradobolo decorado

bolo decoradobolo decoradobolo decorado

 

Bolo de Chocolate com recheio de creme de leite

 

Ingredientes

4 ovos inteiros

2 chávenas de açúcar

2 chávenas de farinha

1 chávena de óleo

1 chávena de água a ferver

1 pacote de chocolate em pó (125 grs)

1 colher de chá de fermento

1 lata de leite condensado cozido

 

A preparação é feita como acima descrito para o bolo anterior. O recheio é feito com o leite condensado que não necessita de qualquer preparação especial.

 

Ambos ficam deliciosos. O primeiro não fica tão doce como o segundo devido à presença do cacau na massa. No fundo, são versões diferentes da mesma receita, o que confirma a máxima de que a cozinha é um mundo ilimitado onde a imaginação não se esgota e a criatividade tem espaço para existir constantemente.

 

bolo decoradobolo decorado

 

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

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publicado por Paula às 00:00

20 de Abril de 2012
 
 
Quem por aqui passa percebe que não sou uma especialista na cozinha. Gosto de comida, de cozinhar e nutro um grande respeito pelos cozinheiros e chefs que se entregam a esta arte com empenho e seriedade. Não aspiro a isso, nem a nada que se pareça. Este espaço é a despretensão em matéria de culinária. Trata-se apenas e só do registo de alguns sucessos, mas também de insucessos, porque nem só de ganhos e virtudes vivemos, de quem resolveu abraçar e encarar algo que sempre teve receio de fazer. Sempre gostei de cozinhar e de inventar, mas nunca me aventurei para além do (muito) pouco que estava ao meu alcance.
 
Desta viagem pelos sabores, cores, aromas e texturas fazem quase sempre parte os livros, seja na forma de livro de culinária, de história ou um simples romance. Estes são a minha verdadeira inspiração. Gostava de dizer que a cozinha da minha infância cheirava a bolos acabados de fazer; que com a minha avó partilhei momentos inesquecíveis e aprendi muito. Mas não. Nada disso é verdade. Mais o são os sonhos. O facto de gostar de comer, levou-me a crescer sozinha no mundo da culinária. Fui descobrindo e continuo a fazê-lo, claro, traçando um ainda curto (mas muito meu) caminho. Sempre fui muito curiosa e simultaneamente insegura. Estas características são, em boa medida, conflituantes, pois se uma me empurrava para a referida descoberta; a outra fazia-me descer ao inferno do "não és capaz de fazer isto".
 
Os anos passaram, os livros para esta viagem começaram a surgir na minha estante e com eles o desejo de arriscar, de fazer, de copiar e também de criar. É, pois, neste contexto que surge a minha vontade de aprender mais sobre a cozinha e de descobrir quem sou no meio dos tachos e quais os sabores que me deixam feliz. Porque a felicidade existe e  reside (muito) nestas pequenas coisas.
 
Gosto da simplicidade com que posso confecionar algo que me proporciona um momento maravilhoso. É o caso das saladas. As de tomate, são talvez as que me mais dizem, pelo facto de me lembrarem o verão e as tardes que passava com a minha mãe na horta. Não gosto de o consumir fora de época. Todavia, o desejo de experimentar o azeite aromatizado de manjericão, fez-me quebrar a deliciosa espera pelo tomate coração de boi que o meu pai planta todos os anos e que acaba por ser usado em compotas, conservas e, claro, saladas. É a melhor qualidade de tomate.

 

 

Ingredientes:

4 tomates

100 grs de queijo feta

6 folhas de manjericão

sal q.b.

Pimenta q.b.

1/2 colher de café de açúcar

Azeite aromatizado de manjericão

 

Preparação:

Lavar e partir os tomates em cubos. Partir o queijo feta também em cubos e juntar ao tomate. Adicionar três folhas de manjericão grosseiramente picadas e temperar com sal (tendo em atenção que o queijo já tem sal), pimenta, o açúcar e o azeite aromatizado. Guarnecer com as restantes folhas de manjericão.

 

Esta salada simples, lembra os campos italianos onde os vegetais constituíam a grande parte do consumo alimentar dos pequenos agricultores que não dispunham de meios para comprar carne com frequência. É daí que vem a perícia e a imaginação em cozinhá-los com pouco, mas com sabor. Em Itália, o manjericão era plantado no meio do tomate para afastar os insetos, o que não deixa de ser curioso porque os dois juntos também fazem um prato perfeito.

 

Hoje, a minha viagem fica por aqui.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

Que bos faga bun porbeito!

 

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publicado por Paula às 00:32

19 de Abril de 2012

 

Azeites aromáticos

 

A riqueza do azeite é indiscutível. Na cozinha tradicional portuguesa tem assento perpétuo. Marca-a em todas as vertentes com o seu cunho de ouro. Para mim, este é o ingrediente que não se pode dispensar.

 

Ontem, em casa dos meus amigos, Isabel e Pedro, este contava como nos dias de caça a avó cortava umas fatias de pão que torrava directamente nas brasas da lareira para logo de seguida as barrar com azeite. Eram as torradas de então. Hoje, recorda-as como uma verdadeira iguaria.

 

Azeites aromáticos

 

Os azeites aromáticos têm a vantagem de nos trazer o melhor dos ingredientes que se utilizam. Os pratos ficam deliciosos com poucos passos. Não existe qualquer grau de dificuldade. O único requisito que se impõe é a paciência que caracteriza qualquer espera.

 

Deixo então a receita de dois azeites que têm utilizações distintas. No entanto,  existe entre eles um denominador comum: o apelo ao verão.

 

Azeite de Manjericão

 

Ingredientes:

575 ml de um bom azeite

Um punhado de folhas frescas de manjericão

 

Preparação:

Corte as folhas de manjericão aos pedaços e coloque-as numa tigela. Cubra com o azeite, certificando-se de que todas as folhas ficam submersas.

 

Mude a mistura para um frasco esterilizado com tampa e deixe em infusão num local quente (por exemplo, junto ao fogão) durante um mês. Deve agitar o frasco uma vez por semana. As folhas deverão estar sempre cobertas pelo azeite para não ganharem bolor.

 

Ao fim de um mês, coe o azeite, utilizando um filtro de café. Deite fora as folhas.

 

Coloque uns pés frescos de manjericão numa garrafa esterilizada e encha-a com o azeite de manjericão. Feche e guarde num sítio seco e abrigado da luz.

 

Este azeite poderá ser utilizado em saladas de tomate, salada verde ou até num prato de massa. Traz para a mesa um vigoroso sabor a verão. É ótimo tê-lo sempre à mão.

 

 

Azeites aromáticosAzeites aromáticos

 

Azeite de Tomilho e Folhas de Manjerona

 

Ingredientes:

575 ml de um bom azeite

Um punhado de folhas de tomilho e de manjerona

 

Preparação:

Utilizar o método acima descrito.

 

Este azeite surpreende pelo seu sabor misto de ervas e  especiarias. Pode ser utilizado em pratos de peixe assado ou grelhado.

 

E, assim, sem qualquer dificuldade enriquece-se a dispensa e apuram-se pratos e sabores.

 

Para saber mais sobre ervas aromáticas, recomendo o livro que serviu de inspiração para a preparação destes azeites: O poder das ervas aromáticas, de Jekka Mcvicar, Editora Civilização, 2002. Trata-se de um livro muito interessante que para além de algumas receitas com estas ervas, ensina, ainda, a plantar e a cuidar delas e perceber as suas diferentes aplicações.

 

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

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publicado por Paula às 00:00

15 de Abril de 2012

Bolo de chocolate com morangos

 

No fim de semana passado, a família voltou a reunir-se para festejar o aniversário do meu irmão mais novo. Temos 13 anos de diferença. O Miguel é o rapaz que veio acomodar uma casa com três meninas, para felicidade dos meus pais que tanto queriam um rapaz, sendo que a minha mãe era a maior entusiasta.

 

Apesar de não ser um bolo decorado com que habitualmente presenteio os meus aniversariantes, este não foi feito ao acaso. Foi pensado para o Miguel que sempre foi guloso. Este tipo de doces nunca estiveram muito presentes na nossa mesa porque a minha mãe tinha receio de fazer bolos e nós (meninas) herdámos, em certa medida, esta fobia. Foi preciso chegar o rapaz para romper com este esta situação.

 

Certo dia, tinha ele uns dez ou onze anos, fomos encontrá-lo sossegado (o que era estranho, pois fazia notar sempre a sua presença), na cozinha, envolto num delicioso aroma a... bolo de chocolate! A partir dessa altura, os bolos começaram a surgir quase naturalmente, sendo que os do Miguel ainda hoje são de chocolate.

 

Por isso, só lhe podia fazer um delicioso bolo de chocolate com cor e textura apelativas. Apesar de as fotografias não serem as melhores, garanto que estava muito bom e ficou bem na mesa.

 

Bolo de chocolate com morangos

 

A receita foi-me apresentada pela minha irmã do meio. Fiz pequenas alterações e adicionei alguns ingredientes. Dobrei as quantidades para fazer um bolo maior, ajustando também ao que tinha em casa.

 

Ingredientes:

8 ovos inteiros

4 chávenas de açúcar

4 chávenas de farinha

1 colher de chá de fermento

2 chávenas de óleo

2 chávenas de água a ferver

1 pacote de chocolate em pó (125 grs)

100 grs de cacau em pó

2 colheres de chá de água de rosas

 

Para o recheio e cobertura:

2 pacotes de natas frescas

1 embalagem de morangos

4 colheres de chá de açúcar baunilhado

 

Preparação:

 

Ligar o forno na função de bolos e regular a temperatura para os 175º / 180º.

 

Juntar os ovos e o açúcar e bater bem até obter um creme fofo. Adicionar a farinha peneirada e o fermento em pó e envolver no preparado anterior.

 

Juntar o óleo e mexer até envolver bem. Deitar então a água de rosas e de seguida a água a ferver.  Juntar o chocolate e o cacau e bater bem até a massa ficar consistente e começar a fazer pregas. Envolver bem e deitar o preparado numa forma untada com manteiga e farinha ou utilizar spray vegetal (que se vende nas lojas de artigos para decoração de bolos).

 

Levar ao forno por 40 minutos. Fazer o teste do palito, tendo em conta que este bolo fica com uma consistência húmida.

 

Entretanto, preparar o recheio e a cobertura. Lavar e cortar os morangos em pedaços médios e reservar.

 

Bater as natas com o açúcar até formar um creme consistente. Levar ao frigorífico por alguns minutos até ganhar mais consistência.

 

Partir o bolo em duas metades e, depois de frio, rechear com as natas e uma parte dos morangos. Colocar a segunda parte do bolo e cobrir com as restantes natas e morangos.

 

  Bolo de chocolate com morangosBolo de chocolate com morangosBolo de chocolate com morangos

 

Este bolo não fica muito doce. Pode adicionar mais açúcar à massa do bolo e às natas se desejar. A sua textura é húmida e fresca e constitui uma combinação perfeita de cor e sabor.

 

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

 

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publicado por Paula às 23:28

20 de Março de 2012

 

Creme de brócolos com noz moscada

 

As sopas são uma constante na minha cozinha quase virgem. Não há fim de semana que não faça uma boa quantidade de sopa que me dá para uma boa parte da semana seguinte. Quando se cozinha só para um, as sopas são sempre uma boa solução.  

 

Na verdade, uma sopa pode mesmo ser o que quisermos. E eu gosto de inventar, não obstante a minha parca experiência nas lides gastronómicas. Esta é uma das minhas descobertas num dia em que, afinal, não havia sopa. Mas havia legumes. Como o relógio apontava horas pouco decentes para fazer uma refeição digna de ser comida em tempo, resolvi fazer um creme. Nada mais rápido, mais simples e nutricionalmente rico.

 

Creme de brócolos com noz moscada

Creme de brócolos com noz moscadaCreme de brócolos com noz moscadaCreme de brócolos com noz moscada

Creme de brócolos com noz moscada

 

Ingredientes:

1 batata doce média

1 cebola média

1 dente de alho

1 pé de brócolos médio

3 cenouras

2 talos de aipo

8 pés de salsa (só o talo)

Noz moscada ralada na hora a gosto

Sal q.b.

Azeite q.b.

 

Preparação:

Corte os legumes e coloque-os numa panela. Cubra com água, tempere com sal. Quando estiverem cozidos, junte um pouco de azeite e reduza-os a puré. Sirva com noz moscada ralada na hora.

 

Este creme fica muito saboroso e com uma textura aveludada. É uma combinação perfeita!

 

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

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publicado por Paula às 23:18

20 de Fevereiro de 2012

 Marmelada com queijo de cabra

 

Acredito que a paixão que temos pela comida é equivalente àquela que temos pela vida. Faço muitas vezes esta analogia. Uma e outra revelam-nos na exata medida da paixão que nutrimos por aquilo que nos rodeia e por nós, enquanto indivíduos, seres amantes, amados e em perspetiva de amar. Ter paixão pela comida é estar apaixonado pela vida. É amor em forma de brócolos, maçãs, peixe, sopa, bolos, doces e tudo o que quisermos.

 

Um destes fins de semana, troquei, mais uma vez, uma subida à Serra da Estrela para ver a neve por uma tarde na cozinha. Celebrei, assim, na companhia da minha mãe, a minha paixão pela vida. Na cozinha, entregámo-nos à preparação deste doce tão apreciado cá em casa. A massa estava congelada desde outubro. A minha mãe não gasta a polpa dos marmelos de uma vez só porque nós gostamos deste doce acabado de fazer, ou seja, antes de ganhar a consistência da marmelada. Ficou uma delícia. Não é verdade que uma refeição feita com carinho sai sempre melhor?

 

Marmelada com queijo de cabraMarmelada

MarmeladaMarmelada com queijo de cabra

 

Ingredientes:

1 kg de marmelos cozidos (polpa)

1 kg de açúcar

2 tiras de casca de limão

1 pau de canela

 

Preparação:

1. Lave os marmelos muito bem e retire a base e o cimo dos marmelos.

2. Coloque os marmelos inteiros na panela de pressão e deixe cozer durante 20-30 minutos.

3. Retire os marmelos e escoe a água para um recipiente.

4. Deixe arrefecer os marmelos e depois retire a casca e o caroço.

5. Corte os marmelos aos pedaços e triture-os no passe-vite.

6. Coloque a massa resultante num tacho e leve ao lume com um pouco de açúcar, a casca de limão e o pau de canela, mexendo sempre. Entretanto, vá juntando o restante açúcar aos poucos e deixe ferver, sem deixar de mexer, durante 30 - 40 minutos ou até fazer ponto estrada.

 

Sirva em cama de queijo de cabra, bolacha de água e sal e amêndoa laminada ou numa simples fatia de pão de centeio.

 

Da água que reservou, poderá fazer geleia. Para o efeito, junte aos poucos 2 kg de açúcar para um litro de água, uma casca de limão e um pau de canela. Mexa e deixe ferver por 1 / 1h30, até fazer ponto estrada.

 

 

Marmelada com queijo de cabra e amêndoa

 

Se na Serra a marmelada tem necessariamente um ar mais rústico, na cidade tanto assume as suas raízes como é capaz de se apresentar num registo mais requintado, principalmente se bem acompanhada. O que acham? A marmelada é rústica ou sofisticada?

 

Apaixonem-se pela comida e disfrutam a vida. Sejam felizes!

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

 

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publicado por Paula às 23:20

16 de Fevereiro de 2012

 

Budapeste: Ponte Francisco José ou Ponte da Liberdade

Budapeste: Ponte Francisco José ou Ponte da Liberdade

 

A Etelka

Viste, meu anjo, o Danúbio,

e uma ilha no centro?

Assim guardo a tua imagem

no coração, aqui dentro.

 

A verde fronda da ilha

nas águas mergulha; ah, se,

no meu coração, assim

verde esperança mergulhasses!

 

Petöfi Sándor

Buda, Dezembro de 1844

 

Budapeste: estátua do poeta Petöfi Sándor

Fonte: "Antologia da Poesia Húngara"

Seleção e tradução de Ernesto Rodrigues

Âncora Editora, 2002

 

Budapeste... e a comida húngara foram uma revelação para mim. De lá e daqui, parti à descoberta de uma realidade tão nova quanto desconhecida. A gastronomia, a música, a poesia, os romances e a língua têm tido, desde então, e graças a amigos que me vão presenteando com livros, uma presença assídua nos meus dias.

 

Este é um prato que provei durante a minha viagem e que reproduzi, a partir do livro de György Hargitai, Hungarian Cuisine, quando regressei a Lisboa, em que a carne de porco é o ingrediente principal. Tal como os portugueses, os húngaros também têm o "culto" desta carne. Na cozinha magiar encontramos sem dificuldade pratos só de enchidos que lembram o nosso cozido à portuguesa, como o Disznótoros que significa jantar do dia da matança.

 

Couve recheada à Bácska

Gastronomia húngara - stuffed cabbageGastronomia húngara - stuffed cabbage

 

Ingredientes:

1 couve lombarda pequena

 

Para o recheio:

400 g de carne de porco picada (da pá)

1 ovo

5 colheres de sopa de arroz cozido

1/4 de colher de chá de pimenta preta moída

1/2 colher de chá de paprika

1 dente de alho esmagado

 

Para a couve restante ou base:

85 g de toucinho entremeado

1 cebola grande

1 colher de chá de paprika

1 pimento verde húngaro

1 tomate (polpa)

1 colher de chá de sal

2 dentes de alho

1/2 colher de chá de pimenta preta moída

1/4 de chávena de créme fraiche

1 colher de sopa de farinha (pode ser maizena)

1 ramo de endro

Segurelha (facultativo)

 

Preparação:

1. Arranje a couve, retirando o caule e lave-a. Separe 8 folhas e escalde-as por uns instantes em água a ferver. Se ainda ficarem quebradiças, repita a operação por mais 8-10 minutos, tendo o cuidado de as retirar à medida que vão ficando macias. Seque-as.

2. Corte a restante couve em pedaços grandes e reserve.

3. Misture a carne com os restantes ingredientes para o recheio e envolva nas folhas de couve. Dobre primeiro os lados para dentro e depois a ponta inferior e superior. Se necessário prenda com o palito que deverá retirar antes de servir.

4. Corte o toucinho em pequenos cubos e leve a derreter num tacho. Junte a cebola e o alho picados e deixe alourar. Adicione a paprika e logo de seguida junte três copos de água.

5. Retire as sementes do pimento e do tomate e corte-os em pequenos cubos. Junte-os ao refogado, juntamente com a couve reservada. Tempere com sal, pimenta e junte também o alho.

6. Coloque as folhas da couve recheadas no cimo e deixe ferver. Reduza o lume e deixe cozinhar meio tapado por 50 minutos aproximadamente. Vá sacudindo o tacho com cuidado para a couve cortada não pegar ao fundo do tacho e para que as folhas recheadas colocadas no topo do preparado não partam. Sempre que necessário, junte mais um pouco de água.

7. Quando estiver pronto, retire as folhas recheadas com cuidado.

8. Misture a farinha e o créme fraiche até obter um creme fofo. Junte ao preparado anterior e deixe cozinhar por 2-3 minutos.

9. Salpique com o endro, podendo ainda adicionar segurelha para um sabor mais apurado.

10. Guarneça com salsicha de churrasco ou para cachorro quente, uns pés de endro e mais um puco de créme fraiche.

 

Gastronomia húngara - Stuffed Cabbage

 

Este prato fica delicioso. E no inverno transporta com ele o conforto. Gosto desta palavra. Talvez seja por isso que a utilizo tantas vezes para adjetivar alguns pratos que vou confecionando.

 

Apesar de não ser um prato original, é com ele com que participo no "1.º Desafio Culinário dos Blogs do Sapo" que está a decorrer no Bairro.

 

Bom apetite!

Bon appétit!

Jó étvágyat!

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publicado por Paula às 21:40

15 de Fevereiro de 2012

Vale de Alvôco da Serra

Vale de Alvôco da Serra, Parque Natural da Serra da Estrela

 

Canta a Mariza que as coisas vulgares que há na vida não deixam saudade. Há gente que fica na história, na história da gente e outras de quem nem o nome lembramos ouvir. São emoções que dão vida à saudade que trago (...). Há dias que marcam a alma e a vida da gente.

 

A tia Palmira, mulher simples, criada e vivida nas faldas da Serra da Estrela, era uma figura singular. Os seus modos alegres cativavam os familiares e amigos que muitas vezes se desviavam do seu caminho para a ir visitar. À chegada, encontrávamo-la sempre descalça, fosse verão ou inverno. Recebia-nos sempre de sorriso largo e já desdentado, que o dinheiro não chegava para as consultas do dentista, e de brilho intenso no olhar. A alegria de nos ver, aos miúdos da cidade, ficava estampada naquele rosto curtido pelo sol e pelo frio dos dias de lavoura.

 

- Entrai, pois então! Entrai e sentai-vos à mesa. Comei uma malga de sopa que está a acabar de fazer, pois sim! – dizia-nos de sorriso largo ao mesmo tempo que escancarava a porta da entrada.

- Entrai e aquecei-vos! Andai lá e comei qualquer coisa! – insistia. E logo ordenava ao meu tio que fosse buscar pão fresco à arca de madeira e vinho para ajudar a empurrar o pão e o queijo. Tudo feito por aquelas mãos.

 

Lareirasopa da tia Palmirasopa da tia Palmira

 

O cheiro a lenha queimada sentia-se antes de chegarmos à porta da casa feita de pedra por fora e de madeira por dentro. Um luxo face à casa da quinta que amanhava. Subíamos as escadas, sentindo a madeira a ranger sob os nossos pés, para logo avistarmos a panela preta de ferro fundido, pesada, presa nas cadeias da lareira, a ser acariciada pela chama do lume. No seu interior, fervilhava uma sopa de feijão encarnado, couve portuguesa e esparguete. Para acompanhar, havia fatias de pão de milho (broa) ou pão de centeio com queijo da serra caseiro.

  

Na família, a opinião sempre foi unânime: aquela era a melhor sopa que já havíamos comido. E era sempre por ambas que voltávamos. Para o fim, já não havia panela ao lume todos os dias… e eu ficava a olhar para a lareira apagada, sem vida, sentindo o desconforto de toda uma vida dura que agora dava sinais de estar a terminar.

 

A tia Palmira já faleceu, mas esta imagem dela, descalça e de sorriso largo e franco, há de acompanhar-me sempre, bem como o sabor daquela sopa.

 

As coisas mudam. Há vidas que nos tocam e que se apagam, mas que jamais nos saem da memória emotiva, fotográfica, olfativa e gustativa. Fica a saudade, mesmo que dela não falemos. Tentamos resgatar sabores e continuar velhos legados, mas aquele sabor não voltamos a provar e as emoções já não serão as mesmas. Perde-se o encanto.

  

lareira

 

Ingredientes:

300g de feijão “pantufas” (feijão encarnado de vagem arredondada)

4 batatas

1 cebola

1 couve portuguesa

200 g de esparguete

Sal q.b.

Azeite q.b.

Àgua q.b.

 

Preparação:

Numa panela de ferro fundido, coloque o feijão, duas batatas e a cebola. Cubra com água e tempere com sal e azeite *, embora, em rigor este deva ser colocado apenas no fim, já que é uma gordura que não deve ser cozinhada.

 

Depois de os legumes estarem cozidos, reduza-os a puré. A tia Palmira utilizava uma grande colher de pau e um garfo para fazer o puré o que acabava por deixar alguns feijões inteiros. Como utilizei a trituradora, deixei uma concha de sopa de feijões inteiros.

 

Junte a couve cortada de modo mais grosseiro do que para o caldo verde, duas batatas cortadas em quartos *, adicione mais água quente, a gosto, consoante queira a consistência do caldo e deite mais um pouco de azeite.

 

Quando a couve estiver praticamente cozida, junte o esparguete e retifique os temperos, se necessário.

 

Sirva bem quente numa malga e acompanhe com uma fatia de broa ou de pão de centeio com queijo.

 

sopa da tia PalmiraSopa da tia Palmira

 

O segredo desta sopa não estava apenas nas mãos de quem a fazia, no lume da lareira, nos alimentos que provinham da terra que aquelas mãos cuidavam, da água que era retirada da fonte cuja origem está no centro da Serra da Estrela e da geada que amaciava as folhas das couves, mas, sobretudo, no tempo de cozedura dos alimentos, aliado à temperatura que não execedia os 70.º ou 80.º. Eram estes factores que definiam o maravilhoso sabor desta sopa porque respeitavam as propriedades dos alimentos, deixando-os revelarem-se. Na província (e naquela altura) o tempo é aliado das pessoas e da comida. Poque ele existe, tudo se torna mais autêntico.

 

À tia Palmira que nos recebia sempre com um prato fumegante, tão simples e tão reconfortante quanto o seu sorriso.

 

Bom apetite!

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* Nota ao texto: Na fotografia não aparecem as batatas cortadas em quartos porque me esqueci. Acabei por confirmar com a minha prima Lurdes alguns detalhes e acolhi ainda as sugestões de um amigo (A.) relativamente ao azeite, ao tempo e à temperatura que, de facto, marcam a diferença. Bem-haja a ambos! :D

publicado por Paula às 22:58

Nota
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