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Street Food European Festival

por Paula, em 27.03.15

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O Street Food European Festival chega pela primeira vez a Portugal, com o patrocínio exclusivo da Estrella Damm. Com entrada livre, o festival irá decorrer entre os próximos dias 4 e 12 de Abril, nos Jardins do Casino do Estoril, onde os fãs poderão saborear diferentes conceitos gastronómicos sempre acompanhados pela frescura da cerveja Estrella Damm.

O Street Food European Festival traz mais de 50 veículos com os conceitos mais originais e inovadores desde doces, tapas, cachorros até ao sushi, e promete demonstrar como o Street Food é parte de uma experiência gastronómica e motivo para uma próxima viagem.

 

A marca Estrella Damm irá contar com um destes veículos – a carrinha-cozinha Estrella Damm – onde serão apresentadas algumas surpresas gastronómicas perfeitas para acompanhar com cerveja e para responder ao apetite dos fãs mais exigentes.

 

Desde as deliciosas “sandes de porco bísaro” do chef Nuno Diniz e do foodie Rodrigo Meneses, as maravilhosas “lulas” e “lombinhos de porco” do restaurante Duetos da Sé, passando pelos apetitosos “montaditos de presunto e salmão”, o “croquete de alheira” e “barriga de porco” do restaurante Entre Vinhos, e terminando no conhecido “risoto de camarão e choco” e os “ovos rotos com alheira” do restaurante Salero.

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Programação carrinha Estrella Damm:

4 de abril – Entre Vinhos

5 de abril – Entre Vinhos

6 de abril – Duetos da Sé

7 de abril – Salero

8 de abril – Duetos da Sé

9 a 12 de abril – Chef Nuno Diniz & Foodie Rodrigo Meneses

 

O festival conta com a presença de 40 veículos nacionais, entre eles a “Charcutaria Lisboa”, “O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo”, “Bolas de Praia”, “The Skinny Bagel”, “Sushi Van”, “Yonest” e o já reconhecido “Conceito Food Store” do chef Daniel Estriga.

 

Dos veículos internacionais destacam-se o Bunsmobile (Alemanha), B-Gurmet (França), Dog Town (Inglaterra), Mozao (Itália) e Ciacha (Polónia), entre muitos outros que prometem fazer as delícias dos fãs de gastronomia.

 

O Street Food é um conceito que está, cada vez mais, em voga e em crescimento em muitos países europeus. Em grandes cidades como Berlim, Paris e Londres, o Street Food está cada vez mais amplificado e até já surgiu com uma vertente gourmet que tem ganho cada vez mais notoriedade e adeptos, não só clientes mas também de empreendedores visionários com ideias originais.

 

Este conceito está integrado no World Food Tourism Summit (WFTS) que decorre no Centro de Congressos do Estoril, de 8 a 11 de abril. O WFTS traz a Portugal centenas de profissionais do turismo, culinária e gastronomia e tem como principal objetivo apoiar a indústria, inovar os seus modelos e processos de negócio e desenvolver o contacto entre profissionais, fomentando novas parcerias e negócios.

 

Mais informações sobre o Street Food European Festival:

 

Facebook Estrella Damm Portugal:

https://www.facebook.com/EstrellaDammPT

Facebook Street Food European Festival:

https://www.facebook.com/StreetFoodEuropeanFestival.

 

Boas descobertas!

 

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No passado dia 28 de Fevereiro, a convite da Zona de Turismo do Algarve e da Tertúlia Algarvia no âmbito da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) que decorreu na Feira Internacional de Lisboa (FIL), no Parque das Nações, participei num workshop sobre a cataplana algarvia.

 

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A Tertúlia Algarvia é um espaço criado em 2013 por um grupo de amigos que proporciona refeições com pratos regionais e mediterrânicos, promove oficinas de gastronomia, vinhos, artesanato, etc., divulgando a dieta mediterrânica, bem como a história, a cultura, as tradições regionais, organizações e os produtos do Algarve.

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A cataplana é uma espécie de panela de pressão muito usual na cozinha algarvia, constituída por duas calotas que se ajustam através de uma dobradiça e assim se fecham hermeticamente. O termo cataplana refere-se não só ao utensílio em si, mas também à forma de cozinhar e às receitas confeccionadas. Desconhece-se a sua história. Todavia, pensa-se que terá chegado ao Algarve durante a ocupação árabe devido às suas semelhanças com a tagine marroquina. A sua forma cilíndrica bem como as suas pegas fazem dele um acessório fácil de transportar. Por outro lado, a sua forma de confecção é muito fácil e saudável atendendo ao facto de cozinhar essencialmente em vapor.

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Em equipas de três elementos confeccionámos uma receita de cataplana de polvo com batata-doce que, modéstia à parte -  e os meus companheiros de equipa, a Teresa do blogue A Cozinha da Ovelha Negra e o Mário Martins do Turismo do Algarve, certamente que subscrevem a minha afirmação - estava uma delícia, sendo que foram eles que mais contribuiram para esse efeito.

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Receita de Cataplana de Polvo com Batata-Doce

da Tertúlia Algarvia

(para 4 pessoas)

 

INGREDIENTES

600 g de polvo cozido

500 g de batata-doce

100 g de toucinho magro

150 g de cebola

100 g de pimento vermelho

100 g de pimento verde

12 g de alho

1 malagueta

1 folha de louro

1 dl de azeite

1 dl de caldo de cozedura do polvo

½ dl de vinho branco

Colorau q.b.

Coentros q.b.

Alecrim, tomilho e hortelã q.b.

Sal q.b.

 

PREPARAÇÃO

De véspera:

Cozer o polvo com 1 cebola, 3 dentes de alho esmagados com casca e 1 malagueta, por cerca de 45 minutos. Reservar o caldo. Cortar o polvo em pedaços e reservar.

 

Cozer ou assar a batata-doce com casca. Descascar e partir em rodelas largas. Reservar.

 

No dia de confecção:

Cortar a cebola e os pimentos com sementes em juliana, o alho em lâminas e o toucinho em cubos.

 

Colocar o azeite na cataplana e alourar o toucinho. Acrescentar, de seguida, o alho para aromatizar o azeite. De seguida, acrescentar os restantes ingredientes e a folha de louro. Refrescar com o vinho branco, que deve ferver.

 

Acrescentar o polvo, o colorau, a batata cortada em rodelas grossas (sem casca) e cerca de 1 dl do caldo da cozedura do polvo. Acrescentar as ervas, tapar e deixar ferver por cerca de 5 minutos.

 

Antes de juntar as ervas poder-se-á juntar, facultativamente, um punhado de amêijoa ou berbigão com casca e algumas gambas. Deixar cozinhar um pouco e no fim juntar as a ervas aromáticas e deixar ferver por cinco minutos.

 

Ao cozinhar na cataplana tem que se ter em especial atenção as temperaturas que não deverão ser altas para que não se queimem os ingredientes, deixando, ao invés que estes cozinhem lentamente ao vapor.

 

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Foi uma excelente experiência - de tal forma que acabei por ficar à conversa com a Teresa e com a Sandra (Tertúlia Algarvia) muito para além do workshop - que muito gostaria de repetir.

 

Bom apetite e boas descobertas!

Que bos faga bun purbeito e buonas scubiertas! 

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Hoje, o meu coração está de luto.

 

Perdi um grande amigo. Choro. Faço um esforço para não chorar. Mas as lágrimas e os soluços teimam em saltar. Não era assim que ele gostaria que eu estivesse. Ele que afastava as vicissitudes da vida – e foram tantas! – com uma gargalhada solta como que desafiando tudo e todos. As lágrimas, essas, escondia-as.

 

Conversávamos sobre tudo e sobre nada. Depois, vinha a poesia em mirandês, onde largava o seu ser, a sua alma, o seu verdadeiro eu. O mirandês que me encantava e que me encanta. Lia a sua poesia de uma forma suave, doce, meiga. As palavras saiam como que murmuradas, ainda que não o fossem. Falava-nos ao coração. Era assim o meu amigo. Um homem inteligente, bom, sensível.

 

Tenho saudades suas! – disse-lhe. Volto no Sábado para lermos mais um pouco. – acrescentei.

Gostava muito, Paula! – as palavras saem acompanhadas de um aperto na minha mão que segurava no seu colo.

Mas a leitura de Sábado não aconteceu. E não voltámos a falar.

 

E agora, tenho ainda mais saudades suas!! Muitas!

 

Mas o meu amigo não me queria ver assim. Isso eu sei.

An ruin anho, buona cara!

 

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Fotografia retirada do Facebook 

 

"NACIMIENTO DE COUSAS NUOBAS"

Morriu-se hoije, 1 de márcio, an sue casa, an Lisboua, l poeta, scritor i jurista Amadeu Ferreira, por bias de padecer de un cáncaro de l celebro hai mais de anho i meio.Cumprindo-se l sou pedido, l cuorpo será cremado. Nun haberá cerimónias fúnebres.

 

Eiran a realizar-se dues houmenaiges an sue mimória esta sumana: ua l die 3, terça, apuis l meio de la tarde,an Lisboua, na Casa de Trás-ls-Montes; outra l die 4,a la tarde, na sue tierra, an Sendin, Miranda de l Douro, na Casa de la Cultura, adonde ls amigos poderan rendir le houmenaige, lendo testos de l’outorie de l scritor ou simplemente passando.

 

Amadeu Ferreira naciu a 29 de júlio de 1950 an Sendin, Miranda de l Douro. Era persidente de la Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa, persidente de la Academie de Lhetras de Trás-ls-Montes, bice-persidente de la Comisson de l Mercado de Balores Mobiliairos (CMVM), porsor cumbidado de la Faculdade de Dreito de la Ounibersidade Nuoba de Lisboua, membro de l Cunseilho Giral de l Anstituto Politécnico de Bregáncia i, zde 2004, comendador de la Orde de lMérito de la República Pertuesa.

 

Outor i tradutor dua bastíssema obra an pertués i mirandés, tamien culs pseudónimos Fracisco Niebro, Marcus Miranda i Fonso Roixo, Amadeu Ferreira dou mos obras científicas i lhiterairas, an poesie i an prosa. Antre muitas outras publicou: ne l Dreito, "Homicídio Preveligiado" i"Direito dos Valores Mobiliários"; an poesie,"Cebadeiros", "Ars Vivendi / Ars Moriendi" i "Norteando"; an prosa, "La bouba de la Tenerie / Tempo de Fogo", "Cuntas de Tiu Jouquin", "Lhéngua Mirandesa – Manifesto an Forma de Hino" i "Ditos Dezideiros / Provérbios Mirandeses". Traduziu pa la lhéngua mirandesa obras cumo "Ls Quatro Eibangeilhos", "Ls Lúsiadas", de Luís Vaz de Camões, "Mensaige", de Fernando Pessoa, dues abinturas de "Astérix" i obras de Hourácio, Bergildo i Catulo, antre muitos outros.Alhá desso,fuicolaborador, subretodo an mirandés, de de lJornal Nordeste, adonde mantenie hai muitos anhos la Fuolha Mirandesa, de lMensageiro de Bragança, de lDiário de Trás-os-Montes, de lPúblico i de la rádio MirandumFM, i publicoumais de trés mil testos, quaijeque todos lhiterairos,an blogues cumo Fuontes de l Aire,Cumo Quien Bai de Camino i Froles Mirandesas.

 

La sue biografie i l sou mais reciente lhibro, “Belheç / Velhice”,tenen salimiento marcado pa l die 5 de márcio, esta sumana, na Faculdade de Dreito de la Nuoba de Lisboua. Neste últimopuode ler se pula mano de l sou pseudónimo Fracisco Niebro:

 

"Hai un tiempo para nacer i un tiempo para un se morrer. L'alma nun puode bolar pa l cielo. Senó, cumo podien nacer cousas nuobas? Essa ye la rucerreiçon de las almas: son bidas nuobas. Son bichicos, arbicas i todo l que bibe. Ye por esso que fázen mui mal an anterrar las pessonas ne l semitério: habien de las anterrar pul campo para ajudar las almas a nacer. Assi, Dius, seia quien fur, ten muito mais trabalho."

 

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Salada de polvo, quinoa e beterraba

por Paula, em 24.02.15

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Por vezes a conjugação de determinados ingredientes surpreendem. Pensa-se nas texturas, nas cores, nos sabores e as coisas começam a conjugar-se. Depois é só arregaçar as mangas e fazer. No final, espera-se algo de bom para fazer valer o esforço e para alimentar o ego - que também precisa.

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Esta salada é resultado de um desses momentos. A doçura e o sabor térreo da beterraba conjugam maravilhosamente bem com a ligeira acidez do vinagre e da lima. Os restantes ingredientes parecem seguir aquele conjunto, fazendo de uma simples salada quente uma verdadeira festa.

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INGREDIENTES

1 polvo

1 cebola

1 folha de louro

Quinoa q.b.

1 dente de alho, picado

1 c. de sopa de azeite

1 c. de sopa de vinagre de framboesa

2 anchovas

Coentros a gosto, picados

1 beterraba cozida, cortada em cubos

1 lima

 

PREPARAÇÃO

Cozer o polvo na panela de pressão com um pouco de água, a cebola e a folha de louro. Quando estiver cozido, partir em pedaços e reservar.

 

Cozer a quinoa de acordo com as instruções da embalagem. Reservar.

 

De seguida, colocar o azeite numa frigideira larga e funda. Juntar o alho e as anchovas. Deixar refogar um pouco. Entretanto, adicionar o polvo e envolver. Colocar, então, a beterraba e voltar a envolver. Juntar os coentros e  regar com o vinagre de framboesa.

 

Adicionar a quinoa cozida, envolver e finalizar com mais coentros frescos, um pouco de azeite e sumo da lima (a gosto).

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 As cores, as texturas, os sabores tornam esta salada muito apelativa e saborosa. Que o sabor não me engana... ;-)

 

Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

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Lançamento de “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”, de Teresa Martins Marques

(Âncora Editora)

Dia 5 de Março

18H00

Universidade Nova de Lisboa

Campolide

 

Amadeu Ferreira é uma figura incontornável na defesa da língua mirandesa. É, também, um homem ligado ao Direito, área em que desenvolveu a sua profissão. Acidentalmente ligado aos valores mobiliários, este jurista rapidamente se tornou um professor e um profissional indispensável nas salas da Faculdade e no mercado de capitais devido à sua inteligência, capacidade de trabalho e humanismo. Hoje, é Vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), professor na Universidade Nova de Lisboa e autor de grande parte  de legislação que ainda está em vigor nesta área. Apesar de tudo, nunca largou as suas raízes nem esqueceu a língua em que mamou: o mirandês.

 

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Teresa Martins Marques, a autora de O Fio das Lembranças - Uma Biografia de Amadeu Ferreira, dá-nos a conhecer este transmontano adoptado por Lisboa em todas as vertentes. Para o efeito, procedeu a uma pesquisa exaustiva de todos os acontecimentos que ocorreram pelo mundo no dia em que Amadeu Ferreira nasceu, bem como a entrevistas a familiares, amigos e colegas. Senhora das letras, tem várias obras publicadas, das quais destaco o seu último romance A Mulher que Venceu D. Juan. É doutorada em Literatura e Cultura, na especialidade de Estudos Portugueses, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Actualmente é investigadora integrada no Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, da mesma Universidade. Foi  membro da equipa do Instituto de Lexicologia e Lexicografia  da Academia das Ciências de Lisboa, entre  1992 e 1995, com funções específicas de coordenação da nomenclatura literária. Dirigiu a equipa de organização do espólio de David Mourão-Ferreira, em regime de destacamento de serviço do Ministério da Educação para a Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1997 e 1999 e como bolseira do Ministério da Educação, entre 1999 e 2004, num total de 7 anos a trabalhar o espólio do escritor, sobre o qual viria a fazer a  tese de doutoramento  intitulada Clave de Sol  - Chave de Sombra - Memória e Inquietude em David Mourão Ferreira. Dirigiu e prefaciou a Edição das Obras Completas de José Rodrigues Miguéis, em 13 volumes, (Círculo de Leitores,1994-1996)  no próximo ano, vai voltar  a dirigir esta edição na Porto Editora. Tem abundante colaboração em jornais e revistas especializadas - Colóquio-Letras, Foro das Letras, Relâmpago, O Escritor, Mealibra, Letras Com Vida, Matraga, Metamorfoses (Rio de Janeiro), Navegações (Rio Grande do Sul).

 

Esta obra acaba por ser mais do que uma biografia. É um retrato sociológico do Portugal da segunda metade do século XX. Através da vida de Amadeu Ferreira - uma vida cheia, como poderão constatar através do livro - vamos tendo a noção da vida rural de Trás-os-Montes, da evolução das ideias e dos ideais que ditaram o 25 de Abril, do período político que se seguiu a esta revolução, do nascimento e evolução do mercado de capitais em Portugal e do renascimento da segunda língua oficial de Portugal, o mirandês. A biografia deste homem notável que Portugal teve a honra de receber na sua vida é, perdoem-me a redundância, mais do que isso. É uma obra imperdível!

 

A segunda parte da biografia é constituída por diversos testemunhos em que tenho a honra de participar com um pequeno texto.

 

“Há Homens cuja força de carácter se pressente à distância e se afirmam através da vontade férrea do seu querer.

Há Homens que por vezes sobrevoam o próprio Tempo, transformando sílabas de alfabetos perdidos em linguagem compreendida pelos outros homens.

Embalando a montanha e os seus musgos, ou simplesmente cumprindo alguma promessa antiga, trazem consigo e como testemunho a marca indelével do Tempo.”

António Afonso, in “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira

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“Conhecemo-nos há vinte anos. No dia 26 de Maio de 1993, em jornadas promovidas pelo Banco de Portugal e pela Associação Portuguesa de Bancos, proferi uma conferência intitulada Desmaterialização dos títulos de crédito: valores mobiliários escriturais. No final da intervenção, o Amadeu Ferreira interpelou-me com uma objecção acerca de opinião que eu expusera. Quando, no mesmo ano, publiquei na Revista da Banca, n.º 26, o texto revisto da minha conferência, agradeci em nota (p. 35) as “argutas observações” do Dr. Amadeu José Ferreira, procurando então, sem o contrariar, uma saída técnico-jurídica para o seu argumento.”

Carlos Ferreira de Almeida, in “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”

 

“Anho 2000. Corria o mês de Março. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) recebia um novo Conselho Directivo e entrava em vigor o (novo) Código dos Valores Mobiliários que tinha sido objecto de alargada discussão e de cujo grupo de trabalho fizera parte o Dr. Amadeu Ferreira. Estas mudanças davam início a uma nova fase na sua vida profissional, porquanto assumia a função de vogal daquele órgão deliberativo, mas também na minha.”

Paula Freire, in O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”

 

E porque acredito que a rota escolhida pelo nosso Amigo Amadeu Ferreira é a mais maravilhosa aventura que a Humanidade pode viver, convido todos a entrar e a viajar neste sonho de Luz e de Paz!”

Luís Vaz das Neves, in “O Fio das Lembranças – Uma Biografia de Amadeu Ferreira”

 

Boas leituras e boas descobertas!

Buonas lheituras e buonas sçubiertas!

 

 

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“Estiveram toda a tarde a dançar aqui no largo da rua da Frágua. Um jovem esforçava-se por tocar muita gaita-de-beiços. Apenas parou quando quase todos seguiram para o Bairro Alto. Dei comigo a pensar que nunca ouvi aquela cantiga, muito diferente das que eu aprendi. Há coisas, por exemplo as cantigas, em que já não caibo, mundos que parecem já nada ter a ver comigo.”

 

É assim que começa o livro Belheç (Velhice), de Fracisco Niebro (um dos pseudónimos de Amadeu Ferreira), escrito em mirandês e em português, enriquecido com desenhos de Manuel Bandarra, que nos dá a conhecer os textos de “um velho de oitenta anos, a viver nos anos cinquenta do século XX, numa aldeia transmontana, que se senta todos os dias no poial da sua porta de casa e vê passar o mundo nas pessoas da sua aldeia.” O autor veste desta forma a pele de um homem pouco letrado que escreve com uma clareza e simplicidade puras, deixando-nos por vezes a reflectir nas suas palavras.

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A apresentação deste novo trabalho terá lugar no próximo dia 5 de março, pelas 18H00, em simultâneo com o lançamento da sua biografia escrita por Teresa Martins Marques, na Universidade Nova de Lisboa, em Campolide. São ambos publicados pela Âncora Editora.

 

Um lançamento imperdível.

 

Até lá!

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Bolo de tangerina com glacé

por Paula, em 18.02.15

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Antes de mais, fica o aviso à navegação de que este post não é a publicação atrasada de algo que se prenda com o "Dia dos Namorados". Não tenho nada contra, mas a verdade é que não costumo dar-lhe muita importância aqui no blogue.

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Por outro lado, nós por cá, temos como lema que os vários tipos de amor se celebram todos os dias com gestos como um sorriso, um elogio, um galanteio, uma flor, uma ajuda nas tarefas do dia-a-dia, uma opinião sincera, um apoio numa situação qualquer, um beijo, um abraço, um gesto inesperado, uma mão dada, um carinho, um bolo, uma festa no rosto, um olhar meigo e sincero.  Sem o amor em todas as suas formas, não somos seres completos.

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 INGREDIENTES

4 tangerinas, descascadas e sem sementes

2 ovos

170 g de farinha branca

150 g de farinha integral

1 c. de sopa de fermento

100 g de açúcar amarelo

100 ml de óleo de girassol

 

Para o glacé

1 clara de ovo

100 g de açúcar em pó

1 c. de sopa de óleo

Raspa de uma tangerina

 

PREPARAÇÃO

Aquecer o forno a 160.º C. Untar uma forma de bolo inglês com um pouco de óleo e farinha. Retirar o excesso de farinha. Reservar.

 

Num copo misturador ou liquificadora, colocar as tangerinas, o açúcar, os ovos e o óleo de girassol. Triturar tudo até obter um puré cremoso.

 

Numa tigela, colocar as farinhas e o fermento peneirados. Adicionar lentamente o puré de tangerina à medida que se vai mexendo.

 

Colocar a massa na forma e nivelar com a ajuda de uma espátula. Levar ao forno durante cerca de 40 minutos. Fazer o teste do palito antes de retirar o bolo do forno.

 

Enquanto o bolo está a cozer, poderá preparar-se o glacé. Para o efeito, juntar o óleo e a raspa de laranja ao açúcar em pó e envolver. Depois, bater a clara em castelo e adicionar, aos poucos, ao açúcar.

 

Quando o bolo estiver morno, fazer uns buracos com a ajuda de um palito e barrar com o glacé. Deixar repousar uma hora antes de servir.

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Este bolo não fica muito doce. Tem uma consistência compacta agradável (ou seja, não fica muito fofo). O facto de se picar com o palito, ajuda a que a glacé penetre no interior do bolo e lhe confira alguma humidade.

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Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

 

Nota: Esta receita foi retirada da revista Cozinha Fácil, de Janeiro de 2015.

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Farinha de Abóbora

por Paula, em 17.02.15

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A paisagem do Vale de Alvoco da Serra não era como a conhecemos hoje. Foi apenas a partir do século XIX que a Serra da Estrela viu as suas "saias" ganharem novos contornos. A "revolução" deu-se por conta do milho. 

 

Embora tenha crescido habituada a ver nascer tudo o que se plantava nas terras do Aguincho, a verdade é que nem sempre foi assim. Por um lado, as terras eram efectivamente pouco férteis; por outro, havia escassez de variedade de produtos, pelo que cada região produzia o que mais dava ou tinha para cultivar. No caso das aldeias serranas, predominava o centeio e o trigo que se adaptavam a solos mais pobres. Todavia, as sementes destes cereais rendiam pouco.

 

O milho surgiu em Portugal por volta do século XVI, mas só se estendeu às Beiras nos séculos XVIII e XIX. Sendo um cereal de bom rendimento, depressa tomou o lugar principal de cultivo. Como necessitava de bastante água, era necessário adaptar as terras íngremes ao seu cultivo e à rega. Surgem assim as levadas que conduziam as águas das ribeiras para os socalcos feitos pelos agricultores. Com esta revolução, surge também a figura do zelador das levadas, que era nomeado pelas gentes da aldeia e pago pela paróquia, que determinava as horas a que cada um podia regar. E quem fosse nomeado para a função, não podia recusar. Este sistema de uso das águas das levadas, ainda está em vigor nestas aldeias.

 

A transumância era habitual nas terras serranas, sendo que o gado era constituído essencialmente por cabras e ovelhas. Com a introdução do milho, a forragem começa a ser utilizada no Inverno para alimentar os animais, dando lugar ao esmorecimento daquela actividade, que tanto rendimento trouxe ao Vale de Alvoco, e ao aproveitamento do estrume para adubar as terras. No século XX, ainda era este o quadro da agricultura serrana. Muitas foram as viagens de Lisboa para o Aguincho em que eu e o meu pai levávamos carregos de estrume retirado das capoeiras das galinhas e dos coelhos para adubar a terra escura dos socalcos que iriam receber as batatas.

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A farinha de abóbora é um prato que se cozinhava em casa dos meus avós paternos que viviam no Aguincho. Era feito essencialmente para comer ao pequeno-almoço, mas também era servido como sobremesa. Para o efeito, adicionava-se mel, pois não havia açúcar à disposição.

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Os naperons são um produto artesanal da Botão de Pérola.

 

FARINHA DE ABÓBORA DO AGUINCHO

(Receita da minha mãe)

 

INGREDIENTES:

400 g de abóbora cozida e escorrida

3 c. de sopa de farinha de milho

3 c. de sopa de mel de rosmaninho ou de açúcar amarelo

150 ml de leite

1 gema de ovo

1 pau de canela

1 raspa de limão

 

PREPARAÇÃO:

Desfazer a abóbora, já cozida num pouco de água temperada com sal e escorrida, com a ajuda de um garfo (para uma apresentação mais rústica) ou com a ajuda da varinha mágica.

 

Num tacho, colocar o leite e juntar a gema de ovo. Mexer bem até esta se desfazer. Adicionar o açúcar e a farinha peneirada. Mexer bem com a ajuda de uma vara de arames, para não criar grumos.

 

De seguida, juntar a abóbora, o pau de canela e a raspa de limão. Colocar o tacho  ao lume. Envolver bem o preparado. Ir mexendo e deixar ferver até que ganhe a consistência desejada (tipo leite-creme).

 

Colocar em taças e decorar a gosto com canela ou frutas da época.

 

 

A receita original não leva canela nem limão. Esta é a versão da minha mãe para a enriquecer um pouco mais.

 

Bom apetite!

Que bos faga bun purbeito!

 

 

Nota: Os naperons são um produto artesanal da Botão de Pérola.

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Os dias correm frios, não deixando o Inverno a sua identidade por mãos alheias. Solta-se o vento norte, varrendo as ruas na sua viagem nocturna, acompanhado da fria geada. Um par tão infalível quanto a estação que os acolhe!

 

Nesta cordilheira de dias frios, ressoa o clamor pela lareira e pelos pratos quentes, divididos entre família e amigos. Nada mais se deseja do que o simples e caloroso convívio em torno da mesa, com aqueles de quem gostamos.

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INGREDIENTES:

2 embalagens de massa quebrada

1 kg de maçãs

1 limão

1 morcela

1 cebola, picada

3 c. de sopa de azeite

Óleo q.b.

250 ml de vinho do Porto branco

3 c. de sopa de mel (rosmaninho)

2 cravinhos

2 c. de sopa de manteiga

Canela moída q.b.

Noz-moscada (ralada na hora) q.b.

 

PREPARAÇÃO:

Ligar o forno a 180.º .

 

Untar um tabuleiro de formas para empadas (ou formas individuais) com um pouco de óleo (com a ajuda de papel de cozinha, para não deixar óleo a mais).

 

Cortar metade da quantidade de maçãs em pequenos cubos e regar com sumo de limão para não oxidar. De seguida, colocar o azeite numa caçarola, juntar a cebola e deixar refogar cerca de 10 minutos. Se necessário ir adicionando colheres de sopa de água para não deixar queimar.

 

Entretanto, retirar a tripa da morcela e, com ajuda de um garfo, desfazê-la. Reservar.

 

Adicionar as maçãs cortadas em cubos à cebola e deixar cozinhar cerca de 5 minutos.

 

É então altura de adicionar a morcela. Deixar cozinhar cerca de 3 minutos e envolver bem no preparado. Reservar.

 

Cortar a massa com um cortador circular (uma chávena também serve) com duas medidas diferentes: uma para a base e outra para a tampa da empada. Dispor as bases no tabuleiro das formas e rechear com o preparado da morcela. De seguida, colocar a tampa e fechar, pressionando a massa (pode utilizar um ovo batido e pincelar, para ser mais fácil). Levar ao forno cerca de 15 a 20 minutos, até a massa ficar cozida.

 

Cortar as restantes maçãs em rodelas e regar com sumo de limão. Numa sertã, colocar a manteiga. Quando esta tiver derretido, adicionar as maçãs e polvilhar com canela e noz-moscada a gosto. Saltear durante dois a três minutos.

 

Finalmente, preparar a calda. Para o efeito, levar um tacho ao lume com o vinho do Porto, o mel e o cravinho. Deixar levantar fervura e engrossar ligeiramente. Deixar arrefecer um pouco antes de servir com as empadas, rodeadas das fatias de maçãs e regadas com esta maravilhosa calda.

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O sabor da maçã torna a o gosto da morcela mais leve. Quando regada com a calda, eleva-se então a outro patamar onde o paladar descobre sabores leves e simultaneamente ricos. É uma entrada que resulta muito bem e que cria alguma expectativa quanto ao resto dos elementos que comporão a eventual ementa.

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Bom apetite!

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Ervilhas com ovos escalfados

por Paula, em 11.02.15

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Ervilhas com ovos escalfados é um prato que me lembra bastante a infância e que representa o que gosto de chamar de "comida conforto". O cheiro que invade a cozinha, o vapor agradável que se sente quando se destapa o tacho e as cores que preenchem o olhar, são bálsamos para a alma. Tudo é conforto, alegria, mimos em forma de bolas redondas que explodem na boca despertando o paladar.

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INGREDIENTES:

500 g ervilhas congeladas

250 g de toucinho fumado, em pedaços

2 cebolas, picadas

2 dentes de alho, picados

4 tomates, sem pele e picados

Azeite q.b.

Sal e pimenta q.b.

Água q.b.

1 c. de sopa de vinagre

4 ovos

 

PREPARAÇÃO:

Num tacho, colocar o azeite e a cebola e deixar refogar ligeiramente. De seguida, juntar o alho e deixar refogar mais um pouco. Adicionar então o toucinho fumado e deixar que liberte o seu sabor. Depois, juntar o tomate ao refogado e finalmente as ervilhas. Temperar com sal e pimenta a gosto. Deixar cozinhar cerca de 20 minutos, até as ervilhas estarem tenras.

 

Aquecer água num tacho pequeno (ou num fervedor) e juntar o vinagre. Mexer bem a água com uma colher até que crie um remoinho. Nessa altura, juntar o ovo e deixar que cozinhe. Repetir a mesma operação para cada ovo.

 

No fim, servir as ervilhas com os ovos escalfados e mais um pouco de pimenta.

 

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Bom apetite!

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